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ARTE

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terça-feira, 28 de julho de 2009

PROVÉRBIOS ESCOLHIDOS - (Z)





Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades.

Zero à esquerda.

Zomba das cicatrizes quem nunca foi ferido.

Zombai com o tolo em casa, zombará convosco na praça.



JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org

PROVÉRBIOS ESCOLHIDOS - (V)






Vai-se o tempo com o vento.

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.

Vaidade de pobre é defeito e de rico é enfeite.

Vale a lei o que quer o rei.

Vale mais a boa acção que a oração.

Vale mais cair em graça que ser engraçado.

Vale mais perder um minuto na vida do que a vida num minuto.

Vale mais prevenir que remediar.

Vale mais saber que haver e dar que receber.

Vale mais tarde que nunca.

Vale mais um bom mandador que um bom trabalhador.

Vale mais um inimigo que nos avisa do que o amigo reservado.

Vale mais um pássaro na mão que dois a voar.

Vale mais uma hora de ciência do que cem de ignorância.

Vale mais uma onça de cautela que uma arroba de botica.

Vale quanto pesa.

Vão os bons ficam os ruins.

Vão por onde o vento sopra.

Vão-se os anéis e fiquem os dedos.

Vás onde vás, com quais te achares tal te farás.

Vaso ruim não quebra.

Veda ao tolo o que queres que ele faça.

Velha gaiteira não falta a uma feira.

Velhaco e pinhal não acabam em Portugal.

Velhaco não engana velhaco.

Velhice é mal desejado.

Velhice, segunda meninice.

Velho casado com moça de poucos anos cornos temos.

Velho não se senta sem “ui”, nem se levanta sem “ai”.

Velhos são os trapos.

Vence quem se vence.

Vencer-se a si é mais que vencer o mundo.

Vende público e compra secreto.

Vender a alma ao Diabo.

Vender a pele do lobo antes de o matar.

Venha o Diabo e escolha.

Vento Leste não é vento que preste.

Vento Norte, três dias forte.

Vento suão seca a terra e não dá pão.

Vento suão, chuva na mão; de Inverno sim, de Verão não.

Vento sudoeste, mauzinho, teme dele em teu caminho.

Vento Sul friinho, água no focinho.

Ver e crer como São Tomé.

Ver para crer.

Vermelho no poente, ao outro dia bom tempo.

Vermelho para a serra, chuva na terra; vermelho para o mar, calor de rachar.

Vexame é doença.

Vi com estes olhos que a terra há-de comer.

Vi um homem que viu outro que viu o mar.

Vício de mulheres é o único que o homem pode ter porque o perde sem querer.

Vingar é lamber frio o que o outro cozinhou quente demais.

Vinho de meio, mel de baixo, azeite de cima.

Vinho e medo descobrem o segredo.

Vinho turvo, madeira verde e pão quente, são três inimigos da gente.

Violência é crise de fraqueza.

Virar a casaca.

Virar o bico ao prego.

Viver não custa, o que custa é saber viver.

Viver não posso, morrer não quero.

Voz do povo, voz de Deus.

Voz do povo, voz do Diabo.

Vozes de asno não chegam ao céu.




JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org



PROVÉRBIOS ESCOLHIDOS - (U)





Um a um, não fica cá nenhum.

Um amor mata outro.

Um anel no nariz indica um selvagem, um anel em cada orelha indica uma civilizada.

Um bom amigo vale mais do que cem parentes.

Um bom conselho até de um tolo se aceita.

Um burro carregado de livros é um doutor.

Um cérebro ocioso é a oficina do Diabo.

Um conceito corrente de democracia: o indiscutível reconhecimento do direito de eu fazer o que me apetece e não o que devo.

Um convidado convida outro.

Um crime não justifica outro.

Um dia frio e outro quente põem um homem doente.

Um doente come pouco e gasta muito.

Um forte rei faz forte a fraca gente e um rei fraco faz fraca a forte gente.

Um homem é velho a partir do momento em que deixa de ter audácia.

Um mal nunca vem só.

Um momento de paciência pode evitar muitos males.

Um no papo, outro no saco.

Um olho a dormir, outro acordado.

Um por todos todos por um.

Um só acto não faz hábito.

Um só rebanho, um só pastor.

Um tolo é aborrecido e um pedante insuportável.

Um tolo sábio é mais tolo que um tolo ignorante.

Um tolo tem sempre outro que o admira.

Uma andorinha não faz a Primavera.

Uma cabeça perdida deita muitas a perder.

Uma criança aos ombros de um gigante enxerga mais do que o gigante.

Uma injustiça feita a um é uma ameaça feita a todos.

Uma maçã pode apodrecer um cento.

Uma mão lava a outra.

Uma mão no leme, outra na escota.

Uns com tanto, outros com tão pouco.

Uns são filhos, outros enteados.

Uns se querem com medo, outros com mimo, outros com rigor.

Urso é quem lhe veste a pele.



JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org








PROVÉRBIOS ESCOLHIDOS - (T)





Tabaco e aguardente transformam os sãos em doentes.

Tal cão, tal dono.

Tal o santo tal a oferta.

Tal o santo tal o milagre.

Tal pai tal filho.

Tal vida tal morte.

Talento sem virtude é ouro sem dono.

Tanta lida para tão pouca vida.

Tantas cabeças, quantas opiniões.

Tantas cabeças, tantas sentenças.

Tantas vezes vai a bilha à fonte até que se quebra.

Tanto barulho para nada.

Tanto faz dar-lhe na cabeça como na cabeça lhe dar.

Tanto gosta a burra do seu burriquinho como a rainha do seu menino.

Tanto ri o insensato como chora o timorato.

Tanto vale a coisa quanto dão por ela.

Tanto vale a palavra dum homem como a palavra dum rei.

Tantos dias de geada terá Maio quantos Fevereiro teve de nevoeiro.

Tão belo não há nada como aquilo que nos agrada.

Tão bom é o ladrão como o que fica ao portão.

Tão bom é o Padre, como o Filho, como o Espírito Santo.

Tão ladrão, que se vendesse um cavalo, achava jeito de se ficar com a marcha do animal.

Tão rico é no outro mundo Diógenes quanto Creso.

Tão surdo é aquele que ouve e não entende como aquele que não ouve.

Tapar o sol com uma peneira.

Tarde piaste.

Teima mas não apostes.

Tem bastante quem com o que tem se contenta.

Tem má cara, mas tem bom coração.

Tem mais tretas que letras.

Tem muito tempo aquele que o não perde.

Tem tão pouca imaginação que só diz a verdade.

Tem tudo o que lhe apraz quem com pouco se satisfaz.

Teme a velhice porque nunca vem só.

Temer a morte é morrer duas vezes.

Tempo bastante sempre é pouco.

Tempo bem empregado curto parece.

Tempo é dinheiro.

Tempo é remédio.

Tempo perdido nunca mais é reavido.

Ter a faca e o queijo na mão.

Ter culpas no cartório.

Ter duas caras como o feijão frade.

Ter garras não é o mesmo que ser leão.

Ter mais olhos que barriga.

Ter medo que o mundo se acabe.

Ter o rei na barriga.

Ter rabos de palha.

Ter razão é uma coisa e ter justiça é outra.

Ter telhados de vidro.

Terra branca não dá bom pão.

Terra de fetos, guarda-a para os netos.

Terra e cal cobrem muito mal.

Terra quanta vejas, casas quantas caibas.

Teu juízo, teu mestre.

Tinha é pior que sarna.

Tirar nabos da púcara.

Toda a facção se compõe de velhacos e carneiros.

Toda a medalha tem seu reverso.

Toda a pergunta tem resposta.

Toda a rosa tem espinhos.

Toda recaída é perigosa.

Todas as consciências se compram; todas as opiniões têm um preço.

Todo o homem tem seu preço.

Todo o mundo inveja o vinho que eu bebo, mas ninguém sabe as quedas que eu tomo.

Todo o mundo quer justiça, mas não em sua casa.

Todo o reino em si dividido será destruído.

Todo o réu é inocente até que se prove que é culpado.

Todo o tinhoso quer que os outros o sejam.

Todo trabalho merece paga.

Todos falam e murmuram e ninguém olha para si.

Todos os cães têm sorte.

Todos os caminhos vão dar a Roma.

Todos os conselhos ouvirás, só o teu seguirás.

Todos querem chegar a velho, mas ninguém quer que lho chamem.

Todos são anjos na hora de pedir e diabos na hora de pagar.

Todos vivem neste mundo, mas poucos sabem viver.

Tosse seca, trombeta da morte.

Trabalhar é bom para o preto.

Trabalho de menino é pouco, mas quem o despreza é louco.

Trastes velhos e parentes: poucos e ausentes.

Tréguas são pazes.

Tremem as estrelas e resplandecem? Verás que ventos te amanhecem.

Três coisas destroem um homem: muito falar e pouco saber, muito gastar e pouco ter, muito presumir e pouco valer.

Três coisas mudam a natureza do homem: a mulher, o estudo e o vinho.

Três foi a conta que Deus fez.

Trinta dias tem Novembro, Abril, Junho e Setembro, vinte e oito terá um e os mais têm trinta e um.

Tristezas não pagam dívidas.

Triunfa-se da calúnia desprezando-a.

Tu que sabes e eu que sei, cala-te tu que eu me calarei.

Tudo é relativo.

Tudo falta a quem tudo deseja.

Tudo na vida quer tempo e medida.

Tudo no mundo tem fim.

Tudo o que é demais é sobra.

Tudo o que vier é ganho.

Tudo passa sobre a Terra.



JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org



PROVÉRBIOS ESCOLHIDOS - (S)





Sábado, cobrança; domingo, lambança; segunda, fartura; terça, ainda dura; quarta, pouco farta; quinta, faminta; sexta, esperança.

Sabe Deus as linhas com que cada um se cose.

Saber como se faz uma coisa é fácil, fazê-la é que é difícil.

Saber conversar é dizer o que é conveniente, dizer apenas o conveniente e dizê-lo de maneira conveniente.

Saber esperar é uma grande virtude.

Saber muito não evita que nos enganemos um pouco.

Saber na ponta da língua.

Sacristão novo cospe fora da igreja; sacristão velho mija no altar.

Sacudir a água do capote.

Saiba viver oculto quem quiser ser feliz.

Sair o tiro pela culatra.

Saltou o peixe, alegrou-se o tempo.

Sangue de negro é vermelho como o de branco.

Santo da terra não faz milagres.

Santo, só Deus.

Santos da casa não fazem milagres.

Santos de pau carunchoso.

São as tavernas as boticas onde se vende a loucura engarrafada ou o entusiasmo aquartilhado.

São de intolerantes as mais severas acusações de intolerância.

São favas contadas.

São lágrimas suspeitas as dos ratos nos enterros dos gatos.

São mais as vozes do que as nozes.

São mais os casos que as leis.

São mais que as mães.

São necessárias muitas mentiras para sustentar uma.

Sapo na água coaxando chuva beirando.

Sarampo, sarampelho, sete vezes vem ao pêlo.

Saúda a árvore que te abriga que bem o merece.

Saúde e paz, dinheiro atrás.

Se a alma não vê, de que servem os olhos?

Se a comida vires fazer, fartas-te antes de comer.

Se a tua mulher pensar em te atirar de uma janela pede a Deus que seja um rés-do-chão.

Se as armas falam, as leis calam.

Se as consequências dos actos condenáveis servissem de exemplo, há muito que não havia actos condenáveis.

Se bebes vinho não bebas o siso.

Se cair não passa do chão.

Se corres como mentes, vamos às lebres.

Se Deus não perdoasse a ladrão ficaria sozinho no céu.

Se Deus quiser e a justiça da terra consentir.

Se em Novembro ouvires trovão o ano que vem será bom.

Se em paz quiseres estar, deves ver, ouvir e calar.

Se és demasiado doce, comer-te-ão.

Se eu pudesse adivinhar, jogava na lotaria.

Se fores infeliz, não o digas a ninguém.

Se a ignorância pagasse imposto.

Se maior fosse o dia, maior era a romaria.

Se Maomé não vai à montanha, que vá a montanha a Maomé.

Se não convém não faças, se não é verdade não digas.

Se não faz vento não faz mau tempo.

Se não fosse o mau gosto, o que seria do amarelo?

Se não houvesse mais alhos que canela, o que eles valem valeria ela.

Se não houvesse ocasião não haveria ladrão.

Se o amor fosse cardeal há muito o Demo seria papa.

Se o bem falar é ouro, o mal falar é lodo.

Se o estrume não é santo, é certo que faz milagres.

Se o lacrau visse e a víbora ouvisse, não haveria homem que ao campo saísse.

Se o trabalho dá saúde trabalhem os doentes.

Se o vento norte ventar vai-te à fogueira sentar.

Se os homens só falassem do que entendem, em breve o mundo estaria envolto em silêncio.

Se queres bem casar, casa com teu igual.

Se queres enfermar, lava a cabeça e vai-te deitar.

Se queres o teu homem morto dá-lhe sardinhas em Maio e couves em Agosto.

Se queres que te façam justiça, sê justo.

Se queres ser bom juiz, ouve o que cada um diz.

Se queres ter um servo fiel e amigo, serve-te a ti mesmo.

Se toda a gente soubesse o que toda a gente diz de toda a gente ninguém falava a ninguém.

Se um diz “mata”, o outro diz “esfola”.

Sede prudentes e reservados, mas não misteriosos.

Segredo contado é logo espalhado.

Segredo de dois, segredo de Deus; segredo de três, segredo de todos.

Segredo meu, sabê-lo eu.

Segue a moda ou abandona o mundo.

Segue tu sempre a razão, embora a uns agrade e a outros não.

Sejamos unidos e seremos fortes.

Sem amor a ciência é vã.

Sem Deus nem até à porta e com Deus através dos mares.

Sem eira nem beira.

Sem peso nem medida.

Sem rei nem roque.

Sem ter onde cair morto.

Semear mentiras para colher verdades.

Sempre o mesmo para variar.

Sempre que Deus fecha uma porta abre uma janela.

Separar o trigo do joio.

Ser mais conhecido que puta.

Ser mais papista que o Papa.

Ser o bombo da festa.

Ser paciente e esperar, alivia muito pesar.

Ser pau para toda a obra.

Ser rico é uma condição feliz, mas poucos ricos são felizes.

Ser senhor do seu nariz.

Serra e mar sempre têm que dar.

Servir a Deus e ao Diabo.

Servir de testa de ferro.

Sete vezes peca o justo.

Setembro é o Maio do Outono.

Setembro ou seca as fontes ou leva as pontes.

Setembro, vindimar.

Siso em prosperidade, amigo em necessidade, mulher rogada e casta, raramente se acha.

Só dura a mentira enquanto a verdade não chega.

Só lembra Santa Bárbara quando troveja.

Só o rio e a puta é que trabalham na vida deitados.

Só pega no que é dele quando está mijando.

Só trabalha quem não sabe fazer mais nada.

Sobeja é a mulher onde esteja, mas onde não está falta fará.

Sociedade só com mulher e assim mesmo nem sempre convém.

Sofre de medo quem tem medo de sofrer.

Sogra e madrasta, só o nome basta.

Sogro, sogra, batata e furão só dão alguma coisa debaixo do chão.

Sol claro no poente, boa está a noite e a manhã excelente.

Sol de Inverno, chuva de Verão, choro de mulher, palavra de ladrão, ninguém caia, não.

Solteirão vive como um príncipe e morre como um cão.

Somos tão ciosos da nossa liberdade e enclausuramos os pequenos alados.

Somos todos filhos de Deus.

Sossego traz desejos.

Sou bobo mas sou feliz: mais bobo é quem me diz.

Sou tão comodista que até sou honesto.



JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org










PROVÉRBIOS ESCOLHIDOS - (R)





Razão quanto mais melhor.

Receio mais um rebanho de carneiros comandado por um leão do que um bando de leões comandados por um carneiro.

Redes no mar, moinhos de vento, bens de padres, pomares de pessegueiros, bens de rendeiros, chegam a segundos, mas não chegam a terceiros.

Rei iletrado, jumento coroado.

Rei moço, reino perigoso.

Rei morto, rei posto.

Remar contra a maré é perder tempo.

Remédio caro faz sempre bem, se não ao doente ao boticário.

Remédio de pobre doente é sepultura.

Remendo novo não pega em pano velho.

Remexer na ferida.

Renego de amigo que cobre com as asas e morde com o bico.

Repreensão bem dada é palavra abençoada.

Resolve devagar, executa depressa.

Respeita a velhice: ela é depositária da experiência.

Resposta branda ira quebranta.

Resposta comedida ira vencida.

Resta por vezes a consolação que no Dia do Juízo os homens serão recompensados pelas lágrimas que choraram e pelo que perdoaram.

Revolução que em seu começo pára, perdida está.

Ri e o mundo rirá contigo; chora e chorarás sozinho.

Ri-se o sujo do mal lavado e o roto do esfarrapado.

Ri-te agora que logo choras.

Rico bêbado é divertido, pobre bêbado é pervertido.

Rico é quem se contenta com o que tem.

Rir com um olho e chorar com o outro.

Rir é o melhor remédio.

Rir para não chorar.

Rodas e advogados precisam de ser untados.

Roma e Pavia não se fizeram num dia.

Roma não se fez num dia.



JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org





PROVÉRBIOS ESCOLHIDOS - (Q)






Qual a coruja que não gaba o toco?

Qual é o cão, tal é o dono.

Qual o maior mentiroso? Aquele que mais fala de si.

Qual o pai tal o filho, qual o filho tal o pai.

Quando a amiga do juiz morre, toda a gente vai ao enterro; quando o juiz morre, ninguém lá aparece.

Quando a de baixo não regula, a de cima perde o juízo.

Quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga.

Quando a chuva começa no minguante vai até ao mês entrante.

Quando a desgraça vem não olha a quem.

Quando a galinha tiver dentes.

Quando a Lua minguar nada hás-de semear.

Quando a puta fia, o letrado reza e o escrivão pergunta quantos são do mês, mal vai a todos três.

Quando a ribeira não faz ruído ou não leva água ou vai crescida.

Quando domina a ambição, cala-se a natureza.

Quando estiveres contrariado, conta até dez antes de proferir palavra; conta até cem se estiveres encolerizado.

Quando fizeres o bem, oculta-o; quando te fizerem o bem, divulga-o.

Quando fores bigorna, aguenta; quando fores malho, malha.

Quando ganhares dois vinténs, guarda um e gasta outro.

Quando há dez léguas a andar, nove fazem metade do caminho.

Quando há saúde estão os santos quedos.

Quando na mocidade se aprende, toda a vida dura.

Quando não puderes beber na fonte, não bebas no ribeiro.

Quando neste vale estou, outro melhor me parece, não assim quando lá vou.

Quando no primeiro encontro há a impressão de já se conhecerem há muito tempo, a convivência dura sem atritos até à velhice.

Quando o doente escapa, foi Deus que o salvou e quando morre foi o médico que o matou.

Quando o espírito anda longe, os olhos não vêem o que está ao pé.

Quando o ganho é fácil, a despesa é louca.

Quando o mal é de morte não precisa de doutor.

Quando o mal é de morte, o remédio é morrer.

Quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão.

Quando o que se dá aos pobres cabe numa mão, o que se recebe não cabe em duas.

Quando o Sol nasce é para todos.

Quando o vinho desce, as palavras sobem.

Quando os filósofos fossem reis ou os reis fossem filósofos, os povos seriam felizes.

Quando pequenos, os filhos pisam-nos os pés; quando grandes pisam-nos o coração.

Quando se declara a guerra, o Diabo alarga o Inferno.

Quando se está bem, deve-se ficar no mesmo lugar.

Quando se ouve o tiro a bala já anda longe.

Quando sofremos, queixamo-nos da natureza ou da fortuna para nos justificarmos do procedimento que ocasionou os nossos males.

Quando tenhas um segredo guarda-o bem, não o digas a ninguém.

Quando todos quiserem, larga; quando todos não quiserem, pega.

Quando um burro fala os outros baixam as orelhas.

Quando um pobre come galinha, um dos dois está doente: ou o pobre ou a galinha.

Quanto maior a tolice feita, mais o tolo se admira a si mesmo.

Quanto maior é a riqueza, maior é a ambição.

Quanto maior é a subida, maior é a queda.

Quanto maior for a nau, maior a tormenta.

Quanto mais beata mais coirata.

Quanto mais conhecidos se tem, menos se conhece as pessoas.

Quanto mais ignorante mais arrogante.

Quanto mais me bates mais eu gosto de ti.

Quanto mais me dão pelo meu burro, mais ele vale.

Quanto mais o génio do homem se eleva, mais as suas vistas se estendem.

Quanto mais perto da Igreja mais longe de Deus.

Quanto mais prima, mais se lhe arrima.

Quanto mais se tem, mais se quer.

Quase todos os nossos pesares vêm dos nossos pensares.

Quatro coisas desterram a justiça: o amor, o ódio, o medo e a ignorância.

Quatro horas dorme um santo, cinco o que não é santo, seis o estudante, sete o caminhante, oito o porco e nove o morto.

Quatro olhos a um tempo nunca viram um fantasma.

Que Deus se fez homem, seja; porém o Diabo se fez mulher.

Queimar o último cartucho.

Quem a Deus procura a Deus acha.

Quem a dois amos servir a alguém há-de mentir.

Quem a ferro mata, a ferro morre.

Quem a outro serve não é livre.

Quem a pequenos incómodos se poupar, a muitos trabalhos se há-de sujeitar.

Quem a si mesmo teme nada mais tem a temer.

Quem a tempo não foge do abismo é pelo abismo engolido.

Quem abona o caloteiro perde o amigo e o dinheiro.

Quem acompanha um coxo ao fim de três dias coxeia.

Quem adormece a dizer mal acorda caluniado.

Quem anda à chuva molha-se.

Quem anda em demanda com o Diabo anda.

Quem anda pela cabeça dos outros é piolho.

Quem anda pela casa alheia leva fama de faminto.

Quem aos trinta não pode, aos quarenta não sabe e aos cinquenta não tem, nunca será ninguém.

Quem aplica a justiça deve temê-la.

Quem asno era antes de ser rico, asno fica.

Quem bate no cão bate no dono.

Quem bem julga melhor governa.

Quem bem me quer ama o que eu tiver.

Quem bem nada não se afoga.

Quem bem quer a beltrão bem quer a seu cão.

Quem boa cama fizer nela se deitará.

Quem brinca com fósforos mija na cama.

Quem burro vai a Santarém, burro vai e burro vem.

Quem cá as faz cá as paga.

Quem cá ficar que o ganhe.

Quem cabras não tem e cabritos vende de algum lugar lhe vem.

Quem cala consente.

Quem cala consente, mas não sempre.

Quem canta seus males espanta.

Quem canta seus males espanta, quem chora mais os aumenta.

Quem casa a correr, toda a vida tem para se arrepender.

Quem casa com mulher feia e rica tem ruim cama e boa mesa.

Quem casa não pensa, quem pensa não casa.

Quem cedo se deita e cedo se levanta, doença, pobreza e velhice espanta.

Quem chora seu mal consola.

Quem chora seu mal piora.

Quem cochicha o rabo espicha.

Quem com águas se cura pouco dura.

Quem com ferros mata com ferros morre.

Quem come da taberna duas casas governa.

Quem comeu a carne que lhe roa os ossos.

Quem compra o que não pode vende o que não deve.

Quem compra o que não pode vende o que não quer.

Quem compra o supérfluo vende o necessário.

Quem conselhos não toma ajudas não merece.

Quem conta um conto acrescenta um ponto.

Quem corre cansa e quem vai devagar sempre alcança.

Quem corre por gosto não cansa.

Quem cospe para o ar para a cara lhe vem.

Quem cuida da vida dos outros se esquece da sua.

Quem dá antes da morte terá má sorte.

Quem dá aos pobres empresta a Deus.

Quem dá bom exemplo dá bom conselho.

Quem dá com Deus se parece.

Quem dá conselhos sem se lhe pedir é coroado todas as sextas-feiras em Roma com uma capela de cornos.

Quem dá e torna a tirar ao Inferno vai parar.

Quem dá nó não perde ponto.

Quem dá o que pode a mais não é obrigado.

Quem dá o que tem a mais não é obrigado.

Quem de doidice enfermar tarde ou nunca há-de sarar.

Quem de esperança vive, desesperado morre.

Quem de golpe deita água na garrafa mais derrama do que colhe.

Quem de muito quer saber mexerico quer fazer.

Quem de nenhuma culpa se ofende nenhum merecimento o obriga.

Quem de novo dança bem de velho seu jeito tem.

Quem de novo não melhora de velho sempre piora.

Quem de novo o trabalho toma a peito para velho lhe fica o jeito.

Quem de si escuta ouve o que não quer.

Quem de todos é amigo ou muito pobre ou muito rico.

Quem de tudo prova de tudo se cansa.

Quem deixa a Deus na vida Deus o deixa na morte.

Quem demanda tem não dorme bem.

Quem desconfia fica sábio.

Quem desdenha quer comprar.

Quem deseja fazer algo encontra um meio, quem não quer fazer nada encontra uma desculpa.

Quem Deus ama cedo chama.

Quem diz a verdade não merece castigo.

Quem diz “eu não erro” engana-se precisamente nesse momento.

Quem diz o que não deve ouve o que não quer.

Quem diz o que não viu arrisca-se a mentir.

Quem diz o seu segredo mal calará o alheio.

Quem diz tudo quanto sabe fica sem saber de nada.

Quem do vinho é amigo de si mesmo é inimigo.

Quem dois amores quer servir a um deles há-de mentir.

Quem é bom já nasce feito.

Quem é bom não se mistura.

Quem é cornudo e consente que o seja para sempre.

Quem é fácil no amar é fácil no aborrecer.

Quem é inimigo da noiva como dirá bem do noivo?

Quem é mais porco? O porco ou o homem que come o porco?

Quem é parvo pede a Deus que o mate.

Quem é pobre de desejos é rico de contentamentos.

Quem é só é senhor de si.

Quem é visto é lembrado.

Quem é vivo sempre aparece.

Quem em um pecado falece em todos é culpado.

Quem em vida se deserda para si só tem merda.

Quem encobre ladrão é ladrão e meio.

Quem encomendou o sermão que o pague.

Quem espera desespera.

Quem espera por sapatos de defunto anda sempre descalço.

Quem espera sempre alcança.

Quem está de fora não racha lenha.

Quem está mal que se mude.

Quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro.

Quem estraga velho paga novo.

Quem eu quero não me quer; quem me quer não me convém.

Quem fala assim não é gago.

Quem fala dos filhos meus não olha para os seus.

Quem faz bem ao ingrato compra caro e vende barato.

Quem faz boa romaria é o que em casa fica em paz.

Quem faz o que pode a mais não é obrigado.

Quem faz um cesto faz um cento.

Quem fez o mundo que o governe.

Quem foge não diz para onde vai.

Quem foi ao mar perdeu o lugar.

Quem foi infiel uma vez sê-lo-á duas ou três.

Quem for para o mar avie-se em terra.

Quem ganha deitado é mulher.

Quem ganha sem despender não se lembra que há-de morrer e que herdeiros há-de ter.

Quem gasta mais do que tem a pedir vem.

Quem gosta de velho é reumatismo.

Quem governa não graceja.

Quem guerreia por pão de centeio ou a fome é muita ou a vergonha pouca.

Quem há-de pedir aos Santos peça a Deus.

Quem julga será julgado.

Quem leva e traz não deixa paz.

Quem má cama faz nela jaz.

Quem má cama faz nela se deita.

Quem mais sabe menos afirma.

Quem mais se humilha mais se exalta.

Quem mal procura mal encontra.

Quem me avisa meu amigo é.

Quem me lisonjeia é meu inimigo, quem me aponta as minhas falhas é meu amigo.

Quem me manda ir a bordo de tal xaveco?

Quem menos sabe mais finge saber.

Quem mija claro não carece de doutor.

Quem morre porque quer não se lhe reze pela alma.

Quem morre vive.

Quem muito burro toca algum há-de ficar para trás.

Quem muito escolhe com o pior fica.

Quem muito tem muito gasta; quem pouco tem pouco lhe basta; quem nada tem Deus o mantém; quem gasta menos do que tem é prudente; quem gasta mais do que tem mostra que siso não tem; quem gasta o que não tem é ladrão; quem gasta o que tem é cristão.

Quem muito vê um olho lhe basta.

Quem na aldeia é má pessoa pior é em Lisboa.

Quem na vida não faz mal nem bem no Inferno seu lugar tem.

Quem nada cria nada tem.

Quem nada tem Deus o mantém.

Quem não aceita conselhos não merece ajuda.

Quem não aparece esquece, mas quem muito aparece tanto lembra que aborrece.

Quem não arrisca não perde nem ganha.

Quem não arrisca não petisca.

Quem não as faz em novo, prega-as em velho.

Quem não chora não mama.

Quem não come por ter comido o mal não é de perigo.

Quem não é bom soldado não será bom capitão.

Quem não é para comer não é para trabalhar.

Quem não é pontual não é de fiar.

Quem não é por mim é contra mim.

Quem não é visto não é cobiçado.

Quem não furta nem herda não tem senão merda.

Quem não labuta não manduca.

Quem não morre da doença morre da cura.

Quem não muda de caminho é trem.

Quem não o conhecer que o compre.

Quem não pode arreia.

Quem não pode dormir acha a cama mal feita.

Quem não quer casar não enxovalha a filha de ninguém.

Quem não quer deixar nada ao herdeiro faz casa de pinho e planta pessegueiro.

Quem não quer ser lobo não lhe vista a pele.

Quem não quer sofrer nasce morto.

Quem não sabe desdenha do que devia saber.

Quem não sabe inventa.

Quem não se dá ao respeito não é respeitado.

Quem não se respeita ninguém o respeita.

Quem não se sente não é filho de boa gente.

Quem não sente o mal alheio não espere que lhe sintam o seu.

Quem não suar não beba.

Quem não te conhecer que te compre.

Quem não tem cão caça com gato.

Quem não tem culpa não pede desculpa.

Quem não tem dinheiro não tem vícios.

Quem não tem quem o chore todos os dias morre.

Quem não tem sofrido muito tem aprendido pouco.

Quem não tem unhas não toca viola.

Quem não tem vergonha da palavra não a tem da pancada.

Quem não tem vergonha não tem honra.

Quem nasce burro morre besta.

Quem nasce torto tarde ou nunca se endireita.

Quem o bem fizer para si é.

Quem o é logo o mostra.

Quem o feio ama bonito lhe parece.

Quem o mal procura o mal encontra.

Quem o ouve não o leva preso.

Quem o seu inimigo poupa nas mãos lhe morre.

Quem o tem logo o mostra.

Quem ovelha se faz o lobo o come.

Quem paga adiantado é mal servido.

Quem para si junta para os outros poupa.

Quem parte e reparte e não fica com a maior parte ou é tolo ou não tem arte.

Quem pedra para cima deita cai-lhe na cabeça.

Quem perde dinheiro perde muito; quem perde um amigo perde mais; quem perde a alegria perde tudo.

Quem pode o mais pode o menos.

Quem pode ser livre não se cative.

Quem pode ser livre não se cative, quem pode ser todo seu sendo de outro é sandeu.

Quem poderá dizer: “Desta água não beberei e por isso não passarei?”

Quem por morte alheia espera a sua lhe chega primeiro.

Quem pouco ganha e muito gasta se não herdou furtou.

Quem poupa só para ter não se lembra que há-de morrer.

Quem quer casar sempre casou, se não com quem quer é com quem achou.

Quem quer contas quer clareza.

Quem quer faz, quem não quer manda.

Quem quer o que Deus quer, há-de ser o que Deus quiser.

Quem quer respeito dá respeito.

Quem quer ser estimado deve estimar-se a si próprio.

Quem quer ser mais do que é fica pior do que está.

Quem quer ter boa sorte não tema o tempo nem a morte.

Quem quer vai, quem não quer manda.

Quem quiser emendar o mundo faça-o em si.

Quem quiser que lhe obedeçam muito mande pouco.

Quem quiser ser muito tempo velho comece cedo a sê-lo.

Quem quiser vencer aprenda a sofrer.

Quem quiser viver em paz tem de ser surdo, cego e mudo.

Quem regateia quer comprar.

Quem regateia quer pagar.

Quem ri por último ri melhor.

Quem rouba tostão é ladrão; quem rouba milhão é barão.

Quem sabe não fala; quem fala não sabe.

Quem sai aos seus não degenera.

Quem se ama sempre se encontra.

Quem se aventura a amar sujeita-se a padecer.

Quem se deserda antes que morra precisa apanhar com uma cachaporra.

Quem se engana aprende.

Quem se exalta será humilhado.

Quem se levantou primeiro da cama no dia seguinte ao do casamento é o primeiro a morrer.

Quem se rala morre cedo.

Quem se ri dos conselhos da prudência da sua leviandade recebe a recompensa.

Quem se sentir sem culpa atire a primeira pedra.

Quem se vence vence o mundo.

Quem segue a razão a uns agrada a outros não.

Quem sem razão te quer honrar ou precisa de ti ou te quer enganar.

Quem semeia ventos colhe tempestades.

Quem sempre fala de grandes é pequeno.

Quem sorri em vez de praguejar é sempre o mais forte.

Quem sua vida complica seus cuidados multiplica.

Quem te avisa teu amigo é.

Quem te encomendou o sermão?

Quem tem a vista curta deve olhar de perto.

Quem tem amor tem ciúme.

Quem tem boca vai a Roma.

Quem tem burro e anda a pé ainda mais burro é.

Quem tem casa de renda, terra de meias e bois de aluguer quer o que Deus não quer.

Quem tem costa quente é valente.

Quem tem cu tem medo.

Quem tem Deus por si não pede a santo.

Quem tem filhos tem cadilhos e quem os não tem cadilhos tem.

Quem tem medo compra um cão.

Quem tem medo de sofrer sofre de medo.

Quem tem medo morre cedo.

Quem tem medo recolhe para casa cedo.

Quem tem o seu segredo não conte a mulher errada, que a mulher conta ao marido e o marido à criada.

Quem tem quem o chore cada dia morre.

Quem tem saúde e liberdade é rico e não o sabe.

Quem tem telhados de vidro não deve atirar pedras ao telhado do vizinho.

Quem tem unhas é que toca guitarra.

Quem tem vagar faz colheres.

Quem teme a morte perde quanto vive.

Quem tiver filha no mundo não fale das malfadadas.

Quem trabalha de graça é relógio, assim mesmo é porque lhe dão corda e ele não faz força.

Quem vai à guerra dá e leva.

Quem vai ao mar avia-se em terra.

Quem vai ao mar perde o lugar.

Quem vê caras não vê corações.

Quem vê um vê-os todos.

Quem viaja por terras estranhas vê o que quer e o que não quer.

Quem vier atrás feche a porta.

Quem vive assim não pode dizer que vive.

Quer o tinhoso que todos o sejam.

Querei-me pelo que vos quero, não me faleis em dinheiro.

Querendo os nubentes, merda para os parentes.

Querer a todos contentar não é saber governar.

Querer desculpar a asneira é asnear de outra maneira.

Querer é poder.

Queres saber o valor de um cruzado? Vai pedi-lo emprestado.

Queres saber o valor do dinheiro? Não perguntes ao herdeiro.

Queres ver o porvir? Olha o passado.



JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org



PROVÉRBIOS ESCOLHIDOS - (P)






Paga o justo pelo pecador.

Pagar e morrer o mais tarde que puder ser.

Pagar em dia de São Nunca às tarde.

Pai não tiveste, mãe não temeste, diabo te fizeste.

Palavra de homem não volta atrás.

Palavra puxa palavra.

Palavras loucas, orelhas moucas.

Palavras são fêmeas e factos são machos.

Panela que muitos mexem sai mal temperada.

Pão quente, nem a são nem a doente.

Papa por votos, rei por natureza, imperador por força.

Papas à noite fazem azia.

Papel também é branco e limpa-se o cu com ele.

Para a frente é que é o caminho.

Para a morte não há casa forte.

Para amanhã Deus dará.

Para boa vida levar, ver, ouvir e calar.

Para cá do Marão mandam os que cá estão.

Para cada ocasião tenha um provérbio sempre à mão.

Para gozar eu; para trabalhar um irmão que Deus me deu.

Para grande crime grande castigo.

Para grandes males grandes remédios.

Para homem honrado não há mau juiz.

Para inglês ver.

Para lá do Marão governam os que lá estão.

Para mentir nada há como o velhinho na própria terra e o novo na terra alheia.

Para morrer basta estar vivo.

Para o farto não existe o faminto.

Para o louco todos os dias são de festa.

Para o trabalho se chama duas ou três vezes, para comer uma só.

Para que o ano não vá mal, hão-de encher os rios três vezes entre o São Mateus e o Natal.

Para quem é bacalhau basta.

Para quem é meia palavra basta.

Para saber não basta ler; é preciso viver e ver.

Para saber quem é vilão é meter-lhe a vara na mão.

Para trás mija a burra.

Parar é morrer.

Parece que foi buscar a morte.

Parece que o colonialismo só desaparece com o neocolonialismo.

Parece-se o que se parece; é-se o que se é.

Parecer não é ser.

Passa o vento e fica a chuva.

Passado o perigo esquece-se o santo.

Passar como cão por vinha vindimada.

Passar de cavalo a burro.

Passar por baixo da mesa.

Patos para a Beira, velhas à fogueira; patos para o mar, velhas a assoar.

Patrão fora dia santo na loja.

Pau de virar tripas.

Pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

Pecado confessado é meio perdoado.

Pedagogia: a Escolástica do nosso tempo.

Pedir a todos os santos.

Peixe não puxa carroça.

Pela boca morre o peixe.

Pelejam as comadres, descobrem-se as verdades.

Pelo Entrudo pode-se tudo.

Pelos amigos novos se esquecem os velhos.

Pelos amores novos se esquecem os velhos.

Pensa antes de prometer e prometendo cumpre.

Pensa bem que de prudente não passes a demente.

Pensa devagar e trabalha depressa.

Pensa muito, fala pouco, escreve menos.

Pensa que és infeliz e serás o maior desgraçado.

Pequenas causas produzem grandes efeitos.

Pequeno rombo faz soçobrar grande navio.

Perca-se tudo menos a fama.

Perca-se tudo menos a honra.

Perde o negócio e a honra quem perde a honra por negócio.

Perder as estribeiras.

Perder o fio à meada.

Perder o tempo e o latim.

Perder tempo com coisas que não interessam priva-nos de descobrir coisas interessantes.

Perder uma batalha não é perder a guerra.

Perdido por cem, perdido por mil.

Perdoai tudo a todos e a vós nada.

Perdoar sem esquecer é a misericórdia de Satanás.

Perdoar uma vez mas não três.

Pernas são canelas, merda para quem olha para elas.

Pés quentes, cabeça fria, cu aberto, boa urina, merda para a medicina.

Pica de velho? É língua.

Pimenta no cu da gente é refresco no cu dos outros.

Pior a emenda que o soneto.

Pior cego é o que não quer ver; pior surdo é o que não quer ouvir.

Pior é fingido amigo que declarado inimigo.

Pior é ter mau médico que estar enfermo.

Pobre com rica casado, mais que marido é criado.

Pobre não é quem pouco tem, mas quem cobiça o muito a alguém.

Pobrete mas alegrete.

Pobreza não é vergonha.

Pode-se frequentemente comparar as dignidades a esses mausoléus carregados dos mais pomposos títulos, debaixo dos quais se não acha mais que podridão e vermes.

Podemos ir longe se tivermos sabedoria, serenidade e imaginação.

Podemos livrar-nos dum mentiroso, mas não dum mexeriqueiro.

Pôr a boca no mundo.

Por Abril corta um cardo: nascerão mil.

Pôr água na fervura.

Pôr as cartas na mesa.

Por baixo do pano.

Por cima púrpura, por baixo andrajos.

Por dar esmolas nunca falta à bolsa.

Por fazer compras baratas muita gente se arruina.

Por mais que o amor se encubra mais se dissimula.

Por morrer uma andorinha não acaba a Primavera.

Por riqueza não te exaltes, por pobreza não te rebaixes.

Por um cravo se perde uma ferradura; por uma ferradura um cavalo; por um cavalo um cavaleiro; por um cavaleiro um exército inteiro.

Por um alguidar de vento não se perca um alguidar de tripas.

Por um que morre de sede, morrem cem mil de beber.

Porcos com fome, homens com vinho, fazem grande ruído.

Porta da rua é serventia da casa.

Posso esconder-me de mim?

Possuir só a noite e o dia.

Pouca peçonha não mata.

Poucas leis, bom governo.

Pouco aprende quem muito dorme.

Pouco mande quem quer que muito lhe obedeçam.

Pouco viverá quem muito não vir.

Poucos homens raciocinam e todos querem decidir.

Poucos são os que têm coragem para afirmar que el-rei de há muito anda nu.

Poupado, sim! Sovina, não!

Praça que parlamenta está prestes a render-se.

Praga de enforcado pega sempre.

Precisas é de sarna para te coçares.

Prefiro apertar o cinto a usar coleira.

Prefiro sustentar um burro a pão-de-ló.

Pregar a padres, confessar freiras e espulgar cães é perder o tempo e o trabalho.

Pregar no deserto.

Preso por ter cão e preso por não o ter.

Presunção e água benta cada um toma a que quer.

Primeiro a obrigação, depois a devoção.

Primeiro eu, segundo eu, terceiro eu mesmo.

Procede como gostarias que procedessem contigo.

Procurando uma grande felicidade, quantas pequenas felicidades deixamos perder.

Procurar uma agulha num palheiro.

Procura-se o vento na coroa dos outeiros e a água no fundo dos vales, mas a vergonha quem a perdeu nunca mais a achou.

Proíbe ao tolo o que queres que ele faça.

Prometer mundos e fundos.

Prova é melhor que discussão.

Prudência e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Prudência é não querer o que se não pode ter.

Puta só, ladrão só.

Puxar a brasa à sua sardinha.



JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org



PROVÉRBIOS ESCOLHIDOS - (O)






O abuso das riquezas é pior que a falta delas.

O abuso ensina o verdadeiro uso.

O acaso é pai dos grandes acontecimentos.

O acaso é uma palavra inventada pela ignorância.

O amor cria o mundo, o dever governa-o.

O amor de um estudante não dura mais que uma hora.

O amor dos asnos entra aos coices e sai aos bocados.

O amor é a mais forte das paixões, porque ataca ao mesmo tempo a cabeça, o coração e o corpo.

O amor é como a Lua: quando não cresce mingua.

O amor é na mocidade o que a mocidade é na vida, o que a vida é na eternidade, isto é, um relâmpago.

O amor e o menino começam brincando e acabam chorando.

O amor faz passar o tempo e o tempo faz passar o amor.

O amor não tem lei.

O anão quanto mais alto sobe menor parece.

O animal mais inimigo do homem é o outro homem.

O arrependimento é a primavera da virtude.

O asno aguenta a carga, mas não a sobrecarga.

O ausente a cada dia que passa afasta-se mais um pouco.

O autoconhecimento é uma virtude cuja conquista exige árdua luta.

O avarento não tem e o pródigo não terá.

O avarento onde tem o tesouro tem o entendimento.

O avarento por um real perde um cento.

O bacalhau quer alho.

O bem e o mal se harmonizam de tal modo que deles resulta a renovação e perpetuidade do mundo.

O bem que se faz por temor não tem duração nem valor.

O bezerrinho manso mama o seu e o alheio.

O bocado é para quem o come e não para quem o faz.

O bocado está guardado para quem o há-de comer.

O boi pelos cornos, o homem pela palavra.

O bom da viagem é quando se chega a casa.

O bom filho à casa torna.

O bom fruto vem da boa semente.

O bom gosto não se ensina.

O bom juiz ouve o que cada um diz.

O bom julgador por si julga.

O bom ladrão antes de roubar faz oração.

O bom nadador é que se afoga.

O bom pai ame-se e o mau sofra-se.

O bom passarinho ama o seu ninho.

O bom saber é calar até chegar o tempo de falar.

O bom vinho arruina o pobre e o mau estômago.

O Brasil é inferno dos negros, purgatório dos brancos e paraíso dos mulatos.

O brasileiro não sofre de falta de persistência, mas sim de persistência na falta.

O burro adiante para que se não espante.

O burro não é tão burro como se pensa.

O burro sempre vai na frente.

O cabra bom já nasce feito.

O cachaceiro passa mais tempo sem beber água que o camelo.

O caminho de Damasco.

O cântaro tantas vezes vai à fonte até que se quebra.

O canto do cisne.

O cão com raiva seu dono morde.

O cão é meu amigo, meu inimigo a mulher e o filho meu senhor.

O cão velho quando ladra dá conselho.

O carneiro quanto mais recua maior é a marrada.

O caro é barato e o barato é caro.

O casamento é como a gripe: descobre todas as doenças.

O castanheiro, para plantar, deve ir na mão, o carvalho às costas, o sobreiro no carro.

O céu dos pardais é a barriga dos gatos.

O ciúme depende mais da vaidade que do amor.

O começo é a parte mais importante de qualquer trabalho.

O comerciante e o porco só depois da morte se sabe o que têm.

O comer e o coçar vai do começar.

O coração alegre torna o semblante agradável.

O corno é o último a saber.

O costume faz lei.

O cu deve dizer com as calças.

O cu nada tem com as calças.

O demasiado rompe o saco.

O desejo é uma árvore folhuda, a esperança um arbusto em flor e o gozo uma árvore com fruta.

O dever acima de tudo.

O dia de amanhã ainda ninguém o viu.

O Diabo ajuda os seus.

O Diabo dá, o Diabo tira.

O Diabo depois de velho fez-se ermitão.

O Diabo faz com uma mão e desfaz com a outra.

O Diabo não quis nada com garotos.

O Diabo reza também.

O Diabo se fez homem de bem quando ficou velho.

O Diabo tece-as.

O Diabo tenta o homem e o ocioso o Diabo.

O dinheiro abre todas as portas.

O dinheiro cala a verdade.

O dinheiro cega a razão.

O dinheiro compra pão, mas não compra gratidão.

O dinheiro é a medida de todas as coisas.

O dinheiro é bom de gastar e mau de ganhar.

O dinheiro é passaporte para tudo, menos para a saúde.

O dinheiro não compra a felicidade.

O dinheiro será teu senhor, se não for teu escravo.

O dinheiro voa.

O discreto entende antes de ouvir.

O dito dito.

O dizer é nada, o fazer é tudo.

O doce nunca amargou.

O doido faz doidos, dana muitos e ensina a poucos.

O egoísta, amando só a si, de ninguém é amado; é, pois, o egoísmo um suicídio moral.

O elogio mais bem merecido é o do nosso inimigo.

O ente mais feroz da criação é uma alma humana sem piedade.

O erro do ignorante não é miséria.

O erro repetido passa por verdade.

O espectador vê melhor que o jogador.

O espírito humano não tem imunidade contra o absurdo.

O exercício regular e pormenorizado da imaginação devia ter precedência sobre todos os outros exercícios educativos.

O fácil de se dizer é difícil de se fazer.

O fanatismo é à religião o que a hipocrisia é à virtude.

O feitiço cai sobre o feiticeiro.

O feitiço virou-se contra o feiticeiro.

O fim da vida é triste, o meio nada vale e o começo é ridículo.

O fim justifica os meios.

O fraco de todos diz mal em segredo.

O fraco ofendido atraiçoa e o forte perdoa.

O freio do bom é o amor e do mau o temor.

O fruto proibido é o mais apetecido.

O futuro a Deus pertence.

O génio ouve um indivíduo e compreende centenas deles.

O hábito elegante cobre às vezes um tratante.

O hábito faz o monge.

O hábito não faz o monge.

O homem clarividente não é o que vê a montanha, mas aquele que distingue o que está por detrás da montanha.

O homem de juízo não diz o que faz, mas nada faz que não possa ser dito.

O homem é forte, a mulher é fraca, mas é ela quase sempre quem domina.

O homem é o único animal que chora quando nasce.

O homem é um canalha que traz a vara do Diabo entre as pernas.

O homem faz a mulher e a mulher faz o homem.

O homem faz-se por si.

O homem menos livre é aquele que tem mais escravos.

O homem não é propriedade do homem.

O homem nasce, vive e morre na escuridão: ao nascer cozem-no com trapos; durante a vida anda curvado no jugo de insensatas instituições e à morte pregam-no numa tumba para se reproduzir noutros bichos.

O homem nasceu para trabalhar como a ave para voar.

O homem que é homem é benevolente com todos os homens.

O homem que junta dinheiro não tem fé em Deus.

O homem que vive na taberna acaba por morrer no hospital.

O homem velho é médico de si.

O homem vive na desgraça alheia e morre na sua.

O ídolo das mulheres não é o marido, mas sim a moda.

O ignorante a todos repreende e fala mais do que menos entende.

O interesse é a escala ou mola real das acções humanas.

O invejoso emagrece de ver a gordura alheia.

O invejoso tem um no papo, outro no saco e chora pelo do prato.

O João Alguém só ouve o que lhe convém.

O ladrão cuida que todos são.

O leão é às vezes manjar de pequenas aves.

O leão pode precisar do rato.

O lobo com fome cardos come.

O mais difícil é ser simples.

O mal alheio dá conselho.

O mal de cornudo: ele não sabe e sabe-o todo o mundo.

O mal de nossos avós fizeram-no eles pagamo-lo nós.

O mal tem asas e o bem anda com passo de tartaruga.

O mar afumaçado adivinha bom tempo.

O matrimónio é um saco onde há noventa e nove víboras e uma enguia; quem lhe mete a mão pode apostar noventa e nove contra um que apanha víbora.

O medo da guerra é a maior garantia da paz.

O medo faz ainda mais tiranos que a ambição.

O medroso até da sombra tem medo.

O mel é pouco e os lambedores muitos.

O melhor bocado é o furtado.

O melhor das cartas é não se pegar nelas.

O melhor é inimigo do bom.

O melhor é o que fica por dizer.

O mentiroso é primo do ladrão.

O mesmo canivete me corta pão e dedo.

O milho plantado tarde dá pendão não dá espiga.

O milho sachado tarde não pode dar boa espiga.

O moço por não querer e o velho por não poder deitam muita coisa a perder.

O momento foge como um relâmpago.

O momento que passa é gota de vida que não volta a cair.

O mundo acaba para quem morre.

O mundo é uma bola e quem anda nele é que se amola.

O mundo é uma escadaria: sobem uns, descem outros.

O mundo fala de tudo.

O mundo para ser bom precisa de se fazer outro.

O nabo e o peixe debaixo da geada crescem.

O nascimento desiguala, a morte iguala a todos.

O néscio está bem em toda a parte, o sábio nunca melhor que no retiro e solidão.

O número dos tolos é infinito.

O objectivo da arte não pode ser o sonho mas a vida.

O olho do cego é na mão.

O olho do mestre é régua.

O óptimo é inimigo do bom.

O orgulho almoça com a fartura, janta com a pobreza e ceia com a vergonha.

O país do amor não tem fronteiras.

O pano desça! A comédia acabou!

O pau entorta no cu do rico e quebra no do pobre.

O peixe que foge do anzol parece sempre maior.

O perigo não conhece amigos.

O pesar sem lágrimas sangra interiormente.

O pior cego é o que não quer ver.

O pouco basta ao sábio, muito menos ao santo.

O povo tem o governo que merece.

O precisar ensina a rezar.

O prestígio pela força das armas é o desprestígio da razão pela força.

O primeiro erro é endividar-se, o segundo é faltar à verdade.

O primeiro milho é dos pardais.

O primeiro parvo pode escrever; o primeiro de cada dois parvos pode fazer crítica literária.

O primeiro passo para o bem é a abstinência do mal.

O proibido aguça o dente.

O prometido é devido.

O público e notório não carece de prova.

O pudor é a virtude que o vício menos procura imitar.

O que a chuva faz num dia o sol não desmancha em dois.

O que a escola rejeita a prisão aproveita.

O que a um cura a outro mata.

O que aborrece nas antiguidades é que elas se vendem pelos preços de hoje.

O que abusa do poder perde-o tarde ou cedo.

O que aguenta mais peso neste mundo é pau em pé e mulher deitada.

O que aperta é o que segura; o que dói é o que cura.

O que arde cura e o que aperta segura.

O que arma a esparrela cedo ou tarde cai nela.

O que berço dá só a cova tira.

O que cair na rede é peixe.

O que cedo amadurece cedo apodrece.

O que cresce não faz falta.

O que custa é descobrir e inventar e não imitar.

O que dá fama dá desdém.

O que dá para receber enganado deve ser.

O que de nada duvida nada sabe.

O que deveras queremos cedo ou tarde alcançaremos.

O que dinheiro não fizer neste mundo nada mais faz.

O que é bom acaba-se depressa.

O que é bom é para se ver.

O que é bom nunca é demais.

O que é bom por si se gaba.

O que é dado esquece, o que é emprestado sempre lembra.

O que é de paz cresce por si.

O que é demais aborrece.

O que é demais mal não faz.

O que é esperado é que não é agradecido.

O que é mal adquirido pela mão escorrega.

O que é novo depressa envelhece.

O que é raro é caro.

O que é verdade diz-se.

O que é vivo aparece.

O que em tua vida não fizeres de teus herdeiros não esperes.

O que está feito feito está.

O que está feito não tem remédio.

O que está na massa do sangue não se pode negar.

O que eu comi nunca o verei; o que praticar lá o encontrarei; o que eu trabalhar cá o deixarei.

O que existe na gente existe nos outros.

O que fala com os olhos fechados quer ver os outros enganados.

O que faz bem ao bofe faz mal ao fígado.

O que faz bem ao fígado faz mal ao baço.

O que faz bem ao fígado faz mal ao bofe.

O que faz o doido à derradeira faz o sisudo à primeira.

O que foi e já não é é o mesmo que nunca fosse.

O que há mais neste mundo é pau torto e gente besta.

O que há mais neste mundo é mulher feia e homem sem palavra.

O que Joãozinho nunca aprendeu, João nunca mais aprende.

O que lá vai lá vai.

O que mal começa mal acaba.

O que me repreende das más línguas me defende.

O que não lembra ao Diabo lembra aos miúdos.

O que não mata engorda.

O que não mexe enferruja.

O que não ouve senão um som não sabe mais que um tom.

O que não tem remédio remediado está.

O que necessitas é conseguir encontrares-te a ti mesmo um pouco todos os dias.

O que nós somos fala mais alto do que o que dizemos.

O que o berço dá a tumba o leva.

O que o olho não veja o coração não deseja.

O que o sábio guarda no coração tem na boca o beberrão.

O que os olhos não vêem o coração não sente.

O que se acaba pelo fundo é rede, velho e panela.

O que se aprende no berço dura até à sepultura.

O que se contenta com pouco tem mais que quem mais deseja.

O que se faz de noite de dia aparece.

O que se há-de pedir aos santos peça-se a Deus.

O que se leva desta vida é a vida que a gente leva.

O que se prometer tem de se cumprir.

O que se tem de fazer num dia não se deixe para outro dia.

O que se viveu é como o que se perdeu: jamais se pode reaver.

O que separa a senhora honrada da meretriz é uma cortina muito transparente, um fiozinho de seda, um risco de giz.

O que te disser o espelho não to dirão em conselho.

O que tem a ver o cu com as calças?

O que tem de se empenhar se venda logo.

O que teme sofrer começa a sofrer o que teme.

O que torto nasce tarde se endireita.

O querer é tudo na vida: é a vontade que move montanhas.

O rabo sempre cheira ao que larga.

O racismo engendra o racismo.

O reconhecimento é a memória do coração.

O rei vai nu.

O relógio das paixões nunca regula certo.

O rogado é mais caro que o comprado.

O rouxinol não canta na gaiola.

O ruim tem raiva do bom e do ruim; o bom tem pena do ruim e do bom.

O saber é para a alma o que a saúde é para o corpo.

O saber não está todo numa cabeça só.

O saber não ocupa lugar.

O sábio sabe que não sabe e o néscio cuida que sabe.

O sacrifício nada é quando compreendemos por que o fazemos.

O sandeu trata do alheio e deixa o seu.

O sangue puxa ao sangue.

O segredo melhor guardado é o que a ninguém é revelado.

O seguro morreu de velho.

O senso comum não é comum.

O ser humano por mais inteligente que seja ao nascer só a instrução o tornará sábio.

O serviço do menino é pouco e quem o perde é louco.

O servilismo é a ambição das almas baixas.

O seu a seu dono.

O silêncio é a alma do negócio.

O silêncio é às vezes mais eloquente que os discursos.

O Sol aquece igualmente o rico e o indigente.

O Sol é a capa dos pobres.

O Sol quando nasce é para todos.

O soldado paga com o sangue a fama do capitão.

O sono é a imagem da morte.

O sono é irmão da morte.

O sorriso reduz as distâncias.

O sucesso do trabalho reside no sucesso do descanso.

O surdo faz falar o mudo.

O talento não tem sexo, pátria, idade ou cor.

O tempo corrói o ferro, quanto mais o amor.

O tempo cura tudo.

O tempo e a maré não esperam por ninguém.

O tempo é o mestre de tudo.

O tempo tudo cura menos velhice e loucura.

O trabalho do menino é pouco mas quem se ri dele é louco.

O último a rir é o que ri melhor.

O último cálice é que deita um homem abaixo.

O último que vem que feche a porta.

O velho por não poder e o moço por não saber deitam muita coisa a perder.

O veneno sendo pouco não mata.

O ventre sacia-se, os olhos não.

O vício alheio desagrada até aos viciosos.

O vício é o tirano de si mesmo.

O vilão morde a mão que o afaga.

O vinagre e o limão são meio cirurgião.

O zombar não tem resposta.

Ocupação e fadiga destroem a melancolia.

Ocupamo-nos muito connosco e com os outros por amor de nós.

Olha para ti e fica-te por aí.

Olhar como boi para palácio.

Olho por olho, dente por dente.

Olho que tudo vê a si não vê.

Olho vivo e pé ligeiro.

Onde a razão não fala, doido é quem se cala.

Onde a suspeita entrar raramente sai.

Onde canta o galo não manda a galinha.

Onde come um comem dois.

Onde entra o beber sai o saber.

Onde Judas perdeu as botas.

Onde muitos mandam e ninguém obedece tudo fenece.

Onde não chega o homem chega a sua fama.

Onde todos ajudam nada custa.

Onde ventura falta diligência é escusada.

Oração breve depressa chega ao céu.

Orvalho não enche poço.

Os amigos e os caminhos se não se frequentam ganham espinhos.

Os amigos são para as ocasiões.

Os animais prendem-se pelas rédeas e os homens pelos votos.

Os bois conhecem-se pelos chifres e os homens pela palavra.

Os bons conselhos são sempre amargos.

Os bons dias de Janeiro pagam-se em Fevereiro.

Os bons espíritos encontram-se sempre.

Os cães ladram, mas a caravana passa.

Os cinzeiros e os ricos quanto mais cheios mais sujos.

Os conselhos só se pedem para não serem seguidos ou para haver a quem atribuir as causas de eventuais insucessos.

Os contribuintes são as modernas galinhas dos ovos de ouro, por isso convém cuidar bem deles para que vivam muitos anos.

Os costumes da casa um dia vão à praça.

Os credores têm melhor memória que os devedores.

Os dedos da mão são irmãos, mas não são iguais.

Os doidos inventam as modas e o povo as segue.

Os dois mais temíveis guerreiros são o tempo e a paciência.

Os extremos tocam-se.

Os factos corrigem as teorias.

Os filhos dizem ao soalheiro o que ouvem aos pais no fumeiro.

Os grandes fazem sem dinheiro o que os pequenos não podem fazer com ele.

Os grandes homens por vezes revelam fraquezas diante de circunstâncias que não seriam capazes de fazer recuar qualquer pobre diabo.

Os grandes ladrões enforcam os pequenos.

Os grandes rios fazem-se de pequenos ribeiros.

Os homens ensinam a temer a Deus, a natureza a amá-lo e a admirá-lo.

Os homens fazem o almanaque e Deus manda o tempo.

Os homens inteligentes mudam de opinião, os loucos não.

Os homens mostram a sua superioridade por dentro, os animais por fora.

Os homens mudam de opinião como de estado ou de condição.

Os homens não se medem aos palmos.

Os ignorantes, charlatães e pedantes fogem dos sábios como os animais nocturnos do fogo.

Os inábeis reformadores são verdadeiros destruidores.

Os juros são o perfume do capital.

Os loucos dão os banquetes e os avisados comem-nos.

Os louvores são sátiras quando não são sinceros.

Os mansos possuem o mundo.

Os ministros das Finanças sempre pensam mais na sua pasta do que na nossa pasta.

Os mortos aos vivos abrem os olhos.

Os nossos desejos são como as crianças: quanto maior a cedência, maior a exigência.

Os olhos comem mais que a barriga.

Os optimistas fazem metade do que dizem, os pessimistas não fazem nada.

Os ouvidos são mais infiéis que os olhos.

Os pais estranham nos filhos os defeitos que lhes transmitiram.

Os pais podem dar tudo aos filhos, menos a felicidade.

Os paus, uns nasceram para santos, outros para tamancos.

Os peixes não vêem a água.

Os prazeres são como os alimentos: os mais simples são os que menos enfastiam.

Os problemas dos outros são sempre fáceis de resolver.

Os problemas existem para se lhe dar soluções; quem não quiser defrontar os trabalhos de soluções deve evitar os problemas.

Os que se humilham serão exaltados.

Os sentimentos que nunca se riscam da memória são os nascidos na infância; as nossas primeiras afeições são sempre as mais agradáveis recordações.

Os tímidos raras vezes são tolos, mas têm a infelicidade de o parecer sempre.

Os tolos e os teimosos enriquecem os advogados.

Os últimos são os primeiros.

Os viciosos são liberais para a matéria e objecto dos seus vícios; avaros e tacanhos para tudo o mais.

Ou há moralidade ou comem todos.

Ou oito ou oitenta.

Ou vai ou racha.

Ouro velho, vinho velho, amigo velho; casa nova, navio novo, vestido novo.

Outubro nublado, Janeiro molhado.

Outubro quente traz o diabo no ventre.

Outubro resolver, Novembro semear, Dezembro nascer; nascer um Deus para nos salvar; Janeiro gear, Fevereiro chover, Março encanar, Abril espigar, Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar, Agosto engravelar, Setembro vindimar.

Ouve e cala, viverás vida folgada.

Ovelhas não são para o mato.

Ovo é, galinha o põe.



JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org



PROVÉRBIOS ESCOLHIDOS - (N)






Na arca do avarento está o Diabo lá dentro.

Na barba do tolo aprende o barbeiro novo.

Na bigorna se prova o ferro e na bebida o homem.

Na boca de quem não presta quem é bom não tem nada.

Na boca do discreto o que é público se faz secreto.

Na boca do mentiroso o certo se faz duvidoso.

Na boca dos pobres são mais as vozes do que as nozes.

Na cadeia e no hospital todos temos um lugar.

Na cadeia, no jogo e na doença se conhecem os amigos.

Na casa de quem joga pouca alegria mora.

Na casa do bom o melhor lugar é para o infeliz.

Na casa do rei todo o lugar é honrado.

Na casa manda ela, mas nela mando eu.

Na casa onde há dinheiro deve haver um só caixeiro.

Na companhia de estranha gente o silêncio é prudente.

Na confiança está o perigo.

Na corte os que estão de pé não levantam os que caíram.

Na escola da adversidade aprende-se a prudência.

Na face e nos olhos se vê a letra do coração.

Na hora da comida, o Diabo traz sempre mais um aos tombos.

Na hora da morte não vale a pena tomar remédio.

Na hora H é que a porca torce o rabo.

Na mesma baínha não cabem duas espadas.

Na morte ninguém finge que é pobre.

Na ponte e no vau, criado à frente, amo atrás.

Na prisão e no hospital vês quem te quer bem e quem te quer mal.

Na vida nem tudo são rosas.

Nada como um dia depois do outro.

Nada cura como o tempo.

Nada duvida quem nada sabe.

Nada é eterno nem mesmo os nossos problemas.

Nada é mais fácil de fazer do que aconselhar e repreender.

Nada é mais fácil que mentir e mais difícil que mentir bem.

Nada enfurece tanto o homem como a verdade.

Nada fazer é fazer mal.

Nada há secreto que não seja descoberto.

Nada há tão encoberto que se não venha a saber.

Nada há tão fatigante como a vivacidade sem espírito.

Nada impõe tanto respeito ao tolo como o silêncio; nada o anima como o responder-lhe.

Nada mais certo do que a morte; nada mais incerto do que a hora da morte.

Nada sabe tanto, como o fruto proibido.

Nada se parece tanto com um tolo bem vestido como qualquer mau livro bem encadernado.

Nada seca mais depressa que as lágrimas.

Nada suplanta uma consciência tranquila.

Nada tem quem desdenha do que tem.

Nada tem um ar mais nobre do que a moderação.

Nada tem quem nada lhe basta.

Nada tem quem não teme a morte.

Namoro é ramo de souto: vai um e vem outro.

Não abras loja se não tens um sorriso nos lábios.

Não acabar é não fazer.

Não acendas lume que não possas apagar.

Não acharás um avarento que não viva num tormento.

Não adianta chorar depois do leite entornado.

Não adianta fugir com o cu à seringa.

Não ama o muito aquele que despreza o pouco.

Não amanses potro, nem tomes conselho de louco.

Não anda o carro adiante dos bois.

Não anda o pião sem a baraça.

Não andes por atalho a fim de evitar trabalho.

Não arrisques tudo de uma só vez.

Não assinar sem ler.

Não assines coisa que não leias, nem bebas coisa que não vejas.

Não atires foguetes antes da festa.

Não batas mais no ceguinho.

Não busques para amigo nem rico nem nobre, mas o bom ainda que seja pobre.

Não cai o mosteiro por falta de um frade.

Não cair em cesto roto.

Não cair em saco roto.

Não cantes ao asno que te responde a coices.

Não cantes vitória antes de tempo.

Não cases com moça de janela, nem compres terra de ladeira.

Não cavalgues em potro, nem gabes tua mulher a outro.

Não censure dor alheia quem nunca dores sentiu.

Não choveu até dia de São José, ano de seca é.

Não comer por ter comido não é doença de perigo.

Não compres a quem comprou; compra a quem herdou que não sabe o que custou.

Não compres mula manca cuidando que há-de sarar, nem cases com mulher má cuidando que se há-de emendar.

Não compres o que não precisas, por mais barato que seja.

Não compres objectos inúteis a pretexto de que são baratos.

Não contes com o ovo no cu da galinha.

Não continuar a aprender é esquecer o que se sabe.

Não convém venerar o que está longe ou o que não vemos bem, pois se se aproximar de nós pode causar-nos não apenas desilusão mas também tédio e desprezo.

Não crie cão nem gato aquele que é velhaco.

Não crie cão quem lhe não sobre pão.

Não cuspas para o ar que te pode cair na cara.

Não dá o frade o que bem lhe sabe.

Não dá para buraco de dente.

Não dá quem quer mas quem tem.

Não dá quem tem mas sim quem quer bem.

Não dar ponto sem nó.

Não dês a todos teu braço a torcer.

Não dês conselho sem que to peçam.

Não dês nunca teu braço a torcer.

Não desejes mal a ninguém que teu pelo caminho vem.

Não desejes mal ao teu vizinho, que o teu já vem a caminho.

Não desperdices nada, pois mesmo a menor migalha ainda pode saciar um biquinho.

Não devas a quem deveu, nem sirvas a quem serviu.

Não deve ser desejado o que não pode ser alcançado.

Não devemos contar com a sorte.

Não devemos pôr o dinheiro a fazer tudo.

Não devemos ser pobres nem no pedir.

Não digas: desta água não beberei; deste pão não comerei.

Não digas mal do ano até que seja passado.

Não digas o que sabes sem saber o que dizes.

Não digas tudo o que sabes, nem creias tudo o que ouves, nem faças tudo o que podes.

Não despendas o teu dinheiro antes de o teres ganho.

Não diz a gota com a perdigota.

Não é a água de um vaso cheio que se agita, mas a do que está meio vazio.

Não é a escola que faz a vida, mas a vida é que tem de fazer a escola.

Não é amado quem só de si tem cuidado.

Não é bom o mosto colhido em Agosto.

Não é carne nem peixe.

Não é chefe quem teme ter colaboradores competentes.

Não é com vinagre que se apanham moscas.

Não é homem são o que não sabe dizer “não”.

Não é inteligente: é espevitado.

Não é o hábito que faz o monge.

Não é o Sol que faz a sombra.

Não é pobre quem pouco tem, senão quem muito quer.

Não é só ladrão o que furta, mas o que furtaria se pudesse.

Não escrevas detrás do papel que amanhã aparece pela frente.

Não esperes por sapatos de defunto.

Não esperes que o teu amigo te faça o que tu podes fazer.

Não esqueça o credor, nem morra o devedor.

Não está mais aqui quem falou.

Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.

Não faças nada sem consultar a almofada.

Não faças passos largos se tens pernas curtas.

Não ferir nem matar não é covardia mas bom natural.

Não fode nem sai de cima.

Não gozar para não sofrer é segredo de bem viver.

Não há amigo nem irmão não havendo dinheiro na mão.

Não há atalho para o êxito.

Não há ausentes sem culpas, nem presentes sem desculpas.

Não há banquete, por mais rico, em que alguém não jante mal.

Não há bela sem senão.

Não há bela sem senão, nem feia sem sua graça.

Não há bem-estar como em casa estar.

Não há boas razões para os tolos.

Não há bom que não possa ser melhor, nem mau que não possa piorar.

Não há cabeça a que falte carapuça.

Não há cabeças mais duras que as cabeças vazias.

Não há capuz por mais santo em que o Diabo não possa meter a cabeça.

Não há cego que se veja, nem santo que se conheça.

Não há Cinzas sem lua vazia, nem Páscoa sem lua cheia.

Não há coisa mais difícil de dizer aos homens que a verdade.

Não há coisa que tanto pegue como a silva.

Não há dois altos sem um baixo no meio.

Não há desgosto mais profundo do que cair na boca do mundo.

Não há dinheiro que pague a saúde.

Não há doenças, só há doentes.

Não há doido que se conheça.

Não há domingo sem missa, nem segunda-feira sem preguiça.

Não há duas sem três.

Não há efeito sem causa.

Não há Entrudo sem lua nova, nem Páscoa sem lua cheia.

Não há erva tão ruim que não tenha a sua virtude.

Não há esperança sem temor, nem amor sem receio.

Não há esperança sem temor, nem ciúme sem amor.

Não há esperança sem temor, nem sem receio há amor.

Não há esperto que não encontre outro.

Não há felicidade completa.

Não há fogo sem fumo.

Não há fumo sem fogo.

Não há galinha gorda por pouco dinheiro.

Não há glória sem inveja.

Não há gosto sem desgosto.

Não há grande peso sem contrapeso, nem subida sem descida.

Não há inimigo pequeno.

Não há ladrão sem encobridor.

Não há lenha como o azinho, nem carne como o toucinho.

Não há louco sem acerto, nem sábio sem loucura.

Não há madeira tão verde que não ateie.

Não há maior cego do que aquele que não quer ver.

Não há maior dor que recordar os tempos felizes na miséria.

Não há maior surdo do que aquele que não quer ouvir.

Não há maior tolice do que viver pobre para morrer rico.

Não há mal que bem não traga.

Não há mal que não acabe nem há bem que sempre dure.

Não há mal que o tempo não cure.

Não há mão que agarre o tempo.

Não há melhor espelho que amigo velho.

Não há melhor juiz que o tempo.

Não há melhor mestre que a necessidade e a pobreza.

Não há melhor saber do que à sua custa aprender.

Não há mestre como o mundo.

Não há montanha sem nevoeiro, nem mérito sem calúnia.

Não há mortório sem pranto, nem casório sem canto.

Não há nada como um dia depois do outro.

Não há nada de novo debaixo do Sol.

Não há nada mais hereditário do que a morte.

Não há nada pior para a saúde do que a gente estar doente.

Não há nada que o ouvido do ciúme não oiça.

Não há nada tão forte que o não derrube a morte.

Não há ninguém necessário neste mundo.

Não há ninguém que não se engane.

Não há ninguém que se conheça.

Não há obrigação de obedecer senão a quem tem o direito de mandar.

Não há olhar como o do dono.

Não há panela tão feia que não ache seu cobertouro.

Não há pecado que não possa ser perdoado.

Não há pechincha por pouco dinheiro.

Não há prazer em nada fazer; divertido é saber fazer muitas coisas e fazê-las.

Não há prazer que não enfade e ainda mais se vem de graça.

Não há profeta sem honra senão na sua pátria e na sua casa.

Não há quem se acostume com a morte.

Não há rapazes maus.

Não há regra que não falhe.

Não há regra sem excepção.

Não há rico que não possa receber, nem pobre que não possa dar.

Não há riqueza igual à saúde do corpo, nem prazer igual à alegria do coração.

Não há roca sem o seu fuso.

Não há sábio nem douto que de louco não tenha um pouco.

Não há solidão onde há saber, nem aborrecimento onde há livros.

Não há tempero tão bom como a fome.

Não há tonto para seu proveito.

Não importa ser religioso, o que importa é ter coerência moral.

Não julgues mal de ninguém, nem para mal nem para bem.

Não levantes espada contra quem peça perdão.

Não mandes fazer a outrem o que tu podes fazer.

Não mata mas desmoraliza.

Não mata mas mói.

Não me fio nem da camisa que trago vestida.

Não me olhe de banda que eu não sou da quitanda, nem me olhe de lado que eu não sou melado.

Não meças todos pela mesma bitola.

Não metas foice em seara alheia.

Não metas o nariz onde não és chamado.

Não morde a abelha senão a quem trata com ela.

Não morre da doença, morre da cura.

Não morre quem quer, mas quem Deus quiser.

Não mostres o fundo nem da bolsa, nem da alma.

Não ocupa mais pés de terra o Papa que o sacristão.

Não ofende quem quer mas quem pode.

Não peças a quem pediu, não devas a quem deveu, nem sirvas a quem serviu; pede a quem o herdou que não sabe o que lhe custou.

Não pode com uma gata pelo rabo.

Não pode ser meu amigo o amigo do meu inimigo.

Não pode ver uma camisa lavada a ninguém.

Não podemos tratar todos da mesma maneira.

Não pôr as mãos no fogo.

Não por causa do abuso ser repreensível deixa o uso de ser lícito.

Não pôr pé em ramo verde.

Não queiras potro nem mulher de outro.

Não quero saber quem fui; quero saber quem sou.

Não receia dar brado quem tem o direito do seu lado.

Não responder é resposta.

Não sabe governar quem a todos quer contentar.

Não sabe mandar quem nunca soube obedecer.

Não saber a quantas anda.

Não saber da missa a metade.

Não saiba a mão esquerda o que faz a direita.

Não se atiram pedras senão às árvores que têm fruto.

Não se começa a casa pelo telhado.

Não se deve aumentar a aflição do aflito.

Não se é bom juiz em causa própria.

Não se é feliz senão moderando as próprias paixões.

Não se endireita a sombra de uma vara torta.

Não se fazem omeletes sem ovos.

Não se fez Roma e Pavia num dia.

Não se fez Roma em um dia.

Não se mente quando se vai morrer.

Não se meta o sapateiro a tocar rabecão.

Não se pode agradar a Deus e ao Diabo ao mesmo tempo.

Não se pode contestar todo o mundo.

Não se pode ser juiz e réu.

Não se pode ser juiz em causa própria.

Não se pode servir a um tempo a dois senhores.

Não se pode tocar sino e acompanhar a procissão.

Não se põe vinho novo em odres velhos.

Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.

Não sei o que faça: se case ou se assente praça.

Não sei o que tem a ver o cu com as calças.

Não sejas vaidoso nem orgulhoso, pois o orgulho e a vaidade custam mais caro que a fome e a sede.

Não ser carne nem peixe.

Não ser de ferro.

Não serve de nada deitar pérolas a porcos.

Não serve de nada malhar em ferro frio.

Não te envaideças do que sabes e repara no que fazes.

Não te exaltes pela riqueza, nem te abaixes por pobreza.

Não te fies de cantigas nem fales de raparigas.

Não te fies em céu estrelado, nem em amigo reconciliado.

Não te intrometas nos assuntos dos outros.

Não te metas a comprar o que não possas pagar.

Não te metas entre martelo e bigorna.

Não te metas onde não és chamado.

Não te preocupes antes de tempo.

Não tenhas apreensões, visto não saberes o que o futuro te reserva, que adiantas em tê-las? As desgraças que mais tememos são as que quase nunca se realizam.

Não ter eira nem beira.

Não ter mãos a medir.

Não ter os sete alqueires bem medidos.

Não ter papas na língua.

Não ter ponta por onde se lhe pegue.

Não ter senso comum, eis a mais perigosa moléstia.

Não valem leis sem costumes; valem costumes sem leis.

Não vejas fazer o que houveres de comer.

Não vive ninguém no mundo sem ter os seus inimigos.

Não vos apresseis a fazer amigos novos nem a deixar os antigos.

Não vos fieis nas aparências.

Nariz de cão e cu de gente nunca está quente.

Nariz de cão, joelho de homem e cu de mulher nunca estão quentes.

Nas cidades nunca se olham os astros por causa dos candeeiros que os ofuscam.

Nas mulheres acaba a amizade onde começa a rivalidade.

Nas mulheres pelejam mais as línguas que os braços.

Nas unhas e nos pés mostrarás de onde vens.

Nasce erva em Março ainda que lhe dêem com um maço.

Nascemos com os olhos fechados e a boca aberta e passamos a vida inteira a tentar inverter esses erros da natureza.

Nascer em berço de ouro.

Nasceu, padeceu, morreu.

Negar uma falta é cometer outra maior.

Negociante e porco só depois de morto.

Negociata é um negócio para o qual não fomos convidados.

Negócio da China.

Negócio que não dá ganho e faca que não corta, inda que o Diabo os leve, pouco importa.

Negro furtou é ladrão, branco furtou é barão.

Nem aquece nem arrefece.

Nem bonita que abisme, nem feia que faça medo.

Nem come nem deixa comer.

Nem de inverno nem de verão deixarás o teu gabão.

Nem de malva bom vincelho, nem de esterco bom odor, nem do moço bom conselho, nem de puta bom amor.

Nem em Agosto caminhar, nem em Dezembro marear.

Nem muito ao mar, nem muito à terra.

Nem na mesa sem comer, nem na igreja sem rezar, nem na cama sem dormir, nem na festa sem dançar.

Nem o avô morre nem a gente almoça.

Nem o bem é eterno, nem o mal duradouro.

Nem o pai morre nem a gente almoça.

Nem oito nem oitenta.

Nem rei nem Papa à morte escapa.

Nem rio sem vau, nem geração sem mau.

Nem sempre aquele que dança é que paga a música.

Nem sempre Deus ajuda a quem muito madruga.

Nem sempre é conveniente dizer inteiramente a verdade.

Nem sempre nem nunca.

Nem sempre o Diabo é tão feio como o pintam.

Nem sempre o que luz é ouro.

Nem sempre o que parece é.

Nem sempre os fins justificam os meios.

Nem só de pão vive o homem.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Nem tanto nem tão pouco.

Nem toda a água do mar pode esta nódoa tirar.

Nem todas as verdades se dizem.

Nem todo o homem sabe sê-lo.

Nem todos os homens podem ser grandes, mas todos podem ser bons.

Nem todos os que nos agradam na praça nos agradarão em casa.

Nem tudo o que brilha é ouro.

Nem tudo o que é feio é mau.

Nem tudo o que vem à rede é peixe.

Nem tudo pode andar ao nosso paladar.

Nem tudo que luz é ouro, nem tudo que é feio é mau, quem não tem que fazer vá fazer colher de pau.

Nem tudo que se escreve é Evangelho.

Nem tugiu, nem mugiu.

Nem vinha em baixa, nem trigo em cascalho.

Nenhum acto de amor se perde.

Nesta esparrela não cai o filho do meu pai.

Neste mundo cansado não há bem completo nem mal acabado.

Neste mundo tem gente para tudo e inda sobra.

Névoa na serra, chuva na terra.

Ninguém aponte faltas alheias com o dedo sujo.

Ninguém as calça que as não borre.

Ninguém deixa sem dor o que possui com amor.

Ninguém deixe amores velhos por novos.

Ninguém deixe o certo pelo duvidoso.

Ninguém deseja passar por velho, mas todos querem viver muito tempo.

Ninguém diga: desta água não beberei e deste pão não comerei.

Ninguém diga o que não sabe nem afirme o que não viu.

Ninguém é bom juiz em causa própria.

Ninguém é bom senhor se não for bom servidor.

Ninguém é menos conhecido que cada um de si mesmo.

Ninguém é moeda de vinte patacas para agradar a todos.

Ninguém empobrece por ter dado muito.

Ninguém está contente com a sua sorte.

Ninguém faz mal que o não venha a pagar.

Ninguém fica para semente.

Ninguém nasce ensinado.

Ninguém pode alterar a natureza, mas todos podem melhorá-la.

Ninguém pode despir um homem nu.

Ninguém pode perder o que nunca teve.

Ninguém pode tapar a boca do mundo.

Ninguém quer do indigente ser primo nem parente.

Ninguém quer ser só na desgraça.

Ninguém sabe o bem que tem senão depois de o perder.

Ninguém se considera tão ignorante como o sábio, nem tão sabedor como o ignorante.

Ninguém se envergonhe de perguntar o que não sabe.

Ninguém se livra de pedrada de doido nem de coice de burro.

Ninguém se ria do mal do vizinho, que o seu já vem a caminho.

Ninguém viaja por viajar, mas para ter viajado.

No dia de São Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.

No dia em que te casas ou te matas ou te curas.

No escuro tanto vale a rainha como a negra da cozinha.

No fim de um ano, o cão parece-se com o dono.

No jogo e na mesa a educação se conhece.

No meio é que está a virtude.

No melhor pano cai uma nódoa.

No minguante de Janeiro corta o madeiro.

No mínimo trabalho se conhece o trabalhador.

No muito falar há muito errar.

No mundo houve sempre um Abel para sofrer e um Caim para atormentar.

No mundo tudo é vaidade.

No poupar é que está o ganho.

No princípio ou no fim, costuma Abril ser ruim.

No que tiveres de pagar não te faças demorar.

Noites alegres, manhãs tristes.

Nos olhos e na face se vê o coração.

Nos pequenos vasos estão as grandes essências.

Nós somos espelhos uns dos outros.

Nossa Senhora da Agrela: não há santa como ela.

Notícia ruim corre depressa.

Notícia ruim sempre é certa.

Notícia, se a boa corre, a ruim avoa.

Novembro à porta, geada na horta.

Novo rei, nova lei.

Novos tempos, novos costumes.

Num abrir e fechar de olhos.

Nunca bom cão ladrou em vão.

Nunca brigam dois quando um não quer.

Nunca busques inquietações: espera que elas te procurem.

Nunca deixaremos de ser discípulos da natureza.

Nunca dês louvor senão a quem o não pedir.

Nunca desprezes o nada: do nada nasceu o Universo.

Nunca digas o que fazes sem saber o que dizes.

Nunca digas tudo o que sabes nem faças tudo o que podes, nunca acredites em tudo o que ouves nem gastes tudo o que tens, porque quem diz tudo o que sabe, quem faz tudo o que pode, quem acredita em tudo o que ouve, quem gasta tudo o que tem, muitas vezes diz o que não convém, faz o que não deve, julga o que não conhece, gasta o que não pode.

Nunca é tarde para aprender.

Nunca é tarde para fazer bem.

Nunca é tarde para nos corrigirmos.

Nunca faças um buraco para tapar outro.

Nunca fiar de quem uma vez te enganar.

Nunca mais é sábado.

Nunca ninguém se arrependa de calar, mas sim de falar.

Nunca ninguém se enforcou com uma bolsa ao pescoço.

Nunca ninguém se enganou para seu prejuízo.

Nunca o invejoso medrou nem quem a par dele morou.

Nunca o vi mais gordo.

Nunca tal burra albardei.

Nunca vi vento do Sul que aos três dias não chovesse, nunca vi homem casado que se não arrependesse.

Nuvem comprida que se desfia, sinal de grande ventania.

Nuvens ao nascente, chuva de repente.

Nuvens do Sul para o Norte vão? Mau tempo de inverno, bom tempo de verão.

Nuvens paradas cor de cobre é temporal que se descobre.



JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org


PROVÉRBIOS ESCOLHIDOS - (M)






Má é a árvore que só dá fruto a poder de trato.

Má erva depressa nasce e depressa envelhece.

Madeiro para tua casa corta-o em Janeiro.

Madrasta o nome lhe basta.

Madrugadas frias trazem bons dias.

Madrugar maleitoso dia tormentoso.

Mãe acautelada, filha bem guardada.

Mãe não temeste, pai não tiveste, Diabo te fizeste.

Mãe que coisa é casar? Filha, é fiar, parir e chorar.

Mãe velha e camisa rota não desonram.

Mágoa contada é meia aliviada.

Maio frio, Junho quente, bom pão, vinho valente.

Maio pardo e ventoso, faz o ano venturoso.

Maior bem-aventurança é dar que receber.

Maior é o perigo onde maior é o medo.

Mais alto é um campónio em pé que um fidalgo de joelhos.

Mais anda quem tem bom vento do que quem muito rema.

Mais apaga a boa palavra que a caldeira de água.

Mais barato é o comprado do que o pedido emprestado.

Mais comem os olhos do que a boca.

Mais custa sustentar um vício que educar um filho.

Mais dana a língua do adulador que mão e espada do perseguidor.

Mais dano fazem amigos néscios do que inimigos descobertos.

Mais depressa se faz o santo ladrão do que o ladrão frade.

Mais depressa vem a honra do que a desonra.

Mais fácil é ao burro perguntar que ao sábio responder.

Mais guarda a vinha o medo que o vinhateiro.

Mais mal faz um inimigo dentro de casa do que cem fora dela.

Mais mata a gula que a espada.

Mais papista que o Papa.

Mais pesa um cabelo que o mal alheio.

Mais pobre é quem cobiça do que quem pouco tem.

Mais produz culta tapada que herdade mal amanhada.

Mais quer o menino à mãe que o mima, do que ao pai que o doutrina.

Mais quero velho que me honre que moço que me desonre.

Mais respeito, menos confiança.

Mais sabes do que eu te ensinei.

Mais são os casos que as leis.

Mais se sabe por experiência do que por teoria.

Mais tem o rico quando empobrece do que o pobre quando enriquece.

Mais tem quem aproveita pouco do que quem despreza muito.

Mais vale a saúde que o dinheiro.

Mais vale acender uma vela do que dizer mal da escuridão.

Mais vale andar esfarrapado que algemado.

Mais vale andar no mar alto do que nas bocas do mundo.

Mais vale andar só que mal acompanhado.

Mais vale às vezes favor que justiça ou razão.

Mais vale astúcia que força.

Mais vale bem de longe que mal de perto; sim tardio que não macio e ter fome que fastio.

Mais vale boa esperança que ruim posse.

Mais vale bom estômago que bom cozinheiro.

Mais vale burro vivo que sábio morto.

Mais vale cair em graça do que ser engraçado.

Mais vale cantar mal do que chorar bem.

Mais vale cautela que arrependimento.

Mais vale cedo que tarde e tarde que nunca.

Mais vale contar com o que semeamos do que pensar colher o que outros semearam.

Mais vale descoser que romper.

Mais vale discutir que agredir.

Mais vale dois minutos ao sol do que um ano à chuva.

Mais vale engenho que força.

Mais vale errar que não fazer.

Mais vale ficar solteiro que casar e não ter dinheiro.

Mais vale filha mal casada que bem amancebada.

Mais vale inimigo sabedor que amigo ignorante.

Mais vale jeito que força.

Mais vale ler um homem que dez livros.

Mais vale má avença do que boa sentença.

Mais vale manha que força.

Mais vale merecer honra e não a ter do que tendo-a não a merecer.

Mais vale muito saber do que muito ter.

Mais vale o exemplo que a doutrina.

Mais vale o tolo no seu que o avisado no alheio.

Mais vale pão e água com amor que bom vinho e galinha com dor.

Mais vale pedir e mendigar que na forca espernear.

Mais vale perder um minuto na vida que a vida num minuto.

Mais vale perdoar do que castigar.

Mais vale pobreza honrada que riqueza envergonhada.

Mais vale pouco e acertado que muito e errado.

Mais vale prevenir no princípio que no fim.

Mais vale prevenir do que remediar.

Mais vale prudência que ciência.

Mais vale puta na cama que na fama.

Mais vale rainha uma hora do que duquesa toda a vida.

Mais vale recusar com graça que dar com grosseria.

Mais vale roto que remendado.

Mais vale ruim composição do que boa demanda.

Mais vale ruim pai que bom padrasto.

Mais vale saúde boa que pesada bolsa.

Mais vale sê-lo que parecê-lo.

Mais vale ser mulher de ninguém que amante de alguém.

Mais vale ser optimista enganado do que pessimista com razão.

Mais vale sofrer muitas injúrias do que sofrer uma.

Mais vale um dia de amores que dez anos de latim.

Mais vale um dia do discreto que cem do néscio.

Mais vale um mau acordo que uma boa demanda.

Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar.

Mais vale um ruim desengano que andar enganado toda a vida.

Mais vale um solto apeado do que um preso montado.

Mais vale uma hora de sábio que a vida inteira de um tolo.

Mais vale vizinho à mão que ao longe o nosso irmão.

Mal apreciados pelos contemporâneos, os grandes homens são admirados e venerados pela ilustrada posteridade.

Mal é ser amo, mas pior é ter amo.

Mal ladra o cão quando ladra de medo.

Mal me querem as comadres, porque lhes digo as verdades.

Mal não julga quem mal não cuida.

Mal ou bem com os teus te avém.

Mal pensa quem não repensa.

Mal por mal antes na cadeia que no hospital.

Mal por mal antes cadeia que hospital e antes justiça que misericórdia.

Mal que não tem cura chama-se loucura.

Mal que não tem cura é a velhice e a loucura.

Mal que se ignora, coração que não chora.

Males dos nossos avós quem os faz são eles, quem os paga somos nós.

Maluco não fica velho.

Manda o sábio com a embaixada e não digas mais nada.

Manda quem pode.

Mande bem, mande mal, mas mande um só.

Manhã de nevoeiro, tarde de soalheiro.

Mão fria, coração quente.

Mão fria, coração quente, amor para sempre; mão quente, coração frio, amor vadio.

Mãos frias, coração quente, amor ausente.

Mãos frias, coração quente, amor para sempre.

Mãos quentes, coração frio, amor vadio.

Março amoroso, Abril chuvoso, Maio ventoso, São João calmoso, fazem o ano formoso.

Março ventoso, Abril chuvoso fazem o ano formoso.

Maria Piça quanto vê quanto cobiça.

Maria vai com as outras.

Marido banana e efeminado depressa emparelha com o veado.

Más suspeitas destroem as verdades.

Mascarado de doutor anda por aí muito burro zurrador.

Matar a galinha que põe ovos de ouro.

Matei quem me estava a matar.

Matrimónio, praça sitiada: os de fora, querem entrar, os de dentro, querem sair.

Mau é o rico avarento, mas pior é o pobre soberbo.

Mau é por todo o Abril ver o céu descobrir.

Medem-se as torres pela sombra e os grandes homens pelo número dos seus inimigos.

Meias brancas em Janeiro sinal de pouco dinheiro.

Meias só para os pés.

Melhor é a galinha da minha vizinha que a minha.

Melhor é alguma coisa que nada.

Melhor é calar que muito falar.

Melhor é chorar com os sábios que rir com os néscios.

Melhor é comprar do que pedir emprestado.

Melhor é dar a ruins que pedir a bons.

Melhor é dívida nova que pecado velho.

Melhor é estar só que mal acompanhado.

Melhor é mudar conselho que perseverar no erro.

Melhor é pão duro que figo maduro.

Melhor é penhor na mão que mágoa no coração.

Melhor é prevenir que remediar.

Melhor é ser torto que cego de todo.

Melhor é uma casa na vila que duas no arrabalde.

Melhor manda o tolo em sua casa do que o discreto na alheia.

Melhoramos em virtude quanto pioramos em saúde.

Menos se sentiria se de mentir se pagasse sisa.

Mente bem quem vem de longe.

Mente com quantos dentes tem na boca.

Mente que fede.

Mentir como cesto roto.

Mentira de caçador sempre foi a maior.

Mercadoria barata roubo é da bolsa.

Merda coma com erva.

Merda, quanto mais se mexe mais fede.

Mestre em todas as artes é burro em todas as partes.

Mestre não é quem ensina, mas quem de repente aprende.

Meter a foice em seara alheia.

Meter o Rossio na Betesga.

Meter-se em cavalarias altas.

Meter-se em maus lençóis.

Meter uma lança em África.

Meus filhos criados, meus males dobrados; meus casados, meus males acrescentados.

Mija um português, mijam dois ou três.

Mijar fora do penico.

Mil dias não chegam para aprender o bem; para aprender o mal uma hora é demais.

Moça com velho casada, como velha se trata.

Moça nova é como ananás: em cima está verde, mas em baixo está capaz.

Moça só não namora com carrapato por não saber qual é o macho.

Moço desprevenido, velho arrependido.

Morra o homem e fique a fama.

Morre quem tem de morrer.

Morrer é viver.

Morte anunciada, vida acrescentada.

Morte de rico, desavença de herdeiros.

Morte desejada, vida acrescentada.

Morto de olho aberto, outra morte em casa.

Morto eu, morto o mundo.

Morto com mortos para o caixão, vivos com vivos para a caixa do pão.

Mosca impertinente, chuva de repente.

Mostra-me tua mulher, dir-te-ei que marido tem.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

Mudam-se os tempos, mudam-se os pensamentos.

Muita confiança, pouco respeito.

Muita parra, pouca uva.

Muita trovoada, pouca chuva.

Muitas vezes a dignidade proíbe o que a lei permite.

Muitas vezes a má folha esconde o melhor fruto.

Muitas vezes a pobreza apaga a coragem e o brio.

Muitas vezes o remédio vem donde se não supõe.

Muitas vezes paga o justo pelo pecador.

Muitas vezes se engana quem julga.

Muito atura quem precisa.

Muito custa a um pobre viver, mas mais custa a um rico morrer.

Muito dá quem dá o que pode.

Muito falar e pouco saber, muito gastar e pouco ter, muito presumir e pouco valer, é a ordem do mundo.

Muito longe vai quem não sabe para onde vai.

Muito pouco sabe quem muito se gaba de saber.

Muito poucos fazem muito.

Muito riso, pouco siso.

Muitos entram lambendo e saem mordendo.

Muitos são os chamados e poucos os escolhidos.

Mulher à vela, marido ao leme.

Mulher beata, mulher velhaca.

Mulher beata, pobre que muito reza e homem muito cortês, é fugir de todos três.

Mulher bonita, caveira bem vestida.

Mulher de cabelo na venta nem o Diabo aguenta.

Mulher de cego, se é direita não se enfeita.

Mulher de janela fala de todos e todos dela.

Mulher de mais má pinta é a que mais a cara pinta.

Mulher de nariz arrebitado é levada do Diabo.

Mulher doente, mulher para sempre.

Mulher honesta não tem ouvidos.

Mulher que em jura de homem se fia, chora de noite e de dia.

Mulher que perde a vergonha nunca a cobra.

Mulheres quando se juntam a falar da vida alheia, começam na lua nova e acabam na lua cheia.



JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org