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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

WILLIAM BLAKE (1757-1827) - VER NUM GRÃO DE AREIA UM MUNDO





Ver num grão de areia um mundo
numa flor um céu profundo;
ter na mão a infinidade,
num minuto a eternidade...

O morcego que volita
pela noite, esse acredita;
mas a coruja que grita,
porque não crê anda aflita...

Olha a dor: é um tecido
com a alegria: um vestido
para a alma. Sob a dor
sempre a alegria anda à flor...

Cada lágrima chorada
Torna-se em criança alada...

Balir, uivar – que sei eu?
ondas a bater no céu...

Quem duvida do que vê,
Por mais que faça, não crê.
Olha o sol, se duvidava:
Logo, logo se apagava...

Deus é clarão na amargura
das almas da noite escura;
veste o manto de Jesus
para as que vivem à luz.

Tradução de Luiz Cardim

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