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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

GUILLAUME APOLLINAIRE (1880-1918) - A DAMA TINHA UM VESTIDO






A dama tinha um vestido
Em otomana violina
E a túnica bordada a ouro
Compunha-se de dois panos
Atados pelos ombros

Os olhos bailando como anjos
Ria-se ria-se
Tinha um rosto das cores da França
Olhos azuis dentes brancos e lábios muito vermelhos
Tinha um rosto das cores da França

Estava decotada em redondo
E penteada à Récamier
Com belos braços despidos

Será que não se ouve tocar a meia-noite

A dama de vestido em otomana violina
E de túnica bordada a ouro
Decotada em redondo
Passeava os anéis do cabelo
O seu diadema de ouro
E arrastava os sapatinhos anelados

Era tão bela
Que não terias ousado amá-la

Eu amava mulheres atrozes em bairros enormes
Em que todos os dias nasciam uns seres novos
O ferro era o seu sangue e a chama o seu cérebro
Eu amava amava o povo hábil das máquinas
O luxo e a beleza são para ele escuma
Esta mulher era tão bela
Que me metia medo

Tradução de Filipe Jarro

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