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ARTE

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quarta-feira, 31 de março de 2010

GUILLAUME APOLLINAIRE - BESTIÁRIO




O GATO

Na minha casa desejo ter
Uma mulher que imponha a sua razão
Um gato passeando por entre os livros
E porque sem eles não posso viver
Amigos seja qual for a estação


O POLVO

Lançando a sua tinta para o céu
Sugando o sangue daqueles que ama
E achando-o delicioso – sou eu
Essa besta desumana


O DROMEDÁRIO

Com os seus quatro dromedários
Dom Pedro pôde correr
Os quatro cantos do mundo
Fez o que eu gostaria de fazer
Se tivesse quatro dromedários


AS CARPAS

É tão longa a vossa vida
Nesses viveiros de água fria
Será que a morte se olvida
De vós peixes da melancolia


A CABRA DO TIBETE

Os pêlos dessa cabra Jasão
E aqueles de oiro razão
De tanta dor não são nada
Comparados com os cabelos da minha amada


MEDUSAS

Como vós oh infelizes cabeças
De roxas cabeleiras
Não há coisa que mais me agrade
Do que dançar no meio da tempestade


Tradução de Jorge Sousa Braga

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