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sábado, 6 de março de 2010

MÁRIO CESARINY - EU EM 1951 APANHANDO UMA BEATA






eu em 1951 apanhando (discretamente) uma beata (valiosa)
num café da baixa por ser incapaz coitados deles
de escrever os meus versos sem realizar de facto
neles, e à volta sua, a minha própria unidade
- fumar, quere-se dizer

esta, que não é brilhante, é que ninguém esperava
ver num livro de versos. Pois é verdade. Denota
a minha essencial falta de higiene (não de tabaco)
e uma ausência de escrúpulo (não de dinheiro) notável

o Armando, que escreve à minha frente
o seu dele poema, fuma também.
fumamos como perdidos escrevemos perdidamente
e nenhuma posição no mundo (me parece) é mais alta
mais espantosa e violenta incompatível e reconfortável
do que esta de nada dar pelo tabaco dos outros
(excepto coisas como vergonha, naturalmente,
e mortalhas)

(que se saiba) é esta a primeira vez
que um poeta escreve tão baixo (ao nível das piriscas dos outros)
aqui, e em parte mais nenhuma, é que cintila o tal condicionalismo
de que há tanto se fala e se dispõe
discretamente (como quem as apanha)
sirva tudo de lição aos presentes e futuros
nas taménidas (várias) da poesia local.
Antes andar por aí relativamente farto
antes para tabaco que para cesariny
(mário) de vasconcelos


JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org

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