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ARTE

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sábado, 11 de setembro de 2010

O MENINO É DE OIRO





No arco desfeito por sete estrias azuis
Olho o reflexo da noite no asfalto brilhante
Com todos os seus corpos de sonho a errar sem destino

Caem por terra os grãos de cereal oculto
A quem o arado da angústia não semeia no coração do anelo há tanto perdido
No lume infernal das sete candeias ripárias

O menino é de oiro
Foi violentado pela marginalidade da volúpia e do desejo canibalesco
De quem se banqueteia com a culpa de sua própria carne
Das fezes expelidas na atmosfera húmida das bocas imundas de sémen negro

O menino é de oiro
Mas a justiça é negrura cega
Convertendo o oiro em lento esterco nauseabundo
Putrefacto
Pisado pelo veado dos anos-sem-fim
Da corça que tarde sempre chegou às prescritas pastagens
Da cumeeira tardiamente enfeitiçada por carvões em brasa

Em todas as coisas pequenas
Nos ínfimos detalhes com asas de tempo
Morre a memória do homem com a mão no ombro
De bolsos desflorados pela desonra

O menino é de oiro
Venderam-lhe a pudicícia na pedra do sacrifício
Estrangularam-no para todo o sempre
Em cabos de velame cinza inerte a olhar o Tejo a desfilar indiferente

A alma feliz senta-se à mesa
Banqueteia-se com os restos mortais do papel amarelecido
Maços de letras amontoadas no esquecimento entorpecido da capa escura
O piano toca a madrugada do redentor
Exausto afasta-se
Abre-se a história sagrada da lenda e do incenso
O homem do horizonte prende-se a um pássaro de campo por ceifar
A árvore de tranças purpurinas cortada em sete pedaços
A alma dos ímpios mergulha numa melancia gigante à beira-rio
Seis as talhadas
Seis os venenos
Seis as fraudes
Seis as ignomínias do lodo
Pisado suavemente por pescadores de púlpitos adormecidos em cadeiras bolorentas

Sete vezes setenta olvidados sem perdão

Anunciação
O vital reflexo da vida
Instante breve do adeus do corpo imóvel
Vitorioso caos do mármore calado
Nuvens presas por tiras de couro às trevas
A fábula iluminada por poema larvar
A quem resta o mar adormecido
Donde nascem estrelas
Desenhadas na morte do declínio

O menino é de oiro
Verde é a explosão no infinito da dor
Do deus-dardo criador da miséria e do sofrimento acolhido na sombra do aguilhão ensanguentado

Onde está o Atirador?

3 comentários:

Anónimo disse...

Olá José Maria, tudo bem?
Estou com uma dúvida. Meu marido está tomando Mezereum 200 CH 5 gostas de 2 em 2 dias para dermatite seborreica rosto e face. Ele começou há 8 ou 10 dias e já estava descamando no couro cabeludo e em regiões próximas ao nariz e na sombrancelha. Bem, agora acentuou bastante e está bem irritado os lugares que já estavam um pouco vermelho e descamando. Esse problema ele tem há anos. Eu acredito que seja a exoneração do medicamento, ou seja, que é uma reação natural da cura. É isso mesmo?? Alopáticos amenizavam, mas sempre voltava a ter.
Espero uma orientação!!!
Agradecida,

José Maria Alves disse...

Boa tarde Amiga

Vamos aguardar até ao 15.º ou 20.º dia.
Estou convencido que se trata de uma agravação conducente à melhoria.

Abraço, as melhoras e dê notícias, para reavaliarmos a situação. Teremos outras alternativas - continuo a pensar que não serão necessárias...

Zé Maria Alves

Anónimo disse...

Ótimo então, quando completar 20 dias eu volto a escrever para nova análise!
Muito obrigada,