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ARTE

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sábado, 30 de outubro de 2010

UMA GAIVOTA EM LISBOA





Uma viagem por Lisboa
A angústia de simples mortais enclausurada num transporte de multidão
Uma viagem sem história

Processionárias em fila interminável levantam a pata do verde velho cavalo branco de D. José
Uma mulher toca bombo num garoto

O Grand Voyager está ancorado em Santa Apolónia
O rio dorme a sesta
Uma inglesa coxa corre no vermelho
Por todo o lado contentores cheios de dúvidas e um comboio amarelo de icterícia sem locomotiva
O governo de Portugal passeia-se num cacilheiro

Cartazes
Descubra Portugal um país que vale por mil
Ossos saudáveis construem-se com muito cálcio
A luz que apaga o passar dos anos

Meu pai na cama dum hospital de luxo
Uma médica chinesa ou chinesa de Macau explica o inelutável
Julga que não confio em médicos
Adivinha
Não confio em ninguém para além do vento crepuscular e da névoa que de manhã lava o convés das embarcações
Da janela um pedaço de ponte suspende-se no horizonte
No quarto ao lado uma gralha
Uma gaivota míope voa em círculos sobre os prédios riscados como bibes
Há movimento
E há andares cheios de dor e morte



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