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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

LORD HERBERT OF CHERBURY (1582-1648) - SONETO DA BELEZA NEGRA






Negra Beleza – além da luz vulgar
cujo poder as cores não acende
senão as mesmas com que a treva as rende –
invária és sempre a todo o contemplar

e qual objecto idêntico ao fitar
nem a noite te esconde ou dia acende –
quando as cor´s de que o mundo crê que esplende
e que os poetas sonhavam de imitar

co´a noite somem tão completamente
que de seu ser não resta nem figura –
sempre tu ficas una inteiramente:

porque saibamos que uma tal negrura
é luz inacessível, e somente
a nossa escuridão a julga escura.

Tradução de Jorge de Sena

LOUIS ARAGON (1897-1982) - BALADA DOS SUPLÍCIOS






- «Pudesse eu recomeçar
e este caminho seguia...»
Uma voz fala das grades
sobre a futura alegria.

Na sua cela, dois homens
por essa noite comprida,
murmuravam-lhe: «Confessa.
Ou estás cansado da vida?

Podes viver como nós,
viver, viver anos vastos...
Uma só palavra, és livre...
e podes viver de rastos...»

- «Pudesse eu recomeçar
e este caminho seguia...»
A voz que sobe das grades
canta a futura alegria.

«Apenas uma palavra,
abre-se a porta e tu sais:
já o carrasco se some,
já acabaram teus ais!

Apenas uma mentira
para mudares o destino...
sonha, sonha, sonha
o claro sol matutino!»

«Disse o que tinha a dizer,
como o Rei Henrique falo:
uma missa por Paris...
p´lo meu reino, um cavalo...

Nada a fazer.» E partiram!
Cobre-o já seu sangue quente!
Era o seu único triunfo:
saber morrer inocente!

Pudesse ele recomeçar
ia esta sorte escolher?
Diz a voz que vem das grades:
- «Torná-lo-ia a fazer.

Eu morro e tu, França, ficas,
meu refúgio e minha fé.
Ó meus amigos, se morro,
vós sabeis pelo que é!»

Vieram para o prender,
falavam em alemão.
Disse-lhe um: - «Queres-te render?»
Respondeu com decisão:

- «Pudesse eu recomeçar
queria esta sorte seguir...»
A voz que sobe das grades
fala aos homens do porvir.

- «Pudesse eu recomeçar
queria esta sorte seguir.
Mesmo carregado de ferros,
que cante em mim o porvir!»

E cantava sob as balas:
«... sangrento se levantou...»
Até que nova rajada
veio por fim e o tombou.

Mas outra canção francesa
já dos seus lábios se evade
acabando a Marselhesa
para toda a Humanidade!

Tradução de Carlos de Oliveira



«Pudesse eu recomeçar e este caminho seguia...»
Que mundo este. Que país. Que moral, que justiça. Que homens sem nobreza. Tanta falsidade-sem-vergonha, calúnia, aleivosia. Espíritos de miséria e de pobreza.
Um homem insincero não vive: está morto.
Uma nação dissimulada cai no abismo monstruoso da indignidade e estilhaça-se no Hades.
Um homem morto não é um homem: é uma “coisa” corrompida e nauseosa, sem palavra.
Uma nação adulterina é o jazigo do Imundo.
Perder a palavra; antes perder a vida. A nossa vida pela honra. Viver de rastos; antes fenecer inocente. Voltaria a nascer para morrer pelos meus ideais. É preciso saber morrer pela Verdade. É urgente!
Em quem podemos nós confiar? Nos mortos-vivos? Nas “coisas” que apodrecem e fedem em vida? Em quem poderemos nós confiar?
«Pudesse eu recomeçar e este caminho seguia...»
Viver de Amor não é deste mundo. Oferecer-se em vida sem recusa não é desta Terra.
Viver de Amor, talvez seja,
«Subir com Jesus ao Calvário»,
ou
descer às chagas de nossos Irmãos que padecem e
amar gratuitamente sem olhar a quem.
«Pudesse eu recomeçar e este caminho seguia...»

EMANUEL BEN DAVI FRANCES (1618-1710) - EPITÁFIOS


UM CORCUNDA

Não bastara a corcunda que me deste,
para carregar a vida inteira, ó sorte!
não me perdoas nem sequer após a morte:
sobre as costas uma pedra me puseste.

A LINDA MOÇA

Aqui jaz uma moça para sempre perdida,
de todos os seus amores, não há um só eleito
capaz de cortejar quem foi tão querida
e com ela deitar-se agora neste leito.

Tradução de J. Guinsburg

ZRÍNYI MIKLÓS (1620-1664) - O TEMPO E A FAMA





O tempo, alado, vai
por nada espera, jamais,
e corre, forte corrente;

também por nada regressa,
tudo por terra cai; nessas
coisas, é omnipotente;

seja rico, seja pobre,
um mesmo olhar descobre;
pra ele, não há resistente.

Um somente sobrevive
à força do tempo, livre,
e mantém pacificado;

não receia sua foice,
nem rápidas asas, pois se
funde nele, repousado:

a tão esplendorosa fama,
que em glória se proclama,
fica eterno legado.


Não escrevo com pena, nem
com tinta preta, porém,
com o fio de meu sabre,
e com sangue no alarve,
eterna é minha fama.


O céu azul me cubra, sem caixão à beira,
honrosa seja minha hora derradeira.
Quando lobo, mesmo corvo, tragar me queira,
tenha céu em cima, terra por companheira.

Tradução de Ernesto Rodrigues

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

JAMES HOGG (1770-1835) - CANÇÃO DE UM RAPAZ





Onde os lagos são brilhantes e profundos,
Onde a truta cinzenta se deita a dormir,
Rio acima ao longo do prado,
Esse é o caminho para Billy e para mim.

Onde o melro canta por último,
Onde o pilriteiro floresce mais perfumado,
Onde os passarinhos chilreiam e fogem,
Esse é o caminho para Billy e para mim.

Onde os ceifeiros ceifam mais habilmente,
Onde o feno repousa espesso e mais verde,
Ali, onde seguimos a abelha de regresso a casa,
Esse é o caminho para Billy e para mim.

Onde o renque das aveleiras é mais íngreme,
Onde a sombra se abate mais profundamente,
Onde as avelãs, aos molhos, caem livres;
Esse é o caminho para Billy e para mim.

Porque é que os rapazes afastam
Pequenas e doces donzelas das brincadeiras,
Ou adoram zombar e brigar tão bem,
Foi coisa que nunca soube dizer.

Mas isto eu sei, que gosto de brincar
Atravessando a campina, por entre o feno;
Subindo o rio, e ao longo do prado,
Esse é o caminho para Billy e para mim.

Tradução de Cecília Rego Pinheiro

BORIS PASTERNAK (1890-1960) - SE EU ANTES SOUBERA DESTA SINA


Ah, se eu antes soubera desta sina,
Quando me preparava para a estreia,
Que há morte nestas linhas – assassinas!,
Como um golpe de sangue na traqueia.

Os folguedos desta busca de avessos
Eu deixaria, inúteis, de uma vez.
Já tão remoto o esforço do começo,
Tão remoto o primeiro interesse.

Mas a velhice é Roma. Não lhe peça
Que venha com histórias de ninar.
Ela exige do actor mais que uma peça,
Uma entrega total, um naufragar.

Quando o verso é um ditado do mais íntimo,
Ele imola um escravo em cena aberta.
E aqui termina a arte, o pano fecha,
Ao respirar da terra e do destino.

Tradução de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman


LUDOVICO ARIOSTO (1474-1533) - O AMOR É LOUCURA






Quem pisa do Amor a linha pura,
não aceita uma asa, retira-a prudente,
pois não é verdadeiro Amor, mas loucura,
o juízo do destino e a sábia gente.
Tal como Roldão não chega à ventura
a sua fúria há-de mostrar-se noutro acidente
senão, vede o sinal para enlouquecer
por bem querer outro e se perder.
Diversos são os efeitos, mas a loucura
uma, pois perde-os sempre
é como numa selva espessa, escura,
onde qualquer um erra o seu caminho
e aqui ou lá o extraviado passo procura.
Digo, a concluir, que é sobejamente digno
o que envelhece amando, outra grande pena
a ter perene o cepo que nos condena.
Hão-de falar: «Vós sois garboso
ensinando o outro a andar em erro cego.»
Entendo, respondo confuso,
agora que vejo claro o falso jogo.
Bem o procuro e julgo ter repouso,
fugir quero do erro e do acerbo fogo,
mas não acabarei assim o caso,
pois o mal me penetrou até ao osso.

Tradução de Jorge Henrique Bastos

THOMAS RANDOLPH (1605-1635) - SOBRE O SEU RETRATO






Quando a idade fizer de mim o que agora não sou;
E cada ruga me disser onde o arado
Do tempo sulcou; quando um Gelo fluir
Atravessando cada veia e toda a minha cabeça se cobrir de neve:
Quando a morte exibir o seu frio sobre as minhas faces,
E eu, a mim mesmo no meu próprio Retrato procurar,
Não encontrando o que sou, mas o que fui;
Duvidando em qual acreditar, neste ou no meu espelho;
Embora eu mude, este permanecerá o mesmo;
Tal como foi desenhado, reterá a compleição primitiva
E a tez primeira; aqui poderão ainda ver-se
Sangue nas faces e uma Penugem sobre o queixo.
Aqui a testa permanecerá lisa, o olhar intenso,
O Lábio rosado e o cabelo de cor jovem.
Contemplai que fragilidade podemos ver no homem,
Cuja Sombra é menos do que ele propensa à mudança.

Tradução de Cecília Rego Pinheiro


KURT TUCHOLSKY (1890-1935) - O SORRISO DA MONA LISA






Não posso desviar de ti o olhar.
Pois, por sobre o homem que te guarda,
Estás suspensa, as mãos cruzadas devagar,
E sorris, calada.

És célebre como a tal Torre de Pisa,
O teu sorriso passa por ironia.
Sim... porque é que ri a Mona Lisa?
Ri-se de nós, por nós, apesar de nós, contra nós –
Ou que mais o teu riso nos diria?
Calma nos ensinas o que tem de acontecer.
Porque o teu retrato, Lisa, claro no-lo diz:
Quem deste mundo tanto pôde ver –
Cruza as mãos, cala e sorri, como tu sorris.

Tradução de Paulo Quintela

RIMBAUT DE VAQUEIRAS (século XIII) - BARCAROLA






Altas ondas que vindes pelo mar
que o vento faz cá e lá agitar
do meu amigo sabedes novas contar
o que lá foi? Não o vejo voltar!

E ai, Deus, o amor!
Ora me dá prazer ora me dá dor!

Ai, doce brisa, que vens de lá
onde o meu amigo dorme e mora e se deita
de seu doce hálito me traz um doce trago
abro a boca com tão grande desejo

E ai, Deus.......................................

É doloroso amar vassalo de estranho país
tornam-se em choro seus jogos e seus risos
Nunca pensei que o meu amigo me traísse
pois lhe dei tudo o que de amor me pediu

E ai, Deus.........................................

Tradução de Irene Freire Nunes

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

TAO LI (século VIII) - TRANSCORRIDA A SÉTIMA LUA






Transcorrida a sétima lua não recordo
as mulheres de cuja sabedoria aprendi.
Guardo o claro rosto daquela
que me recebia no templo do seu corpo
como se eu fora um deus.

Tradução de Rui Knopfli

EMPÉDOCLES - O HOMEM QUE QUIS SER DEUS





Empédocles, da Escola Itálica, foi condiscípulo de Parménides, apesar de mais novo, e dos pitagóricos. Nasceu em Agrigento e terá vivido por volta de 440 a.C. Há quem estabeleça a data da sua morte no ano de 490 a.C. – ver neste blogue o artigo » EMPÉDOCLES DE AGRIGENTO.
Foi político e intitulou-se “deus”. É um filósofo lendário, do qual se diz ter operado inúmeros milagres – v.g. a ressuscitação de uma mulher – e ser capaz de dominar os ventos. Morreu tentando demonstrar a sua própria divindade, precipitando-se na cratera do vulcão Etna.

Eis alguns dos seus interessantes fragmentos (Diels):

Amigos, que habitais a fulva cidade de Agrigento, na sua acrópole, preocupados com boas obras, venerando porto de abrigo dos estrangeiros, inexperientes do mal, salve. Eu venho a vós como um deus imortal, não já como um mortal! Vagueio honrado entre todos – tal o conceito que mereço – adornado com as fitas da vitória e coroas virentes.
Quando eu for ter com eles, às cidades florescentes, com homens e mulheres, por eles serei venerado. Seguir-me-ão, aos milhares, indagando o caminho da prosperidade,
uns, porque precisam de oráculos, outros, porque interrogam sobre toda a espécie de doenças, para ouvir uma palavra que cure, - esses corpos há muito atravessados por dores insuportáveis.

Triste é o fim de quem pretende demonstrar a sua divindade...


JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org

ASHTAVAKRA GITA - A NATUREZA DAS COISAS





Ondas, bolhas e espuma não diferem da água. Do mesmo modo, tudo isto que emanou do Mesmo não é outro senão o Mesmo.
Quando o observas, o tecido revela ser apenas fio. Da mesma forma, quando olhas, tudo isto revela não ser outro que não o Mesmo.
O açúcar que nasce do sumo da cana-de-açúcar é todo ele permeado com o mesmo sabor. Da mesma forma, tudo isto, emanado de mim, está permeado comigo Mesmo...
Quão maravilhoso sou! Glória a mim! Eu que nada possuo ou que então possuo tudo aquilo a que a mente ou a palavra se podem referir.
O conhecimento, o que há para se saber, e o conhecedor – estes três não existem na verdade. Sou apenas a realidade plana na qual eles surgem devido à ignorância...
Sou a mais pura clarividência, apesar de ter sido pela ignorância que imaginei possuir outros atributos.

Tradução de Manuel João Magalhães

EGIPTO - SE EU FOSSE UMA DAS SUAS AIAS





Se eu fosse uma das suas aias
Sempre às ordens
(Nunca afastadas mais que um passo)
Poderia admirar
A resplandecência
Do seu corpo
Inteiro.

Se eu fosse quem lhe lava a roupa, por um mês,
Seria capaz de lhe retirar dos véus
Os perfumes que se entranham.

Por menos do que isso assentaria de bom grado
E seu anel seria, o selo no seu dedo.

Tradução Helder Moura Pereira


TUPIS - TROVA INDÍGENA





Em uma pia de pedra foi baptizado o Menino Deus.
Santa Maria é uma mulher bonita;
o seu filho é como ela;
no alto céu está numa cruz grande para guardar a nossa alma.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

VINCENZO CARDARELLI (1887-1959) - PASSADO






As lembranças, esta sombra demasiado longa
do nosso breve corpo,
esta estria de morte
que deixamos vivendo,
as lúgubres e duradouras lembranças,
ei-las que aparecem:
melancólicos e mudos
fantasmas agitados por um vento fúnebre.
E não me és mais que uma lembrança.
Estás morta na minha memória.
Agora sim que posso dizer
que me pertences
e qualquer coisa entre nós aconteceu
irremediavelmente.
Tudo acabou tão rápido!
Precipitado e leve
o tempo reúne.
Dos fugitivos instantes se tece uma história
bem acabada e triste.
Devíamos saber que o amor
a vida cresta e faz voar o tempo.

Tradução de Jorge de Sena

WEI ZHUANG (851-910) - O BUDA BÁRBARO





Dizem que o sul do rio é bonito,
O viajante apenas concorda ficar lá até morrer.
A água, na Primavera, é mais azul que o céu,
No barco pintado ouço a chuva, dormindo.

A rapariga ao lado do jarro de vinho é bonita como a lua,
Os pulsos brancos brilham como geada e neve.
Ainda não estou velho, não volto a casa,
Regressando a casa ficarei com o coração destroçado.

Tradução de Li Ching

CABRAL DO NASCIMENTO (1897-1978) - ADEUS



Manhãs serenas, pálidos
Dias sem sol, enevoados céus,
Opacas noites de perfumes cálidos,
Vejo tudo isso e digo adeus.

Frutos doirados, flores de estuante viço,
Rochas, praias, ilhéus,
Ondas do mar azul... Vejo tudo isso
E digo adeus.

Que importa que este fosse o meu desejo,
Se o envolveu a sombra de pesados véus?
A vida existe para os outros. Vejo
Tudo isso, e digo adeus.

E porque é tarde, e estou cansado, sigo
A estrada do regresso; e quando volvo os meus
Olhos, além, vejo tudo isso e digo:
Adeus!

WILLIAM CARLOS WILLIAMS (1888-1963) - O CARRINHO DE MÃO VERMELHO






Tanta coisa depende
de

um carrinho de mão
vermelho

reluzente de gotas de
chuva

ao lado das galinhas
brancas.

Tradução de José Agostinho Baptista

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A POBREZA NO MUNDO - POBREZA E SAÚDE





Vivemos num mundo globalmente imoral, onde a justiça social é uma verdadeira ficção. Os pobres são cada vez mais pobres e os ricos mais ricos.
Nos países em vias de desenvolvimento – apesar da expressão ser menos dolorosa que a de “países subdesenvolvidos”, não nos parece coincidente com a realidade – enriquecem governantes, comerciantes e industriais desonestos, para além de outros criminosos que se aproveitam da conivência das autoridades. Grassam os corruptos e os ladrões de “colarinho branco”, enquanto o povo subnutrido vai morrendo lentamente por via das carências alimentares e dos mais elementares cuidados de saúde. O “desenvolvimento” aproveita a uma minoria de políticos e poderosos, tais suínos em período de invernada.

A pobreza é uma realidade que ninguém parece querer assumir. Até os próprios pobres bastas vezes a escondem, enquanto os dirigentes das nações ensaiam discursos prometedores, usando e abusando da palavra “esperança”.



A pobreza é ter fome. Fome de pão para nos alimentarmos convenientemente, e não, fome da “sobremesa alheia”.
Pobreza é ver os filhos e aqueles que amamos morrerem à fome ou como consequência de estados de subnutrição crónica.
Pobreza é não ter um tecto que nos abrigue ou um abrigo sem condições por onde tudo pode entrar, seja o frio seja a chuva, seja a dor seja a enfermidade.
Pobreza é ter uma doença e não poder ir ao médico. Pobreza é não poder comprar os medicamentos.
Pobreza é assistir à morte dos filhos em lento sofrimento por carência de cuidados médicos.
Pobreza é não ter emprego e viver de pequeninos subsídios.
Pobreza é ter medo de perder o pouco que se tem e temer sem nada ficar.
Pobreza é não ir à escola para trabalhar ou porque nem posses se tem para comprar livros. Pobreza é ser-se analfabeto.
Pobreza é a incapacidade dos que sofrem, física ou psicologicamente, para reagirem às condições adversas que os assolam.
Pobreza é a falta de liberdade e de livre determinação.


Em verdade, para além de uma verdadeira pobreza, que toda a gente vê, existe uma outra, bem dolorosa, que tem vergonha de si mesma. Esta, com a qual todos os dias convivemos, entristece-nos. E deveria entristecer todos os que com ela convivem e, mais não fazem do que olhar para o próprio umbigo.



Pobreza é comprar carne para o cão, quando cão se não tem e peixe para o gato, quando o único que há no prédio é o da vizinha, que se passeia gordo e anafado.

Pobreza é dizer-se «Bom dia, está tudo assim como assim...» ou «vai-se andando...», quando em casa faltam os bens essenciais, o merceeiro e o talhante já não fiam e os bancos se preparam para penhorar as casas, que ainda estão por pagar.



Segundo o Banco Mundial, é pobre em condições extremas, todo aquele que vive com menos de um dólar por dia. É pobre, moderadamente, o que vive com mais de um dólar e menos de 2.
Segundo estudos recentes, 1 bilião e 100 milhões de almas vivem com menos de 1 dólar e, 2 bilhões e 700 milhões, com menos de 2 e mais de 1 dólar.


A pobreza é uma dura realidade. Tão dura, que nos seus extremos mata, sem dó, sem piedade, sem qualquer atitude dos que esbanjam comida e outros bens.
Bastaria que nos países ricos deixássemos de alimentar os animais domésticos com cereais e soja, para que a fome terminasse no mundo (Peter Singer). Tão simples... Tão fácil... Tão utópico!... (não se entenda que devemos exterminar à fome os animais domésticos...)
Essa fome, que parece não ter solução, seria resolvida com 19 mil milhões de dólares. São muitos milhões. Para gastar com a pobreza, não, mas para a guerra, sim! Só os E.U.A. gastam anualmente 420 mil milhões na defesa; na defesa do egoísmo, da inveja, da ganância, e do ódio.


Agora, digo-vos:
A CADA 3 SEGUNDOS HÁ UM SER HUMANO QUE MORRE À FOME

Contemos juntos:
1 ..... 2 ..... 3 ..... morreu um homem, mulher, criança ou velho;
1 ..... 2 ..... 3..... um outro ser humano morreu;
1 ..... 2 ..... 3 .... e outro;...
e outro ... e outro nosso irmão...
E os nossos corações são de pedra
e as nossas barrigas estão fartas
e temos o nosso umbigo
e temos uma falsa verdade
e temos nas palavras a falsidade.


Os países ricos fingem que auxiliam. As suas ajudas são uma verdadeira gota de água no oceano, ou seja, apenas 0,22 % do seu PIB. Fingem e fingem, porque quando a nossa barriga está cheia, pouco nos importa a barriga dos outros e acreditamo-nos por conveniência em tudo o que nos dizem. Isso faz-nos sentir mais compassivos. E eles sabem bem como é conveniente acreditar... Sabem bem como é acomodado ignorar...



A pobreza não está a diminuir. A pobreza aumenta. A pobreza vai continuar a aumentar.
A triste realidade é que por via da POBREZA, morrem todos os dias no mundo 50.000 pessoas e,
11 milhões de crianças, morrem por ano, antes dos 5 anos de idade e como consequência dos efeitos devastadores daquela.



Portugal, dos 27 países da União é um dos 9 mais pobres. Ainda temos concelhos onde o rendimento é inferior a 600 euros, como Fornos de Algodres e Pampilhosa da Serra.


E qual será o contristado panorama da saúde mundial?



Segundo a Organização Mundial de Saúde faltam mais de quatro milhões de profissionais de saúde no mundo – médicos, parteiras, enfermeiros e auxiliares –, escassez que é sentida essencialmente em África e na Ásia.

Nos finais do século XX existiam 1,2 mil milhões de pessoas que viviam em pobreza absoluta e degradante, ou com um rendimento de 1 dólar ou menos por dia, valor que se manteve estável na sua última década.
Metade da população mundial – cerca de 3 mil milhões de pessoas – vivia com dois dólares por dia ou menos.

Em 2006, numa população total estimada em 6,5 mil milhões de almas, 1,3 mil milhões não tinham acesso aos cuidados médicos mais básicos.
Se no continente americano, cujos países concentram 10% da carga mundial das doenças, existiam 24 profissionais de saúde para cada mil habitantes – contando com 37% da totalidade mundial daqueles trabalhadores –, já no continente africano, onde está concentrada 24% daquela carga, existiam apenas 2 ou 3 profissionais de saúde para os mesmos mil habitantes – representando 3% dos profissionais de saúde do mundo –.
Aguardando-se que a população supere os 7 mil milhões até ao ano de 2015, com 98% do aumento a registar-se nas regiões pouco desenvolvidas, o panorama é quase assustador. A pobreza continuará a aumentar, bem como a carência dos mais básicos cuidados de saúde, malgrado as palavras de políticos e altos dirigentes, tão imbuídas de esperança quanto de falsidade e hipocrisia.

Durante o período de 1990-97, o número de pessoas infectadas pelo VIH/SIDA, mais do que duplicou, passando de 15 para mais de 33 milhões, vivendo 95% dos contaminados em países em desenvolvimento e 70% na África a sul do Sara.


Qual é o papel da medicina alopática nesta tenebrosa cena? Qual a esperança de justiça dos pobres e miseráveis que abundam neste planeta?



A medicina convencional ou alopática é uma terapêutica dispendiosa, que apenas tem a sua eficácia garantida nos países desenvolvidos. É uma medicina de “ricos” e para “ricos”, um negócio monstruoso e frio, como tudo neste planeta onde se derramam palavras de generosidade e se actua em conformidade com interesses financeiros meramente grupais ou pessoais. Materialista e mecanicista, olvidou por completo a realidade holística do homem e escamoteou as leis que regem a vida como um todo, primando pela ausência ou insuficiência informativa.
A medicina convencional não é, nem será uma esperança para os milhares de milhões de pobres deste mundo. Se o progresso tecnológico e científico tem sido marcante nestes cinco mil anos de “civilização”, já o mesmo não se pode afirmar da natureza humana.



Desde que formámos com outros homeopatas os HSF-Portugal, temos procurado divulgar terapêuticas eficazes e pouco dispendiosas. A Homeopatia, os Florais de Bach, a Isopatia, entre outras, podem constituir a esperança real – mesmo que parcelar –, das reais carências de populações desumanamente desfavorecidas e abandonadas, quer pelos seus próprios governantes, alguns verdadeiros criminosos, quer pelos povos desenvolvidos, bastas vezes autores morais e cúmplices da corrupção e enriquecimento ilegítimo daqueles.
A Homeopatia, por muitas críticas de que seja alvo, constitui-se como uma Medicina eficaz, pouco dispendiosa e muito mais acessível do que a inoperante – inoperante por inexistente – Medicina alopática.
É alvo de ataques constantes, de denúncias caluniosas, em regra, por quem nem sequer a conhece nos seus mais básicos princípios. A Homeopatia não interessa aos “comerciantes da medicina”, aos “vendilhões de saúde”, aos que enriquecem ilegitimamente à custa dos que sofrem.
É incómoda para os terapeutas gananciosos, violenta o desejo de enriquecimento de classes habituadas ao domínio incontestado, e afronta o próspero mercado desumano da indústria farmacêutica.
Mas, quer queiramos quer não, é uma Esperança: para os miseráveis, para os pobres, para os abandonados por sistemas cruéis e oportunistas, para os desvalidos.

JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org/

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A VIDA





A vida
Como a estrela da manhã
Contudo
A noite...


JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org

A MINHA ÚLTIMA MORADA





Gostaria que minha última morada
Fosse no cemitério da aldeia
Junto de homens de outrora
Arrepio-me –
Não me vão sepultar
Junto dos de agora

JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org





UM MOTIVO PARA SONHAR




Na noite fecunda
Os olhos azuis do mar
Sem lágrimas
Ébrios de Lua Nova
Nascem para o dia ausente

Olhos de mar na noite escura
Lábios macios de medusa
Um motivo para sonhar
Causa de amar

JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org

UMA ABELHA NO TANQUE






Uma abelha no tanque
Debate-se na direcção da margem –
Onde aprendeu ela a nadar?

JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org

A ÁRVORE DERRUBADA





Árvore derrubada
Não chores
Eu sei
Sei que o machado de ferro
Tem o cabo
De tua carne feito

JOSÉ MARIA ALVES
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FORÇA DE VIDA





Tens olhos castanhos
Cor da baça pelagem
Que me dizem
Na eminência de morte anunciada -
«Não me mates»

Força de vida
Para quem se arrasta
O pôr-se em pé basta

JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org






JOÃO DE DEUS (1830-1896) - MISÉRIA





Era já noite cerrada,
Diz o filho «Ó minha mãe,
Debaixo daquela arcada
Passava-se a noite bem!»

A cega, que todo o dia
Tinha levado a andar,
A tais palavras do guia
Sentiu-se reanimar.

Mas saltam dois cães de gado,
Que eram como dois leões:
Tinha-os à porta o morgado
Para o guardar dos ladrões.

Tornam os pobres à estrada,
E onde haviam de ir dar?
Ao palácio da tapada
Onde el-rei ia caçar.

À ceguinha meio morta
Torna o filho: «Ó minha mãe,
Ali no vão de uma porta
Passava-se a noite bem!»

- Se os cães deixarem (diz ela,
A triste num riso amargo).
Com efeito a sentinela:
- «Quem vem lá?... Passe de largo!»

Então ceguinha e filhinho,
Vendo a sua esperança vã,
Deitaram-se ao caminho
Até romper a manhã!...

JOÃO DE DEUS (1830-1896) - AMOR





Não vês como eu sigo
Teus passos, não vês?
O cão do mendigo
Não é mais amigo
Do dono talvez!

Ao pé de uma fonte
No fundo de um vale,
No alto de um monte
De vasto horizonte,
Sem ti estou mal!

Sem ti, olho e canso
De olhar, e que vi?
Os olhos que lanço,
Acharem descanso,
Só acham em ti!

Os ventos que empolam
A face do mar,
E as ondas que rolam
Na praia, consolam
Tamanho pesar?

As formas estranhas
De nuvens que vão
Roçando as montanhas
Em ondas tamanhas
Distraem-me? Não!

A pomba que abraça
No ar o seu par,
E a nuvem que passa,
Não tem essa graça
Que tens a andar!

Parece o pezinho,
De lindo que é,
Ligeiro e levinho,
O de um passarinho
Voando de pé!

O rosto, há em torno
Da pálida oval,
Daquele contorno
Tão puro, o adorno
Da auréola imortal!

Não sei que luz vaga,
Mas íntima luz,
Que nunca se apaga,
Me inunda, me alaga,
Se os olhos lhe pus!

Eu amo-te, e sigo
Teus passos, bem vês!
O cão do mendigo
Não é mais amigo
Do dono talvez!

JOÃO DE DEUS (1830-1896) - CRUCIFIXO




João de Deus é um poeta popular, que cursou Direito em Coimbra, curso que apenas finalizou após dez anos – versos, música e boémia a tal obstaram.
Homem liberto de interesses materiais, atinge a notoriedade sem que em momento algum a tivesse buscado.
Por isso, nos é tão caro, o despretensioso poeta, sepultado no Mosteiro dos Jerónimos...



CRUCIFIXO

«Minha mãe, quem é aquele
Pregado naquela cruz?
- Aquele, filho, é Jesus...
É a santa imagem dele!

«E quem é Jesus? – É Deus!
«E quem é Deus? – Quem nos cria,
Quem nos manda a luz do dia
E fez a terra e os céus;

E veio ensinar à gente
Que todos somos irmãos,
E devemos dar as mãos
Uns aos outros irmãmente:

Todo amor, todo bondade!
«E morreu? – Para mostrar
Que a gente pela Verdade
Se deve deixar matar.


VOLTAIRE - O DESASTRE DE LISBOA (TERRAMOTO DE 1755)






O terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755 – Dia de Todos-Os-Santos - permitiu a Voltaire polemizar em verso contra Alexander Pope e Leibniz, para quem “tudo está bem” – vejam-se neste blogue os artigos referentes à teodiceia e Leibniz (utilize o pesquisador).
Se Pope dulcifica e pacifica os males que nos atingem, já Leibniz julga-os uma consequência inelutável da nossa natureza e da estrutura do próprio universo.

Para Voltaire, este não é o melhor dos mundos possíveis e “que triste jogo de acaso é o jogo da vida humana!”, valendo-lhe o “POEMA SOBRE O DESASTRE DE LISBOA ou exame deste axioma. «Tudo está bem»”, uma resposta de Rosseau.
Segundo este, Voltaire, que sempre pareceu acreditar em Deus, realmente nunca acreditou senão no Diabo, já que o seu pretenso deus não passa de um malfeitor, que em sua perspectiva, outro intento não tem, nem sequer prazer, que não seja o de o prejudicar a si e aos seus semelhantes. Daqui, Voltaire gera e arrasta-o no desespero e não na esperança.

Num mundo de calamidades, num país calamitoso, em que a terra se começa já a esventrar em aborto de terceiro mês, que nem águas correntes poderão absterger, nem homem ditoso evitar, legitima-se a edição de excertos do dito poema – veja-se o texto integral na excelente tradução de Jorge P. Pires, em Voltaire, o Desastre de Lisboa, editora frenesi -, relembrando os que necessitam de ser relembrados, na sequência de Rousseau, de que nada vale ficar, obstinados em torno de nossos casebres, expondo-nos a novos e novos tremores, já que aquilo que se abandona muito menos vale do que aquilo que se pode levar...



Ó infelizes mortais! Ó deplorável terra!
Ó agregado horrendo que a todos os mortais encerra!
Exercício eterno que inúteis dores mantém!
Filósofos iludidos que bradais «Tudo está bem»;
Acorrei, contemplai estas ruínas malfadadas,
Estes escombros, estes despojos, estas cinzas desgraçadas,
Estas mulheres, estes infantes uns nos outros amontoados
Estes membros dispersos sob estes mármores quebrados
Cem mil desafortunados que a terra devora,
Os quais, sangrando, despedaçados, e palpitantes embora,
Enterrados com seus tectos terminam sem assistência
No horror dos tormentos sua lamentosa existência!
Aos gritos balbuciados por suas vozes expirantes,
Ao espectáculo medonho de suas cinzas fumegantes,
Direis vós: «Eis das eternas leis o cumprimento,
Quem de um Deus livre e bom requer o discernimento?»
Direis vós, perante tal amontoado de vítimas:
«Deus vingou-se, a morte deles é o preço de seus crimes»?
Que crime, que falta comentaram estes infantes
Sobre o seio materno esmagados e sangrantes?
Lisboa, que não é mais, teve ela mais vícios
Que Londres, que Paris, mergulhadas nas delícias?
Lisboa está arruinada e dança-se em Paris.

(...)

Ide interrogar as margens do Tejo;
Revolvei os escombros deste sangrento despejo;
Perguntai aos moribundos, nesta morada de pavor,
Se é o orgulho quem clama: «Ajudai-me, Senhor!
Ó céus, tende piedade do humano fadário!»
«Tudo está bem», dizeis vós, «e tudo é necessário.»
Mas quê! O Universo inteiro, sem este abismo infernal,
Sem engolir Lisboa, teria estado em maior mal?

(...)

Não, não ostenteis mais a meu coração alterado
Essas imutáveis leis da necessidade,
Essa cadeia dos corpos, dos espíritos, e dos mundos.
Ó sonhos de sábios! Ó desvarios profundos!
Deus tem na mão a corrente, e não está acorrentado;
Por sua escolha benévola tudo é determinado:
Ele é livre, ele é justo, e não é implacável.
Porque sofremos então com um amo justo e amável?

(...)

Elementos, animais, humanos, tudo está em guerra.
Há que reconhecê-lo, o “mal” está sobre a terra:
Seu princípio secreto não nos é de todo conhecido.
Do autor de todo o bem, terá o mal decorrido?

(...)

Um Deus veio consolar a nossa raça alarmada;
Visitou a terra, mas não a mudou em nada!
Diz-nos um sofista arrogante que ele o não pôde fazer:
«Ele poderia», diz outro, «mas havia de o querer:
Querê-lo-ia, sem dúvida;» e, enquanto se apregoa,
Há trovões subterrâneos que vão engolindo Lisboa,
E de trinta cidades dispersam os lambris,
Das margens sangrentas do Tejo até ao mar de Cádis.

Ou o homem nasceu culpado, e Deus pune sua raça,
Ou esse senhor absoluto do ser e do espaço,
Sem furor, sem piedade, tranquilo, indiferente,
De seus primeiros decretos segue a eterna torrente;
Ou a matéria informe, a seu mestre rebelde,
Transporta consigo defeitos tão necessários quanto ela;
Ou Deus nos põe à prova, e esta estadia mortal
Não é senão uma passagem estreita para um mundo eternal.
Aqui experimentamos dores transitórias:
Falecer é um bem que termina as nossas misérias.
Mas quando por fim sairmos desta passagem de agruras,
Qual de nós pretenderá merecer colher venturas?

(...)

Leibniz nunca me ensina por que nós invisíveis,
No mais bem ordenado dos universos possíveis,
Uma desordem eterna, um caos de infelicidades,
A nossos vãos prazeres mistura certas dores que são verdades,
Nem por que é que o inocente, tal como o culpado,
Sofre do mesmo modo este mal desgraçado.
Também não concebo como tudo estaria bem:
Sou como um médico; infelizmente nada sei.

(...)

“Um dia tudo estará bem”, eis aí a nossa esperança;
“Tudo está bem hoje em dia”, eis aqui a ilusão.

(...)


Outrora um califa, chegado à hora em que se falece,
Ao deus que adorava disse então como prece:
«Trago-te, ó único rei, único ser sem limitação,
Tudo o que não possuis na tua imensidão,
Os defeitos, os remorsos, os males e a ignorância.»
Mas poderia haver acrescentado ainda “a esperança”.



Tradução de Jorge Pires

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

FERNANDO PESSOA - Ó SINO DA MINHA ALDEIA





Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto,
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

ANTÓNIO PATRÍCIO (1878-1930) - PEDIDO À MORTE





Ouve um pedido: vens seroar?...
Faze um recado, vai á procura
(só tu a podes ir encontrar)

da que na terra, que ela fez pura,
fia saudades, vive a fiar,
como na vida, sonho e doçura...

Sê boa, ó Morte: vai num instante
dizer à alma de minha Mãe
que a oiço ainda: que cante, cante,

essa cantiga, com voz de além,
em que se fala, lindo descante,
duma fontinha que há em Belém...

Ela pedia, de mãos erguidas,
que as dores que houvesse no meu destino
Deus lhas mandasse, bem mais ardidas!...

E em paga fossem prò seu menino
as horas servas enternecidas
vestindo-o todo de linho fino...

Quando me lembro, se tu soubesses,
que as minhas horas iam voando
com asas feitas das suas preces...

Oiço a voz dela, dum timbre brando,
(Eu queria, ó Morte, que lho dissesses)
refém de sempre, sempre ecoando...

E as mãos, de veias tão azuladas,
tinham carícias, tinham meiguices,
que nem em sonhos nos dão as fadas...

Nos desesperos, nas criancices,
como elas vinham, apiedadas,
sarar tristezas, calmar doidices...

Quando me lembro, todo me humilho;
a pura glória da minha vida
foi (e é sempre) ser o seu filho.

Ainda de longe me dá guarida,
e o olhar supremo, de estranho brilho,
não foi, não era, de despedida...

Vai tu dizer-lho: dize só isto...
A sua alma deve andar perto
da alma clara de Jesus Cristo...

Como eu a beijo neste deserto,
como eu a oiço, como eu existo
no amor dela, que é puro e certo...

Tu vais, ó Morte, num instantinho,
que as tuas asas no céu velado
(como as saudades) abrem caminho...

Bendita sejas por o recado;
e que ela sinta no teu carinho
que o meu lhe reza todo ajoelhado.

FERNANDO PESSOA - FITO-ME FRENTE A FRENTE



Fito-me frente a frente.
Conheço que estou louco.
Não me sinto doente.
Fito-me frente a frente.

Evoco a minha vida.
Fantasma, quem és tu?
Uma coisa esquecida
Uma força traída.

Neste momento claro,
Abdique a alma bem!
Saber não ser é raro.
Quero ser raro e claro.

8-1930

SARA TEASDALE (1884-1933) - QUE ISTO SEJA ESQUECIDO






Que isto seja esquecido como uma flor, ou como
fogo de áureo gorjeio que ninguém já relembre...
É bom amigo, o tempo, que nos traz a velhice.
Que isto seja esquecido e para todo o sempre.

E se alguém perguntar, dize – foi esquecido
há muito, muito tempo,
como uma flor, um fogo, uma surda pegada
numa neve esquecida há um tempo imenso...

Tradução de Cecília Meireles

WALLACE STEVENS (1879-1955) - TREZE MANEIRAS DE CONTEMPLAR UM MELRO






I

Entre as vinte montanhas nevadas
A única coisa movendo-se
Era o olho de um melro.

II

Eu tinha três almas
Como a árvore
Em que há três melros.

III

Os melros rodopiaram nos ventos outonais.
O que era uma pequena parte da pantomima.

IV

Um homem e uma mulher
São um.
Um homem e uma mulher e um melro,
São um.

V

Não sei que preferir –
A beleza das inflexões
Ou a beleza das insinuações,
O melro que gorjeia,
Ou o depois.

VI

Pingos de gelo enchiam a vasta janela
De vidro bárbaro.
A sombra do melro
Cruzava-a, de cá para lá, de lá para cá.
A situação
Traçava na sombra
Um curso indecifrável.

VII

Ó homens magros de Haddam,
Porque imaginais pássaros de ouro?
Não vedes como o melro
Passeia à volta dos pés
Das mulheres à vossa volta?

VIII

Sei de nobres tons
E de lúcidos e inescapáveis ritmos;
Mas também sei
Que o melro está envolvido
No que eu sei.

IX

Quando o melro desapareceu da vista,
Marcou o limite
De um de vários círculos.

X

À vista de melros
Voando na luz verde
Até os alcoviteiros da eufonia
Gritariam desafinados.

XI

O homem atravessou o Connecticut
Num coche de vidro.
Uma vez, um terror o trespassou,
E foi quando tomou
A sombra dos cavalos
Por melros.

XII

O rio move-se.
O melro deve estar a voar.

XIII

Foi entardecer toda a tarde.
Nevava
E estava a ponto de nevar.
O melro pousado
Nos ramos do cedro.

Tradução de Jorge de Sena


MIRABAI (1503-1573) - A COR DO MEU AMADO






A cor do meu Amado
tingiu o meu corpo
Todas as outras cores
se desvaneceram
Uso apenas braceletes
tilak e colares
O meu melhor enfeite
é o meu amor por Ele
Insultam-me? Eu canto
as glórias de Govinda
É os seus passos
que sigo De que me podem
acusar? Não descerei
do dorso dum elefante
para montar um asno

Tradução de Jorge Sousa Braga

ZHANG KEJIU (século XIII) - RETIRO NA MONTANHA COM UMA ALMOFADA DE PRIMAVERA







Uma neblina vinda da montanha postou-se diante da porta
durante todo o dia ninguém veio
os pinheiros ao vento ressoam em vagas verdes
folhas de carvalho branco ardem no forno de cinábrio
quando o Mestre saciado dorme, a primavera envelhece sozinha

Tradução de Albano Martins

FERNANDO PESSOA - TANGE O SINO, TANGE







Tange o sino, tange,
Tange doloroso.
Cai como quer um alfange
No meu sonhar de gozo...
E o sino tange, tange
Lento e ao longe moroso.

E tange e plange, longe
Aérea melodia...
Cada som é um monge
Na sua alva fria...
Tange o sino de bronze
No escurecer que esfria.

E em mim também é escura
A tarde do meu ser
E plange em mim, na lonjura
Do meu vago esquecer
Um sino ao longe, oh agrura
De ser sempre o meu ser!

3-1911


ZHANG KEJIU (século XIII) - NOITE DO RIO





Rio de águas límpidas a lua brilha no rio
mas quem é que no rio toca a cítara?
À beira do rio ouço por entre lágrimas
o rio encher-se de um rumor de longo desespero

Tradução de Albano Martins

CARL SANDBURG (1878-1967) - CAIXAS E SACOS





Quanto maior é a caixa, mais leva.
As caixas vazias levam tanto como as cabeças vazias.
Muitas caixinhas vazias, que se deitam numa grande caixa vazia, enchem-na toda.
Uma caixa meio-vazia diz: «Ponham-me mais.»
Uma caixa bastante grande pode conter o mundo.
Os elefantes precisam de grandes caixas para guardar uma dúzia de lenços de assoar para elefantes.
As pulgas dobram os seus lencinhos e arrumam-nos com cuidado em caixas de lenços para pulgas.
Os sacos encostam-se uns aos outros e as caixas levantam-se independentes.
As caixas são quadradas e têm cantos, ou então são redondas e têm círculos.
Pode empilhar-se caixa sobre caixa até que tudo venha abaixo.
Empilhe caixa sobre caixa, e a caixa do fundo dirá: «Queira notar que tudo repousa sobre mim.»
Empilhe caixa sobre mim, e a que está em cima perguntará: «É capaz de me dizer qual de nós cai para mais longe quando caímos todas?»
As pessoas-caixas vão à procura de caixas e as pessoas-sacos à procura de sacos.

Tradução de Alexandre O´Neill

MIRABAI (1503-1573) - NÃO SEI AMIGA...





Não sei amiga o que irá
acontecer entre o meu Amado
e eu Veio até mim
Mas foi-se embora enquanto eu dormia
Vou rasgar em duas
as minhas vestes comprar
um sari amarelo deitar
os braceletes fora deixar
o cabelo cair-me sobre
os ombros O desejo
assola-me noite e dia
Mira diz Uma vez juntos
os amantes não se devem
separar

Tradução de Jorge Sousa Braga

UMBERTO SABA (1883-1957) - A BOCA






A boca
que primeiro levou
aos meus lábios a cor da aurora
ainda
em belos pensamentos desconto o aroma.

Ó pueril boca, amada boca,
que dizias o que ousavas e tão doce
eras a beijar.

Tradução de Eugénio de Andrade

ZHANG KEJIU (século XIII) - AMOR






As árvores do outono sobrepõem-se sob o alpendre esculpido
inumeráveis nuvens floridas escoltam o sapo de jade
alguns fios de perfume nocturno atravessam a cortina bordada
ela espera escondida
a porta meio aberta
meio fechada

Tradução de Albano Martins

MUHAMMAD AL-SULEIMANI (1862-1926) - A ALMA NA SUA NOBREZA





os tempos, os tempos que correm
puseram-na fora dela, a minha bela amiga.
ela veio com recriminações
sobrancelhas franzidas, e também muito amor
tentar dizer-me mil palavras amargas.
tempo perdido, vede.
ela não consegue enganar-me.
sem a máscara, mas com doce gemido.
ela vem jovem, terna, fina silhueta
e diz: porque não tens ambição nenhuma?
multidão, as pessoas buscam sua celebridade.
a ordem calcada aos pés
o povo reparte as túnicas da glória.
quando colherás os frutos
da tua inspirada pena?
ergue-te, agarra o tempo que passa.
agarra-o antes que seja tarde.
cada época tem seu rosto.
faz com o teu um bom uso!
os caminhos da grandeza estão tapados?
faz como toda a gente, sem te impressionares.
os protectores são poderosos:
de quem se valer? não de si mesmo.
as almas nobres onde estão?
onde estão diz-me, as suas moradas?
as suas palavras de fogo alteraram-me.
quem pensava ela que eu sou
senão um homem cujo único bem
é a alma na sua nobreza. Eu disse:
«deixa-me, a minha meta é a grandeza.
a sorte é o fruto do acaso.
o quê? rebaixar-me por riqueza ou glória?
antes morrer, antes morrer!»

Tradução de Adalberto Alves

GEORGE COSBUC (1866-1918) - A ÁRVORE DE NATAL





Tu nunca viste a mata, querido filho meu –
À mata no inverno repouso Deus lhe deu,

Alguma vez somente vem bater-lhe o nevão,
Desata aos soluços e se arrepia então.

Logo se cala e dorme quando os nevões perecem.
No entanto, esta noite, do céu os anjos descem,

Ao longo da floresta esvoaçam trauteando
E do regaço flores e maçãs vão largando,

E as flores pelos ramos abaixo a descer;
Canções há, e luzes – que lindo é de ver!

Acordam os abetos então em grande espanto,
E alegres, como os anjos, vão-se juntar ao canto.

Tu nunca viste a mata, querido filho meu,
Mas olha o que dela o Senhor te ofereceu.

Ramo em luz de velas um anjo arrancou,
Com flores e brinquedos, tal como o encontrou.

bem longe, num presépio, Jesus em fralda está,
Dos anjos tanta prenda, tanta, quem contará?

Mas Ele é bom, vai dando aos que lhe têm amor,
Vem dizer, de joelhos: «Bem haja, meu Senhor!»

Tradução de Doina Zugravescu


KOSZTOLÁNYI DEZSO (1885-1936) - QUE COMOVENTE, UM MAU POETA



Que comovente, um mau poeta. Não falam dele
há muitos anos; depois, lentamente, esquecem-no.
Inspirado e branco, agora cambaleia, vacilam
os botões no sobretudo roto e assobia poemas inéditos
ao vento de Inverno.
Que orgulho e força. No seu rosto,
ódio e inveja semelham, de longe, algo como
tristeza etérea. A seu lado, os famosos,
que incensaram artigos pagos e celebram
plateias selvagens, mercadores, ou aventureiros.
Na calva, na fronte altiva de apóstolo, pôs-lhe a vida
coroa de lágrimas, divinizando
sonhos da mocidade, em que prefere acreditar.
Até a má alimentação e magreza que dá
a tísica é uma questão de estilo. Como nos seus livros.
Crítica, literatura – em vão falais.
Ele é o idealismo. Ele é o poeta verdadeiro.

Tradução de Ernesto Rodrigues


PAUL VALÉRY (1871-1945) - AS ROMÃS





Duras romãs entreabertas
Pelo excesso dos grãos de ouro,
Eu vejo reis, todo um tesouro
Nascer de suas descobertas!

Se os sóis de onde ressurgis,
Ó romãs de entrevista tez,
Vos fazem, prenhes de altivez,
Romper os claustros de rubis,

E se o ouro seco cede enfim
Ante a demanda ainda mais dura
e explode em gemas de carmim,

Essa luminosa ruptura
Faz sonhar uma alma que há em mim
De sua secreta arquitectura.

Tradução de Augusto de Campos

FERNANDO PESSOA - BASTA PENSAR EM SENTIR






Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar e andar,
Depois de ficar e ir,
Hei-de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir...

Viver é não conseguir.

6-1932

TERESA DE LISIEUX (1873-1897) - FACE ADORÁVEL DE JESUS






Face adorável de Jesus
que raptas meu coração
como nenhuma beleza mais.
Confunde-me na Tua semelhança divina:
não possas mais olhar a minha alma
sem Te veres a Ti.

Tradução de José Tolentino Mendonça

T.S.ELIOT (1888-1965) - O «BOSTON EVENING TRANSCRIPT»




Os leitores do Boston Evening Transcript
Curvam-se ao vento como seara madura.
Quando a tarde se apressa um pouco pela rua
Despertando apetites de vida em alguns
E a outros trazendo o Boston Evening Transcript,
Eu subo os degraus e toco à campainha,
Voltando-me cansado, como nos voltaríamos para acenar um adeus a Rochefoucauld,
Se a rua fosse tempo e ele no fim da rua,
E digo: - Prima Henriqueta, aqui tem o Boston Evening Transcript.

Tradução de Jorge de Sena

MIRABAI (1503-1573) - NÃO BASTA PEDIR PARA NASCER







Não basta pedir para nascer
num corpo humano É a recompensa
de boas acções em vidas
passadas A vida é breve
A folha que cai não volta
ao ramo Contempla
o oceano da transmigração
com a sua maré irresistível
Oh Giridhara conduz a minha
barca para a margem segura

Tradução de Jorge de Sousa Braga

PEYO YÁVOROV (1878-1914) - FELIZ É







Feliz, feliz é quem pode
virar tranquilamente a cabeça
e contemplar o caminho percorrido,
um caminho mesquinho, feliz é, ó Deus!

Feliz, feliz é quem pode
dobrar habilmente a coluna vertebral
e a quem um raio metálico ilumina as trevas da vida,
um raio metálico, feliz é, ó Deus!

Porém, bem-aventurado é aquele que pode
não encontrar nunca os felizes
e escutar a língua, a nauseabunda
língua dos homens! Perdoa-me, ó Deus!

Tradução de Dimíter Anguelov

HERMANN HESSE (1877-1962) - O LOBO DAS ESTEPES






Eu, lobo das estepes, corro, corro,
a neve cobre o mundo,
da bétula levanta voo o corvo,
mas nunca aparece uma lebre, nunca aparece um cervo.
E como eu amo os cervos!
Se acaso encontrasse algum,
prendia-o com garras e dentes:
é a coisa mais bela em que penso.
Com os sensíveis seria também sensível,
devorava-os todos de extremo a extremo,
bebia-lhes até ao fundo o sangue púrpura e espesso,
e solitariamente uivava pela noite dentro.
Contentava-me com uma lebre.
É tão doce à noite o sabor da sua carne quente.
Porventura foi-me negado tudo quanto possa, um pouco,
alegrar a vida, um pouco apenas?
A minha companheira, há muito que a não tenho,
o pêlo da minha cauda começa a ficar cor de cinza,
e só quando há bastante luz é que vejo.
Agora corro e sonho com cervos,
ouço o vento soprar nas grandes noites de inverno,
e a minha alma dolorosa, entrego-a eu ao demónio.

Versão Herberto Helder

ADELAIDE CRAPSEY (1878-1914) - TRÍADE






São três
Coisas silenciosas:
A neve que cai... a hora
Antes da alva... a boca de alguém
Que acabou de morrer.

Tradução de Manuel Bandeira

SHIMAZAKI TÓSON (1872-1943) - CANÇÃO DE VIAGEM NO RIO CHIKUMA





Ontem foi outra vez assim,
Também hoje será assim,
Para quê tanta agitação nesta vida,
Sempre ansiosos pelo dia de amanhã?

Muitas vezes desci ao vale
Onde se detém o sonho do crescimento e do declínio
E vi as ondas do rio hesitantes,
Água cheia de areia que enrola e regressa.

Ah! A velha mansão – que diz ela?
A ondulação na margem – o que responde?
Em silêncio pensa no tempo que passou,
Cem anos como se fosse ontem.

Os salgueiros do Rio Chikuma crescem frágeis:
A Primavera frívola, a água afastando-se.
Sozinho vagueio entre as rochas.
E a esta margem prendo os meus cuidados.

Tradução de José Alberto Oliveira

SERGIO CORAZZINI (1886-1907) - TRISTEZAS DE UM POBRE POETA SENTIMENTAL






I

Porque me chamas poeta?
Eu não sou um poeta.
Sou apenas uma criancinha que chora.
Repara: só tenho lágrimas para oferecer ao Silêncio.

Porque me chamas: poeta?

II

As minhas tristezas são pobres tristezas vulgares.
As minhas alegrias foram simples,
Tão simples, que, se tas conconfessasse, teria vergonha.
Hoje, penso em morrer.

III

Quero morrer, somente porque estou cansado;
Somente porque os grandes anjos
Nos vitrais das catedrais
Me fazem tremer de amor e de angústia;
Somente porque me sinto inerme,
Devassado como um espelho,
Como um pobre espelho melancólico.
Repara que eu não sou um poeta,
Mas uma criança triste que deseja morrer.

IV

Oh, não te maravilhes com a minha tristeza!
Não me perguntes nada;
Não saberei dizer-te senão palavras vãs,
Ó meu Deus, como estas,
Que me nascem de chorar querendo morrer.
As minhas lágrimas terão um ar
De rezarem um rosário de tristeza
Perante a minh´alma sete voltas dolentes,
Mas não serei um poeta;
Serei simplesmente um rapazito doce e pensativo
A quem acontecesse este falar assim tal como canta e como dorme.

V

Comungo silêncio diariamente, como se comunga Jesus,
E os sacerdotes do silêncio são os rumores,
Pois que sem eles não haveria eu pressentido e encontrado o deus.

VI

Esta noite dormi com as mãos cruzadas.
Pareceu-me que sou um rapazinho manso,
Esquecido por todos os homens,
Frágil presa à mercê do que primeiro vier;
E desejei ser vendido,
E ser batido,
E ser obrigado a jejuar,
Para poder pôr-me a chorar sozinho,
Desesperadamente triste,
Num canto obscuro.

VII

Amo a vida símplice das coisas.
Quantas paixões vi desfolharem-se, a pouco e pouco,
Por coisas que nada mereciam!
Mas tu não me compreendes e sorris.
E julgas que estou doente.

VIII

Ai eu estou muito doente!
E morro um pouco todos os dias.
Repara: como as coisas.
Não sou, portanto, um poeta:
Eu sou apenas para que se diga: poeta,
Era preciso viver uma outra vida!
Mas eu não sou, Deus meu, senão morte.
Ámen.

Tradução de Jorge de Sena

FERNANDO PESSOA - ÀS VEZES SOU O DEUS QUE TRAGO EM MIM






Às vezes sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o deus, e o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse deus se esquece.

Às vezes não sou mais do que um ateu
Desse deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.

6-1913

ZHANG KEJIU (século XIII) - PAISAGEM NOCTURNA





Sozinha no pequeno pavilhão vermelho ela polvilha-se de novo
balaustrada ziguezagueante
baía verde tenro
a chuva lava a crista das flores
o vento penteia a sombra dos salgueiros
a lua flutua no perfume dos lótus
na almofada bordada um casal de fénix levanta voo
ao pé dos juncos um pato solitário
coração ferido diante da paisagem
na súbita frescura desta noite
homem galante onde estás?

Tradução de Albano Martins


ANTÓNIO NOBRE (1867-1900) - E A VIDA FOI, E É ASSIM





E a Vida foi, e é assim, e não melhora.
Esforço inútil. Tudo é ilusão.
Quantos não cismam nisso mesmo a esta hora
Com uma taça, ou um punhal na mão!

Mas a Arte, o Lar, um filho, António? Embora!
Quimeras, sonhos, bolas de sabão.
E a tortura do Além e quem lá mora!
isso é, talvez, minha única aflição.

Toda a dor pode suportar-se, toda!
Mesmo a da noiva morta em plena boda,
Que por mortalha leva... essa que traz.

Mas uma não: é a dor do pensamento!
Ai quem me dera entrar nesse convento
Que há além da Morte e que se chama A Paz!

ERNEST DOWSON (1867-1900) - NÃO SÃO DURADOUROS, O CHORO E O RISO






Não são duradouros, o choro e o riso,
Amor e desejo e ódio:
Penso que não fazem parte de nós depois
Que passamos o portão.
Não são duradouros, os dias do vinho e das rosas:
Saído de um sonho enevoado
O nosso caminho emerge por algum tempo, fechando-se depois
Dentro de um sonho.

Tradução de Cecília Rego Pinheiro

MIRABAI (1503-1573) - SÓ SEI DANÇAR







Só sei dançar
para o meu Mestre
Despi-me de toda
a vergonha trago
vestida apenas
a minha fidelidade
e umas argolas de oiro
nos tornozelos Quando
se deita com Ele
Mira veste só
a cor do seu Deus

Tradução de Jorge Sousa Braga

GUILLAUME APOLLINAIRE (1880-1918) - A DAMA TINHA UM VESTIDO






A dama tinha um vestido
Em otomana violina
E a túnica bordada a ouro
Compunha-se de dois panos
Atados pelos ombros

Os olhos bailando como anjos
Ria-se ria-se
Tinha um rosto das cores da França
Olhos azuis dentes brancos e lábios muito vermelhos
Tinha um rosto das cores da França

Estava decotada em redondo
E penteada à Récamier
Com belos braços despidos

Será que não se ouve tocar a meia-noite

A dama de vestido em otomana violina
E de túnica bordada a ouro
Decotada em redondo
Passeava os anéis do cabelo
O seu diadema de ouro
E arrastava os sapatinhos anelados

Era tão bela
Que não terias ousado amá-la

Eu amava mulheres atrozes em bairros enormes
Em que todos os dias nasciam uns seres novos
O ferro era o seu sangue e a chama o seu cérebro
Eu amava amava o povo hábil das máquinas
O luxo e a beleza são para ele escuma
Esta mulher era tão bela
Que me metia medo

Tradução de Filipe Jarro

MIRABAI (1503-1573) - HÁ QUEM ME LOUVE







Há quem me louve e quem
me censure quem diga
que estou louca Um fogo
incontrolável apoderou-se
de mim É verdade
Mira perdeu-se na doçura
de Shyam A via que escolheu
é como caminhar no fio
da espada De súbito o cordão
do nascimento e da morte
é cortado... Mira vive agora
para além de Mira nada
no vasto oceano de Shyam

Tradução de Jorge Sousa Braga

FERNANDO PESSOA - SÓ QUEM PUDER OBTER A ESTUPIDEZ





Só quem puder obter a estupidez
Ou a loucura pode ser feliz.
Buscar, querer, amar... tudo isto diz
Perder, chorar, sofrer, vez após vez.

A Estupidez achou sempre o que quis
No círculo banal da sua avidez;
Nunca aos loucos o engano se desfez
Como quem um falso mundo seu condiz.

Há dois males: verdade e aspiração,
E há uma forma só de os saber males –
É, vivendo-lhe o ser, saber que são

Um o horror real, o outro o vazio –
Horror não menos, dois como que vales
Ao pé dum monte que ninguém subiu.

2-1909

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

NOVO REPERTÓRIO CLÍNICO HOMEOPÁTICO - INTRODUÇÃO






No mês de Maio de 2008, editámos no nosso site pessoal, http://www.homeoesp.org/um Repertório Homeopático Clínico estruturado por patologias.

Aí escrevemos a título introdutório:
“Um repertório homeopático é em essência uma compilação de determinados elementos, dispostos de modo – normalmente alfabético e por capítulos com especificidades próprias – a que possam ser localizados com a facilidade possível.
O Repertório Homeopático “é um índice de sintomas colectados a partir de registos toxicológicos, experimentações em indivíduos sãos e curas na prática clínica, que são reproduzidos e artisticamente arranjados de uma forma prática, auxiliando-nos a encontrar o sintoma requerido conjuntamente ao medicamento ou grupo deles, os quais são citados em diferentes graus, com o intuito final de facilitar a rápida selecção do "simillimum".
Estão neste caso, os Repertórios de Boenninghausen, de Kent, Barthel, Kunzli, Aldo Farias Dias, Favilla, Ariovaldo, entre muitos outros – vejam-se no site o Repertório Prático de Sintomas Homeopáticos e o Repertório Prático de Sintomas Gerais Homeopáticos.

No entanto, cedo surgiram os denominados Repertórios Clínicos, os mais criticáveis na perspectiva hahnemanniana, por prosseguirem de forma simplista a escolha do medicamento, associando determinados medicamentos a certas patologias – independentemente das críticas que lhes são assacadas, deveremos destacar pela perfeição possível, os de Boericke e de Clarke.

Num repertório clínico, de características gerais, como o que a seguir se apresenta – que mais se assemelha a um índice terapêutico –, os medicamentos devem estar descritos, em conformidade com a experiência e uso, em função dos que mais podem convir ao tratamento das patologias enunciadas.
Este tipo de repertórios, para poderem ter uma eficácia maximizada, devem ser reportados a matérias médicas específicas. No nosso caso, optámos essencialmente por duas obras consagradas, bastas vezes utilizadas pelos práticos: Tratado de Matéria Médica Homeopática, de Vannier e Poirier e a Matéria Médica de William Boericke. Pontualmente, recorremos ao Dictionary of Practical Materia Medica de Clarke.

Um Repertório Clínico, ainda que abreviado, pode constituir-se como um precioso auxiliar para os que se iniciam na arte de curar homeopática – aqui, não podemos deixar de aconselhar a utilização do Receituário HomeopáticoAs doenças, seus sintomas e as receitas da medicina homeopática, de John H. Clarke, Editorial Martins Fontes. No entanto, nada pode substituir a utilização do repertório homeopático na sua formulação kentiana, sugerindo à matéria médica a decisão do simillimum do paciente, como consequência da enumeração da totalidade sintomática.
Os remédios indicados em cada uma das rubricas, só irão agir no enfermo se houver uma correspondência senão perfeita, pelo menos de imperfeição relativa, entre a sua patogenesia e o quadro clínico e características específicas deste. A escolha do medicamento pressupõe a leitura das matérias médicas supramencionadas, para que o terapeuta atinja a similitude possível.
O estudo da maior parte dos remédios enunciados nas rubricas – para efeitos de diagnóstico diferencial – pode ser realizado neste site http://www.homeoesp.org/
(...)

Que o auxílio, bastas vezes precioso de um Repertório Clínico ou de um Índice Terapêutico, principalmente para os iniciados, não se transforme por indolência num instrumento de erro e negligência.”





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Posteriormente, fui aditando ao dito Repertório Clínico, novos itens e especificando tratamentos segundo os princípios das Escolas Pluralista e Complexista.
Consciente das dificuldades inerentes à aplicação de uma Homeopatia Unicista, editei no blogue www.josemariaalves.blogspot.com um conjunto de pequenos artigos pertinentes ao tratamento homeopático de determinadas enfermidades.


Aí, no artigo TRATAMENTO HOMEOPÁTICO II, escrevemos:

“Neste blogue, foram incluídos um conjunto de pequenos artigos atinentes ao tratamento homeopático de determinadas patologias e, nalguns casos, de sintomas.
Os medicamentos descritos em cada um dos artigos, sem menção de sintomatologia específica, sendo os potencialmente aplicáveis ao quadro clínico dos enfermos, impõem a análise das suas patogenesias, com recurso às Matérias Médicas.

Iniciamos agora, a edição de um conjunto de novos artigos, que surgirão em função dos estudos que possuímos e, que nos irão sendo disponibilizados, quer por via de pesquisa própria quer pela de autores com quem confrontamos opiniões. Não têm por tal motivo, uma ordenação lógica, podendo surgir várias “fichas” referentes à mesma patologia. Este facto, aconselha a utilização do pesquisador do blogue.

Iremos privilegiar indicações clínicas e protocolos terapêuticos de homeopatas consagrados, nomeadamente, Banerji, Boericke, Jonh H. Clarke, Levrat, Pigeot, Setiey, Tetau, Vannier, Poirier, Zimmermann, e de alguns por nós já utilizados e clinicamente comprovados.

Tal como nos artigos inicialmente editados, não daremos a definição das enfermidades, porquanto a experiência nos ensina, que a pesquisa é efectuada por quem já se encontra devidamente informado quanto aos sintomas, sinais e outras peculiaridades fisiopatológicas daquelas.

A oncologiaidentificada genericamente como cancro nas etiquetas do blogue, abarcando também situações limite -, terá de imediato a nossa atenção, o que é perfeitamente compreensível. O mesmo se diga de patologias a que a medicina alopática não dá uma resposta satisfatória.
Nestes casos, conseguindo-se a cura ou uma estabilização da enfermidade, o tratamento deve ser continuado por dois ou três meses, reduzindo-se as doses progressivamente nos seis meses seguintes.
Pode ser necessário prolongar o tratamento por mais um ano – para evitar recaídas -, com diminuição substancial das doses.
Em bom rigor, inexistem normas rígidas e cada quadro clínico deve ser objecto de ponderada avaliação – princípio que vale para todas as patologias.
Atente-se que o tratamento não se limita ao tumor primário, estendendo-se obviamente às metástases.

Se por um lado, a nossa formação é Unicista, por outro, estamos conscientes, que na prática, deve o terapeuta dispor – ou o próprio enfermo – de um índice seguro, apesar de facilitado, que seja susceptível de promover o alívio ou a cura dos males dos seus pacientes ou de si mesmo.
Parecer-vos-á estranho, que um homeopata unicista, opte por divulgar protocolos de tratamento ou indique tal receita culinária, um determinado medicamento para uma determinada enfermidade. No entanto, o fundamentalismo não é uma virtude e, a nossa desesperada tentativa de salvar o nosso amigo de quatro patas, “João Pestinha” – talvez, algum dia em que me encontre depressivo e saudoso, narre a história clínica de uma recuperação julgada impossível -, encaminhou-nos por tal trilho. Tal caminho, ainda que sinuoso e incerto, pode conduzir à minimização ou extinção dos padecimentos de milhões de seres sem recurso a um estudo conscencioso da similitude – que se constitui como a prática homeopática de referência.
Assim, que a experiência clínica de homeopatas de renome vos seja útil.


A prescrição em decimais de Hering (DH), segue o quadro que divide os medicamentos em constitucionais, para determinados sistemas, e organotrópicossinónimo de pequenos medicamentos.
Em organoterapia, são utilizadas as baixas potências – v.g. 4 DH –, na sistemotropia, as médias – v.g. 12 a 15 DH – e as potências altas – v.g. 30 DH – na terapêutica constitucional.
Os medicamentos com potência entre 4 DH e 8 DH, têm acção estimulante.
Os de 12 a 15 DH, têm uma acção enzimática no sentido da inibição e da estimulação.
De 20 a 30 DH, têm acção informativa.
As tomas podem ser estabelecidas em consonância com o esquema seguinte:
- 1 DH a 8 DH – várias vezes ao dia;
- 12 DH a 15 DH – uma vez por dia, preferencialmente à noite;
- 30 DH – de 3 em 3 dias;
- potências superiores – 1 vez por semana, 1 vez por mês...
O número de gotas ou de grânulos pode variar de 3 a 5 – aqui vai valer a experiência do homeopata.


Na perspectiva da escola francesa, que recorre às centesimais hahnemanianas, em casos agudosdomínio orgânico ou lesional –, recorre-se a baixas diluições (5 CH); nos quadros subagudosdomínio funcional – a diluições médias (5 a 9 CH); e nos casos crónicosmuito especialmente na esfera mental – empregam-se as altas diluições (superiores a 9 CH, muito em especial, a 30 e a 200 CH).
O iniciado na arte de curar homeopática, deve começar por ministrar doses baixas, ou médias, aumentando-as gradualmente em função do acumular da experiência clínica. Deve também estar atento ao facto de que a repetição continuada de uma substância pode gerar uma doença medicamentosa grave – iatrogénica –, cuja única possibilidade de cura ou minimização sintomática é o recurso a substâncias antídotas
Aconselhamos o iniciado na prática homeopática, a começar com baixas diluições, aumentando-as progressivamente.
Assim, encontrado o simillimum ou o medicamento mais apropriado, o tratamento pode iniciar-se com uma dose de 6 CH – a menos propensa a agravamentos, segundo certos autores –, aumentada progressivamente logo que o seu efeito termine, para 12 CH, 15 CH e 30 CH.
Os medicamentos podem apresentar-se sob a forma de gotas, grânulos ou glóbulos.
Os grânulos são ministrados sublingualmente, em regra, três, um quarto de hora antes ou meia hora depois das refeições.

Segundo o grau de dinamização-diluição, o pluralismo preconiza em regra:

- Se em 5 CH, duas, três ou mais vezes por dia;
- Se em 7 CH, três grânulos uma vez por dia;
- Se em 30 CH, três grânulos em dois ou três dias alternados.

A dose de glóbulos – existente no mercado com tal denominação – pode ser substituída por 15 grânulos tomados de uma só vez:

- Se em 15 CH, uma vez por semana.
- Se em 30 CH, uma vez por mês.

As gotas são vertidas sublingualmente, ou dissolvidas em água pura – 1 gota por colher de água.
Todos estes valores veiculados pela escola pluralista são meramente indicativos – atente-se que diversos práticos têm desenvolvido novas regras de posologia, realçando-se os protocolos Banerji.


Nos protocolos, o paciente tem a sua tarefa facilitada, não obstante possa ter necessidade de fazer alguns ajustes, quer na dose quer na frequência com que esta é repetida.
Nos remédios individualmente considerados, terá de ser feito um diagnóstico diferencial, de molde a que seja encontrado o medicamento que mais se assemelhe ao quadro clínico do paciente.
Quando o remédio encontrado tenha correspondência com o caso clínico, a diluição, dose e frequência de repetição, são meramente indicativas, havendo que as ajustar em função da reacção, melhoria ou agravação do enfermo, existindo um conjunto de situações que impõem uma reavaliação daquele.
Aqui, é de fundamental importância o conhecimento, quer da patogenesia dos medicamentos quer dos princípios que enformam a arte de curar homeopática.
Alguns dos medicamentos têm a indicação da diluição, devendo seguir-se as regras supra, para efeitos de tratamento no que às doses e sua frequência respeita – v.g. 5 ou 6 CH e 4 ou 8 DH, 3 gotas 3 ou mais vezes por dia, espaçando-se em função da melhoria ou reavaliando-se o caso na ausência desta.
Nos protocolos e nalguns dos medicamentos individualmente considerados, poderá ser aconselhável, em certos casos, reduzir o número de gotas, nomeadamente de 5 para 3 ou de 3 para 2. Só a avaliação e reavaliação dos casos clínicos se poderá constituir como referência terapêutica.
Se o tratamento for administrado na forma de gotas, o frasco deve ser agitado vigorosamente dez vezes a cada nova toma.
Nos tratamentos de longo prazo, deve suspender-se a medicação um dia por semana.


O estudo da maior parte dos remédios enunciados nos artigos – para efeitos de diagnóstico diferencial – pode como ficou dito, ser realizado no site
http://www.homeoesp.org/
em:
ARTIGOS » HOMEOPATIA » MATÉRIA MÉDICA DOS PRINCIPAIS MEDICAMENTOS,
e,
LIVROS ONLINE » MATÉRIA MÉDICA DOS PRINCIPAIS MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS I e II

Aconselha-se também a leitura dos artigos de Introdução à Homeopatia e a versão resumida do “Organon”, de Hahnemann.”





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A procura dos artigos no blogue e o sucesso de milhares de prescrições, incitou-nos para uma maior facilidade de pesquisa, a organizar os artigos já editados numa única ETIQUETA, organizada alfabeticamente, permitindo assim uma consulta facilitada – referimo-nos aqui ao dito blogue http://www.josemariaalves.blogspot.com/

Esta edição, permitiu outrossim, a sua actualização, bem como uma descrição de acção, ainda que parcial, dos medicamentos indicados no repertório original – faça-se a comparação com o Repertório Clínico constante do mencionado site.

Por outro lado, nalgumas patologias, fizemos acrescer as possibilidades terapêuticas de um protocolo com tratamento oral, segundo as indicações da Heel – Ordinatio Antihomotoxica et Materia medica – Tratado Prático de Terapia Antihomotóxica.
Atente-se que, para uma plena eficácia dos resultados, poderá ao tratamento protocolar oral, acrescer um tratamento complementar, com medicamentos específicos da similitude possível ou idóneos à desmobilização de eventuais “barreiras”, nomeadamente com recurso às indicações do mencionado tratado prático.

Torna-se óbvio, pela sua análise, que o presente repertório carece quer de uma ampliação quer de uma sistematização mais eficiente e de tal omissão nos penitenciamos.




Os principais medicamentos homeopáticos, cerca de duas centenas – com os quais conseguimos resolver praticamente todos os casos clínicos -, têm as suas patogenesias, ainda que um tanto sumariamente, ou seja, com a descrição de todos os seus sintomas fundamentais, editadas no nosso blogue (ver infra) – utilize o pesquisador do blogue no canto superior esquerdo.

No entanto, temos por vezes de recorrer a pequenos medicamentos e a outros, cujas patogenesias foram estabelecidas recentemente. E é de todo compreensível, que quer os terapeutas quer os próprios enfermos sintam curiosidade em conhecer os efeitos medicamentosos das múltiplas substâncias utilizadas na prática médica homeopática.
São esses, que se encontram enunciados no artigo MATÉRIA MÉDICA HOMEOPÁTICA – MEDICAMENTOS ONLINE
do nosso blogue
www.josemariaalves.blogspot.com


Para encontrar algumas das suas patogenesias na net, em português e inglês,
http://www.homeoesp.org/

Poderá ainda utilizar o pesquisador específico (Google) deste nosso site pessoal, que o remeterá para uma página de homeopatia onde eventualmente podem existir referências ao medicamento pesquisado.

Para consultar as patogenesias em língua espanhola »
http://www.homeopatiageneral.com/





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Este Novo Repertório, substitui o Repertório Clínico por Patologias, editado no site em 2008 e actualizado no blogue em 2009.

FEVEREIRO DE 201O

JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org/
http://www.josemariaalves.blogspot.com/

NOVO REPERTÓRIO CLÍNICO HOMEOPÁTICO - A







ABCESSO

Apis, Belladonna, Hepar sulphur, Mercurius, Pyrogenium,
Silicea, Sulphur iodatum.


EM FORMAÇÃO –

VERMELHO, POUCO INCHADO, MAS COM DOR –
BELLADONNA 12 CH, 3 gotas de hora a hora.

INCHADO, COM OU SEM VERMELHIDÃO, QUEIMANTE, LATEJANTE, COM PONTADAS –
APIS 4 DH, 3 gotas de hora a hora.
Se Apis não for eficiente »
MERCURIUS SOLUBILIS 6 CH, 3 gotas de 2 em 2 horas.






FORMADO –

COM A MATÉRIA FORMADA –
HEPAR 6 CH, 3 gotas de 3 em 3 horas.

JÁ COM SUPURAÇÃO, MAS QUE DEMORA A SER ELIMINADA –
SILICEA 6 CH, 3 gotas de 3 em 3 horas.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Belladonna-Homaccord – gotas
Traumeel S - gotas





ABCESSO DENTÁRIO
Belladonna, Mercurius, Hekla, Phosphorus.





ABDÓMEN DISTENDIDO

CRIANÇAS GORDAS –
CALCAREA CARBONICA 6 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.

CRIANÇAS MAGRAS, RAQUÍTICAS –
SILICEA 6 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.

POR FLATULÊNCIA –
LYCOPODIUM 6 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.

FLATULÊNCIA COM DOR NOS INTESTINOS –
DIOSCOREA VILLOSA 12 CH, 3 gotas duas vezes por dia.

COMO CONSEQUÊNCIA DE HISTERIA –
IGNATIA 12 CH, 2 gotas 3 vezes por dia.

COM A SENSAÇÃO DE TER UM ANIMAL VIVO DENTRO DO ABDÓMEN –
THUYA 12 CH, 2 gotas 3 vezes por dia – a frequência das doses pode ser aumentada.





ABORTO
Actea racemosa, Belladonna, Caulophyllum, Chamomilla, Crocus sativus, Ipecacuanha, Sabadilla, Secale cornutum, Sepia, Ustilago, Viburnum.

TENDÊNCIA –
CROCUS SATIVUS 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.





ABORTO, AMEAÇA DE
Caulophylum, Viburnum.

NO 3.º MÊS –
ACTEA RACEMOSA 4 DH, de 3 em 3 horas.

ENTRE O 5.º E O 7.º MÊS –
SEPIA 30 CH, 2 gotas de 4 em 4 horas.

NA PRIMEIRA METADE DA GRAVIDEZ –
SABINA 4 DH, 2 gotas de hora a hora.

NA ÚLTIMA METADE DA GRAVIDEZ –
SECALE CORNUTUM 4 DH, 2 gotas de hora a hora.

TENDÊNCIA PARA ABORTAR – (VER) –
CROCUS SATIVUS 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia e
ZINCUM METALLICUM 30 CH, 2 gotas de 8 em 8 horas.

Sempre que a mulher aborte num determinado período da gestação, ministrar algum tempo antes,
VIBURNUM O., 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.





ACETONEMIA

CRISES DE ACETONA

PROTOCOLO no período agudo -
SENNA 4 CH, 3 gotas de 2 em 2 horas,
alternando com BELLADONNA 4 CH.
Também, ACETONE 5 CH, 3 gotas por dia.





ACIDEZ
Calcarea carbonica, Robinia, Sulphuricum acidum, Nux vomica.

SULPHURICUM ACIDUM 5 CH, 3 gotas de 5 a 6 vezes dia.


COM GASTRALGIA E ERUCTAÇÕES –
ARGENTUM NITRICUM 6 CH, 3 gotas de 5 a 6 vezes por dia.

COM SENSAÇÃO DE DILATAÇÃO SEMPRE QUE INGERE QUALQUER QUANTIDADE DE ALIMENTOS –
LYCOPODIUM 6 CH, 3 gotas de 5 a 6 vezes por dia.

COM FLATULÊNCIA DO ESTÔMAGO –
CARBO VEGETABILIS 6 CH, 3 gotas de 4 a 5 vezes dia.





ÁCIDO ÚRICO

Berberis, Coccus cacti, Lycopodium, Natrum phosphoricum, Natrum sulphuricum, Sepia, Thyroidinum.

LYCOPODIUM 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.


PROTOCOLO –
MEDORRHINUM 200 CH, 5 gotas duas vezes por semana;
LEDUM 200 CH, 5 gotas duas vezes por dia;
BELLADONNA 3 CH, 5 gotas duas vezes por dia.


Na formação de cálculos e como profilaxia –
BERBERIS VULGARIS 12 DH, 3 gotas por dia.
Para eliminar os cálculos –
BERBERIS VULGARIS 4 DH, 3 gotas de hora a hora.





ACNE
Actea racemosa, Antimonium crudum, Berberis, Kalium bromatum, Ledum, Rhus toxicodendron, Sulphur iodatum.

ARSENICUM BROMATUM 30 CH, 5 gotas duas vezes por dia.

HEPAR SULFUR 30 DH, 5 gotas de 3 em 3 dias.

ACNE JUVENIL -
SELENIUM 12 DH, 3 gotas por dia.
Vejam-se ainda os seguintes medicamentos:
BROMUM;
EUGENIA; e
KALIUM BROMATUM.
Se for caso disso, a tomar em 5 CH.


ACNE DO CLIMATÉRIO –
ARISTOLOCHIA CLEMATITIS 8 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.

ACNE DA BOCA E DO QUEIXO –
KALIUM BROMATUM 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Traumeel S – gotas
Schwef-Heel – gotas
Cutis compositum N





ACNE, ROSÁCEA
Carbo animalis, Kreosotum, Sulphur, Radium.

ABROTANUM 6 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.

CARBO ANIMALIS 12 DH, 3 gotas por dia.

KALIUM IODATUM 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.





ACORDA A GRITAR

POR EFEITO DE SONHOS ANGUSTIANTES –
BRYONIA 5 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.

DURANTE PESADELOS –
CHAMOMILLA 6 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.





ACROMEGALIA

CONCHIOLINUM 5 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.

HEKLA 5 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.





ACTINOMICOSE
Hekla, Nitricum acidum

NITRICUM ACIDUM 5 ch, 3 gotas 3 vezes por dia.
Caso não resulte »
HYPERICUM 5 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.





ACÚFENO – VER ZUMBIDO





ACV (TROMBOSE-ENFARTE), COM PARALISIA

ISQUEMIA AGUDA –
RHUS TOX 30 CH e,
ARNICA 3 CH,
a cada 3 horas, alternando-se as tomas. Reduzir em função das melhoras até duas tomas por dia.

Se o ACV for antigo, juntar LACHESIS 200 CH, 5 gotas por dia.





ADDISON, DOENÇA DE
Adrenalinum, Arsenicum album, Calcarea arsenicosa, Phosphorus.

NATRUM MURIATICUM 6 CH, 3 gotas 5 a 6 vezes por dia.
Caso não produza resultados relevantes »
ARGENTUM NITRICUM 4 DH, 3 gotas 5 vezes por dia »
SILICEA 30 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Berberis-Homaccord – gotas
Galium-Heel N – gotas





ADENITE
Arsenicum iodatum, Belladonna, Carbo animalis, Cistus canadensis, Conium, Drosera, Dulcamara, Calcarea carbonica, Calcarea fluorica, Iodum, Mercurius, Nitricum acidum, Silicea, Sulphur iodatum.





ADENÓIDES, VEGETAÇÕES – (VER TB. VEGETAÇÕES)

Em crianças gordas, com palidez de rosto, pés frios e húmidos, que suam da cabeça durante a noite –
CALCAREA CARBONICA 30 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.

Em crianças magras com amígdalas grandes e descoradas –
CALCAREA PHOSPHORICA 3 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.

Em crianças que estão sempre com fome, pele com irritações e, que não gostam de tomar banho –
SULPHUR 30 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.

Em crianças de olhos e cabelos escuros –
IODUM 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.





ADENOMA DA PITUITÁRIA

PROTOCOLO –
RUTA 6 CH, 5 gotas duas vezes por dia;
CALCAREA PHOSPHORICA 3 DH, 5 gotas duas vezes por dia.



ADENOMA DA PRÓSTATA

Fazer o diagnóstico diferencial entre os seguintes medicamentos:
CONIUM;
HYDRASTIS;
PETROSELINUM;
SABAL SERRULATA; e
THUYA.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Sabal-Homaccord – gotas
Populus compositum SR - gotas





ADERÊNCIAS

PÓS CIRÚRGICAS –
STAPHYSAGRIA 200 CH, 5 gotas de dois em dois dias.

Ver também, FLUORICUM ACIDUM, GRAPHITES e IRIS TENAX.





ADIÇÃO

BEBIDAS ALCOÓLICAS –
NITRICUM ACIDUM 200 CH, 5 gotas duas vezes ao dia;
AVENA SATIVA 4 DH, 5 gotas 3 vezes por dia.

TABACO –
STAPHYSAGRIA 200 CH, 5 gotas uma vez por dia;
TABACUM 200 CH, 5 gotas uma vez por dia.





ADINAMIA
China, Phosphoricum acidum.

SARCOLACTICUM ACIDUM 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.





ADIPOSE
Fucus, Phytolacca.





AEROFAGIA

CARBO VEGETABILIS 200 CH, 5 gotas uma vez por dia.





AFASIA
Bothrops, Kalium bromatum, Stramonium.

CHENOPODIUM 30 CH, 3 gotas de 4 em 4 horas.


AMNÉSICA, ACOMPANHADA DE DEPRESSÃO –
KALIUM BROMATUM 30 CH, 3 gotas de 4 em 4 horas.

EM CASOS DE PARALISIA COM IMBECILIDADE OU IDIOTIA –
ANACARDIUM 30 CH, 3 gotas de 4 em 4 horas.

QUANDO A PERDA DA FALA SE DEVE À PERDA DA AUDIÇÃO –
LYCOPODIUM 30 CH, 3 gotas de 4 em 4 horas.

GRANDE DIFICULDADE EM PRONUNCIAR AS PALAVRAS –
STRAMONIUM 30 CH, 3 gotas de 4 em 4 horas.





AFONIA – ver voz
Alumen, Argentum metallicum, Arum triphyllum, Aurum, Causticum, Graphites, Mercurius solubilis, Nitricum acidum, Oxalicum acidum, Spongia.





AFTAS
Aethusa cynapium, Borax, Cantharis, Hydrastis canadensis, Iodum, Kalium muriaticum, Mercurius, Muriaticum acidum, Nitricum acidum, Sulphuricum acidum.

BORAX 12 DH, 3 gotas por dia.

OU BORAX 4 DH, DE 2 EM DUAS HORAS.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Gastricumeel – comprimidos
Traumeel S - gotas





AGALACTIA
Agnus castus, Lactuca, Urtica urens.





AGITAÇÃO

STRAMONIUM 200 CH, 5 gotas duas vezes por semana.

Pode colocar-se a hipótese relativa aos seguintes medicamentos: ACONITUM, CHAMOMILLA e RHUS TOXICODENDRON.





AGORAFOBIA

PROTOCOLO -
ACONITUM 5 CH, 3 gotas 3 ou mais vezes por dia;
ARGENTUM NITRICUM 7 CH, 3 gotas dia sim dia não, em alternância com
GELSEMIUM 7 CH, também 3 gotas.





AGRANULOCITOSE

NITRICUM ACIDUM 4 DH, 3 gotas 3 a 5 vezes por dia.

LACHESIS 15 DH, 3 gotas por dia.





AGRESSIVIDADE

STRAMONIUM 200 CH, 5 gotas duas vezes por semana.





ALBUMINÚRIA
Aconitum, Apis, Arsenicum album, Cantharis, Dulcamara, Helleborus niger, Hepar sulphur, Kalmia latifolia, Mercurius corrosivus, Phosphorus, Plumbum, Solidago, Sulphur, Terebintina.

Na ALBUMINÚRIA CRÓNICA, ver: BERBERIS VULGARIS, FORMICA RUFA e HELONIAS.





ALCOOLISMO
Agaricus muscarius, Avena, Capsicum, Fluoricum acidum, Hyosciamus, Lachesis, Lobelia inflata, Nux vomica, Opium, Ranunculus bulbosus, Quercus, Selenium, Stramonium, Sulphuricum acidum.
VER TAMBÉM » ADIÇÃO

NITRICUM ACIDUM 200 CH, 5 gotas duas vezes ao dia;
AVENA SATIVA 4 DH, 5 gotas 3 vezes por dia.



SEGUNDO CLARKE

SULFUR 200 CH, 15 gotas de 15 em 15 dias.

PARA DIMINUIR O DESEJO –
CINCHONA RUBRA 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.


Consequências da ingestão crónica de álcool –
LEDUM 4 DH, 3 gotas de 3 a 5 vezes dia.





ALCOOLISMO, COMA ALCOÓLICO


PROTOCOLO –
OPIUM 5 CH, 3 gotas.
Cerca de meia hora depois,
CUPRUM ARSENICOSUM 4 CH, 3 gotas.




ALCOOLISMO CRÓNICO

SULPHURICUM ACIDUM 30 DH, 5 gotas de 3 em 3 dias.

CONSEQUÊNCIAS DA INGESTÃO CRÓNICA DE ÁLCOOL –
LEDUM 4 DH, 3 gotas de 3 a 5 vezes dia.


SEGUNDO CLARKE

COM VÓMITOS MATINAIS E TREMORES POR ABSTINÊNCIA –
NUX VOMICA 3 CH, 3 gotas de 4 em 4 horas.

COM IRRITABILIDADE E DEPRESSÃO POR ABSTINÊNCIA –
ZINCUM METALLICUM 6 CH, 3 gotas de 4 em 4 horas.

BÊBADOS INVETERADOS –
QUERCUS 4 DH, 3 gotas de 4 em 4 horas.





ALEGRIA

EXCESSOS, EFEITOS –
COFFEA CRUDA 3 CH, 3 gotas por hora.





ALEITAMENTO
Pulsatilla, Urtica urens.





ALERGIA

AO LEITE E PRODUTOS LÁCTEOS –
AETHUSA CYNAPIUM (ver leite, alergia)

DESSENSIBILIZAÇÃO –
FORMICICUM ACIDUM 12 DH, 3 gotas por dia.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Galium-Heel N – gotas
Schwef-Heel - gotas





ALOPECIA
Arsenicum album, Fluoricum acidum, Natrum muriaticum, Phosphoricum acidum, Selenium.

USTILAGO 200 CH, 5 gotas uma vez por dia.

Outra possibilidade –
PROTOCOLO –
SELENIUM 5 CH, 3 gotas de manhã e,
THALLIUM ACETICUM 5 CH, 3 gotas à noite.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Psorinoheel N – gotas
Galium-Heel N - gotas





ALUCINAÇÕES
Baptisia, Belladonna, Hyosciamus, Petroleum, Stramonium, Thuya.





ALZHEIMER


PROTOCOLO –
HELLEBORUS 30 CH, 2 gotas duas vezes por dia – tem um efeito quase garantido sobre a desorientação;
STRAMONIUM 200 CH, 5 gotas duas vezes por semana, no caso de haver violência.
STRAMONIUM 6 CH, 5 gotas duas vezes por dia, para a agitação.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Lymphomyosot – gotas
Heepel – comprimidos
Reneel – comprimidos
Nux vomica-Homaccord – gotas
Selenium-Homaccord - gotas





AMAUROSE – ver cegueira





AMBLIOPIA (VISTA FRACA)

POR EFEITO DE CAUSAS DEBILITANTES –
CHINA 3 CH, 3 gotas de 4 em 4 horas.

POR EXCESSOS SEXUAIS –
PHOSPHORICUM ACIDUM 4 DH, 3 gotas 3 a 5 vezes dia.

POR ABUSO DE ÁLCOOL OU POR ABUSO DE FUMO DE TABACO –
NUX VOMICA 3 CH, 3 gotas 5 vezes por dia.
Caso não resulte –
PHOSPHORUS 3 CH, 3 gotas 5 vezes por dia.

POR ESFORÇO DE VISÃO, CANSAÇO –
RUTA 3 CH, 3 gotas 5 vezes por dia.





AMENORREIA
Bryonia, Calcarea carbonica, Ferrum, Graphites, Lachesis, Natrum muriaticum, Nux vomica, Pulsatilla, Sepia, Sulphur.

GRAPHITES 15 DH, 3 gotas por dia.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Ginacoheel – gotas
Hormeel S – gotas
Ovarium compositum





AMÍGDALAS, HIPERTROFIA
Argentum nitricum, Baryta carbonica, Psorinum.

DOR AO ENGOLIR, SENSAÇÃO DE QUE A GARGANTA ESTÁ FECHADA –
BARYTA MURIATICA 6 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.

COM SUPURAÇÃO CRÓNICA –
GUNPOWDER 4 DH, 3 gotas 5 vezes por dia.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Lymphomyosot – gotas
Dulcamara-Homaccord - gotas





AMIGDALITE

COM FRIO E FEBRE NO INÍCIO, ANSIEDADE COM MEDO DA MORTE, AGITAÇÃO E DOR DE GARGANTA –
ACONITUM 5 CH, 3 gotas por hora.
Se os sintomas aumentarem –
BARYTA CARBONICA 6 CH, 3 gotas de hora a hora.

AMIGDALITE GRAVE, COM DORES DO TIPO DAS PROVOCADAS POR AGULHAS –
SILICEA 12 DH, 3 gotas de 2 em 2 horas.

AMIGDALITE AGUDA COM A AMÍGDALA DIREITA MUITO INCHADA, DE COR VERMELHO-ESCURO, COM MUITAS DORES E PONTADAS QUE IRRADIAM NA DIRECÇÃO DA ORELHA –
GUAIACUM 3 DH, 3 gotas de 2 em 2 horas.

QUE COMEÇA DO LADO DIREITO, E QUE SE ESTENDE PARA O LADO ESQUERDO –
LYCOPODIUM 6 CH, 3 gotas de 2 em 2 horas.

QUE COMEÇA DO LADO ESQUERDO E QUE SE ESPALHA PARA O LADO DIREITO –
LACHESIS 6 CH, 3 gotas de 2 em 2 horas.

COM SUPURAÇÃO –
HEPAR SULPHUR 6 CH, 3 gotas de hora a hora.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Mercurius-Heel S – comprimidos
Angin-Heel S – comprimidos
Belladonna-Homaccord





AMNÉSIA

Fazer o diagnóstico diferencial, entre:
ANACARDIUM ORIENTALE;
BARYTA CARBONICA;
COCCULUS INDICUS;
COLIBACILLINUM;
KALIUM PHOSPHORICUM;
LYCOPODIUM; e
SULPHUR.





ANASARCA
Elaterium, Liatris.





ANEMIA
Arsenicum album, Calcarea carbonica, Calcarea phosphorica, China, Cyclamen, Ferrum, Helleborus niger, Kalium carbonicum, Natrum muriaticum, Pulsatilla, Secale cornutum.


SEGUNDO CLARKE

COMO CONSEQUÊNCIA DE DOENÇAS DEBILITANTES OU DE HEMORRAGIAS –
CHINA 3 CH, 3 gotas 6 vezes por dia.

POR FALTA DE FERRO –
FERRUM 6 CH, 3 gotas uma vez por dia, na primeira semana.
FERRUM 12 CH, 3 gotas uma vez por dia, na segunda semana.
FERRUM 30 CH, 3 gotas de dois em dois dias.
Caso não se notem melhorias no início do tratamento deverá o mesmo ser suspenso.

COM NÁUSEAS E IMPOSSIBILIDADE DE RETER OS ALIMENTOS –
PETROLEUM 3 CH, 3 gotas 6 vezes por dia.

POR SUSPENSÃO ACIDENTAL DA MENSTRUAÇÃO –
PULSATILLA 3 CH, 3 gotas 6 vezes por dia.

POR GRANDES PERDAS NA MENSTRUAÇÃO, COM ANTECIPAÇÃO DAS REGRAS –
CALCAREA CARBONICA 6 CH, 3 gotas 6 vezes por dia.

COM DEPRESSÃO, IRRITABILIDADE, DEBILIDADE E FOSTATOS NA URINA –
HELONIAS DIOICA 4 DH, 3 gotas 6 vezes dia.

COMO CONSEQUÊNCIA DE DOENÇAS CIRCULATÓRIAS, RENAIS –
FERRUM METALLICUM 8 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Ferrum-Homaccord – gotas
Galium-Heel N - gotas





ANEMIA PERNICIOSA
Arsenicum.

ARSENICUM 3 CH, 3 gotas 6 vezes por dia.

CHINA 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.





ANEURISMA
Baryta carbonica, Coccus cacti, Lycopodium, Naja tripudans, Sulphur.

INÍCIO DE TRATAMENTO –
BARYTA ARBONICA 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.
Caso não se obtenham resultados,
LYCOPODIUM 6 CH, 3 gotas 6 vezes por dia.

COM DOR QUEIMANTE E COMPRESSIVA OU COM PONTADAS NO PEITO DO LADO DIREITO –
CARBO ANIMALIS 30 CH, 3 gotas 4 vezes por dia.





ANEURISMA, TENDÊNCIA AO
Aurum, Baryta carbonica, Carbo vegetabilis, Lachesis, Lycopodium, Pulsatilla, Sulphur, Thuya.





ANEXITE

PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Traumeel S – gotas
Ginacoheel - gotas





ANGINA
Aconitum, Apis, Baryta carbonica, Belladonna, Bromium, Cantharis, Hepar sulphur, Kalium bicromicum, Lachesis, Mercurius, Nux vomica, Phytolacca.


PROTOCOLO –
BELLADONNA 5 CH, 3 gotas de 2 em 2 horas em alternância com »
MERCURIUS SOLUBILIS 5 CH

APIS 4 DH, consoante a gravidade.

BELLADONNA 4 DH, 3 gotas várias vezes por dia.

Aguda, com eritema da faringe e dor na língua –
CAPSICUM ANNUUM 4 DH, 3 gotas várias vezes por dia.





ANGINA DE PEITO (ANGINA PECTORIS)
Actea racemosa, Aurum, Cactus, Cuprum, Glonoinum, Lilium tigrinum, Naja, Oxalicum acidum, Spigelia, Spongia, Tabacum.

GLONOINUM 4 DH, 3 gotas de 3 a 5 vezes por dia.

LATRODECTUS 4 DH, 3 gotas de 3 a 5 vezes dia.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Cralonin – gotas
Pectus-Heel – comprimidos
Angio-Injeel


SEGUNDO CLARKE

EM PAROXISMO

Batimentos violentos do coração, como se fosse rebentar com o peito, respiração difícil e dores que irradiam em todas as direcções ou para o braço esquerdo –
GLONOINUM 3 CH, 3 gotas de 15 em 15 minutos.

Com pressão ou opressão -
Com pontadas, dores agudas ou dilacerantes, desmaio e dispneia –
Dores no braço esquerdo –
Tendo por causa o tabaco ou o álcool –
SPIGELIA 3 CH, 3 gotas de 15 em 15 minutos.

Dores no coração, irritabilidade nervosa do coração, com depressão –
NAJA TRIPUDANS 6 CH, 3 gotas de 15 em 15 minutos.

Sensação de que o coração está a ser apertado por uma mão de ferro, constrição do peito –
CACTUS 3 CH, 3 gotas de hora a hora.

Dor no coração acompanhada de sintomas reumáticos –
ACTEA RACEMOSA (CIMICIFUGA) 3 CH, 3 gotas de hora a hora.

Com sintomas de asma e cãibras –
CUPRUM METALLICUM 6 CH, 3 gotas de 15 em 15 minutos.

Respiração opressiva, o paciente apresenta uma grande aflição –
Sensação de que está a ser dragado –
LILIUM TIGRINUM 30 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.

Dor no coração de manhã, quando o enfermo se inclina para a frente na cama –
Dor no coração antes e durante a micção –
LITHIUM CARBONICUM 6 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.

CASO NÃO EXISTAM INDICAÇÕES ESPECÍFICAS, Clarke aconselha que se ministre –
NAJA TRIPUDANS 30 CH – (5 gotas de hora a hora ou em conformidade com os sintomas).


INTERVALOS DAS CRISES

Nos intervalos das crises, os remédios indicados para o quadro clínico devem ser ministrados 3 a 4 vezes por dia.





ANGIOCOLITE
Aconitum, Belladonna, Berberis, Bryonia, Chelidonium majus, China, Colocynthis, Gelsemium, Hydrastis canadensis, Kalium carbonicum, Lachesis, Lycopodium, Magnesia muriatica, Mercurius, Natrum sulphuricum, Nux vomica, Podophyllum, Sepia.





ANGIOMA
Abrotanum, Fluoricum acidum.





ANGÚSTIA – ver ansiedade





ANIDROSE (ausência de transpiração)

Pele branca e seca –
AETHUSA CYNAPIUM 3 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.

Pele do corpo seca e rachada –
NATRUM CARBONICUM 6 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes po dia.

Pele seca e enrugada –
PHOSPHORUS 6 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.

Pele seca, sem transpiração alguma –
PLUMBUM 30 CH, 3 gotas 4 vezes por dia.

Pele seca, áspera, como couro de porco –
KALIUM IODATUM 30 CH, 3 gotas 4 vezes por dia.





ANOREXIA
China, Hydrastis, Natrum muriaticum, Nux vomica.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Hepeel – comprimidos
Galium-Heel N – gotas
Hepar compositum N





ANOSMIA

SANGUINARIA 200 CH, 5 gotas duas vezes por semana.
Caso não resulte »
KALIUM BICHROMICUM 30 CH, 5 gotas por dia.

Se tiver por causa traumatismo »
ARNICA 200 CH, 5 gotas por dia e,
SANGUINARIA 200 CH, 5 gotas 2 vezes por dia.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Euphorbium compositum S – gotas
Naso-Heel S - gotas





ANSIEDADE (TERRENO ANSIOSO)
Aconitum, Argentum nitricum, Arsenicum album, Aurum muriaticum, Calcarea carbonica, Chamomilla, Cyclamen, Gelsemium, Graphites, Ignatia, Iodum, Lachesis mutus, Lycopodium, Magnesia carbonica, Magnesia muriatica, Medorrhinum, Moschus, Natrum muriaticum, Nux vomica, Nux moschata, Phosphorus, Pulsatilla, Staphysagria, Stramonium, Thuya.


ANSIEDADE QUE MELHORA DEITADO -
MANGANUM ACETICUM 12 DH, 3 gotas por dia.

ACONITUM 6 CH, 3 gotas de manhã e ao fim da tarde –
Ansiedade com agitação, inquietude. Medos vários. Medo da morte com agitação; o paciente chega a predizer o momento exacto da sua morte.

ARGENTUM NITRICUM 6 CH, 3 gotas duas vezes por dia –
Ansiedade com predominância de sintomas emocionais. Ansiedade por antecipação. Pressa; ainda não começou uma tarefa e já a pretende ver terminada. Anda e come apressadamente. Tal como Aconitum, antecipa a hora da sua morte. Tem medo de exames e apresentações, tal como Gelsemium. Tem vários medos, em especial de pontes, elevadores, lugares acanhados. Medo de cair no vazio.

ARSENICUM ALBUM 6 CH, 3 gotas duas vezes por dia –
Ansioso, não tolera a desordem. É excessivamente minucioso. Agitação física. Hipersensibilidade dos sentidos. A agitação exaure-o; quer mudar constantemente de lugar. Muda rapidamente da excitação à depressão – o que chega a ocorrer várias vezes no mesmo dia. Tem medos vários, de fantasmas da morte, de ter um ladrão debaixo da cama, medos estes que agravam ou ocorrem durante a noite. Medo da morte quando está sozinho. É um doente difícil, já que se considera incurável e recusa os tratamentos propostos.

GELSEMIUM 5 CH, 3 gotas duas vezes por dia -
Ansiedade por antecipação. Medos vários. Medo de falar em público, de exames – VER MEDO EXAMES. Ansiedade com tremores, geralmente devidos à exaustão

IGNATIA 6 CH, 3 gotas duas vezes por dia –
Ansiedade com sensação de constrição na garganta – globo histérico. É um paciente emotivo, sensível, triste. Medicamento eleito para quem perdeu alguém muito especial, ou para os denominados amores não correspondidos (decepção de amor). Ansiedade com desmaios do tipo histérico. Chora e suspira com frequência. Aversão ao cheiro do tabaco.





ANSIEDADE – COMPLEXO I – TRATAMENTO HOMEOPÁTICO

Ansiedade, depressão por esgotamento, perturbações do sono, stress.

COMPLEXO – (os medicamentos são preparados e ministrados no mesmo frasco)

ACONITUM 5 CH;
ARSENICUM ALBUM 6 CH;
BELLADONNA 5 CH;
GELSEMIUM 6 CH;
NUX VOMICA 5 CH;
RHUS TOXICODENDRON 5 CH.

3 gotas de 3 a 6 vezes por dia, em conformidade com a sintomatologia.






ANSIEDADE – COMPLEXO II – TRATAMENTO HOMEOPÁTICO


COMPLEXO – (os medicamentos são preparados e ministrados no mesmo frasco)

ASA FOETIDA 5 CH;
IGNATIA 5 CH;
VALERIANA 6 CH.

3 gotas de 3 a 6 vezes por dia, em conformidade com a sintomatologia.



PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Gelsemium-Homaccord – gotas
Nervoheel - comprimidos





ANSIEDADE, EFEITOS

IGNATIA 3 CH, 3 gotas de 2 em 2 horas.
Se não produzir efeitos relevantes –
MAGNESIA CARBONICA 200 CH, 2 gotas de 4 em 4 horas.





ANTECIPAÇÃO, MEDO POR – ver ansiedade





ANTÍDOTOS
· Abelhas e vespas – Calendula (Vannier indica o uso externo)
· Álcool – Lachesis, Ledum palustre, Arsenicum album, Nux vomica, Quercus.
· Café – Nux vomica, Phellandrium.
· Chá – Dioscorea villosa, Selenium, Thuya.
· Digital – China, Laurocerasus.
· Ferro – Pulsatilla.
· Fumo – Calendula, Ignatia, Lobelia, Lycopodium.
· Ostras – Lycopodium.
· Chumbo – Opium.
· Quinina – Natrum muriaticum.
· Veneno de serpente – Cedrum.





ANTRAZ
Anthracinum, Arsenicum album, Echinacea, Hepar sulphur, Lachesis.





ANEURISMA

PROTOCOLO –
HAMAMELIS 200 CH, 5 gotas duas vezes por dia;
ARNICA 3 CH, 5 gotas duas vezes por dia.





ANÚRIA
Apis, Apocynum, Arnica, Cantharis, Capsicum, Colchicum, Digitalis, Lycopodium, Opium, Ruta, Staphysagria.





ÂNUS

Evacuação difícil, com sangue –
Hemorróidas que doem e sangram –
Sangramento após tomar bebidas alcoólicas –
Sangramento ao urinar –
Fezes duras, tipo pedra, seguidas de sangramento –
Coágulos de sangue ao defecar –
Gotas de sangue ao defecar –
ALUMINA 6 CH, 3 gotas de 4 em 4 horas.

FISSURAS (VER PROTOCOLO NO ARTIGO » FISSURAS)

Dor aguda, penetrante, agulhadas durante e depois da evacuação –
Prisão de ventre com fezes duras –
NITRICUM ACIDUM 6 CH, 3 gotas 4 vezes por dia.

Dor aguda, intensa, fezes duras –
GRAPHITES 6 CH, 3 gotas 4 vezes por dia.

Ânus ulcerado, com ardência, fezes duras, dor nas costas –
AESCULUS HIPPOCASTANUM 3 CH, 3 gotas 5 vezes por dia.

PRURIDO (VER PROTOCOLO NO ARTIGO PRURIDO)

Prurido anal –
AMBRA GRISEA 6 CH, 3 gotas 4 vezes por dia.

Prurido muito violento, no ânus e no recto –
IGNATIA 3 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.

Prurido caminhando ao ar livre, e depois de evacuar –
NITRICUM ACIDUM 6 CH, 3 gotas 5 vezes por dia.

Ardência e prurido no ânus –
ALUMINA 6 CH, 3 gotas 4 vezes por dia.





AORTITE
Aconitum, Aurum, Aurum arsenicosum, Baryta carbonica, Cocculus, Lycopodium.

AURUM METALLICUM 4 DH, 3 gotas de 3 a 5 vezes dia.





APENDICITE
Belladonna, Echinacea, Iris tenax, Lachesis.

IRIS TENAX, pode ser considerado o medicamento mais específico para a apendicite – prescrição de rotina em todos os casos.

Dor intensa na região ileocecal, com grande sensibilidade ao toque –
Sensação horrível na boca do estômago –
IRIS TENAX 6 CH, 3 gotas de 2 em 2 horas.

Dor aguda ou dilacerante no lado direito do abdómen, distensão, sensibilidade, irritabilidade –
LACHESIS 6 CH, 3 gotas de 2 em 2 horas.

Dor com sensibilidade na região do apêndice, febre, dor de cabeça –
BELLADONNA 3 CH, 3 gotas de hora a hora.

Dor contusa na região do apêndice –
Sintomas que agravam à noite –
MERCURIUS CORROSIVUS 6 CH, 3 gotas de 2 em 2 horas.

Sempre que as crises estejam iminentes, considerar a possibilidade de ministrar PYROGENIUM 6 CH, 3 gotas de 2 em 2 horas ou em conformidade com as necessidades do enfermo.





APENDICITE CRÓNICA
Belladonna, Bryonia, Echinacea, Ignatia, Kalium carbonicum, Lachesis, Pyrogenium.

Apendicite com recidivas; o enfermo tem inúmeras recaídas –
PYROGENIUM 30 CH, 3 gotas 3 vezes ao dia, durante 3 dias ou,
PYROGENIUM 6 CH, 2 vezes por dia, durante uma semana, e seguidamente, uma vez por dia, durante a semana seguinte.





APETITE

DESEJO PATOLÓGICO (PERVERTIDO)

De alimentos salgados –
CALCAREA CARBONICA 6 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

De alimentos crus e frios –
SILICEA 6 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

De vinagre –
SEPIA 6 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

De cerveja –
PULSATILLA 6 CH, 3 gotas de 2 em 2 horas.

De alimentos com sabor muito azedo, picante –
HEPAR SULPHUR 6 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

De coisas azedas e refrescantes –
CARBO ANIMALIS 6 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

De alimentos desconhecidos –
CHINA 3 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

De alimentos secos –
ALUMINA 6 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.


APETITE, PERDA

Falta de apetite com náuseas ao comer –
CHINA 3 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Aversão à comida –
CALCAREA CARBONICA 6 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Com boca amarga –
Com manchas amarelas na parte posterior da língua –
NUX VOMICA 3 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Perda completa de apetite para comida, bebida e tabaco, sem contudo, deixar de os apreciar –
IGNATIA 3 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Sensação de estar farto, com uma pequena quantidade de comida, como se tivesse comido muito –
PRUNUS 3 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.


APETITE AUMENTADO

Fome canina –
IODUM 3 DH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Sofre de tonturas quando está mais de 3 ou 4 horas sem comer –
IODUM 3 DH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Fome que é uma verdadeira tortura –
IODUM 3 DH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Fome com sensação de fraqueza e de vazio –
IGNATIA 3 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Fome com abatimento –
ACTEA RACEMOSA 3 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Fome canina, mas apesar de tudo, sem apetite –
RHUS TOX 3CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.





APLASIA MEDULAR

KALIUM MURIATICUM 6 DH e FERRUM PHOSPHORICUM, juntos, 2 gotas de cada, duas vezes por dia.
- tenha-se em consideração o tratamento da leucemia.





APOPLEXIA
Arnica, Asterias rubens, Belladonna, Chenopodium, Glonoinum, Laurocerasus, Opium, Phosphorus, Veratrum viride.

ARNICA 12 DH, 5 gotas uma vez por dia.



PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Belladonna-Homaccord – gotas
Melilotus-Homaccord N – gotas
Carbo compositum




ARRITMIA

PROTOCOLO –
LACHESIS 200 CH, 5 gotas de dois em dois dias;
CRATAEGUS 4 DH, 5 gotas duas vezes por dia.

vejam-se ainda os seguintes medicamentos: CACTUS GRANDIFLORUS, DIGITALIS, NAJA TRIPUDIANS e SPIGELIA.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Cralonin – gotas
Aurumheel N – gotas
Cactus compositum





ARTERIOSCLEROSE
Aurum, Baryta carbonica, Berberis, Carduus, Gelsemium, Glonoinum, Ignatia, Lachesis, Lycopodium, Nux vomica, Opium, Phosphorus, Plumbum, Sulphur.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Barijodeel – comprimidos
Ginseng compositum
Circulo-Injeel






ARTERITE

PROTOCOLO –
AURUM METALLICUM 7 CH, 3 gotas dia, alternando com »
PLUMBUM 7 CH.





ARTICULAÇÕES, JOELHO

PROTOCOLO –
LEDUM 200 CH, 5 gotas duas vezes por dia;
Considerar ainda a possibilidade de ministrar SYMPHYTUM 200 CH, 5 gotas duas vezes por dia.





ARTRITE

BRYONIA 4 DH, 3 gotas de 3 a 5 vezes dia.

CRÓNICA –
NATRUM SULPHURICUM 9 CH, uma dose por semana.

ÚRICA –
GRAPHITES 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.


COM ALTERAÇÕES DO METABOLISMO INTERMEDIÁRIO –
ACIDUM BENZOICUM 4 DH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

BLENORRÁGICA –
MEDORRHINUM 12 DH, 3 gotas 2 vezes por dia.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Traumeel S – gotas
Rheuma-Heel - comprimidos





ARTRITE REUMATÓIDE
Bryonia, Colchicum, Elaterium, Ledum, Rhododendron, Rus toxicodendron, Sulphur.

MEDORRHINUM 200 CH, 5 gotas de duas em duas horas quando houver dor. Como manutenção, ministrar 5 gotas duas vezes por dia durante dois ou três meses.


PROTOCOLO –
RHUS TOX 30 CH, 5 gotas duas vezes por dia;
BRYONIA 200 CH, 5 gotas duas vezes por dia;
HYPERICUM 200 CH, quando a dor for muito intensa – ministrar em função das dores 5 gotas de cada vez.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Zeel T – comprimidos
Rheuma-Heel - comprimidos





ARTROSE

PROTOCOLO –
SYMPHYTUM 200 CH, 5 gotas duas vezes por dia;
CALCAREA PHOSPHORICA 3 DH – ou a potência mais baixa que se encontrar no mercado -, 10 gotas duas vezes por dia;
HYPERICUM 200 CH, 2, 3, 4, ou mais vezes por dia, 5 gotas – em função das dores.

Caso não se obtenham resultados palpáveis com SYMPHYTUM, substituir esse medicamento por RUTA 200 CH, ou LEDUM 200 CH, ministrados duas vezes por dia, também cinco gotas de cada vez.


PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Zeel T – comprimidos
Traumeel S - gotas





ASCÁRIDES
Abrotanum, Cina, Ignatia, Sabadilla, Spigelia, Sulphur.





ASCITE
Aceticum acidum, Apis, Apocynum, Arsenicum album, Digitalis, Helleborus.





ASFIXIA
· pulmões – Antimonium tartaricum.
· coração – Laurocerasus.





ASFIXIA NEONATAL
Belladonna, Camphora, Laurocerasus, Opium.





ASMA
Adrenalinum, Antimonium tartaricum, Ammonium carbonicum, Arsenicum album, Bromium, Caladium, Cannabis sativa, Chelidonium, Cuprum metallicum, Dulcamara, Grindelia, Hepar sulfur, Ipecacuanha, Kalium bichromicum, Kalium carbonicum***, Lobelia, Medorrhinum, Naphtalinum, Natrum sulphuricum, Nux vomica.


ASMA QUE AGRAVA COM A HUMIDADE –
DULCAMARA 4 DH, 3 gotas de 3 a 5 vezes por dia.

ASMA NERVOSA –
KALIUM BROMATUM 12 DH, 3 gotas por dia.


Lachesis 30 CH, 5 gotas por dia.

Se houver tosse – IPECA 30 CH, 5 gotas duas vezes por dia. Se não houver melhoria, KALIUM IODATUM 6 CH, 2 gotas hora a hora até aliviar.

DESSENSIBILIZAÇÃO –
FORMICICUM ACIDUM 12 DH, 3 gotas uma vez por dia.


ARSENICUM ALBUM 6 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.

ASMA CARDIAL –
DIGITALIS 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia.



PROTOCOLO –
MEDICAMENTOS COMPLEXOS
Tartaphedreel – gotas
Drosera-Homaccord – gotas
Husteel - gotas





ASMA, CRIANÇAS

CALCAREA CARBONICA 30 CH, 3 gotas por dia.





ASMA – COMPLEXO – TRATAMENTO HOMEOPÁTICO


COMPLEXO – (os medicamentos são preparados e ministrados no mesmo frasco)


ADRENALINUM;
BELLADONNA;
EPHEDRA;
IPECA;
LOBELIA;
SOLIDAGO;
STRAMONIUM.
Todos os medicamentos em 4 DH.

3 gotas várias vezes ao dia em função da gravidade da patologia, espaçando-se em função das melhorias.

Como preventivo – 3 gotas 3 vezes por semana.





ASTENIA – COMPLEXO – TRATAMENTO HOMEOPÁTICO

Fadiga geral, com diminuição da libido.

COMPLEXO – (os medicamentos são preparados e ministrados no mesmo frasco)

AGNUS CASTUS 4 DH;
DAMIANA 4 DH ;
LYCOPODIUM 8 DH;
SELENIUM 4 DH.

3 gotas de 3 a 5 vezes por dia.

Vejam-se ainda, os seguintes medicamentos:
CHINA, KALIUM PHOSPHORICUM, PHOSPHORICUM ACIDUM E SILICEA.





ATAQUES DE PÂNICO – VER PÂNICO





ATARAXIA LOCOMOTORA
Aragallis, Argentum nitricum, Oxalicum acidum, Phosphorus, Plumbum, Zincum.





ATAXIA

COCCULUS 12 DH, 3 gotas por dia.





ATEROMA

SUSPEIÇÃO –
PHOSPHORUS 3 CH, 3 gotas 4 vezes por dia.





ATONIA
Alumina.





ATREPSIA
Abrotanum, Arsenicum album, Borax, Calcarea carbonica, Calcarea iodata, Calcarea phosphorica, Hepar sulphur, Iodum, Magnesia carbonica, Natrum muriaticum, Phosphorus, Psorinum, Silicea, Sulphur.





ATROFIA

IODUM 3 DH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Com febre –
ARSENICUM ALBUM 3 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Com calafrios, tez cor de terra, prisão de ventre –
Com definhamento de cima para baixo –
NATRUM MURIATICUM 6 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Com enfraquecimento dos músculos e paralisia –
PLUMBUM ACETICUM 6 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.

Com torpor geral, pernas mais enfraquecidas –
Definhamento de baixo para cima –
ABROTANUM 30 CH, 3 gotas 3 a 4 vezes por dia.





ATROFIA MUSCULAR PROGRESSIVA
Plumbum.

PLUMBUM 6 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.





AUTISMO

CARCINOSINUM 30 CH, 5 gotas uma vez por dia.

Ou:
PROTOCOLO –
AETHUSA CYNAPIUM 200 CH, 5 gotas duas vezes por semana;
CALCAREA PHOSPHORICA 3 DH, 5 gotas duas vezes por dia.

Se houver hiperactividade – STRAMONIUM 6 CH, 5 gotas duas vezes por dia.





AXILA
Dor na axila direita, estendendo-se pelo braço todo –
JUGLANS CINEREA 1 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.

Irritação –
Erupção, e abcesso –
JUGLANS REGIA 1 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.

Erupção com glândulas inflamadas –
ELAPS 30 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.

Glândulas inflamadas –
BARYTA CARBONICA 6 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.

Abcesso –
HEPAR SULPHUR 6 CH, 3 gotas de 2 em 2 horas.

Transpiração excessiva –
KALIUM CARBONICUM 12 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.

Transpiração de muito mau odor –
NITRICUM ACIDUM 1 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.

Transpiração com cheiro de alho –
LYCOPODIUM 6 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.





AZIA
Calcarea carbonica, Robinia, Sulphuricum acidum, Nux vomica.


A azia pode ser provocada por acidez – assim, veja-se neste caso, o artigo » ACIDEZ.

Azia simples –
ARGENTUM NITRICUM 6 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.

Azia com língua branca, urina carregada, flatulência e prisão de ventre –
LYCOPODIUM 6 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.

Azia com sensação de fogo, que sobe do estômago para a garganta –
MANGANUM 6 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.

Azia com língua pesada, gosto de gordura na boca, intestino solto –
PULSATILLA 3 CH, 3 gotas 4 a 5 vezes por dia.

Nas crises –
CAPSICUM 3 CH, 3 gotas de 15 em 15 minutos.





AZIA – COMPLEXO – TRATAMENTO HOMEOPÁTICO


COMPLEXO – (os medicamentos são preparados e ministrados no mesmo frasco)

ABSINTHIUM 3 DH;
NUX VOMICA 4 DH.

3 gotas 15 minutos após as refeições.





AZOTEMIA
Ammonium muriaticum, Berberis, Causticum, Lycopodium, Senna, Solidago.





AZOOSPERMIA

AURUM METALLICUM 200 CH, 5 gotas duas vezes por semana – no mínimo três meses.

AGNUS CASTUS 12 DH, 3 gotas por dia.



JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org/