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ARTE

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domingo, 16 de outubro de 2011

ESCARAS DA CIDADE




A cidade é um amontoado de escaras danadas sujas cobertas por retalhos de pano novo
Chegam para o trabalho apressados alfenins no pus a manchar a roupa interior do arraiar da aurora
Os pensamentos resvalam nas estilhas de pele dengosa dos escaparates por onde passam indiferentes as últimas aves da noite saídas de infernais caves onde mãos se cruzam trocam e tacteiam as formas arredondadas da deleitação Oh consolação oral de deuses clementes refrigerados por lábios aquáticos a deslizar no gáudio de sexos despertos para a irradiação do prazer
A calçada portuguesa canibalesca não faz perguntas de tão acostumada à miserável exposição dos corpos mutilados de sonos sangrentos e os jornais com letras soltas vão saltando indiferentes para os braços pendentes dos mortos-vivos
Os pombos depois de terminada a oração descem às ruas junto das pastelarias da moda onde sobejam migalhas de pão nas bocas escancaradas
E há os indigentes de papelão a mendigar um raio de sol enquanto os políticos displicentes dormem com os seus amantes em carros de prata do perjúrio e da extorsão São Bento demoníaco a tudo o que é perverso
E há pernas irregulares das mulheres a suportar largos ombros estirados em ginásios poluídos sem o sorriso de quem despertou consolado e se sente apetecido por toda uma noite e não por alguns segundos
Vou deitar-me no sossego
As prostitutas também
Não suporto a cidade acordada a esfregar os olhos de remela
Mais-quero as cróias os perfumes baratos os catres pataqueiros das azinhagas
E estar
Oculto nos braços de uma mulher
Qualquer


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