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ARTE

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O AZEITEIRO




Chamava-se Idalina Viera para a capital servir
Vistosa
Sorriso brilhante
Olhos meigos de corça
A fazer embicar apetites nos dias insípidos
De vida descolorida misérrima a flutuar na profundidade do abismo

O mesmo de sempre
Café com leite a escorrer nas canalizações adelgaçadas dos patrões O pão com doce e mel o almoço o lanche dos meninos João o Franzino Maria a Estouvada Elizabete a Ajuizada (como a rainha) a ceia o chá do adormecer
Os babetes de cuspo os raspanetes da madame emproada em sub-rogação do garnisé e o balbuciar do patrão primeiro caixeiro de roupa interior numa loja do Chiado
Os pratos compostos e sem compostura gordurosos por lavar A roupa das camas por engomar o pó por limpar
Trabalho povoado de murmúrios obscenos e por meia dúzia de moedas Carago
Conheceu-o Ele um Pintas Azeiteiro todo catita à porta do baile de domingo no Lumiar
Olá menina Ela sorriu-lhe
Apaixonada de fome canina
Tanto bastou
O corpo nos pratos sujos do desejo e das perversões
Clientes a cheirar a cais odor de cabos de atracação com alcatrão a roçar os fios dos sovacos
A render e à disposição
Do pagamento
A dividir
Por dois


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