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domingo, 27 de novembro de 2011

CEIA DOS AFOGADOS




Há quem diga
Que na face macia de um papel se conheceu
Habituação ao cárcere voluntário do medo
Em linhas vazias de caderno aberto aos pés de enxerga

No repouso do quarto sem cortinas
Virado para a canção estelar do rio
A correr pelas cinzas do deserto
Abrigava a imaginação dos espaços suspensos
Das chagas incuráveis

Abandonado à morte da realidade mergulhava no sonho
Seu irmão bravio
Vítreo

A força da idade na decrepitude do corpo
Fez com que se aconchegasse ao calor da lareira
Em brasa húmida
Salgada
Manta retalhada do desespero petrificado

Pouco era o tempo que lhe restava
Nas pálpebras incandescentes
Dos punhos amansados
A adormecer lânguido no espírito da noite
Ceia dos Afogados


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