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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Z - ANTÓNIO MARIA LISBOA




YOU ARE WELCOME TO ELSINORE - MÁRIO CESARINY







XÁCARA DAS DEZ MENINAS - MÁRIO CESARINY




VOZ NUMA PEDRA - MÁRIO CESARINY




VIVER COM A CRUELDADE - MÁRIO HENRIQUE LEIRIA




VARECH - ANTÓNIO MARIA LISBOA




UNHAS - MARCELINO VESPEIRA




UMA VIDA ESQUECIDA - ANTÓNIO MARIA LISBOA







UMA VIDA DE CÃO - ALEXANDRE O'NEILL




UMA CERTA QUANTIDADE - MÁRIO CESARINY




UM DIA EU ESTAREI NA PRAÇA - MÁRIO HENRIQUE LEIRIA




TRIÂNGULO KABALÍSTICO - MÁRIO HENRIQUE LEIRIA




SIMPLES COMO É - MÁRIO HENRIQUE LEIRIA




SÉTIMO POEMA - ANTÓNIO MARIA LISBOA




ROSA-CHÁ - ARTUR DO CRUZEIRO SEIXAS




RIR COM RISO - MARCELINO VESPEIRA




RÊVE OUBLIÉ - ANTÓNIO MARIA LISBOA




RECUSA - ANTÓNIO MARIA LISBOA




PROTOPOEMA DA SERRA D'ARGA - ANTÓNIO PEDRO




PRONTO A SEGUIR - ALEXANDRE O'NEILL






PROJECTO DE SUCESSÃO - ANTÓNIO MARIA LISBOA




POEMA DO COMEÇO - ANTÓNIO MARIA LISBOA




POEMA - PEDRO OOM




POEMA - MÁRIO CESARINY




POEMA - ARTUR DO CRUZEIRO SEIXAS




POEMA - ANTÓNIO MARIA LISBOA




PERFILADOS DE MEDO - ALEXANDRE O'NEILL




PASTELARIA - MÁRIO CESARINY




PASSAGEM DOS AMANTES INJUSTIÇADOS - MÁRIO CESARINY




OS CARNÍVOROS - CARLOS EURICO DA COSTA




O NAVIO DE ESPELHOS - MÁRIO CESARINY




O JOVEM MÁGICO - MÁRIO CESARINY






O AMOR DE ARTHUR RIMBAUD - O MESTRE DO SILÊNCIO - ANTÓNIO MARIA LISBOA




NO PAÍS NO PAÍS NO PAÍS - MÁRIO CESARINY




NESTE DIA MEU AMOR - CARLOS EURICO DA COSTA




MÃOTÓTEM - PEDRO OOM




MANUFACTURA ANATÓMICA - MÁRIO HENRIQUE LEIRIA






LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE ÁLVARO DE CAMPOS - MÁRIO CESARINY




HOJE, DIA DE TODOS OS DEMÓNIOS - MÁRIO CESARINY




HISTÓRIA DE CÃO - MÁRIO CESARINY




FALTA POR AQUI UMA GRANDE RAZÃO - MÁRIO CESARINY




EU EM 1951 APANHANDO (DISCRETAMENTE) UMA BEATA (VALIOSA) - MÁRIO CESARINY




ESTRELA DE TODAS AS HORAS - ANTÓNIO MARIA LISBOA




É IMPORTANTE FODER (OU NÃO FODER) - MÁRIO CESARINY




E É PRECISO - MÁRIO CESARINY




DEIXA - ALEXANDRE O'NEILL




DE QUANTAS FACAS SE FAZ O AMOR - FERNANDO LEMOS




DE PROFUNDIS AMAMUS - MÁRIO CESARINY




CONJUGAÇÃO - ANTÓNIO MARIA LISBOA




COMO A VIDA SEM CADERNETA - MÁRIO CESARINY




AUTOGRAFIA I E II - MÁRIO CESARINY




AS VIRTUDES DIALOGAIS - PEDRO OOM




AO ROSTO VULGAR DOS DIAS - ALEXANDRE O'NEILL




ANTES AQUELE RELÓGIO - FERNANDO LEMOS




ALEGORIA DO MUNDO NA PASSAGEM DE ARNALDO DE VILLANOVA - MÁRIO CESARINY






AINDA AGORA-JÁ CONHECIDO-CAMARADA-AMIGO - MARCELINO VESPEIRA





ACTUAÇÃO ESCRITA - PEDRO OOM






A CIDADE DE PALAGUIN IV - CARLOS EURICO DA COSTA




A CIDADE DE PALAGUIN III - CARLOS EURICO DA COSTA











domingo, 13 de maio de 2012

PENSAR OU NÃO PENSAR EIS A QUESTÃO




Deito-me e adormeço por uma hora ou quase
Já só durmo por horas

Levanto-me com a mesma sensação da noite de ontem
De quem já pensou tudo o que há para pensar

Pensar ou não pensar
Eis a questão

Já pensei quase tudo o que há para pensar
Parece-me
Apesar do que parece
Nem sempre ser o que parece
E o que não parece
Aparecer como realidade do que parece

Poderei ou não estar errado
Como tudo
Numa vida inconsistente
Na impermanência dos dias consumidos
Como quem consome sem saborear um cigarro
De fumo invisível
Ou um corpo desconhecido à beira-mar
Ou navega no azul encapelado e apenas lembra a estrada suja de asfalto

Afinal o pensamento não é ilimitado
E a ilusão é o erro do desesperado


Pensei o já pensado
Em caminho poeirento
Por muitos trilhado
Em jornada com rasto de sangue vivo
Espalhado pela estrada do Nada
Vinho derramado no vazio
Metafísica inútil de náufrago sobrevivo

O pensamento é dor acutilante pressiva
É a enxovia torturante da inocência
Da candidez e da castidade


Pensei o que muitos outros pensaram
Mas ninguém sabe que o pensaram
Por terem guardado esses pensamentos numa gaveta sem fundo
Na torre subterrânea dos desejos inconscientes
Nas masmorras abissais das entranhas sórdidas
No espaço insignificante de seus bolsos rotos

Pensei e penso que não vale a pena escrever
Que não me irão ler
Que não irão ter paciência
Livros há-os em demasia
Como riqueza e pobreza

Neste mundo tudo é demais
Por excesso ou insuficiência


No entanto
A questão de Deus
(O Deus verdadeiro que não o dos homens)
Continua a ser a minha inquietude
Quando eu
Eu mesmo
Deveria ser por ora
O objecto de minhas inquietações

Quem sou
Donde venho
Para onde vou

Se sou ou não
Se vim ou não vim
Se vou ou não vou

Se Ele é
Se eu sou Ele
Ou Ele sou eu

Se existimos
Ou não existimos
Por ludibriados sermos

Se tudo é ilusão
O sonho realidade
A realidade sonho e

No desvario do engano
Se embromado estou
Porque padeço atroz

E porque algo permanece
Em vez do nada
Do vazio pacificador

E se nada existisse que voz se levantaria a questionar fosse o que fosse
Que corpo ou mente sentiria dor prazer ou amor


Também a questão da alma
Merece especulação
E se quem conhece a Alma
Conhece Deus
Fico-me com um único mistério
O da Alma-Deus ou o de Deus-Alma
Dualidade na Unidade
Da Alma

Tanto faz
Se o que penso só serve
Para alimentar a confusão
E o que escrevo
Não passa de incoerência
Ou de pura ilusão
De quem pensa ser e não é
Saber e não sabe

Melhor seria
Exterminar o desassossego

Melhor seria não pensar


Não me apetece almoçar
Há algum tempo que comer me enfada
O cérebro está quieto mas ágil
Na dormência da mente devoluta

Sensação de plenitude e de prédio devoluto
Plenitude por ter pensado tudo o que um simples mortal pode ou julga poder pensar
Vazio por não ter atingido objectivo nenhum
É esse o problema do humano
Um cheio-vazio-interminável
Uma angústia existencial deplorável
Inesgotável


Quero partir para o Norte
Estou sempre a querer partir como as aves migratórias
E depois de chegar sei lá onde
A querer voltar
Ao Sul

O Sul tem cor
Tem mulheres quase nuas nos extensos areais
Tem um sorriso aberto como o Cruzeiro dos navegantes
Tem calor
E tem também uma espécie de amor que o frio gélido da montanha ao borralho desconhece

Quero partir mas não quero
Apetece-me ficar ronronando
Como felino indomesticado
Aguardando fêmea no covil
No meio de livros já lidos de doutrinas mil vezes debatidas
De verdades obsoletas a estrebuchar no fundo poeirento das gavetas-da-exactidão
Viajar sem me movimentar pelo céu escuro das sombras nocturnas
Viajar à velocidade da luz por galáxias nunca dantes viajadas
Velejar com o vento Norte de través
A espreitar as vagas desfeitas a sotavento
Numa embarcação de trinta pés

De qualquer modo
Tenho de voltar a pensar o já pensado
Não descansarei enquanto o não fizer
Pena de eterno condenado
E não vou repousar depois de o ter feito
A menos que exorcize o cérebro dos seus fantasmas
Que destrua os espectros da mente
E os enterre na ala poente da necrópole ornada a cedros
Depois de queimados todos os Fedros


No café envolto pelo fumo abstracto de um cigarro
O mais agradável do dia por ser o primeiro
Oiço preso-forçado a televisão
O tema é futebol
O tema actual é sempre futebol
Quem não sabe futebol é iletrado
Há anos que não se fala de outra coisa como se o Universo fosse um gigantesco estádio onde os deuses consagram a eternidade dando pontapés em planetas e cometas num espaço-tempo de infinitas balizas sem rede

O circo continua
Roda e continua
O povo aplaude animais domados em jaula invertida
Os artistas falam um português-estrangeiro-imigrante convencidos da sua celebridade
Reconhecida por uma comunicação social burlesca
São ídolos de gente mascarada de felicidade eles que espelham com os pés e mais raramente com a cabeça oca um país desgraçado e inábil
Tão mal representado por bandos de sendeiros que pastam nos relvados
E por ranhosos governantes

Os artistas são os melhores aliados das ineptas-sanguessugas-políticas
São gigantes-pés-de-barro-grosseiro a escoar náusea
Justificação de medidas impopulares

Fala-se das suas vidas como se tivessem algo de exemplar para nos transmitir e capitanear
São ídolos da decrepitude e da degenerescência

Odeio a comunicação social que os ceva e ao povo cega

E há as novelas
Os concursos
As momices e rabulices em directo
Os discursos patéticos dos políticus
(não não é gralha)
Com o intestino grosso ligado ao cérebro
Donde provêm tantas e tantas ideias de merda

E há um povo sem rumo
Animal gigantesco do consumo
Absurdo e ignorante

Não Não vale a pena pensar
Nem escrever
Talvez pintar
E andar pelo mar
A olhar o azul que se quebra no horizonte
Num novo azul tingido de branco

A vida é tão curta
Deus meu
Mas para quem já pensou tudo o que há para pensar
Restar-lhe-á a Cor

Uma pintura é um personagem que entra em cena
E desliza no corpo para jusante
É tinta
É palavra
É semifusa
Silêncio
Tela em si pensante
Que diz nos círculos nas linhas nas pinceladas das faixas brancas
Nas cores
Quentes
Frias
Vibrantes
Esmaecidas
Nas jóias incrustadas
Folhas de oiro
Rubis
Esmeraldas
Diamantes
As palavras e as emoções
Mais verdadeiras
Dos verdadeiros amantes

Para quem já pensou tudo o que há para pensar
Resta-lhe o Amor
Resta-lhe a Cor
E o Mar

E assim me fico
Misantropo selectivo



http://www.homeoesp.org/livros_online.html








O LOUCO







Mirito nasceu
Nasceu num palheiro
Feito casa
Como Jesus

Paredes de pedra rude
Amontoada
Pedra solta
Pedra não aparelhada
Áspera como a pobreza
Dolorosa
Escura como a tristeza

Telhado de colmo
Donde se espreitavam as estrelas e sentia a chuva fria Entrada em dia de borrasca

Na torre da igreja o sino tocava tocava
Mirito nasceu de rosto belo e já trigueiro
Ao som da Avé-Maria

Que Deus o abençoe disse a mãe
Que a Senhora da Fátima seja sua madrinha e lhe faça a cruz na testa para afastar demónios e tentações
Disse a parteira da aldeia Tia Zefa do Moinho
A Zefa da Anunciação

A vizinha Madalena rezou um Padre-nosso
E uma oração calada para ninguém ouvir a não ser Nosso Senhor

Não te esqueças mulher de acender uma vela na Santa Eufêmia
Uma vela do tamanho do rapaz
Tanto faz
Respondeu a parturiente
A vela terá o tamanho da minha bolsa
O que vale é a intenção
E olha que a tua oração não irá cair em cesto roto


Mirito nasceu
Mirito cresceu


Nasceu numa noite de luar
De sombras a afagar a pobreza
E com o sino a tocar a tocar
Prenúncio de tristeza
Anúncio de morte a bailar a bailar

Na escuridão a luz
No altar a cruz
Que Mirito haveria de carregar
Correia a enlaçar
De aldeia em aldeia
Cantando e dançando melodias desconhecidas
Até que um tal ou qualquer Arimateia
O levasse a sepultar em cova funda e anónima
Depois de o encontrar caído na curva da estrada poeirenta e resplandecente de luar no gelo alvar

Encontrá-lo-ia
Agonizante sem remédio nem cura
Sem glória
Com a Senhora Morte ao lado
Cuidando do corpo inerte e da alma viva
Não se lembrasse alguém de a levar


Diria se pudesse
Estou certo que Miro diria
Leva-me para o Norte que o calor não suporto
Leva-me para o Norte onde é doce a Morte
Doce brancura de neve pura
Onde perco a memória
De vida malfadada

E continuaria
Certamente que o faria

Eu sou o Mirito leve gentil louco e sem dono
Eu sou o próprio Norte
A Liberdade
A tristeza
A Força da Natureza
Eu sou tudo o que o homem não é e despreza
Não sou como os demais

Sou Mirito
Servo da terra
Dos céus
Das estrelas
De bonanças e temporais e
Quero ser enterrado em cova funda onde animais e principalmente os homens me não possam
Nem encontrar
Nem incomodar
Que ressuscitar não quero


Mirito cresceu descalço
Roto
Esfarrapado
Com um sobretudo de alto a baixo rasgado

Sobretudo do Inverno
Sobretudo do Verão
Sobretudo da chacota da garotada da freguesia
Crueldade de rapaziada
Para com o pobre desgraçado que andava andava e se sóbrio se escondia
Em qualquer pinheiral


Mirito não foi à escola
Não aprendeu a ler
A somar
Nem seu nome aprendeu a escrever
Mirito não aprendeu a brincar

Não foi à escola e de nada lhe serviria
Contava até dois e depois
Qualquer número servia
Oito cinco dez quatro
Raramente mencionava o três
Letras não as conhecia
Nem o a e i o u

Falava entaramelado
Mas asneiras dizia
Escorreito
Quando o arremedavam
Essas eram poucos os que as não entendiam
Mas na escola não se ensinavam apenas se aprendiam e quem as já conhecia
Afinal que proveito tirava de horas mortas a inquietar outros garotos
O que o Mestre também por nada queria

Nunca aprenderia a ler
A contar
Ou escrever
E mesmo que algo pudesse aprender
Seria necessário querer

Por injustiça assim nasceu
Vagueando ora soturno
Ora alegre feito bobo
Percorrendo
Aldeias
Povos
Quintas
Escorraço de quintaneiros
Pouco falando
Por não querer
Ou não saber que dizer


Mirito cresceu com o vinho e com aquela cabeça tonta que desagrada aos homens e agrada a Deus


Um copo aqui outro além
Por alma de quem lá tem
Vá lá um copo não faz mal é Mirito quem diz
Vá lá por um momento faz Mirito feliz

Vai-te embora rapaz
O vinho ataca-te a moleirinha
Ficas mais estouvado do que és
Bebe um sumo
Um pirolito
Uma gasosa e
Dou-te um quarto de trigo com manteiga da arca

Daí o enganava o taberneiro intentando besuntar o pão com margarina da lata suja ou com molho velho das iscas a saber a ranço

Quero vinho o resto come-o tu

E Mirito crescia enquanto o sobretudo encolhia


Os rapazes vinham dos campos
Alguns tocados à paulada da lavra por acabar

Jogavam à bola no terreiro

Mirito passava
Seguia sem saber para onde
Olhando saudosamente para trás
Saudades sem saber de quê
Saudades porquê

Os rapazes brincavam com as raparigas
Dizendo-lhe coisas de que todos se riam
Mirito sorria por ver rir mas não percebia
Porque sorriam e porque sorria

Diziam-lhe
Cresce tonto depois se verá

Alguns namoravam um beijo às escondidas
Mirito sentia e sem saber como se fazia ficava triste
Uma tristeza natural acompanhada da ligeira brisa do pinhal ao lado do cemitério
Onde ensaiava com jeitos e trejeitos os beijos da moçada
O infeliz

Imaginava uma bela moça
Como vira num jornal da Venda
E que lhe valera um pontapé no traseiro
Por olhar coisas de gente normal
Na ideia da besta do taberneiro

Até a formiga-tonta já tem catarro disseram

Mas a bela loira de cabelos longos
Não lhe saía da cabeça
Afinal só olhara para uma fotografia de jornal
Suja de vinho
Amarrotada
Pasquim que parecia tão antigo como ele
Ele que dava tudo para ter aquela fotografia
Como seria feliz namorando-a com os olhos ardentes
Noites todas no seu leito de palha
Seria abençoado se a pudesse beijar ainda que papel

Essa loira de quem se via um pedacinho dos seios estava-lhe na memória
Enchia-lhe a mente inocente
Não saberia o que fazer
Talvez mexer de mansinho na carne luzidia
Talvez um beijo na face rosada
Ou na boca de dentes brancos

O restante desconhecia
Apenas sabia o que nas partes baixas sentia e por instinto tão bem lhe sabia
E que se dizia que Deus condenava

Melhor lhe agradaria de outra maneira
Dizia-se em segredo na Venda ao domingo
O que ninguém lhe contava
Que por ter bom ouvido ouvia
Ela havia de o ensinar
Quem sabe se hoje à noitinha
E por acaso
Aparecesse na curva deserta da estrada

E sonhava sonhava o pobre louco
Que nem à escola fora
A bola jogara
Na ribeira pescara
Nem nunca amara


E Mirito crescia enquanto o sobretudo encolhia


Pobre Miro pobre louco
Coitadinho


A sua cabeça já rodopiava como carrossel
Da feira de S. Bartolomeu

E via
Via coisas estranhas que o assustavam por momentos e rapidamente esquecia
Coisas do diabo
Coisas assanhadas
Arrepiadas
Que o possuíam e arrastavam pelos caminhos tortuosos na direcção de uma malga de vinho


Ó meu Mirito sofres tu e sofro eu
E Deus não nos vale


À noite
No palheiro
Via demónios
Uns sentados
Outros dependurados nas vigas de madeira velha e empenada

Das frechas do granito amontoado
Soltavam-se espectros luminosos em riso rugido

Demónios
Diabos
Fantasmas
Aparições
Diziam em voz rouca
Em gemido tremelicante
Miro tu és doido varrido
Bêbado
Vai-te Vai-te
Vai-te não durmas
Não te deixaremos dormir
Vê vês
Vê a mulher loira de longos cabelos entrançados
É feiticeira
A mais bela de todas
De todas as aldeias que conheces
Vai-te enfeitiçar
Vai-te encantar
Serás um sapo e os rapazes irão pôr-te a fumar a fumar a fumar
Até rebentar

Foge Mirito
Foge
Foge para as sombras da noite
Deixa-os na tua corte
Que fiquem com o curral
Que nem teu é
Que durmam na tua palha
Nos panos velhos cor de carreiro poeirento


Carago filhos de uma grande cabra
Excomungada
Que me não larga
Raios os partisse
Almas de trinta diabos
Tanto bento
Tanta bruxa
Tanto filho do demo
Tudo para me causar tormento


E Mirito noite dentro
Quilómetro a quilómetro
Ia da Mata ao Sobral
Do Sobral ao ribeiro
Do ribeiro à Aldeia-Nova
Sem demora e tento
Até raiar o primeiro raio de sol
Até ao Sol nascente

Quando o Sol estremunhado já espreitava na Serra das Fuinhas
O canto dos pássaros abafava o vozerio dos diabos com figura de gente
Dependurados nas pinhas dos pinhais
Espectros de Satã demente

Catano uma coisa assim Calai-vos deixai-me não vos quero ouvir almas do demónio

Miro desesperava
Miro gritava
Carago Inde-vos


A venda abria e Miro à porta da taverna
Olhava mudo o taberneiro estrovinhado
Que já sabia ao que vinha
Que já lhe conhecia o vício

Um copo por Deus para matar os demónios
Um copo por Nossa-Senhora
Um copo para suster a agitação
Cinco tostões para matar a sede
Tostão a tostão para matar o Demo

Pelas alminhas que com Jesus lá tem
Pelas que no velório aguardam o Purgatório
Com Barrabás e o outro ladrão

Vai-te daqui agoirento
Vai-te vai-te
Que a Satanás encarniçado
Nem vinho nem pão
Pede-o a Judas que é teu irmão

Um copo pelo seu descanso
Por alminha de sua mãe

Pela mãe pela mãe agora sim tocara-lhe no coração
Toma alma-do-diabo
Bebe

Mirito bebia um dois ou três e ia sem direcção sem destino sem querer


Pobre Mirito pobre louco sem-tostão
Miro pobre-louco a quem as bruxas não deixavam sonhar ao adormecer


Em pequeno passava à minha porta
Ele já homem
Eu rapazito

Tomava da gaveta alguns tostões
Tia Cândida via e fingia não ver
Fazia a vontade ao filho-sobrinho
Que queria ser padre
E tanto amava
Pobres
Loucos
Velhos
Doentes
Animais

ZéIa que vais fazer perguntava
Nada de mais
Vou ver o Mirito que me chama do caminho e logo interrompia as orações ou fechava o Livro de Horas

Dois três copos de vinho

Mirito cantava agradecido sabendo que aquela porta lhe estava sempre aberta
Enquanto eu ingénuo o olhava embasbacado na sua dança estrada fora braços abertos a rodopiar voz rouca a soletrar língua estrangeira

Adeus Mirito
Amanhã passa por aí
Eu peço à Tia
E Mirito sorria
E eu não sabia que sua alegria
E minha felicidade
Nada valia ao agravar a doença de que padecia

Adeus Mirito
Pobre louco
Até amanhã
Até outro dia
À falta de capão
Cebola e pão
À falta de um tostão
Volta volta que te darei
Do vinho da Tia
Palavra
Tiro-o da adega
Às escondidas
Ninguém vai ver
Ninguém vai saber


O sino toca para a missa
Ou é para o terço
Já não estou certo

Eu cresço

Mirito mais velho
O sino tange uma morte

Eu estou no Sul
Mirito no Norte

O sino toca a rebate
Arde a encosta Poente do vale

O incêndio belo ameaçador
Já lavra no monte

Eu estudo para doutor
Mirito cada vez mais doente

O sino toca a Avé-Maria
Eu já não rezo

Mirito-o-Tonto não dança
Eu já não vou à igreja

Mirito com dificuldade anda
O sino toca toca sem cessar
E aquele pobre diabo está-me na alma
Na saudade que o vento frio da Serra traz
Para as paredes negras da cidade

Saudade que rói e dói


Mirito pobre louco
Eu também sofro


Noite de Inverno
Temporal
Miro já não tem as mesmas forças
Nessa altura eu vivo num jardim de betão com uma nesga de céu acorrentado à liberdade
Miro está cansado eu tenho depressão
A melancolia parida pela angústia existencial do sem-sentido-da-vida
O sobretudo cada vez mais rasgado deixa passar frio chuva neve à roupa mais interior do esfarrapado
O vento bramia
Vergava ramos de velhas árvores
Retorcia as novas há pouco plantadas
O vento gemia
Nas sombras dos olivais
Nos espectros das nuvens baixas
Fazendo rodopiar as folhas caídas

Uma chuva fina e fria
Que se entranhava na miséria
Molhava-lhe a alma

Miro continuava
Miro caminhava

Tinham-lhe dito
Não te metas ao caminho
Mirito não os ouvia
Vou para a Mata
Vou dormir

Caminhava contra o vento
Que rodopiava

Começou a nevar

Já não havia demónios diabos
Almas de outro mundo
Eram anjos alvos a bailar ao som do vento
Sinos a tocar Avé-Marias
Anjos que sorriam e o afagavam num leve arremesso

A neve caía caía em desconhecida melodia
Melodia que nenhum Bach comporia
E vestia-o de branco puro
Na casta inocência de quem na alma
Mal nenhum tinha

Miro parecia uma pomba no escuro
Um dominicano em êxtase de alegria

Mirito pobre louco sorria e ria
Dançando ao vento e à neve
Com anjos e querubins de verdade
E Jesus menino que assistia enternecido a ver
Tanto Amor e Liberdade

Chegado à curva dos sonhos
Da loira encantada
Miro cansado
Deixa-se tombar no valado
Exausto a dormir
A sonhar a sonhar com o Amor
Que sempre lhe fora negado


Os anjos entenderam
Jesus concordou
Melhor seria fazê-lo ascender
Mirito faria o Céu feliz
Haveria festa e alegria
Uma imensa Felicidade
Bondade e Inocência
Do homem que sempre fora petiz

Avé-Maria
Avé-Maria


Miro pobre louco meu bom amigo


Casmirito morreu no Inverno
Mirito subiu ao Céu entre anjos e arcanjos
Miro abandonou o inferno


Passaram anos



Na curva da estrada
Apesar do cansaço
Algo me impele a estancar

Há sombras vivas
Que repousam no asfalto
Árvores retorcidas
Que já deram o seu fruto
Vinhedos esquecidos

O Sol brilha através dos ramos dos pinheiros bravos
Um lavrador come a merenda à sombra de uma fraga
A mulher prepara estacas
O semeador descansa e bebe
O vinho com a frescura da água da mina
Ao seu lado
Pão de centeio
Queijo
Um naco de presunto velho

Sorri
O seu sorriso arrasta-me pela memória dos tempos
O seu sorriso é rosa-do-mundo
Vejo-me nos calções azuis cor de céu e na alva branca de domingo
Há missa
Os sinos tocam
Casimiro Casmiro Casmirito Mirito Miro
O meu amigo-louco
Da infância perdida
Miro
O Louco
Do sorriso infinito
Aberto
Livre
Ingénuo
Contagiante
Que ia à igreja só para me ouvir ler
Para me ver

Sinto saudades
Não sei se da vida
Se da morte
Se do mal
Se do bem
Sinto saudades
E sentir saudades
É ter ferida
Sangrante
Mas sempre é melhor
Ter saudades
Que não ter nada

Sento-me no muro em pedra circular
Vejo um vulto no chão
Eu que desde criança vejo coisas
Coisas que não devia ver
Coisas que me fazem sofrer

Foi aqui que Miro veio morrer

Estou cansado de tanta morte


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A CANÇÃO DOS ESPASMOS




Na escuridão da noite doirada
Longos dedos penetrantes
Tocam com leveza o pássaro negro de luz
Oculto nas colunas de jade

As pétalas ardentes dos seios
Da flor encarnada
Por plumagem etérea acariciada
Contorcem-se na Canção dos Espasmos
Das corolas abertas
Aos profundos gemidos do corredor que brilha
Nas magnólias virginais


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A VERDADE DE NÃO HAVER VERDADE NENHUMA



Sentara-se lúcido na esplanada
Com vistas para o muro de calcário
Com um copo de vidro velho
A balançar nas mãos trémulas

Um copo de rum vale mais do que todo o desassossego do mundo

Por ali passavam passos
Uns à frente outros atrás
Das difusas tristezas
A consumir consciências

Chamava-se Pedro
Pedro Só
Sem mulher filhos parentes
Confessava-se amiúde a seus companheiros
Os copos
Ora vazios ora cheios de melancolia ou alegria

De nada lhe valera o Templo
As longas horas de meditação e imploração
Na ausência do corpo

Não sabia se Deus existe ou não
E hoje nesta tarde efémera mas presente como um raio de sol
Pouco lhe importava saber se iria ou não saber o que nunca saberia

Era ele e o rum e o muro intransponível
E a verdade de não haver verdade nenhuma


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sábado, 12 de maio de 2012

ZBIGNIEW HERBERT - DA MITOLOGIA




Tradução de Rui Knopfli

YANNIS RITSOS - EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA




Tradução de Eugénio de Andrade

WILLIAM WORDSWORTH - SUBIR, SUBIR




Tradução de Luiz Cardim

WILLIAM BLAKE - VER NUM GRÃO DE AREIA UM MUNDO







Tradução de Luiz Cardim

WANG YANG-MING - ASCENSÃO AO MIRADOIRO DO KIANG




Tradução de Camilo Pessanha

VITORINO NEMÉSIO - JÁ UM POUCO DE VENTO







VINICIUS DE MORAES - A ROSA DE HIROXIMA




TU, MINHA ÉS, MEU AMOR (EGIPTO)




Tradução de Helder Moura Pereira

TOON TELLEGEN - EU PODIA ESCOLHER




Tradução de Fernando Venâncio

SOARES DE PASSOS - AMOR E ETERNIDADE




RUY CINATTI - VIGÍLIA




ROMANCEIRO SEFARDITA - ROMANCE




Tradução de Renata Pallotini

RODAKI DE SAMARKANDA - EM LOUVOR DO VINHO







Tradução de Jorge Sousa Braga

RIG VEDA - NASADIYA, HINO DA CRIAÇÃO




Tradução de Manuel João Magalhães

RIG VEDA - ADEUS A UM CAVALO




Tradução de Manuel João Magalhães

REMCO CAMPERT - POESIA É ACTO




Tradução de Egito Gonçalves e August Willemsen

QUERO VISITAR UMA MULHER ESTRANGEIRA (ESQUIMÓS)




Tradução de Herberto Helder

PERGUNTA E RESPOSTA (WENDA)




Tradução de Mário Cesariny

OS CONQUISTADORES E O OURO (AZTECAS)




Tradução de Herberto Helder

ODISSEIA - ARGOS, O CÃO DE ULISSES




Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira

O RATO TEM PELE (SHIJING)




Tradução de João Reis

O POETA DO AMOR (GRÉCIA)




Tradução de A. Ribeiro dos Santos

O JOVEM CAVALEIRO BRANCO (IACUTOS)




Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo

O INVERNO (CULTURA CELTA)




Tradução de José Domingos Morais



O FIM DO LAMA TSONG KHAPA - A GRANDE HISTÓRIA




Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo

O AMOR TRANSIDO (GRÉCIA)




Tradução de A. F. Castilho

NATÁLIA CORREIA - A RECUSA DAS IMAGENS EVIDENTES




MURILO MENDES - POEMA BARROCO




MU'IN BESSEISSO - A RIMBAUD




Tradução de Adalberto Alves

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO - ÚLTIMO SONETO




MANUEL BANDEIRA - MOMENTO NUM CAFÉ




MANOEL DE BARROS - MATÉRIA DE POESIA




MANOEL DA FONSECA - SEGUNDO DOS POEMAS DA INFÂNCIA




MAHABHARATA - A ORIGEM DA MORTE




Tradução de Manuel João Magalhães

LOUIS ARAGON - BALADA DOS SUPLÍCIOS




Tradução de Carlos de Oliveira



LORENZO DE MEDICI - CANÇÃO DE BACO




Tradução de Jorge de Sena

LI YU - A BELA DE YU







Tradução de Li Ching

LI PO - COMBATE-SE AO SUL DA MURALHA




Tradução de Cecília Meireles

LAMENTO AMOROSO (AMAZÓNIA)




Tradução de Herberto Helder

KOSTAS OURANIS - MULHERES DE PASSAGEM





Tradução de José Paulo Paes

KABIR - HÁ UMA LUA NO MEU CORPO







Tradução de Jorge Sousa Braga

JUNQUEIRA FREIRE - DESEJO (HORA DE DELÍRIO)




JOSÉ BLANC DE PORTUGAL - SONETO MARTELADO




JOHN CLARE - AGORA É PASSADO




Tradução de Cecília Rego Pinheiro

IMPLORANDO O SOPRO (ZUNHIS)




Tradução de Herberto Helder

IBN ABD RABBIHI - PARA ALCOLEIA




Tradução de Doina Zugravescu

HINO RITUAL (OMAHAS)




Tradução de Herberto Helder

HINO À LUZ - VEDA




Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo

HINO À NOSSA MÃE FERTILIDADE (AZTECAS)




Tradução de Herberto Helder

HADEWIJCH DE ANTUÉRPIA - POEMAS ESPIRITUAIS




Tradução de João Barrento

GUILLAUME APOLLINAIRE - O ADEUS




Tradução de Jorge Sousa Braga

GUILLAUME APOLLINAIRE - ANNIE




Tradução de Jorge Sousa Braga

GOETHE - A CANÇÃO DO REI DE TULE




Tradução de Antero de Quental

GIUSEPPE BELLI - A VIDA DO HOMEM



Tradução de Alexandre O'Neill

FRIEDRICH VON HAUSEN - COMIGO DE VEZ EM QUANDO



Tradução de Paulo Quintela

FRANCO SACCHETTI - DIANA



Tradução de Jorge de Sena

FLOR DO FEIJOEIRO (QUÍCHUAS)



Tradução de José Alberto Oliveira

EGITO GONÇALVES - A AVENTURA É FICAR




GUILLAUME APOLLINAIRE - A PONTE MIRABEAU





Tradução de Jorge Sousa Braga

EDOUARD RODITI - FINIS TERRAE





Tradução de Mário Cesariny

E. E. CUMMINGS - SONETO





Tradução de Manuel Bandeira

DIONÍSIO, O AEROPAGITA - Ó TRINDADE SOBRENATURAL





Tradução de José Tolentino Mendonça

DINO FRESCOBALDI - UMA ESTRELA DISTANTE E BELA





Tradução de Jorge Henrique Bastos

DAR NAS VISTAS (SHIJING)





Tradução de Joaquim Guerra

DAMA PAN - O LEQUE





Tradução de Machado de Assis

COPLA DE AMOR (OROMO)





Tradução de Manuel João Ramos

CINO DE PISTOIA - QUANTO VOS APRAZ





Tradução de Jorge de Sena

CICLO NAHUATL - NASCEMOS PARA O SONO





Tradução de Herberto Helder

CHRISTINA ROSSETTI - REMEMBER









Tradução de Manuel Bandeira

CHARLES BAUDELAIRE - UM HEMISFÉRIO NUMA CABELEIRA





Tradução de Filipe Jarro

CECÍLIA MEIRELES - BALADA DAS DEZ BAILARINAS DO CASSINO




CASIMIRO DE BRITO - CIDADE BRANCA




CARLOS QUEIROZ - DESAPARECIDO




LIVRO DE CANTARES DE DBITBALCHÉ - CANTAR VII





Tradução de Herberto Helder

CANÇÃO DA ANDORINHA (GRÉCIA)





Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira

CANÇÃO (MADAGÁSCAR)





Tradução de Herberto Helder

CAEM AS AMEIXAS - SHIJING




Tradução de Joaquim Guerra

BOCAGE - LIBERDADE, ONDE ESTÁS?




BHARTRIHARI - NESTE VÃO E FLUTUANTE MUNDO





Tradução de Jorge Sousa Braga

BERTOLT BRECHT - AOS QUE VIRÃO A NASCER




Tradução de João Barrento

AVIGDOR HAMEIRI - PUREZA




Tradução de Zulmira Ribeiro Tavares

AURÉLIO PRUDÊNCIO - ETERNO CRIADOR DO UNIVERSO




CANÇÃO DA CABÍLIA (ARGÉLIA)




Tradução de Herberto Helder

BRANCOS E NEGROS (ANUAK)




Tradução de Manuel João Magalhães

ANTÓNIO PEDRO - MARESIA




ANTÓNIO OSÓRIO - A UM MIRTO




sexta-feira, 11 de maio de 2012

POEMA CONJUNTO - CAPTAIN HADDOCK - O ÚLTIMO DOS NAVEGANTES DO SONHO





ANIVERSÁRIO


Para o Bernardo


Quinta do Crestelo, Seia






Álvaro de Campos

GUILLAUME APOLLINAIRE - 1909




Versão Jorge Sousa Braga

ANTÓNIO GEDEÃO - POEMA DAS COISAS




ANDRÉ BRETON - LUA DE MEL




Tradução de Mário Cesariny

ANA HATHERLY - O VERMELHO POR DENTRO




ÁLVARES DE AZEVEDO - MEU SONHO




ALEKSEI TOLSTÓI - LOBOS




Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra

ALEKSANDR PUCHKIN - DEMÓNIOS




Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra

AFONSO DUARTE - GRITO




A TERRA ME HÁ-DE COMER (CANÇÃO POPULAR)




A ORIGEM DA HUMANIDADE (ZULUS)




Tradução de Manuel João Ramos

A CASA DA MINHA NAMORADA (EGIPTO)




Tradução de Helder Moura Pereira

A CABANA DO ERMITA (CULTURA CELTA)




Tradução de José Domingos Morais

À ANDORINHA (GRÉCIA)




Tradução de A. F. Castilho

GUILLAUME APOLLINAIRE - MARIZIBILL





Tradução de Jorge Sousa Braga

domingo, 6 de maio de 2012

MÃE




À minha Mãe
A todas as Mães




Almada Negreiros