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ARTE

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sábado, 12 de outubro de 2013

PARA ANDRÉ BRETON




para andré breton 

as chamas que masturbam a colina     as locuções desprezadas pelos mestres     a rima paradoxal do sexo sem erecção
trabalhadores da construção em implosão     ilusão de um povo macerado em vinha-dalhos

quadros de gosto dissoluto em quarto de pensão     praça do chile     intendente     bairro alto de meretrizes e gays     
um broche no técnico     a marreca de algés jubilou-se
um pilrete num jaguar amarelo     a retrete pública dos desordenados     epiceno desnatural das borras rectais
olivais     jardim do império     onde navegaram tantos anormais     rabetas de profissão à tocaia      intimidadas as fêmeas sem fregueses
conde redondo disfarçado no trajar     ultraje ao elefante branco ali ao lado

putas à rua 
acompanhantes aos bares
casadas aos apartamentos  

o sol que se põe nas tairocas desprezadas no brejo     a noite que cai na cabeça quadrangular da menopausa
os amores clássicos     o acto procriador aéreo
o adultério na adega de tonéis aquosos     o furto do andar térreo 
três vinténs de puberdade esfaimada

homenzinhos de jaquetão de vidro e calça esticada de betão     piça ressequida abotoada aos fundilhos enredados     

cem poemas escritos na areia verde do sangue espessado
cem poemas por um cavalo alado
cem poemas por uma humanidade novel debelada por versos azuis     detonação da cor sem forma a gerar espiritualidade 
na arte senil e na literatura de cordel


não escrituro para supérfluos cabouqueiros de numerárias nem para donas de casa por branquear     rameiras de funil     
o marceneiro sempre disse que a mulher não é constante     
por muito séria que a tomem há sempre um homem qualquer trocado por qualquer homem     
qualquer ebanista é erudito nesta disciplina 

não havemos de permutar mulher por outra havendo ocasião 
quando as que nos trocam dissimulam genuidade na omissão da justeza vaginiforme     
seremos parvos     estaremos turvos ou laçados? 
viva la vie    
voilá     les femmes et son usage   

nada lavro que se não possa ler na missa de domingo onde os ternos coçados se passeiam irreverentes em bicos de pés     cristãos-submarinos na aflição à tona
beatas     ratas de sacristia numa fona     padres inadequados para consumo      bicos sacralizados por pastor beatificado 
cristo de encomenda patente em delubro
o milagre do santo sexo     sacramento de crianças nuas e acessíveis viúvas ao rubro 
as três tabuletas da trindade nos seios da sineira     alcova de abade incestuoso    


os poemas breton regalam-me absorvem-me o sono marcam a cadência ajustam o som da melodia ao contraponto burlesco da burguesia e das putas da freguesia
voilà     les femmes et sa chatte abusé

cão que late megera que lê     
les cornes du impuissant     governo do excremento

os meus estúpidos poemas afectam-me o adormecimento
são o meu prazer     ironia do destino     vossa espertina 

mas teu sono não     breton     estás seguro no teu jazigo
meu poeta
confidente
meu amigo






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