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ARTE

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

PELA TORNA-VIAGEM UMA LOA




sombras chovem descontinuidades enquanto me movimento no precinto sem tecto     

há um santuário doirado efervescente no fundo do coração em chama viva que erijo
um poema em cada verso por rimar

hora de orçar o alento    tempo rijo      marear em águas temperadas na robustez do costado
fenda na alma tapada com estopa alcatroada  


agonia que corrói as entranhas     momento azul
a tarde não deslembra o crepúsculo matinal     as velhas     vacas amamentadas pelo suor dos ardinas
basculham a sudação sobrenatural das marafonas atlânticas

surdina da fome de mar no tentáculo ofendido em seus tendões  

as nuvens chovem no meu movimento 
quando paro     ressaca nebulosa de vaga paradoxal
anelo de temporal

veleiro expirante na rota impossível discordante aos alíseos dementes
dedos de mareantes colados à cordoalha disforme 
a partida e a chegada dos cavaleiros     bandeirantes da decrepitude

descobridores do entejo

do tejo parto     imagem de nossa senhora dos navegantes à proa
sem saber se retornarei ou não

pela torna-viagem uma loa





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