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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

BREVITAS VITAE - AO ANTÓNIO CARVALHO



Há alguns anos conheci o António Carvalho num Curso de Homeopatia. Foi amizade à primeira vista.
Verdadeiro, recto, com um humor encantador, sempre entusiasmado com a vida, falava-me da sua paixão por África (Moçambique), do Ciborro e das suas gentes, principalmente dos seus familiares, que infelizmente acabei por nunca conhecer, à excepção do filho.
Os nossos projectos dos Homeopatas Sem-Fronteiras, a clínica em Moçambique, as consultas gratuitas para os pobres. Tudo me vem nesta noite de insónia à memória.
Reconheci-lhe sempre uma enorme competência profissional, acompanhada de uma compaixão imensa pelos que sofrem e que tratava com tanto carinho. O António conhecia a caridade e o Amor pelo próximo. O António, apesar da idade, tinha a sabedoria dos “velhos” das nossas aldeias, e na alma o amor pelo próximo. Mesmo sem ser católico praticante, era “cristão por vocação”. 
Ontem, ao crepúsculo, recebi uma mensagem: o António acabara de falecer. Ele que vinha insistindo comigo para que nos encontrássemos, enquanto eu sem qualquer justificação fui protelando o seu desejo, ignorando estupidamente a brevidade e os acidentes da vida.

O António, na humildade que só os grandes Homens sabem ter, foi sempre o Amigo, a palavra consoladora na adversidade, o conselheiro das horas amargas.

Praticamente à mesma hora em que me foi dada a notícia da sua morte, recebi um texto de um outro amigo, Pe. Jacob dos Missionários de S. João Baptista, Seminário de Gouveia, que também esteve largos anos em Moçambique, em missão de evangelização e apoio a uma multidão de pobres,  com o título BREVITAS VITAE.


BREVITAS VITAE

A vida é demasiado breve para que se beba mau vinho (Johann Wolfgang von Goethe)

“A vida do ser humano sobre esta terra é breve. Quanto mais passam os dias, tanto mais cada um percebe a brevidade da vida, como desafio existencial. A Constituição  Gaudiumn et spes do Concílo Vaticano II afirma a este propósito: “ Perante a evolução actual do mundo, cada dia são mais numerosos os que põem ou sentem com nova acuidade as questões fundamentais: Que é o homem? Qual o sentido da dor, do mal, e da morte, que, apesar do enorme progresso alcançado, continua a existir? Para que servem essas vitórias, ganhas a tão elevado preço? Que pode o homem dar à sociedade, e que coisas pode dela receber? Que há para além desta vida terrena?
(…)
A preocupação desenfreada pelo futuro impede-nos de viver o presente. A coragem de perceber e aceitar os limites é questão que fere a sensibilidade humana.
A esforçada e insatisfeita procura traz efeitos colaterais nas nossas vidas sobreocupadas. Esvaziadas de verdadeira presença com os outros, o chão que pisamos tornou-se uma pátria de terra-sem-ninguém. Não nos podemos iludir com a  lógica das compensações. A gestão do tempo é uma aprendizagem contínua. A precaridade da nossa vida e do que nos rodeia dá-nos a versão provisória da vida, inacabada e cheia de imperfeições. Resta-nos a vida no seu sentido pleno, que só se alcança na partilha e no dom. Amar é receber a vida como um dom e não encarniçar-se para conservar o que, inevitavelmente se perde.
É bom que venham certos vendavais de Primavera deitar por terra aquilo que deve ser eliminado. Mas depois é importante reconstruir. Nesta tarefa ainda que com fragilidades nunca estamos sós. Importante é sair da nossa zona de conforto.”


O António sempre sentiu a brevidade da Vida. “Bebeu e deu a beber aos seus Irmãos o seu melhor vinho”. 

O António soube viver o presente como ninguém. Foi essa a sua Santidade: viver no “agora”, para si e para os outros.

O António encontrou o sentido da vida numa partilha e amor incondicionais. Aceitou a vida como um todo e carregou a sua Cruz com uma humanidade quase divina, saindo continuadamente da sua "zona de conforto".


Neste dia, não posso estar junto do teu corpo frio. Mas estou com a tua Alma.
E num qualquer dia do porvir, voltarei a encontrar-te para te dar “aquele abraço”, como tu dizias com uma leal amizade e naquele teu jeito tão peculiar, que em vida te neguei, por nunca ter aprendido contigo, que o Amor e a Amizade estão contidos no “Agora”.

Bem Hajas por tudo António.
Que o Deus Verdadeiro te receba no seu seio de amor e te dê a beber na eternidade o “bom vinho”, que espero poder compartilhar contigo um qualquer dia, na companhia dos que amamos.
Deus saberá qual. 

Zé Maria




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