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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

CINZAS E NADA MAIS




alaúdes taças
jarros perfumes
risos olhos amendoados
profundos

brinquedos que o tempo

faz corromper


austeridade trabalho
meditação solidão
oração renúncia


cinzas que o tempo espalha
cinzas

cinzas

e nada mais





SILÊNCIO Ó MINHA DOR




silêncio
oh minha dor

deixa que busque mezinha 
é preciso viver

é urgente

porque os mortos
não rememoram 
e eu apenas
desejo nem que seja 
por instantes
voltar a ver
a face das 
minhas amantes



http://www.homeoesp.org/livros_online.html


SENHOR CAMBALEIAS COMO OS EMBRIAGADOS




senhor desbarataste a minha alegria

ergueste uma muralha

de pedra armada
entre o meu coração
e o da minha amada

os cachos da minha vindima foram degolados

vou morrer senhor
morro com dor

mas tu
cambaleias como os embriagados





TUDO TROCO POR AMOR E VINHO



todos os reinos e riquezas
por uma taça de vinho generoso
todos os impérios e suas fortalezas
por um cálice de vinho novo

todas as bibliotecas e livros
toda a sabedoria 
pelo doce aroma do vinho
por um beijo à sombra de uma tília

todos os hinos de amor
pela canção do copo que se esvazia
e por um corpo que se anuncia





POBRE HOMEM NUNCA SABERÁS NADA




pobre homem pobre infeliz

nunca saberás nada
nunca serás capaz de desvendar um que seja
dos mistérios que nos cercam

já que as religiões

em uníssono 
te prometem
um paraíso

faz tu 
por um 

nesta terra criar


o delas
ou invenção ou ilusão



engano





NÃO PENSES NA TUA DOR




és infeliz
tu que choras
que gemes
que escondes o rosto no leito
e em segredo padeces?


não penses

se não pensares na tua dor
não sofrerás jamais 


se a tua atribulação é forte
se te faz pensar na morte
lembra os justos
que injustamente sofreram
desde o princípio dos tempos

goza os teus momentos





ENTERRA O CADÁVER DO TEU PASSADO



olha à tua volta

aflições
desgraças
desespero
angústia
choro 
e ranger de dentes

os nossos melhores amigos morreram

a tristeza é a nossa companheira
inseparável


mas
continua homem
abre as mãos
alcança o que anseias
faz das tripas coração


enterra nas profundezas 
o cadáver do teu passado





NUNCA CONSEGUIREMOS INCENDIAR O MAR




nunca conseguiremos incendiar o mar

nunca iremos convencer o homem

dos perigos e manhas da felicidade 


no entanto
todos sabemos

que o mais pequeno embate 
é letal para o jarro cheio
e deixa ileso o vazio





APENAS ME APETECE DORMIR




embriagado ou sedente


apenas me apetece dormir
dormir 

profundamente


não quero saber
o que é o bem
e o que é o mal
porque o bem
está para o mal
como o mal
está para o bem


afinal

o que é o bem
o que é o mal?


para mim
dor e prazer são semelhantes


quando me sinto feliz
concedo à felicidade 
modesto lugar
já que bem sei
que a dor não tardará
    para a afastar





HOMEM SANTO




santo homem

despe essa roupagem
de que tanto te envaideces
e que não tinhas quando nasceste

veste antes o manto da pobreza