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OS TRATAMENTOS SUGERIDOS NÃO DISPENSAM A INTERVENÇÃO DE TERAPEUTA OU MÉDICO ASSISTENTE.

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terça-feira, 23 de Setembro de 2014

ÉBOLA - PREVENÇÃO E TRATAMENTO



O Ébola é um vírus aterrador e devastador, que terá surgido em 1976 no Sudão e na República Democrática do Congo, junto ao Rio Ébola, que deu nome à doença. Infeccioso e com uma taxa de mortalidade muito elevada – pode superar 90% dos infectados – começa a gerar um pânico generalizado nalgumas regiões do planeta e não deixa de se constituir como ameaça, mesmo nos países mais desenvolvidos. 
Existirão cerca de cinco espécies de vírus, com os nomes dos seus locais de origem. Apenas um não terá gerado enfermidade nem causado qualquer morte.

O vírus pode ser transmitido, quer por humanos quer por animais – por intermédio do sangue, secreções, sémen, e outros fluidos.

SINTOMAS I – Quadro semelhante ao da gripe
- febre súbita;
- fadiga e fraqueza;
- dores nas articulações;
- dores musculares;
- dores de cabeça;
- dores abdominais.

SINTOMAS II - Outros
- exantema maculopapular – um grande número de infectados apresenta os sinais desta patologia;
- anorexia;
- prurido com ou sem erupções cutâneas;
- deficiência nas funções renais e hepáticas;
- vómitos;
- diarreia.

SINTOMAS III – fase hemorrágica
- distúrbios da coagulação sanguínea;
- hemorragias internas e externas;
- hemorragias nas pregas da pele;
- hemorragias das mucosas – aparelho digestivo, gengivas, nariz, etc. 
- olhos avermelhados;
- vómitos com sangue;
- sangramento ao tossir;
- sangue nas fezes.

SINTOMAS IV – Menos comuns
- dor no peito;
- falta de ar;
- inflamação da garganta;
- dificuldade em engolir;
- soluços.



O diagnóstico deve ser sempre feito em laboratório e com a intervenção da medicina convencional.
Não existe tratamento para o Ébola, seja alopático seja homeopático e todos os que lidarem com pacientes infectados devem ter os cuidados recomendados.
Neste curto artigo, não iremos dissertar longamente sobre uma doença que tem em escritos da especialidade (medicina alopática) todas as informações necessárias, mas antes, contribuir para a prevenção e tratamento possível da epidemia com a utilização de medicamentos homeopáticos criteriosamente escolhidos.
No entanto, não subestimemos a epidemia. Irá atingir em pouco tempo milhões de seres, principalmente os mais desfavorecidos, desvalidos abandonados por um mundo cruel e hipócrita. 

Deve ficar claro, que nesta sede, é a medicina convencional que deve “ditar as regras” e caberá aos profissionais de saúde medicar os seus pacientes com Homeopatia, se assim o entenderem.
Estamos convictos de que, quer o medicamento usado a título preventivo quer o protocolo de tratamento muito poderão fazer. Mas a nossa convicção vale o que vale.
Ou seja, a Homeopatia terá um efeito benéfico na prevenção, e auxiliará na cura dos casos propícios, bem como na minimização sintomática e do sofrimento naqueles que possam ser fatais. Vamos mais longe. Poderá mesmo constituir-se como causa curativa - por via dos seus mecanismos próprios de acção. 
E esta nossa convicção leva-nos a oferecer os nossos préstimos - gratuitamente e não por 1300 euros diários conforme propalado pelos meios de comunicação social... (que nos seja perdoada a ironia) - onde alguém de boa-fé e com abertura de espírito os julgue necessários, desde que respeitados os ideais e a Carta de Princípios dos Homeopatas Sem-Fronteiras.
De qualquer modo, o custo dos medicamentos produzidos em grandes quantidades - podendo mesmo sê-lo nos locais de risco - seria irrisório.



PREVENÇÃO - 

CROTALUS HORRIDUS 6 CH, 3 gotas por dia – se o perigo de contágio for grande, 3 gotas 3 vezes ao dia


TRATAMENTO –

PROTOCOLO –

CROTALUS HORRIDUS 7 CH, 3 gotas de 3 a 5 vezes ao dia;
EUPATORIUM PERFOLIATUM 200 CH, 5 gotas dia; e
PHOSPHORUS 30 CH, uma dose única a repetir decorridos que sejam 30 dias.

As doses devem ser ajustadas em conformidade com a intensidade dos sintomas.



NÃO, NÃO VOU POR AÍ!



"OS PORTUGUESES SÃO INVEJOSOS E ALDRABÕES"




"O MUNDO ESTÁ INFECTADO"


***


NÃO, NÃO VOU POR AÍ!
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo


CÂNTICO NEGRO





quarta-feira, 4 de Junho de 2014

O FIM DO MUNDO HUMANO - ATÉ 2040






Cientistas prevêem extinção da humanidade até 2040


Um depoimento sério a que muito poucos  irão dar atenção.
Talvez seja assim, talvez não, mas em poucas décadas só os incautos não se aperceberam das nefastas modificações climatéricas e do comportamento animal e vegetal – já para não falar especificamente das alterações psíquicas e somáticas do animal-humano.

Obviamente que o mundial de futebol é bem mais importante, com os seus ídolos, verdadeiros gigantes-pés-de-barro,  como mais importante são as jovens modelos e os reizinhos, as princesas de cordel, as novelas e seus actores, os concursos da moda, os laureados, os cantores-pimba, os escândalos das revistas cor-de-rosa. 

Se julgarem que vale a pena, se assim o entenderem, até por mera curiosidade, ouçam o Homem – não tem ilhas no Brasil, não namora nenhuma escultura-sem-cérebro, não é estrela de concursos televisivos mediáticos, não é manequim-sem-sentido, actor laureado ou excêntrico super-milionário.
É sério, culto e reconhecemos-lhe sabedoria. Quanto ao resto, o tempo o dirá…








segunda-feira, 2 de Junho de 2014

O REGRESSO DAS AVES NOCTURNAS




o regresso das aves nocturnas à mancha esverdeada do testemunho dos infiéis     o sol cai no mundo dos homens entre placas de mármore carregadas de distantes e altaneiras montanhas
ela esperava-o naquela estação cinzenta e fria adornada a mendigos e ouriços solitários     na vastidão do desejo o lótus encarnado e entumecido agitava-se no fumo branco de uma lágrima 
ah as luzes naquele mar imenso da planície ribatejana   sonho de um orgasmo com ramos crescentes
era impossível descrever a ânsia primaveril do coração  submergido nas longas noites de incenso devastado     o beijo do encontro já possuía a essência da peçonha de todas as partidas
árvores verdes brotavam das searas sumidas no êxtase oculto do biombo lacado
um ceptro adocicado modelou a escuridão de seu corpo incendiado





SANTA COMBA DÃO




santa comba dão     mais além nelas
as vinhas estão mortas e oliveiras entristecidas pregam o olhar no chão
um pinheiro manso repousa no telhado do pavilhão
giestais florescem onde antes ao som das cantigas as enxadas rasgavam a terra
vozes antigas das raparigas 
um pequeno laranjal alberga todos os planetas do mundo



http://www.homeoesp.org/livros_online.html



NELE ESTOU VIVO




por vezes 
não sou eu que escrevo
que penso     que vivo
alguém vive no meu espírito
pensa o que não penso
dita o que escrevo
diz o que não digo
e se de mim estou morto
nele estou vivo


http://www.homeoesp.org/livros_online.html



PEQUENOS POEMAS




os dias deviam ser ronceiros
como lesmas sem rastro
ou veleiros em delicada brisa



três chaminés enormes
em perfeita quietude –
que desperdício



abomino telhas e soalhos
não assim o céu e o mar
na maresia que em mim nasce



para esta viagem
a melhor companhia
é o silêncio da solidão



sol do meio-dia 

no rio a imagem do céu
na cabecita da rã



dia de primavera –
as ruas sujas da cidade
ignoram-no



do longo e frígido inverno
nasceu fugaz primavera
como paixão de amantes



a seara na serra
é um mar verde
a ondular ao vento



no cemitério entre mortos
leio as inscrições da memória –
uma lágrima inunda os sepulcros



inverno chuvoso –
no campo alagado
dois cães fazem amor


http://www.homeoesp.org/livros_online.html




segunda-feira, 7 de Abril de 2014

PÂNICO - ATAQUE DE PÂNICO




PROTOCOLO DE TRATAMENTO -
MEDICAMENTOS UNITÁRIOS

ARGENTUM NITRICUM 7 CH, 3 gotas dia sim dia não, em alternância com 
GELSEMIUM 7 CH, também 3 gotas dia sim dia não.

ACONITUM 5 CH, 3 gotas 3 vezes por dia.

A cada toma agite energicamente o frasco-medicamento dez vezes.

Para o pânico tenha também sempre consigo um tubo de grânulos (ou glóbulos) de »
ACONITUM 6 CH - 
em todas as situações de SOS, na rua, num aglomerado, centro comercial, trânsito, etc, sempre que o ataque surja ou esteja na eminência de surgir, faça 3 grânulos sublingualmente. Pode repetir de 5 em 5 minutos, 10 em 10, espaçando as tomas em função das melhorias - v.g., de 15 em 15 minutos, 30 em 30.

Não transporte os medicamentos junto de telemóveis e afaste-os de aparelhos eléctricos.

Com este tratamento homeopático, poderá também fazer a AUTO-ISOPATIA ENERGÉTICA, método expedito. 
Veja em:
http://www.homeoesp.org/livros_online.html  » MENU » LIVROS ONLINE
ou então em





quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2014

O SENHOR DOS MARES




brilha a paisagem ao remontar do mensageiro     o pescador de búzios     a rede enreda-se nele     pára     demora-se como navio de temerários a costurar destinos elípticos     semicírculos de águas frias nas montanhas circunspectas     portas entreabertas aos leitos desfeitos por magalhães conduzidos ao chapinhar nocturno das raízes do medo     vão mais de cem e voltam pouco mais de dez sem paixão e com esperança
assim respeita a vida de velhos mareantes o senhor dos mares





SONHO VÃO




sonhei em vão
não lembro
a romã aberta
à taça alada
das palavras
retesadas

todo o sangue
tem um preço
no cadafalso negro
o cabelo recusado
ociosos carrascos
névoa que baixa
nos ombros anões
deformados

romeiros que se desfiam
e tecem nos aguaceiros
grilhões escuros madeiros
pés descalços no manto
teia acesa da morte

o vento parou

que fazes dormindo
rio  amado e  rimado
quando teu amante
do norte já chegou





NUM CAMPO ESTRUMADO




no campo estercado
da ave as penas ensanguentadas
no terror mudo
de cinzelada mascarada

uma sensação de trovão fresco penetrava a tarde quadrada do outro lado do rio
estrada orvalhada no deserto
hálito de iras nas mãos frias

tudo é vaidade dizias
e à meia-noite começo do meu dia observava-te sereno como figueira em penhasco seco
talvez seja um curandeiro do prazer que morde e é mordido em acto de amor fazer por coroa de pássaros tropicais     talvez o que grita e não é ouvido     o mais esquecido dos sonos de inverno     o rio poderoso das terras negras do fim do caminho     o fio de sol que aquece os gélidos aromas

uma mão é-me estendida com a paciência das nuvens em movimento 
quanto mais me aproximo menos vejo





TER FILHO BASTARDO




sangue do sacrifício
em negro altar
nem rei nem nenhum deus
para a salvar

as correntes ferruginosas
comprimiam-lhe os tendões
tratada como se tratam 
os mais pecaminosos ladrões

que crime cometera
tão branda criatura
face delicada
dedos de ternura
crucifixo ao peito
apertado 

ter filho bastardo





A NAU COMIDA PELO MAR




heras no jardim envolviam os narcisos
séculos medidos pelo respeitável carvalho velho
no banco do lago a angústia das vestes apodrecidas na espera da nau comida pelo mar
viver sombrio da amada
o rio das ausências junto à mansão agora em ruínas
o salão vazio e o quarto desmembrado pela insónia centenária
na cadeira de estilo bárbaro o corpete de mil e uma volúpias
naquele breve olhar vimos nítidos os fantasmas de séculos
o desalento e padecimento eternos






SINOS CÁLIDOS DE MINHA ALDEIA




sinos cálidos de minha aldeia
altas torres por onde a lua espreita

uma espiga de milho dorme nos pedernais

é ali
que o pastor
naquele luzeiro
do sete-estrelo
sonha
suplicante
e
que a doce boca
sufoca de ânsias

sonhos de ontem nascidos ao som do luar
vento oblíquo nas carnes invisíveis
dos cedros ancestrais do ermitério abandonado

o bosque agita-se
longe o cismático mar
e o coração de todos os afogados

labirinto de barcos naufragados
tranquilamente afundados no sangue aberto
ramos de loureiro ferido de verdades

na curva do rio as pombas são sombras nos beirais
luzes esverdeadas dos pinhais
onde as cigarras esmolam eternidades





DESTINO AZIAGO DE QUEM FICA




diante de ti onda em rebentação me ajoelho

nos céus vejo santa bárbara em cada trovão entrado pelo ferrolho da noite

naufraga um diadema na fronte da que partiu
ditoso é quem parte     destino aziago de quem fica

o dia leva a noite
nada há como dantes
sonhos de glória
fama das cidades
enigmas desvendados
por filósofos displicentes

na rua pés e cabeças de porcelana     os descobridores de abismos celebram os seus feitos enquanto na quinta hora o poeta se retira no dó de si

já não se ouvem sons celestiais
nem os cantos que rumavam de oriente para ocidente nas noites estreladas

nos nossos dedos vitrais de cores vivas
na nossa mente rumor das ondas entristecidas
como vosso olhar
flor rubra desistente do mundo e dessa fé que aniquila a magia do luar
tão taciturno e contemplativo na nervura dos seus raios
que nada assim vistes nesta erma negrura
onde não cabe a palavra amar





O PECADO DE DEUS




deus pecou
aquando da criação
ao acordar com satanás
na mais vil e cruel
discriminação
de a poucos dar
o que a todos 
não deveria faltar

cada homem deveria ter um cérebro





DOIS CAMINHOS




as inúteis bibliotecas de espelhos lacrimejantes

pérfidos discursos     um mal presente o elogio do ausente     a mentira     as inconsequentes promessas do amante

                           é dezembro
                           persigo dois caminhos
                           um não lembro
                           outro decorado a azevinho

como se tudo fossem flores bem acabadas
coloridas a perscrutar de mansinho a eternidade

felicidade delas
saudades minhas





COMO É BOM TER-TE




era o fogo vivo das longas vigílias da sorte cruel 
num pedaço de papel as ardentes fibras cantavam seu canto de profundos segredos

a esteira de um desses barcos velozes com o pano todo içado brilhava ao luar
era mais de meia-noite e na praia um rapaz acendia uma fogueira de vidas desfolhadas
enquanto jardins cresciam em lábios delicados de duas loucas 

corpos nus no areal com mãos invisíveis a roçarem os ombros circulares
ritmo infernal de voz estridente a clamar por amor

vã é a vida dos fugidios instantes do apetecer

agora sim poderei dizer-te como é bom ter-te





O FILHO DO VIAJANTE




o céu nomeou-se à terra no remanso das águas virulentas     a mais bela de todas as mulheres incrustada a prata e oiro desceu o rio amarelo numa barca
um cravo encarnado em alto promontório demarcava o paraíso das crianças por baptizar
cana esguia da calma ilha de vales secos
nos ventos a mensagem de deuses esculpidos no espírito dos homens
música golpeada por espadas de dois gumes     o filho do viajante revolve a luxúria
fonte que chora a penúria do lugar     precipício sem início     torreão de todas as tribos bárbaras confundidas nas vozes dos pastores
o fosso dos senhores arranca-nos os olhos fumegantes
enquanto mãos e bocas ardem em instantes





POVO DO VALE




caem as folhas
no rosal
as andorinhas
em árvores de lágrimas
acolhem o sudário
bordado em manhã antiga

o povo do vale
já pouco vale





DE AZUL NO LARANJAL




imagino-me de azul no laranjal
as mãos cruzadas no peito
o silêncio das nebulosas
na brisa redonda do ribeiro choroso

a praça dormia nas lágrimas prateadas
da cruz melodiosa dos ecos trinados
sombras serradas pelas estrelas
nos bolsos de mendigos gastos

os pássaros ocultavam suas cabeças
como velhos soldados
de máscaras de vidro 
sujas baças coçadas e medrosas

ninfas de cetim em gemidos
atravancavam as frestas dos muros
e as arestas do meu coração
ornado por mil e um louros  





PROCISSÃO DA SENHORA DA SAÚDE




os fantoches

os dedos

                 um melro canta
        procissão da senhora da saúde
             virtude da rosa maria

o sino solta um grito primaveril
nas flores tombadas do andor

a esperança entregou o corpo à saudade
a alma à infelicidade

um homem perdido na viela do quotidiano
terra alheia à clareza da floresta submersa

um murmúrio de sapiência brilha nas nuvens negras
em baixo do salgueiro que se afoga paulatinamente

nas folhas mortas ocas pegadas
dos mortos que muito vagarosamente
saem de suas nocturnas campas






AS GUERRAS DA ARTE POÉTICA




dizem
paz
a paz esteja convosco
que durma connosco

questão de palavras     dez mil anos de arte poética
e outros tantos com as mesmas guerras

que o diabo as carregue





TUDO É PASSADO




nesta terra fui criado     em mar grosso fui moldado     de pequeno com brandura e amor me dediquei ao sagrado

tudo é passado

os dias amanhecem e eu acordado
na noite alegra-se-me o coração
longas as horas de vigília deitado

os dias escurecem na fronte sangrante
sonhos desprezados     navio que se lamenta ao ranger dos costados
esquadras de vinho velho     mercados de escravos     uma virgem que se pranteia

coração estropiado de moribundo alijado à tormenta





A DERRADEIRA PALAVRA




o cosmopolitismo da palidez na carta que te enviei
recebe-a     é a minha derradeira palavra

tu que abandonaste esta terra no mais secreto de todos os mistérios     recebe-a

só no interior da flor que do meu peito jorra encontrarás a resposta negada aos vivos e que aos mortos é dada





ESTRELA DE DAVID




daquela folha que voa não desvio o meu olhar
beijos sensuais que o ar ao ar dá na elanguescência da madrugada
e esta ferida a coagular nas horas que presencio     bailarinas do primeiro sono oprimido pelo cárcere da razão

multiforme é o vento que sopra pelas entranhas e fustiga as flores às cores onde os pirralhos brincam os caminhos do perdão

irão elas reinar nessa vida violeta
na estrela de david

voarão para longe nas garras do apostolado 
boneca de trapos injustiçada     sem revolta larvar





OFÍCIO DE AMAR




o amor perdura
poderia escrever-te com a afeição dos meus lábios

ofício de amor em que estou só

as lucernas ardem e há luzes nas sinagogas
folhas de trevo por pisar

improviso novas linhas na salamandra acesa
sentirás que te olho com aquele olhar que perdeu todos os seus poderes

vozes e árvores milenares comprimem-se no alto dos mastros
o sol da noite arrasta-me para os distantes espaços da dolência

um cântico purpúreo varre a terra     vento solitário nas mãos frias da madrugada coalhada

uma ilha deserta na vida de todas as coisas
uma estria de morte percorre a pele de um novo equinócio

como sempre sem jeito para o negócio
gasto-me no que tenho     o toque suavizado das teclas no piano sopradas pela mão esquerda do diabo e a angústia a reluzir nas alturas

serão assim o resto dos meus dias





A ÚLTIMA DAS NAUS DO ORIENTE




foste a amante no que o amor tem de místico

com os lábios enxutos percorri o teu corpo a acender o fogo da partida
nada fiz para resgatar os despojos dos guerreiros mortos na clareira de ervas secas

amanhã quando a fúria do mar for sombra e silêncio rumará para as índias a última das naus do oriente
envio-te nela o baú do meu coração exangue moldado a neve pelas crianças eternas

no espelho do luar feitiço do firmamento lerás a única palavra que dispersou todo o seu sangue nas nuvens doiradas que vagueiam ao sabor das ondas
amo-te

curta mensagem para carga tão penosa e difícil de estivar
será o lastro do navio na tormenta     o leme do rumo incerto     o aparelho da mareação     a certeza oscilante de que o porto será seguro

e o mar lerá nas tábuas do costado escrito a estopa o recado omisso
que ao deixar-te partir
o mundo para mim tinha acabado





O DIA QUE HÁ-DE NASCER




fitas verdes nos cabelos a norte
a noite arrosta-se na cauda das sombras do céu vestido de nuvens

no sul o resplendor sagrado que se esconde à hora de mungir o gado

a cidade onde nasci tem os dentes cariados
cidade onde se dança nas caves da exaustão

as eternas florestas anãs dos cumes são luzes de antigos sonhos sumidos nos nossos milenares desfalecimentos
no calor das algas as térmitas do poder
ligeireza perturbante do divino sorvido por avermelhadas cores
tais dores de colombo desenhadas em mares ignotos e calmarias equatoriais

afinal aquela brisa no monte destacava o despertar de maio
e o dia que para mim há-de nascer





LETRAS NUAS




caminhámos com as mãos nos restolhos do pensamento
escutámos o ruído das facas que rasgam a carne dos inocentes

sede de beijos que se escondem no ventre do tempo pintado com uma chuva de cores
alizarina     naufrágio púrpura com a ilha celeste no campanário do horizonte

pelas brechas do telhado de colmo espreita um corvo pensativo reservado
pobre do penitente transfigurado em sonho de vida     piloto errante no mês em que as tempestades de lembranças se vazam nas fontes translúcidas

uma ponte romana
a ponta dos teus dedos toca a ponta dos meus
como se escrevêssemos uma carta
de um longínquo país para um outro mais longínquo ainda
palavras-mariposas     hoje e amanhã
letras nuas nesse manto de pura lã
como tu