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domingo, 12 de Outubro de 2014

CÂNTICO NEGRO - JOSÉ RÉGIO










VAIS VOLTAR A PARTIR



vais voltar a partir

os nossos corpos uniram-se em incontáveis vezes      noutras afastaram-se sem dizer adeus

tu ias      eu ficava
ou ficávamos os dois sem dizer nada

já são tantos os anos e dias que nossas almas não têm recantos por conhecer
agora amamos      mais logo fodemos      tudo nos é permitido      com amor tudo se pode fazer

entro em ti      no teu corpo casto      entras em mim      nas entranhas no coração no espírito alvoraçado
subimos ao céu      ao paraíso
queres gritar e não gritas
dou-te a mão e por entre gemidos nascem orgasmos sucessivos

não sossego não te deténs      o gozo é tanto que muitas vezes choras lágrimas que não são de sal de chuva mel mas do mais belo temporal
os corpos ascendem às cores celestes      ao azul do firmamento      às nuvens brancas e puras que aconchegam os mares do sul

e amamos como nunca ninguém amou

sabes maria      estou certo
que quando amamos
êxtase perfeito 
nesse prazer tanto
modelado ao teu corpo santo
deus está sempre perto

vais voltar a partir

talvez seja assim sempre
esta dor      esta chaga que sangra      lamento que oculto
e sem ti      sozinho
deus não virá comprazer-se
com tão divino amor e carinho

e eu
chorarei o caminho
pelo fado traçado
sem ti
sem deus
para aqui abandonado





NA TUA CASA TUDO É TRANSPARENTE



na tua casa
tudo é transparente

os móveis as paredes
objectos e gente

debruças-te na realidade
e procuras

um amante amigo
que não seja opaco que

seja meigo      dócil
homem de uma só palavra

companheiro de uma vida
amado verdadeiro

cúmplice eterno
do amor satisfeito





NUA NAS DUNAS



na fina areia das dunas      extenso areal      um corpo ao sol
não o conheço      não quero saber de quem se trata
é tão-somente um corpo de formas magistrais que recebe as bênçãos do mar
olho-o de longe e penso como quem não pensa nem sabe o que há-de pensar         ah se eu pudesse se eu fosse capaz de amar
levanta-se      veste-se      caminha por entre as ondas em rebentação      a água está fria porque é setembro 
marés-vivas do coração
vou-me com as pequenas nuvens brancas que adornam os deuses      ao som das vagas na espuma que nasce no horizonte
            vou-me com a tua imagem presente





ÉS TÃO BELA SENHORA



és tão bela
senhora
nesses cabelos doirados

tão formosa
tão desejada
e se teu olhar desconfiado

me inibe
não consente e cala
ao ver-te o seio

branco e descoberto
sinto-me outro
nem rejeitado ou desprezado

mas o que sonha
acordado
com vida contigo deitado





POR CADA MULHER QUE SOFRE



dormes
noite quente de verão

a janela aberta
a um amante      a deus

ao coração ausente
do que não vem

nunca chega
quem queremos

o mundo é amargo
madrasta solidão

e por cada mulher que sofre
vai perdendo a sua razão





LEVANTAS OS BRAÇOS AOS CÉUS



levantas os braços aos céus
perguntas às nuvens pelo teu amado
estás só      o corpo vazio
o desejo morto      o sexo frio

quando um navegante parte
nem deus sabe
se regressa morto se vivo





EM TERRAS DE VERA CRUZ



em terras de vera cruz
onde o grande mar oceano
termina

a primeira coisa que vi
foram os montes
tão redondos
tão perfeitos
na areia da praia deserta

valeu a dor da viagem
a fome da jornada
a partida da pátria amada

perdi o que tinha
bens amores vontade
nasceu-me no coração
eterna saudade
morreu-me a paz 
e a calma

mas quando te vi
mais do que perdi
ganhei
tenho-te a ti
e uma nova alma





SUSANA E OS ANCIÃOS



estão velhos
susana
mas não estão mortos

e à visão
do teu corpo
transfiguram-se os rostos

agitam-se as mãos
e os sexos
pelo tempo envelhecidos

renascem
erguem-se 
em terrível excitação





NOS CORREDORES DO PALÁCIO



nos corredores do palácio
tão belos os amantes      nus      apaixonados
um amor tão vivo      fogo inflamado
um olhar tão esperançado
na certeza de que a morte
nunca o verá apagado





ENVELHECEMOS A FAZER AMOR



o sol nasce
no teu sono profundo

a noite foi longa
como breve momento

eu ainda acordado
acaricio-te o cabelo

o tempo passa
tão depressa

a vida são dois dias
quase sempre dor

envelhecemos 
a fazer amor





LEDA



que eu seja
leda
o cisne 
que te penetra

abre-te 
para mim
ave alada

recebe o meu
sémen
no teu colo

e que desse acto
nasça o filho
a criança desejada

pouco importando
se morro cantando
depois de ter amado





QUASE NUA AO PIANO



quase nua ao piano
tocas aquela melodia
que não nos cansa
e que é diferente 
a cada novo dia

quando páras
recomeçamos no passado
vário no presente
e a cada momento que foge
vejo e sinto que o fruto amado
nunca é o mesmo

nem o foi ontem
não o é hoje
nem o será para sempre





NÃO ÉS MULHER ÉS DEUSA



não és mulher 
és deusa

o ouro da manhã
nos teus cabelos

a mão branca e pura
na tua alma

no rosto o traço
da compaixão

aprendi a amar-te
em espírito

na imagem
na terna viagem

do sonho
donde nasce

o amor beatífico
que por ti tenho

e a mais ninguém
pelos deuses doado





AS TRÊS GRAÇAS



são três as graças
com as três sonho
às três quero

no sono
com as três me deito
com as três me deleito

as três lavro pedaço a pedaço
mas desperto
e nada faço

lamento
e choro
por ter acordado





AINDA É A TI QUE AMO



mais não dá
criatura do passado
amei-te tanto
tanto como a nenhuma

agora
não sei

tudo é triste      o tédio invade-me
quero-te e não te quero

sei que o sentes
quando contigo me deito

não há outra      não há uma 
e por estranho que pareça
ainda é a ti que amo





PROSTITUTA DAS DA NOITE NÃO DO DIA



sem saber onde ir
bati à tua porta

recebeste-me de rede vestida
provocadora na lascívia

parecias uma prostituta
das da noite não do dia

das que vagueiam pelas ruas
desertas e frias

à espera do cliente que tarda
do marido mal-amado 

que à mulher engana
e por ti é enganado

no orgasmo que finges
e é todo ele encenado




AFINAL QUERES OU NÃO?



que posição é essa
que indecisão a tua
com que indiferença me feres
nessa nudez
de quem não está nua

afinal queres ou não?





DEIXA QUE ESTOU DOENTE



sentas-te no sótão
o sexo despido

olhaste para o lado
onde o vestido caído

clamava urgente
pela minha presença

amo-te      quero-te    mas
deixa   deixa que estou doente





A CADA ORGASMO MENTIA CHAMAVA-TE AMOR



de leve
o poisei
nos teus lábios

com leveza
te amei
nessa tarde

punha
tirava
voltava a pôr

e a cada orgasmo
mentia
chamava-te
amor





BEM SABIAM AO QUE VINHAM



o prédio dormia

vieram as duas
pela calada da noite

sem vozes ou gestos
despiram-me

bem sabiam
ao que vinham





AS DUAS NO BANHO



banhando-se juntas
a pele de bronze
no brilho da água

esponja que desce
nas formas que se tocam

primeiro modo
tímido e casto
de olhares
dedos
seios
que aos poucos 
perdem o receio





TRANSFORMAM-SE EM SEREIAS



nas praias desertas os corpos nus das mulheres transformam-se em sereias





LEMBRAS-TE DA NOITE



lembras-te da noite
na ilha
em que o sono
nos não venceu

lembras-te
das penetrações
blandícias
em posições
sucessivas

de me teres dito
amo-te tanto
não me deixes
faz-me o que me fazes
sempre   isso   isto

e na madrugada
corpo lavrado de prazer
na glória exaltada
saudaste o sol nascente
com teus cabelos doirados
alagados de suor

lembras-te?





É JUSTO O CASTIGO



de ti
só tenho os seios
o silêncio
das palavras
nos olhos enfurecidos

mais me não é permitido

enganei-te      traí-te
é justo o castigo





SOIS TRÊS



sois três
invertidas 
e deitadas
de costas para mim
voltadas

não sei se dormis
se estais acordadas
se me enganais
despertando em mim
o anseio 

escolho a do meio
por me parecer
a mais perfeita

e porque se a amar
duas mãos tenho
para as outras acariciar





NÃO SEI SE ME QUERES SE ME REJEITAS



assim sentada
mantilha à cintura

os olhos em mim fixados
geras-me a dúvida

não sei se me queres
se ofendida me rejeitas

e à minha companhia
preferes

estar só
sem ser amada





JÁ NÃO SEI SE TE PREFIRO NUA OU VESTIDA



chovia
tu molhada
a roupa colada ao corpo

deitada
a cada golfada
de água

mais se adivinhava
uma beleza 
suave e mestiça

já não sei
se te prefiro nua
ou vestida


http://jma-poesiaerotica.blogspot.pt/



SOMOS MÍSTICOS



preparas-te
lá fora é grande a borrasca
a neve cai nas fragas
enche os campos de branco
e transforma homens em anjos

sabes que virei
vergado ao vento e à tempestade
enlouquecido pelo amor
ao som de bandolins e banjos
cercado por querubins e arcanjos

somos místicos
a noite será nossa
a música das esferas
rondará os ares
perfumará a espera

sabes que virei
outra não tenho      outra não quero
apenas eu e tu amor meu

se o sabes
porque perguntas
nesse corpo seminu
porque pedes e me feres
ao espelho que te diga
se outra há
mais bela do que tu





SÃO OS TEUS OMBROS QUE MAIS APRECIO



são os teus ombros que mais aprecio
também
esses cabelos que te correm pela fronte
olho-te
a olhar-te
e aguardo      o momento
       o tempo certo
o fim da noite      o princípio do dia





NÃO ESQUEÇO ESSE DIA



o hotel vazio      nus na piscina interior      só nós      o teu corpo à superfície em provocação      justo plâncton da mocidade
sucumbi às tuas formas na tentação sem medida
enleei-te e na água morna de tua fonte bebi até à exaustão
            não esqueço esse dia





AO MEU CHEIRO



ao meu cheiro
a mão no teu seio
antes que te toque
e te penetre
vens-te primeiro





TALVEZ QUEM MAIS AMA SEJA QUEM SE AMA A SI



se é isso que queres
se a beleza guardas para ti

não te condeno

talvez quem mais ama
seja quem se ama a si





RECORDO O CORPO E ESQUEÇO O ROSTO



és daquelas muitas mulheres
de quem recordo o corpo e
esqueci o rosto

bebo o vinho
rejeito o mosto





TU E EU



de costas        o varandim do quarto        as mãos apoiadas nas ancas      os teus longos cabelos
a noite foi longa e eu deitado com o teu aroma colado 
posso sentir-te tocar-te fazer amor apertar o teu peito contra o meu
para hoje e para sempre
            tu e eu





PROVOCAS-ME MORENA



provocas-me 
morena
sabendo que o 
meu desejo
é tão intenso
tão profundo
das entranhas o silvo
que ao negares-me
o teu corpo
prefiro-me morto
a vivo





TENHO SAUDADES DE TEUS CABELOS LOIROS



tenho saudades dos teus cabelos loiros
dos caracóis      novelos de lã pura
do teu corpo de sereia
lábios de cotovia

ah se eu pudesse
se não te tivesse perdido
cantava-te uma melodia
deitava-te na cama vazia

e noite dentro
umas vezes amava
outras fodia





DEIXA QUE TE AME



és tão bela

porque te masturbas?

deixa que te ame

não te iludas





ASSIM GOSTO DE TE TER



assim te tenho
assim gosto de te ter 
tanto
que o meu pénis 
sempre cresce
banhado pelo teu pranto





O VOSSO BEIJO



o vosso beijo
na cama desfeita
eleva aos céus
a boca
os lábios 
e cristalina saliva
de quem homem não quer
e no mais puro amor
encontra o afecto e a doçura
que o simples coito não tem





POR ESSAS DUNAS ENCANTADO



fiquei ali parado
tão quedo e sensível
por essas dunas encantado





O ODOR DO VÍCIO



degraus da tua fome marcam os seios nos caminhos desertos        lábios espessos  
nas mãos cheias de vento o riscado da tua gula      cabelos nos ombros dormentes
tempo de romãs em que me ergo
tempo de medo
o segredo do amor
naquilo que faço
e desfaço
ato e desato
desejo que nasce
no corpo em que nos dias renasço
ao longo das tuas pernas ato o chicote das tranças rubras   
desato o corpete        eis o teu ventre
a memória do sangue
o sabor das lâminas
o odor do vício
o abrigo

a floresta verde-ardente
em que escrevo
amo
peco
me venho
e fico