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ARTE

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sábado, 17 de setembro de 2011

À FLORBELA ESPANCA




















Chove
Já é Outono
Os campos tingem-se de canela

Uma fotografia
Antiga
A sépia do tempo
A Dela

Nunca te vi
Não te conheci
Apenas o que escreveste
Ávido li

E voltei a ler
(quantas vezes te reli)
E a cada nova leitura
No medo da noite profunda e escura
Adormeci em tua Alma rubra
Com vívida fotografia
A meu lado deitada

Nasci
Não recordo
Mas devo ter nascido

Tu morreste
Antes de eu ser gente

Agora
Olho-te
A face branca
Olhar penetrante
O colar pendente
A fina mão
Em macia invocação
Súplica
De coração em chama
Lábios doados
À Paixão
Em vida ausente

Como te quero
Alma que meu peito encerra
Em túmulo eterno
Diz-me de tua voz
Que o Amor vivo
Que ofereces
Tão real tão ardente
A mim me pertence

Como te quis como te quero

Nos dias em que a Dor me fustiga
Sinto a tua presença
E almejo Amada
Um Amor divino
Tão forte como a própria Morte
E se porventura acharem que louco estou
De irremediável loucura
Direi –
Sim estou
Louco de tanto te amar
Louco de Amor

Olho-te com ternura
Vivo em ti dentro de mim
Apaixonadamente
E se alguém
Alguma vez disser
Que se não pode
Que é impossível
Amar assim tão perdidamente
Morta que se não conhece
Mente certamente
E se não mente
É porque já nada sente














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