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OS TRATAMENTOS SUGERIDOS NÃO DISPENSAM A INTERVENÇÃO DE TERAPEUTA OU MÉDICO ASSISTENTE.

ARTE

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A MARILYN MONROE

Bert Stern


De que serve a beleza
O rumor do mais belo corpo nos mais almejados ninhos
O brilho dos espelhos iluminados
Os afidalgados amantes
Quando Tanatos
Fere Eros de morte


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A NONA PORTA

Picasso




Na fera efusão do prazer
Expansão que o tempo à adaga mata

Não tem o corpo porta
Que ao delírio se encerre


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O INFERNO DO PRAZER





Contigo desci ao Inferno dos Prazeres

Reneguei o Amor
As carícias
O falso sussurro do ouvido prisioneiro

Resta-me o teu cheiro de doce suor
A violência o ardor
A violeta aberta e orvalhada ao sol do esgotamento

A água que em golfadas das virilhas te corre
O grito o gemido o plangor
De um júbilo tão intenso que é quase dor

Porque aquilo de que se diz tão bom
Tem uma intensidade um vigor
Que dói no coração do próprio amor

Esse orgasmo exaustivo em inolvidável fulgor


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A MIGUEL ANGELO

Miguel Angelo - David




A corpo que se quer perfeito
Por mão de homem esculpido

Por complexo
Por opção de sexo

De certo e sabido
Algo de notável lhe há-de faltar

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SOIS TANTAS





Sois tantas
E tão belas
Corpos-desejo

Qual escolher?
A razão escolhe
O desejo não

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QUANDO AS TUAS COXAS SE ABREM





Quando as tuas coxas se abrem
Ainda que levemente
Como quem quer deixar passar a brisa da manhã no corpo a espreguiçar o desalinho
Surge uma neblina prateada no abismo da minha alma
Desejo de navegante desmandado
De mar violeta da volúpia enamorado


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MONGE ERRANTE DE LEITO EM LEITO

Ben Long





Juntos descemos os degraus doirados
E nas negras pedras do fogo de seda
Das pontas carminadas da vigília extinta
Adormecemos exaustos

E agora
Tu
Nua
A uma almofada agarrada
Olhos negros
Cerrados
A aferrolhar a noite
Nos grilhões do dia azul

Eu
Suado
No velho soalho
De novo um desterrado
Olhar vago e distante
Com teu sexo exposto ao lado

E parto sem partir
O corpo no quarto a alma no horizonte
Monge errante de leito em leito
Peito rasgado e sanguinolento
Pulsátil como o vulcão de um monte
Do teu veneno sempre sedento

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terça-feira, 10 de julho de 2012

ILUSÃO

Hu Jun Di


Não sei se existo
Se sou ilusão

Não sei se existes
Se neste mundo vives

Mas quando te penetro
E dessa fonte bebo a água

Na tua concha muda
Acariciada a azul e verde

A humedecer a coluna
Do meu desejo de incenso

Submerso em lençóis de linho rendados
A moldar os mais soberbos dos movimentos

Mesmo que não viva
E se é que não existo

Não te resisto

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NUA MÚLTIPLA

Egon Schiele


Não és uma

És múltipla como o Rio Grande que beija furiosamente o cais ferido pelo movimento eternal das aves nocturnas

Mistério infernal de quem quer que uma seja a que tantas é
Na espreguiçadeira do quotidiano renascido nos gemidos abafados por lustres em chamas

Não és uma
És tantas
E eu quero-te
Uma a uma
No frémito dos beijos molhados a maresia
No amplexo dos corpos desdobráveis em prazeres viciosos
Do júbilo da morte das tardes de névoa obscena

Quero-te
Para que possa tocar
Em cada crepúsculo veneziano
Um dorso quente e diferente
Quero-te em cada dia
Na luz sombria
Ano do Dragão Vermelho
Quero-te ainda que teu olhar
De mim esteja ausente

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NINFAS E SÁTIRO

William Adolphe Bouguerau




Acautelai-vos ninfas das florestas
Que não seja Sátiro vosso amante

Esse que só em parte homem é
E na parte que mais tem
Tem o que David não tem

Rasgando-vos fadas sem asas
Leves delicadas
O que tanto desejo

E me não pode ser negado
Nem estar por besta sujo
Ou por sátiro sujado

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COM A MÃO



Richard Avedon - Naomi Campbell





Com a mão
De palma branca
Dizes que não

Com o corpo
A doirar mestiço
Dizes que sim

Com o rosto
Oculto
Nem sim nem não

Assim como assim
Dizes ao sim que não
E ao não sim

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O PRIMEIRO NU ARTÍSTICO





Na caverna negra dos tempos arde o fogo primordial
Sombras bailam nas rochas firmes como seios intocados

Dos veios subterrâneos corre o sémen do ser
Prazer de sangue novo e quente recolhido no odor dos freixos
Anseios doirados e incriados
Do nada nascidos

A neve gela na floresta virginal
Correm os lobos famintos
Predadores da lascívia animal

O Homem nu nas peles ocres do inverno
Sonha com gazelas e veados
E na alma lisa de pedra por talhar
Desenha o primeiro nu
Sem tela
Sem sais de prata
Nas pedras salpicadas de cores exaustas
Sabendo que amar
Se inicia com um lânguido olhar

Desejo da carne
Do coração primitivo
Tão longínquo à razão

E anela
Truta em pedra lavada pela torrente das sensações inexplicáveis
O corpo nu
Que desde o alvorecer aguarda
O despertar de quem só ama e caça
Num fogo que jamais se apaga

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sexta-feira, 6 de julho de 2012

INOCÊNCIA




Nessa tua inocência
Excelsa criança
Olha-me de olhos rasgados
Por divino arado lavrados

Olha-me nesses olhos amendoados
Cobre os teus seios carne de veludo
Num estudo de perfeição cinzelados
Que Deus tão gentilmente te deu

Olha-me a mim
Que te amo
E não te quero

Não temas
Que pela carne
Não desespero

Olha-me
Não olhes mais ninguém
Porque a olhos assim
Só eu quero
E quero Bem

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À ESPERA DO AMANTE




Um sorriso no próprio riso
Do espelho sujo e mudo

Um tudo que se embroma
Na falta do siso de quem espera
O que sem aviso vem
E por momentos se deleita
Nas formas que ela tem

Espelho que se converte
No que espelhado se não confessa
E confia na mentira pela vida tecida
De quem nela ingrata se perde
E à quimera se converte

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PRIMEIRA FOTOGRAFIA DE NUS FEMININOS







Como vos deve ter sido penoso
Inglório e talvez injurioso

Pontas de dedos com dedos
Braço na cintura

Olhar distante
Uma câmara estranha
Num dia de sol escuro

Cabeça encostada ao ombro
Único que se tem

Sexo exposto
À masturbação furiosa

Às vezes
Por detrás do biombo oculto
Dos palacetes de nobres e burgueses

Triste é o corpo
Melancólica a expressão
De quem se entrega
Sem que o saiba
Por um nada
Por um qualquer trocado
Por um tostão
Às vistas do mundo
Numa primeira imagem mostrada



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segunda-feira, 18 de junho de 2012

DE VERDE









William Adolphe Bouguereau










Verde é o teu manto
Verde o mar dos amantes
O verde em que te escondes

Verde a cor de teus olhos
Verde o tição do amor
Verde a feição da traição

De verde te visto
Verde te alcanço
No verde te dispo

Só o verde vejo
No verde te amo
Em verde amor te beijo

Quando verde partes
De verde te desenho
E verde te sonho

De verde vivo
De verde padeço
De verde morro

http://osnusmaisbelosdomundo.blogspot.pt/








AL BERTO - VISITATIONE





AL BERTO - VESTÍGIOS





AL BERTO - UM DIA A MANHÃ LIMPA PERTURBA









AL BERTO - SE UM DIA A JUVENTUDE VOLTASSE





AL BERTO - QUERIA SER MARINHEIRO CORRER MUNDO





AL BERTO - PREFÁCIO PARA UM LIVRO DE POEMAS - O ÚLTIMO CORAÇÃO DO SONHO





AL BERTO - POUSA A BOCA NO PEITO FISSURADO DA TERRA





AL BERTO - PANOS ESTENDIDOS SOBRE OS ANIMAIS MORTOS





AL BERTO - OS DIAS SEM NINGUÉM





AL BERTO - OS AMIGOS





AL BERTO - OFÍCIO DE AMAR





AL BERTO - O SONO RETIROU-SE DELE COM O AVANÇAR DA IDADE





AL BERTO - O ARCO DE LUME ILUMINA





AL BERTO - NOITE DE LISBOA COM AUTO-RETRATO E SOMBRA DE IAN CURTIS





AL BERTO - NO EXÍGUO ESPAÇO DO CORPO OU DA CASA





AL BERTO - NA PÚRPURA NOITE DEITADO





AL BERTO - MAIS NADA SE MOVE EM CIMA DO PAPEL





AL BERTO - LISBOA - 2





AL BERTO - JAULA DE NÉON





AL BERTO - INFERNO





AL BERTO - HÁ-DE FLUTUAR UMA CIDADE NO CREPÚSCULO DA VIDA





AL BERTO - FORAM BREVES E MEDONHAS AS NOITES DE AMOR





AL BERTO - ESTILHAÇOS - PEDRO CASQUEIRO





AL BERTO - ESCREVO-TE A SENTIR TUDO ISTO





AL BERTO - ERAS NOVO AINDA





AL BERTO - ENCOSTA-TE À PAREDE





AL BERTO - DIZEM QUE A PAIXÃO O CONHECEU





AL BERTO - DIA DA CRIAÇÃO DA NOITE POR CARLOS NOGUEIRA





AL BERTO - CLAMOR





AL BERTO - CESARINY E O RETRATO ROTATIVO DE GENET EM LISBOA





AL BERTO - ATRAVÉS DA OBLÍQUA CHUVA DE CAL









AL BERTO - ÀS VEZES QUANDO ACORDAVA





AL BERTO - A INCANDESCÊNCIA DOS ARBUSTOS COBRE-TE





AL BERTO - A FERA HÁ-DE CHEGAR