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domingo, 26 de julho de 2009

KENT - COMO ME TORNEI HOMEOPATA




Os terapeutas que começam a prescrever em homeopatia têm em regra o fundado receio de utilizar altas diluições.
É normal que assim seja, e assim deverá ser sempre que não aprofundem os seus conhecimentos, limitando-se a meras verificações empíricas, tantas vezes enganadoras.
O artigo que vamos reproduzir foi escrito por Kent, um devotado investigador da homeopatia, que durante uma epidemia descobriu o efeito das altas dinamizações. Que o seu exemplo nos motive; não a imitá-lo cegamente, mas com respeito pela integridade física dos pacientes, o que apenas se consegue com o estudo diligente desta ciência e arte de curar, seus princípios, filosofia e técnica.
A sua inclusão nesta sede parece-nos pertinente. Pode e deve determinarmo-nos ao aperfeiçoamento dos nossos conhecimentos e em consequência, à perda da apreensão de prescrever dinamizações adequadas.
Pedimos sinceras desculpas pela deficiência da tradução, aqui e além sintetizada.

“Lembro-me que aprendi lendo Hahnemann, como os remédios diluídos e dinamizados podiam curar doenças; tal facto apresentou-se-me como um verdadeiro mistério.
Não tinha conhecimentos em que me pudesse apoiar que escorassem tais conceitos.
Comecei a praticar com as dinamizações mais baixas, e mesmo com remédios não dinamizados, procurando demonstrar a lei da similitude, mas com essa forma de praticar, não consegui tratar mais do que a patologia superficial.
O meu trabalho estava longe de ser o que deveria ser, mas era preferível ao que impunha a purga ou o sangramento dos pacientes, sendo evidentemente mais suave.
Estava limitado pelos meus conhecimentos e agi como qualquer outro agiria em caso idêntico.
Mais tarde, tomei a resolução de ensaiar uma 30ª CH com a finalidade de perceber a eventual existência do remédio numa tão elevada diluição; preparei eu mesmo uma 30ª CH de Podophyllum com água, seguindo a técnica de Hahnemann, que afirmava que a água era tão eficiente quanto o álcool.
Isto aconteceu durante uma epidemia de diarreia, em que o remédio escolhido era Podophyllum, mas não tinha coragem de o prescrever, e continuava a prescrever os remédios mais fortes, ou seja, menos dinamizados.

Um dia, entrou no meu consultório, uma mãe com o filho nos braços. Ela trazia-o à pressa e a criança parecia-me ter pouco tempo de vida.
Era um bebé, e enquanto a mãe o detinha nos seus braços, fezes fluidas, amareladas, caíram no meu tapete.
O odor era o mesmo que eu havia lido na matéria médica homeopática relativa ao odor das fezes de Podophyllum; o cheiro era horrivelmente mau, fedorento, e as fezes eram tão abundantes que a mãe disse-me que não compreendia donde podia vir tudo aquilo.

Disse a mim mesmo, eis um caso no qual eu poderia testar a eficácia da 30ª CH.
Assim, depus alguma gotas de Podophyllum 30 debaixo da língua da criança, e mandei a mãe para casa, com medo que a criança morresse rapidamente, porquanto estava extraordinariamente doente, o rosto afectado, cadavérico, e à sua volta um cheiro terrível.
No dia seguinte de manhã, passando à porta da criança, esperava ver uma vela mortuária na entrada.
Não bati, não obstante estivesse muito preocupado com o seu estado.
Passei de nova à sua porta, e nenhuma vela mortuária exposta, apenas a sua mãe que me disse: “Doutor, o bebé está muito bem esta manhã”.
Nesse momento senti um grande alívio, pensando que afinal não o tinha morto.
O bebé não teve necessidade de mais nenhum tratamento.

Depois deste, tive muitos outros casos de Podophyllum, e para meu espanto a 30ª CH fez o seu trabalho.
Era diferente de tudo o que eu tinha visto antes; as curas eram praticamente instantâneas: tinha a impressão que a partir da primeira dose as fezes paravam.
Utilizei a 30ª CH, durante toda a epidemia, e a minha inteligência fez-me constatar que as 30 CH eram boas, que todas as 30 CH eram válidas; passei a transportar na minha maleta o máximo de 30 CH possíveis.
Fabriquei eu mesmo as 30 CH, e acabei por ter 126 remédios nesta potência e alguns em 200 CH, que também comecei a utilizar.
Percebi que quanto maior a dinamização, melhor a acção do remédio.
Constatei que numa doença crónica, as diluições médias, melhoravam o paciente durante algumas semanas, mas que as dinamizações mais altas, no mesmo paciente, produziam melhores resultados e tinham uma maior duração de acção."
JOSÉ MARIA ALVES

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