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domingo, 26 de julho de 2009

O INTERROGATÓRIO EM HOMEOPATIA





Há que identificar a totalidade dos sintomas do paciente de forma a conseguir a sua remoção, o que equivale à destruição integral da causa da doença.
A soma de todos os sintomas em cada caso individual de doença deverá ser a única indicação, o guia isolado para nos orientar quanto à escolha de um determinado remédio (§ 18 do “Organon”). O “simillimum” resulta da comparação entre os sintomas da doença, os sinais do doente e os sintomas dos medicamentos exibidos nas matérias médicas.
Esta identificação consegue-se por intermédio do seu “exame”.


Segundo Hahnemann:

1. O paciente fornece uma história detalhada dos seus padecimentos.
Deve descrever exactamente o que sente e de que sintomas está mais ansioso de se libertar. Se for acompanhado, as pessoas que o rodeiam relatam as suas queixas, o seu comportamento e o que percebem nele, enquanto o homeopata vê, ouve e observa o que há no doente de fora do comum (§ 84 do “Organon”). É necessário que o homeopata não se deixe induzir em erro pelos relatos das pessoas que possam acompanhar o enfermo (§ 98 do “Organon”).
O homeopata anota tudo, iniciando um novo parágrafo a cada sintoma relatado evitando interrompê-lo (§ 84 e § 85 do “Organon”).
Quando se relacionam os sintomas um abaixo do outro, é-nos permitido escrever ao seu lado os remédios que os produzem conforme indicação repertorial. Tanto Clarke como Boenninghausen, prescreviam, em regra, ao paciente o medicamento que correspondesse ao maior número de sintomas.

2. Atende então a cada sintoma em particular obtendo informações mais precisas – o homeopata interroga-o sobre a localização da dor ou sensação, do horário em que ocorre, como agrava ou melhora, etc. – sem que formule questões de forma sugestiva ou que possam ser respondidas com um simples sim ou não (§ 86 e § 87 do “Organon”).

3. Se nos padecimentos voluntariamente mencionados, houver lacunas sobre várias partes, funções do organismo e estado mental, o homeopata deve questionar o paciente no que a tal respeitar (§ 88 do “Organon”).
Deve procurar-se sempre traçar um perfil psicológico do enfermo.

4. Deverá também anotar tudo o que observar no doente (§ 90 do “Organon”).

5. No caso de doença crónica há que a reconhecer na sua forma original, devendo para tanto o doente ser privado por alguns dias dos medicamentos que toma, procedendo-se à anotação cuidada das mais pequenas peculiaridades ou sintomas mínimos (§ 91 e § 95 do “Organon”). Se o homeopata não for médico alopata, em caso algum retirará a medicação prescrita pelo médico de família ou especialista, sem o consentimento deste.

6. Nas doenças agudas, não obstante o homeopata tenha de inquirir menos, porquanto os sintomas estão bem presentes na memória do enfermo, deverá ser feito um quadro completo da doença (§ 99 do “Organon”).



O nosso modelo de interrogatório foi idealizado visando uma repertorização breve e o mais exacta possível.

Durante o interrogatório devem ser sempre tomadas em consideração:

As modalidades que provocam, agravam ou melhoram os sintomas, alternâncias ou concomitâncias sintomáticas, todos os factores subjectivos e sensações associadas à doença ou ao próprio paciente como entidade global, a lateralidade, horários de agravamento e melhora e os factores etiológicos que geraram a morbicidade do quadro.

A modalidade homeopática determina em que circunstâncias melhora ou agrava o sintoma ou a totalidade sintomática do paciente. São as modalizações que tornam o sintoma característico.
Alguns exemplos:
Alimentares: agravações ou melhoras por efeito de determinados alimentos ou bebidas.
Atmosféricas e ambientais: andando ao ar livre, desejo ou aversão dos grandes espaços, lugares fechados, chuva, neblina, humidade, tempestade, sazonalidade, luz – natural ou artificial –, ruído, música, odores.
Banho e lavagens: frio, quente, mar, aversão a lavagens.
Corpos celestes: Sol, Lua, estações do ano.
Horárias: dia, manhã, tarde, noite, anoitecer, uma qualquer hora específica.
Lateralidade: direita, esquerda.
Locomoção e posição: andar, andar de carro, barco, correr, dançar, deitado, sentado, em pé, de joelhos, curvado.
Movimento e repouso: no começo do movimento, durante ou após o mesmo, deitado ou sentado.
Roupas: apertadas ou não, cobrir-se, descobrir-se, nu.
Temperatura: calor, frio, mudança.



A anamnese compreende um período prévio em que o paciente mencionará a sua queixa principal e relatará mesmo que parcialmente, a história pregressa da doença.

A todo o momento, o homeopata deve atentar nas características peculiares e únicas do seu paciente. Desde o momento em que ele entra no consultório até à sua partida, o homeopata tem obrigação de constatar todo e qualquer sinal pertinente para a procura do medicamento correcto.
Esta perspectiva global do paciente compreende inúmeros aspectos que serão discutidos na parte respeitante ao interrogatório propriamente dito, embora se destaquem alguns de compreensível importância: aspecto do paciente, movimentos, gestos com a face, modo de falar, grau de lucidez mental, odor, etc.


No que respeita às fases da anamnese – segundo o Dicionário de termos técnicos de Medicina e Saúde de Luis Rey: “Reminiscência, recordação. Relato feito pelo paciente (ou alguém responsável por ele) sobre os antecedentes, detalhes e evolução da sua doença até ao momento do exame médico; história pregressa da doença”. Num sentido mais lato, o conceito de anamnese engloba a fase de interrogatório propriamente dita. Embora não resultem de relato espontâneo por parte do paciente, os sinais recolhidos por via de interrogatório, desde que o homeopata não sugira as respostas ao doente, assumem por defeito a validade de sintomas –, numa consulta de homeopatia:

1. Queixa principal ou relato da história individual – os dados recolhidos durante esta fase devem-no ser na linguagem do paciente, já que as patogenesias foram originalmente escritas na linguagem corrente empregue pelos voluntários das experimentações. Revelar-se-á infrutífero e contraproducente tentar empregar uma linguagem mais erudita ou técnica nos relatórios e fichas clínicas dos doentes:

1.1. O paciente deve apresentar uma história o mais detalhada possível da doença.
1.2. Se possível, deverá referir os factores etiológicos ou biopatográficos.
O factor etiológico – ou biopatográfico – é o acontecimento que originou o estado patológico. Pode ser hereditário – causa diatésica –, ter origem física – exposição ao frio húmido ou frio seco – ou psicológica – desgosto de amor, ciúme, medo ou pânico.
1.3. Procederá à descrição do quadro sintomático.


2. Interrogatório – este deve ser efectuado com base nos sintomas que o paciente não aprofundou ou que sejam dúbios para o homeopata. Proceder-se-á há recolha de dados que consolidem e especifiquem a narração do paciente (§87 e §89 do “Organon”). O bom interrogatório, também depende da atenção dada a pormenores ou factores predisponentes do quadro patológico, que o paciente não mencionou, por embaraço, indolência, falta de disposição ou esquecimento e que o homeopata já conhece como essenciais a um diagnóstico fiável e correcto, especialmente em sede de doença crónica (§93 e §94 do “Organon”).

Compreende uma série de passos que poderá seguir ou não, dependendo da sua experiência clínica ou até mesmo da sua predilecção por um outro modelo de questionário. Não é forçoso que o bom interrogatório seja tal qual aquele que demonstramos. Pelo contrário, este modelo de interrogatório é meramente indicativo de como se poderá processar o questionário aplicado à clínica homeopática.
O questionário que apresentamos depende directamente da estrutura do Repertório Homeopático de Ariovaldo Ribeiro Filho, que tem por base o de Kent.


2.1 Dados pessoais

Aqui, incluem-se todos os dados pessoais do paciente tais como: nome, idade, profissão, agregado familiar, etc.
Podem preencher-se estes dados logo à chegada do paciente ao consultório – atitude mais corrente –, permitindo que se descontraia e se familiarize com o homeopata e o espaço da consulta.
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2.2 Fase interrogatória.

2.2.1. Sobre a mente e as ilusões.
2.2.2. Sobre o sono e os sonhos.
2.2.3. Cabeça e pescoço.
2.2.4. Olhos e visão.
2.2.5. Ouvidos e audição.
2.2.6. Nariz.
2.2.7. Face.
2.2.8. Boca, paladar e dentes.
2.2.9. Apetite, bebidas e alimentícios.
2.2.10. Garganta, garganta externa.
2.2.11. Laringe e traqueia.
2.2.12. Tórax, peito.
2.2.13. Aparelho respiratório, respiração.
2.2.14. Tosse.
2.2.15. Expectoração.
2.2.16. Costas.
2.2.17. Aparelho cardiovascular.
2.2.18. Abdómen e estômago – aqui se incluem todos os órgãos nobres abrigados na região abdominal, nomeadamente, baço, fígado, intestinos, vesícula biliar –.
2.2.19. Recto.
2.2.20. Rins e bexiga.
2.2.21. Excreções (urina e fezes).
2.2.22. Genitais.
2.2.23 Pele.
2.2.24. Aparelho locomotor.
2.2.25. Sistema nervoso.
2.2.26. Transpiração.
2.2.27. Dor.
2.2.28. Generalidades – aqui incluem-se as modalidades de agravamento ou melhora mais gerais –.


2.3 Interrogatório sobre os antecedentes do paciente.

2.3.1. Antecedentes familiares
– os antecedentes familiares compreendem: falecimentos, patologias e estados mórbidos dos ascendentes e colaterais do paciente –.
2.3.2. Antecedentes pessoais
– estes englobam: antecedentes patológicos e tóxicos, imunizações, alergias medicamentosas, outros tipos de alergia, tratamentos actuais. Não convém descurar os factores psicológicos que de alguma forma possam ser categorizáveis como antecedentes pessoais –.
2.3.3. Antecedentes ginecológicos
– neste momento questiona-se a paciente sobre: menarca, menopausa, ciclo menstrual, dispareunia, dismenorreia, síndrome pré-menstrual, incómodos pélvicos, leucorreia ( (odor, cor, consistência, quantidade), gravidezes (abortos, vivos), partos (cesarianas), tratamentos hormonais e contraceptivos –.



2.4 Inspecção ou exame.

2.4.1.
Sinais vitais – Inclui: pulso, temperatura, pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória –.
2.4.2.
Aspecto geral – nesta fase podem avaliar-se: nutrição (normal, caquexia, magreza, desnutrição, excesso de peso, obesidade), estado sensório (estupor, confuso, alerta, obnubilado ou outros dados pertinentes), postura e atitude (colabora, não colabora, etc.), hidratação (normal, desidratação leve, moderada ou grave), perfusão (palidez, cianose), desenvolvimento ósseo e muscular (normal ou anormal) –.
2.4.3.
Reavaliação e consolidação, a posteriori, por intermédio do exame, dos dados obtidos na fase de interrogatório – os restantes sinais recolhidos na fase de exame podem associar-se a determinadas questões do período de interrogatório que se susceptibilizem de confirmação empírica.



JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org










3 comentários:

Isa disse...

Fico muito grata e contente por colocar estes conteúdos ao dispor de todos. Sou estudante de homeopatia e recorro a este sítio para tirar muitas duvidas, além de confirmar algumas informações. Está de parabéns.
Isabel Almeida

José Maria Alves disse...

Bom dia Isa

Bem Haja pelas suas palavras.

É essa a minha intenção: que, quer este sítio, quer o meu site pessoal, tenham utilidade para os que se dedicam ou interessam pela Homeopatia.

Felicidades na sua carreira profissional.

Zé Maria Alves

João Novaes disse...

Grande amigo José Alves....

Estamos outra vez na luta pela Homeopatia em Portugal que os médicos nos querem tirar!!! eles já nem fazem bem a sua área e agora querem vir estragar a nossa!!!!

Portugal = África da Europa

Abraço,

João Novaes