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sábado, 25 de julho de 2009

REPERTÓRIO HOMEOPÁTICO - INTRODUÇÃO À PRÁTICA DA REPERTORIZAÇÃO

REPERTÓRIO HOMEOPÁTICO – INTRODUÇÃO À PRÁTICA DA REPERTORIZAÇÃO





Um repertório é em essência uma compilação de determinados elementos, dispostos de modo – normalmente alfabético e por capítulos com especificidades próprias – a que possam ser localizados com a facilidade possível.

O Repertório Homeopático “é um índice de sintomas colectados a partir de registos toxicológicos, experimentações em indíviduos sãos e curas na prática clínica, que são reproduzidos e artisticamente arranjados de uma forma prática, auxiliando-nos a encontrar o sintoma requerido cojuntamente ao medicamento ou grupo deles, os quais são citados em diferentes graus, com o intuito final de facilitar a rápida selecção do “simillimum”.

Mas, não nos podemos esquecer nunca, que o repertório apenas sugere, ainda que com rigor, os medicamentos que devem ser objecto de estudo na Matéria Médica. Relembrando uma frase célebre, diga-se que o “Repertório sugere e a Matéria Médica decide”.
Devemos evitar a atitude de certos “homeopatas” que empregam o repertório sem qualquer método, e estribados numa ou duas rubricas, prescrevem sem mais.
Um terapeuta que se satisfaz com indicações vagas do Repertório para a selecção do medicamento, e rapidamente atende um paciente atrás de outro, é apenas um charlatão e não merece o honrado título de homeopata”.


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Foi Hahnemann, que no decorrer das múltiplas experimentações, causa directa da denominada Matéria Médica, percepcionou a necessidade de um “índice” remissivo, capaz de orientar o prático na pesquisa do medicamento mais apropriado ao enfermo.
A Matéria Médica, crescia proporcionalmente ao número de substâncias experimentadas e inexistia memória humana capaz de reter milhares de sintomas descritos.

Em 1805 foi dada à estampa em Leipzig a obra “Fragmenta De Viribus Medicatorum Positivis Sive In Sano Corpore Humano Observatis”, em dois volumes, expondo o primeiro a patogenesia de vinte e sete medicamentos e constituindo-se o segundo como um índice alfabético dos sinais e sintomas naquele contidos.
Posteriormente, com compilação datada de 1817, Hahnemann elaborou e utilizou um repertório denominado “Symptomdictionaries”, escrito em latim, que nunca foi editado.
Incentivou sempre os seus discípulos, a que, segundo as suas orientações, elaborassem um repertório fiável, essencial à prática da medicina nascente. Foram várias as tentativas, umas mais bem sucedidas do que outras – em 1828, Hartlaub edita um repertório, em 1830 Weber escreve o “Systematische Darstellung der Antipsorische Arzneimittel” e Gross e Ruckert escrevem um “Repertório de Moléstias Crónicas”, que nunca foi editado.

Até que, em 1832, Boenninghausen, publica sob a orientação de Hahnemann o “Repertório de Antipsóricos”, alicerce de todos os repertórios que se lhe seguiram.
Entre 1832 e 1897 – data da publicação do famoso “Repertório de Kent” – foram publicadas inúmeras compilações repertoriais, nomeadamente por Jahr, Hering, Hempel, Lippe, Allen, Lee, Gentry e Knerr.

Em 1876, na altura em que ocorreu um congresso homeopático mundial, com organização a cargo do American Institute of Homeopathy, Kent propôs-se agregar ao Repertório de Lippe, por si utilizado na clínica, toda a documentação existente, que julgasse digna de confiança.

Em 1897, foi editado o “Repertory of the Homeopathic Materia Medica”, fundamentalmente estruturado nos de Lippe e de Lee.
Relativamente à concepção do seu repertório, escreveu:
“Esta é uma compilação de todos os repertórios, até onde fui capaz de a realizar, segundo o plano que sistematizei e adoptei. O plano seguiu sobretudo o de Lee, em conformidade com o exposto no seu “Handbook of Characteristics”, com ampliações graduais, até se transformar no trabalho que resultou nos primeiros fascículos, quando concluídos. A seguir, tomei os sintomas clínicos que havia registado e confrontei-os com as experimentações que tinha disponíveis; muitos deles contrariavam as experimentações, tendo sido rejeitados. Incluí no repertório aqueles compatíveis com as experimentações, dispondo-os nas diversas secções a que pertenciam.”

O Repertório de Kent é a base de todos os repertórios contemporâneos, validando os sintomas gerais como os mais importantes, inicialmente com um total de 75.000 rubricas e 540 medicamentos citados.



Existem hoje, mais de 160 repertórios. Alguns são tão volumosos, que desencorajam a sua utilização. Já em 1922, Field, elaborou um repertório com 6800 fichas, com enunciação de medicamentos do primeiro e do segundo grau, de molde a que a sua utilização quotidiana fosse uma realidade – tentativa lograda, talvez pela ausência de medicamentos do terceiro grau.

Na era informática, com o aperfeiçoamento das linguagens de programação e evolução dos ordenadores, o recurso a repertórios digitais é uma constante em evolução, prejudicada quando muito, pela ignorância da sua estrutura, rubricas e sub-rubricas, que só se consegue com uma leitura atenta do seu texto.


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Todo o repertório, tem em regra uma concepção filosófica subjacente, existindo duas correntes dominantes:

Fundamentada no conceito dos gerais para os particulares.
É o método de Kent, onde os sintomas gerais ocupam o mais alto grau na hierarquização sintomática, seguindo-se-lhe os particulares característicos.

Fundamentada no conceito dos particulares para os gerais.
É o método de Boenninghausen. Aqui, o sintoma particular bem modalizado, em função da localização, modalidades de agravação e melhoria, sensações e concomitâncias, tem maior importância hierárquica.


Boenninghausen, por via da observação, concluiu que na prática, salvo raras excepções, todas as modalidades de um caso eram gerais nas suas relações, não se limitando aos sintomas particulares nos quais haviam sido observadas.
Suponhamos que num determinado medicamento e sujeito, constatamos a agravação de uma dor nos membros, andando ao ar livre. Segundo Boenninghausen, a dita agravação – andando ao ar livre < –, aplicar-se-á a todos os sintomas do caso.
A experiência demonstrou que a razão lhe assiste, não obstante nos possamos deparar com algumas excepções:
Dor de cabeça em Arsenicum Album e Phosphorus melhoram por aplicações frias;
Os sintomas gástricos de Phosphorus melhoram por bebidas frias;
As dores hemorroidais de Nux Vomica e Kalium Carbonicum melhoram por aplicações frias.
Na perspectiva de Boenninghausen, um determinado medicamento pode ser o escolhido, desde que possua na sua patogenesia a correspondência com o “Local”, com a “Sensação” e com a “Modalidade”, sem que a experimentação reflicta a sua combinação.
Um exemplo que retirámos das nossas notas e cuja fonte nos olvidámos de anotar: “Paciente com dor rasgante no quadril esquerdo, aliviada pelo movimento, intensamente agravada à tarde, poderia receber Lycopodium, não porque Lycopodium tenha produzido tal sintoma no homem são, mas porque pelo estudo dos seus sintomas como registados na matéria médica, encontramos que afecta o quadril esquerdo – localização –, que em várias partes do corpo as suas dores são rasgantes – sensação –, e que os seus sintomas gerais são aliviados pelo movimento e agravados à tarde – modalidade.”
Kent rejeitou o método de Boenninghausen, e tem o seu pensamento magistralmente interpretado por Rezende Filho – citado por Ariovaldo R. Filho, “Conhecendo o Repertório e Praticando a Repertorização”, Editora Organon, pág. 44 –:
“Suponhamos um caso de coxalgia. Seguindo o plano de Boenninghausen, o médico pensa na coxalgia para encontrar o remédio. Isso não está de acordo com o pensamento de Hahnemann de considerar primeiro o paciente “em si”. Consideremos primeiro o Homem no seu centro, nas suas funções intelectuais, nas suas afeições, nos sintomas físicos gerais, para só depois atentarmos na periferia, nos sintomas particulares, no caso presente, a coxalgia. Começando a investigação em relação ao paciente em si, pode ser que os particulares não estejam incluídos no medicamento seleccionado, mas o remédio cura o paciente e os particulares desaparecem.”
O próprio Kent escreveu: “A principal dificuldade do Repertório de Boenninghausen é que as modalidades das partes se encontram misturadas com as do paciente como um todo, por isso, o livro – repertório – é muito insatisfatório. Eu não tive êxito quando o utilizei.”
Não podemos afirmar que todos os repertórios têm uma filosofia própria ou definida – verbi gratia, os repertórios clínicos e os concordantes à matéria médica.
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Sumariamente, diga-se que os repertórios podem ser classificados em:
GERAIS
Do particular para o geral (Boenninghausen).
Localização » Sensação » Modalidade » Concomitâncias.
Concomitantes, são sintomas que aparecem ou desaparecem conjuntamente com a enfermidade do paciente. É a característica que existe quer no paciente, quer no medicamento.
Do geral para o particular (Kent).
Lateralidade » Horário » Modalidades e Irradiação » Localização e Sensação.
CONCORDANTES À MATÉRIA MÉDICA
Os Repertórios concordantes à Matéria Médica, são trabalhos extensos, destacando-se os de Gentry e de Knerr. Há neles uma intenção precisa de concordância, ou seja, a terminologia do repertório deve aproximar-se o mais possível da linguagem expressa pelo experimentador.
CLÍNICOS
Os Repertórios Clínicos, os mais criticáveis na perspectiva hahnemanniana por prosseguirem de forma simplista a escolha do medicamento, associando alguns, autênticas “receitas culinárias”, determinados medicamentos a certas patologias, deveremos destacar pela perfeição possível, os de Boericke e de Clarke.
Subdividem-se em:
Repertórios que abrangem o organismo como um todo:
Gerais – v.g., os já mencionados de Boericke e de Clarke;
Terapêuticos – que mencionam protocolos ou tácticas terapêuticas;
De medicamentos específicos – v.g., repertório clínico de nosódios.
Repertórios que abrangem regiões específicas ou sistemas:
Gerais – v.g., agravações e melhorias; -
Locais – v.g., olhos, pele.
Repertórios de condições clínicas – v.g., doenças respiratórias, doenças reumatismais.
MECÂNICOS
Por fichas. Utilizando ordenadores – sistemas digitais.
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REPERTÓRIOS SINTÉTICOS
O Repertório de Kent, constitui-se como o fundamento dos denominados repertórios sintéticos. Estes surgem como consequência da necessidade de aperfeiçoar o de Kent, sem que a sua estrutura e filosofia sejam significativamente alteradas, através de correcções e adições, quer de medicamentos, quer de rubricas. A própria palavra “síntese”, é na sua mais primária definição, a reunião de elementos num todo, composição ou fusão.
O REPERTÓRIO SINTÉTICO DE BARTHEL
Horst Barthel e W. Klunker, coligiram dados de dezasseis fontes bibliográficas – Matérias Médicas e Repertórios –, publicando-os em 1973, com o nome de “Synthetic Repertory”. Tais dados foram obtidos por criteriosa selecção de fontes fidedignas escrupulosamente analisadas. Em consequência, transformou-se num curto espaço de tempo num dos mais confiáveis, senão o mais confiável dos repertórios existentes – sem que aqui olvidemos o de Kunzli.
Barthel ampliou significativamente o número de rubricas e de medicamentos do Repertório de Kent – de 591 remédios válidos no sistema kentiano, passou para 1594, com quatro graus, ao invés dos três de Kent –.
Foi editado em três volumes:
I – Sintomas Mentais
II – Sintomas Gerais
III – Sintomas do sono, sonhos, e sexualidade
O REPERTÓRIO SINTÉTICO DE GALLAVARDIN
O Repertório de Gallavardin tem a sua importância aferida pelos seus objectivos: o desenvolvimento da inteligência, o melhoramento da personalidade e a extinção do sofrimento psicológico do ser humano. No entanto, alguns homeopatas de renome, têm advertido que alguns dos agregados de Gallavardin nos repertórios, não são de todo fiáveis.
OUTROS REPERTÓRIOS SINTÉTICOS
El Moderno Repertorio de Kent”, de Francisco Xavier Eizayaga, Buenos Aires, 1979.
Partindo do “Repertório de Sintomas e Remédios” de Lara de la Rosa, ao qual foram adicionados entre outros, o Repertório de Boericke – “Materia Medica whith Repertory” –, e o de Barthel, surgiu o repertório de Eizayaga, que teve na sua elaboração o precioso auxílio de homeopatas brasileiros, realçando-se a colaboração de Resende Filho.
O “Repertório” de Kunzli, uma das fontes repertoriais mais confiáveis.
De Kent e de Barthel – sintomas gerais –, resultaram os mais modernos repertórios, alguns em língua portuguesa. Sobre esses, iremos agora debruçar-nos.
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No ano de 1987, Favilla, enquanto frequentava o curso de Gamarra, começou a traduzir o “Moderno Repertório de Kent”, de Francisco Xavier Eizayaga, para português – como já se disse, Eizayaga adicionou entre outros, ao Repertório de kent, o de Boericke e o de Barthel.
Em 1989, na primeira edição do seu Repertório digital, já tinha também incluído os sintomas do “Sensations As If”, de Herbert Roberts, para além dos sintomas que Gamarra ia explanando no seu curso. Posteriormente, as rubricas foram comparadas com as do “Sinthetic Reperthory”, de Barthel, não obstante já estivessem incluídas no de Eizayaga.
Em 1990, o Grupo do GEHSH, começou a digitar rubrica por rubrica, medicamento a medicamento, os principais sintomas do Repertório de Kent, extraídos dos capítulos “Mente” e “Generalidades”. Em 1991, o Repertório Essencial, tinha cerca de 3000 rubricas, suficientes para a repertorização dos casos crónicos.
Foi baseado neste trabalho que elaborámos o nosso “Repertório Prático de Sintomas Homeopáticos”, com uma redução considerável de rubricas e do número de medicamentos, facilitando a iniciação ao uso do repertório – ver http://www.homeoesp.org
A redução do número de rubricas, teve também em consideração os estudos de confiabilidade do Repertório de Kent, nomeadamente o elaborado por Kasparian, como infra melhor se verá.
Em 1995, após dez anos de trabalho e desenvolvimento conceitual, Ariovaldo Ribeiro Filho, fez editar o “Repertório de Sintomas Homeopáticos”, tendo escrito acerca deste trabalho:
“Foram elaboradas várias planilhas de trabalho e cronogramas. Ao término de cada etapa revisávamos toda a obra. Graças à possibilidade do uso da informática este trabalho tornou-se possível. Decidimos criar cinco novos capítulos, e já havíamos acrescido milhares de rubricas cruzadas. Checávamos as adições de rubricas e medicamentos do repertório de Barthel/Klunker e Kunzli com as obras de origem e, utilizando sistemas computadorizados, podíamos conferir os dados junto das Matérias Médicas Puras de Hahnemann, Allen e Hering. Através de dicionários especializados e material compilado no dia-a-dia da prática médica pudemos incluir, também, inumeráveis termos populares na forma de indicações e correspondências na linguagem do repertório”. – “Conhecendo o Repertório e Praticando a Repertorização”, Editora Organon, pg. 187.
Utilizou inúmeras fontes bibliográficas:
Básica – Kent, Repertory of the Homoeophatic Materia Medica, 6ª edição. Principais – Kunzli, Repertorium Generale. Barthel/Klunker, Synthetic Repertory.
Complementares – 81 obras, nomeadamente de: Kent, Knerr, Boger, Boenninghausen, Jahr, Gallavardin, Boericke, Allen, Clarke, Julian, Gentry, Hahnemann, Séror, Gibson Miller, Hering, Tyler, Vithoulkas, Eizayaga, Gamarra – para uma descrição detalhada, veja-se a obra citada a pgs. 202 a 205 –.
Após a publicação deste repertório de Ariovaldo, Favilla comparou seu trabalho com as rubricas daquele e ainda com o “Synthesis Reperterium Homeopathicum Syntheticum”, de Frederik Schroyens, aditando-as quando necessário.
Por nos merecer toda a confiança, foi com base nele, que publicamos online, o “Repertório Prático de Sintomas Gerais Homeopáticos” com 28 capítulos – ver http://www.homeoesp.org
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REPERTÓRIO PRÁTICO DE SINTOMAS HOMEOPÁTICOS
O “Repertório Essencial” – repertório do Gehsh – continha cerca de 3000 rubricas oriundas dos capítulos “Mente” e “Generalidades” do de Kent. Actualmente, dele constam os sintomas mentais, gerais e cerca de 15.000 físicos, que foram considerados essenciais.
Foi com base na primeira versão, que elaborámos o “Repertório Prático de Sintomas Homeopáticos”, mais do que suficiente para que com êxito, o prático proceda à repertorização dos casos crónicos. E, em boa verdade, são fundamentalmente estes, com que se deparam os terapeutas. Por outro lado, o tratamento do paciente encarado como um todo, fará com que se extinga a sintomatologia particular.
O Repertório Prático está dividido em capítulos. O primeiro, é o dos Sintomas Mentais, enquanto que o segundo se refere às Generalidades – incluindo-se aqui os sintomas particulares julgados mais importantes –.
Foi realizado um estudo das rubricas existentes, considerando algumas das críticas, por vezes demasiadamente severas, que foram feitas ao Repertório de Kent.
No Repertório de Kent foram:
Omitidos medicamentos nas rubricas gerais, que constam das sub-rubricas;
Incluídas rubricas de sinonímia duvidosa e capazes de gerarem confusão – v.g. azia e dor ardente no estômago –, até porque surgem com alguns medicamentos diferentes;
Rubricas gerais mencionadas nas partes;
Citação de rubricas clínicas e de medicamentos relacionados às partes – respectivamente, v.g., “pneumonia”, “fígado”, o que contraria a doutrina hahnemanniana, crítica que todos fazemos, mas que continuamos a repetir nos nossos trabalhos...-.
Segundo Kasparian, no Repertório de Kent existem rubricas fiáveis, mas será necessário procurá-las entre as grandes rubricas, já que as de má qualidade, são em regra, todas as pequenas, ou seja, com poucos medicamentos. Assim, rejeitam-se todas as que foram verificadas em raros experimentadores. Por outro lado, nas grandes ou médias rubricas, as melhores são indubitavelmente as que primam pela clareza e pela simplicidade, de fácil observação, com um número razoável de medicamentos do segundo ou terceiro grau, e um número mais reduzido do primeiro grau – explicando-nos melhor: o sintoma foi encontrado em numerosos experimentadores, sobre numerosos remédios, mas não foi “confirmado” que por um pequeno número de remédios, no grau I –.
Nesta perspectiva – simplicidade, clareza e observação fácil –, podem considerar-se rubricas pouco fiáveis:
As que correspondem a um fenómeno raro, sendo em geral pequenas;
As pequenas, verificadas em raros experimentadores;
As mentais, que não obedeçam àqueles critérios;
As atinentes às dores, que vão além da sua localização, especificando sensações e modalidades, excepcionando-se aqui as da uretra, em que se distingue a agravação durante e depois da micção;
As que comportam uma interpretação da doença – v.g., dor reumatismal –, em detrimento das não-interpretativas – v.g., dor no joelho, nas articulações –;
As que enunciam remédios cujo estudo seja deficiente. Deve dar-se primazia às que especificam medicamentos consagrados, como policrestos, semi-policrestos, e pequenos medicamentos com patogenesias há muito estabelecidas.
Fiáveis, são genericamente:
As grandes rubricas – vidé supra;
As que diferenciam o enfermo do tipo “calorento” ao tipo “friorento”, motivo pelo qual, tantos homeopatas as utilizam como sintomas eliminatórios;
As relativas às agravações e melhorias decorrentes das condições atmosféricas – v.g., agrava com a mudança de tempo, em tempo húmido, melhora no Verão, em tempo chuvoso;
As que incluem simplesmente a localização da dor.
Em síntese, pode dizer-se que no Repertório de Kent, as rubricas de má qualidade, são quase todas as pequenas rubricas.
George Broussalian, lembra-nos com toda a utilidade, que Kent “aconselhava a utilização das rubricas longas do repertório e desaconselhava a utilização das rubricas curtas”. Esta, é indubitavelmente uma regra de ouro conducente ao sucesso da repertorização.
O “Repertório Prático de Sintomas Homeopáticos”, também não estará isento de críticas. Bem pelo contrário. Nasceu da constatação de uma triste realidade: poucos são os que se aventuram pelos tortuosos caminhos da repertorização. Privilegiamos o facilitismo ao esforço investigatório, o ganho descuidado ao que provém do esforço diligente.
Conheci o Ariovaldo Ribeiro Filho quando frequentava um Curso de Homeopatia. Ministrou-nos num pequeno curso e nalguns seminários a teoria e prática da repertorização, com recurso ao seu “Novo Repertório de Sintomas Homeopáticos”, Editorial Robe, e testámos a sua versão digital. Estudava numa escola de tendência pluralista, e a sua aproximação à medicina alopática não me satisfazia. Não encontrava motivação e consequente entusiasmo, na prescrição estruturada por patologias. Pretendia ver cumpridos os princípios fundamentais estabelecidos por Hahnemann, único método que pode ser considerado artístico. Julgava e julgo, que temos de retornar a Hahnemann, sob pena de destruirmos incautamente o que foi edificado sobre alicerces seguros. Foi com excitação que adquiri a versão em livro e posteriormente a digital. Foi com admiração, que durante noites a fio percorri as rubricas do seu repertório. Estava traçado o meu caminho na Homeopatia: o Unicismo. Mas também percebi a desorientação da maioria dos colegas que assistiam ao seminário. Tenho conhecimento que nenhum deles o utiliza sistematicamente. Portugal não é país de Unicistas, e talvez alguns dos que se intitulam homeopatas, nem saibam o que a Homeopatia é. A maioria invoca ou, a complexidade do repertório ou a pura falta de tempo, reconduzindo-se ambos os motivos ao segundo, que decorre do desejo sempre revitalizado de auferir mais proventos, em conivência com uma sociedade materialista e de consumo. Médicos e terapeutas, correm de clínica em clínica, de hospital em hospital, privilegiando os rendimentos à competência e estudo. Continuo a preferir não ter tempo para não ter tempo. A dedicação gratuita à ambição, talvez impressionado pela vida e obra dos primeiros homeopatas, talvez pela dos velhos sábios da minha aldeia que souberam sempre olhar o mundo e os outros com “olhos de ver” e não com “olhos de interesse financeiro ou do ouro”.
O Repertório tem sido na prática homeopática, para além de um mistério, uma “compilação esotérica”. São muito poucos os que se aventuram a uma continuada utilização de um instrumento absolutamente essencial à eficiência de toda a potencialidade da terapêutica homeopática.
Aldo Farias Dias escreveu como introdução à excelente obra de Ariovaldo Ribeiro Filho, “Conhecendo o Repertório e Praticando a Repertorização”, Editora Organon: “Lembro-me da animação gerada nos primeiros participantes do Grupo de Estudos Homeopáticos Samuel Hahnemann (GEHSH) ao tomar conhecimento do repertório de Barthel. Do contentamento em poder utilizar o primeiro volume com os sintomas mentais e a ansiedade da espera dos dois volumes restantes”.
Qual é que será o melhor repertório? Aquele que tem um maior número de rubricas? O que tem um maior número de medicamentos descritos?
Não existem critérios seguros de aferição. Em primeiro lugar a sua utilidade depende da sua utilização. De nada serve um instrumento, que pela sua complexidade desmotive a generalidade dos práticos. Por outro lado, é óbvio que esta utilização para ser produtiva, impõe o seu conhecimento, o domínio da sua estrutura, filosofia e das rubricas. A leitura destas, o conhecimento das sinonímias e das referências cruzadas impõe-se inelutavelmente, sob pena de estarmos definitivamente votados ao fracasso.
A nossa experiência, fundamentalmente adquirida nos Cursos que ministramos nos Homeopatas Sem Fronteiras-Portugal, esclarece-nos das dificuldades dos alunos no manuseamento dos Repertórios existentes, o que nos levou a idealizar um Repertório Prático essencialmente fundamentado:
Numa estrutura kentiana simplificada, elegendo-se como prioritários, os Sintomas Mentais, Gerais, e apenas os Locais mais importantes;
Num número restrito de rubricas confiáveis do Repertório de Kent – na sequência de análise própria executada rubrica a rubrica, e da análise estatística factorial elaborada minuciosamente por Jean-Jacques Kasparian;
Da redução do número de medicamentos, atenta a importância das suas patogenesias, inserção em rubricas de vários repertórios, e probabilidade matemática de aparecimento na repertorização do indivíduo como um todo – com as inerentes deficiências nos casos agudos e subagudos.
Tal Repertório, tem como objectivos:
Um fácil manuseio, dado que não é demasiadamente extenso;
Um conhecimento detalhado da sua estrutura, e das rubricas, por ter sido expurgado das que não são confiáveis e de todas as que têm valor duvidoso;
Um rápido acesso às rubricas de boa qualidade;
O enquadramento correcto do perfil psicofísico do paciente, desde que o interrogatório, a valorização e hierarquização de sintomas não padeçam de imperfeições ou erros irreparáveis, auxiliando-nos assim a percepcionar a coerência dos sintomas daquele, de molde a configurar com realidade a sua fiel individualização, com o intuito final de conseguir estabelecer o “simillimum”;
A capacidade de num curto espaço de tempo fornecer ao terapeuta os medicamentos potencialmente aplicáveis ao caso clínico – o que não o dispensará de consultar diligentemente as matérias médicas.
Em suma, mesmo não dispensando o posterior estudo de Repertórios exaustivos, tenderá a não desmotivar o estudante e o prático, solucionando, bem mais de 90% dos casos que lhe podem surgir, com abrangência integral no domínio do crónico.
Não será perfeito, nenhum o é. Talvez seja apenas prático... A sua eficiência dependerá da arte do usuário em interrogar, obtendo um perfil coerente e verídico do enfermo, do conhecimento do instrumento utilizado – quanto à sua filosofia e construção –, e muito em especial das suas limitações – que são muitas –, para além da cuidada análise da repertorização perante a Matéria Médica.
Se por um lado, todo o repertório é útil, por outro nenhum é completo, como consequência da imperfeição analítica dos compiladores, e também das constantes adições que através de novos estudos e experimentações, está a Matéria Médica sujeita.
O melhor repertório, é sem dúvida, aquele que apresentando a necessária fiabilidade, é objecto de profundo conhecimento do seu utilizador, o que passa inelutavelmente pela leitura continuada das rubricas e sub-rubricas.
De nada nos servem extensas obras – quanto maior a concordância com a matéria médica, mais extensos e difíceis de manusear serão os repertórios –, se delas nada ou muito pouco conhecemos. A desmotivação rapidamente se instalará e o seu abandono será inevitável.
Um pequeno repertório, terá a sua utilidade aferida pelo conhecimento profundo das rubricas que nele estão inseridas, capacitando o prático a traçar o perfil psicofísico do paciente, que submetido a diligente estudo na matéria médica, conduzirá à descoberta do “simillimum”. Este conhecimento, permitir-lhe-á em pouco tempo, manusear os extensos reportórios digitais, e obter por via da simplicidade, resultados imediatos surpreendentes.
Tivemos em atenção, quer as supramencionadas críticas, quer os estudos analíticos de fiabilidade, estando cônscios, apesar de tudo, da imperfeição do nosso trabalho, e da incapacidade de os superarmos.
Do “Repertório Prático de Sintomas Homeopáticos”, constam apenas rubricas e sub-rubricas. As expressões repertoriais aproximam-se na medida do possível das utilizadas nos sistemas digitais, proporcionando uma introdução à pesquisa nos programas informáticos originários do Brasil.
Os medicamentos, estão enunciados por graus:
1º Grau, pontuação 3 nos quadros repertoriais – Todas as letras da abreviatura em maiúsculas – v.g., AUR –. Tratam-se de sintomas que foram observados na totalidade ou na maioria dos experimentadores, com curas clínicas confirmadas.
2º Grau, pontuação 2 nos quadros repertoriais – A primeira letra da abreviatura em maiúscula, as seguintes em minúscula – v.g., Aur –. Sintomas observados nalguns experimentadores, bem como algumas vezes na prática clínica.
3º Grau, pontuação 1 nos quadros repertoriais – Todas as letras em minúsculas – v.g., aur –. Sintomas apenas obtidos através de um ou de raros experimentadores. Como abreviaturas, para além das dos medicamentos usamos: < - Agravação > - Melhoria.

Nas rubricas de modalidades, se nada vier escrito quanto à agravação ou melhoria, deve considerar-se como modalidade de agravação.


Optámos por não incluir, quer sinonímias, quer referências cruzadas.
Consideramos quase que obrigatório, que seja o prático a elaborar o seu próprio indíce. Será a única forma de conhecer o repertório e de obter sucesso na repertorização.
Tratando-se de um repertório pouco extenso, podem as rubricas e sub-rubricas ser visualizadas num curto espaço de tempo, o que promoverá obrigatoriamente o seu conhecimento e localização.
O tempo julgará a nossa convicção.




Os medicamentos válidos no sistema foram cuidadosamente estudados e valorada a probabilidade matemática de aparecimento, após correcta repertorização.

Resultam essencialmente, entre outros, dos enunciados em:
“Sintomas Mentais” de Robert Dufilho;
“Matéria Médica Psiquiátrica”, de Talcott;
“Remédios Psiquiátricos” de Gallavardin;
“Repertório de Ariovaldo”, medicamentos inscritos em mais de 3000 rubricas;
Policrestos e semi-policrestos, mencionados por Olney Leite Fontes, na obra “Farmácia Homeopática”;
Lista de Jahr, de policrestos, semi-policrestos e medicamentos utilizados com frequência.
Não foi obviamente tarefa fácil. A indecisão minou-nos, levando-nos a reformulações infindáveis. Nenhuma escolha poderá ser considerada óptima. Se mais não restar, que reste a intenção.



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REPERTORIZAÇÃO

A repertorização é o procedimento que mais inibe e desmotiva o estudante de homeopatia, levando-o múltiplas vezes ao seu abandono e instigando-o por inércia e desencorajamento à consulta de “repertórios”, que mais não são do que guias expeditos de prescrição sem qualquer correspondência com a doutrina hahnemanniana, constituindo-se antes como receitas de urgência à imagem e semelhança da medicina alopática com resultados duvidosos e altamente falíveis.

Nesta perspectiva, damos a seguir um procedimento repertorial, que se pretende simples e eficaz.


SINTOMAS

Os sintomas característicos do paciente são muito mais importantes do que os sintomas e sinais da doença.
Conforme ensinou Kent, temos de considerar em primeiro lugar o homem no seu centro, nas suas funcionalidades intelectuais, afeições, sintomas físicos gerais, para só depois deslocarmos a nossa atenção para a periferia, nos sintomas locais ou particulares. Iniciando a investigação do Homem em si mesmo, pode ocorrer que os sintomas locais não estejam descritos na patogenesia do medicamento apurado, mas o remédio cura o enfermo – em homeopatia não há doenças, mas doentes – e estes desaparecem.

Os “sintomas comuns”, que surgem em múltiplos experimentadores de uma dada substância e caracterizam uma patologia sem que estejam modalizados, têm reduzido valor na repertorização, bem como na pesquisa ulterior do “simillimum”, ao contrário dos “incomuns”, que são peculiares, raros e estranhos.

Os “sintomas característicos”, individualizam ou caracterizam o paciente no âmbito da totalidade sintomática, estando geralmente associados a modalidades de melhoria e agravamento.

Os “peculiares” são antes do mais, sintomas característicos, específicos de alguns medicamentos ou do próprio paciente.

Os “raros”, só muito raramente se verificam no repertório e são constituídos por rubricas com um número igual ou inferior a três medicamentos.

Os “raríssimos” ou “Keynotes”, encontram-se em rubricas com apenas um medicamento.



Os “sintomas biopatográficos” – transtornos por... – têm grande importância, porquanto explicam na sua essência mais profunda a origem da patologia que nos propomos curar.

Os “mentais”, caracterizam no essencial um indivíduo e são auxiliados nesta tarefa pelas suas aversões e desejos, bem como pelo seu comportamento e reacção aos elementos naturais. Estes, devem ser sempre utilizados para a selecção final do medicamento.

Os “sintomas gerais” representam o homem como um todo, na sua globalidade de entidade viva. Quando o paciente se exprime na primeira pessoa do singular, podemos estar quase certos que se refere a um sintoma geral: “Eu” tenho frio; “Eu” tenho sede. Segundo Kent, estes sintomas quando modalizados, são os que melhor se adequam à repertorização fundamentada no método de eliminação ou cancelamento. Também Hahnemann havia ressaltado a sua importância.

Os “locais ou particulares” têm uma localização específica, pertencendo em regra a um determinado órgão ou parte do organismo. Quando examinamos a parte, examinamos o particular. Se o paciente usa o pronome “Meu”, está quase sem excepções a referir-se a um sintoma local: O “meu” estômago arde, o “meu” intestino não funciona, tenho dores insuportáveis na “minha perna” quando me levanto.

Os “patognomónicos” são os que respeitam à doença.


Resumindo:

CARACTERIZAÇÃO DO PACIENTE
Sintomas Mentais.
Aversões e Desejos.
Comportamento e reacção aos elementos naturais e outros sintomas gerais.


SINTOMAS

Característicos
– que caracterizam o paciente – 11 a 40 medicamentos nas rubricas de um repertório como o de Kent, Ariovaldo, Aldo Farias Dias, ou no Sihore.

Peculiares – do paciente ou do medicamento – 4 a 10 medicamentos.
Raros – 1 a 3 nas rubricas repertoriais.

Raríssimoskeynotes – 1 medicamento.


Depois do enfermo ter fornecido a história detalhada dos seus padecimentos, do prático ter obtido todas as informações necessárias ao procedimento sobre os mesmos, interrogando-o acerca dos sintomas etiológicos, mentais, gerais e sobre os diferentes aparelhos, bem como das respectivas modalizações, para além de ter determinado o histórico da doença e os antecedentes pessoais e familiares, haverá que transformar a linguagem daquele em linguagem repertorial, destrinçando os eventuais sentidos de rubricas similares, valorizando e hierarquizando os sintomas que são caracterizadores da sua individualidade – sintomas incomuns, característicos, raros, estranhos ou inexplicáveis, peculiares e repetitivos.

No “Repertório Prático de Sintomas Homeopáticos”, o essencial é a caracterização do paciente, o traçado rigoroso do seu perfil. Para tal efeito, isolaremos todos os sintomas que o caracterizem como indivíduo, sem olvidar os critérios básicos de valorização e hierarquização sintomática.


VALORIZAÇÃO DE SINTOMAS


Valorizar um sintoma, não é proceder há sua hierarquização. Um sintoma pode ser bastante pertinente, e não obstante pode vir a não ser utilizado.
Um tanto à sombra de Kent e Paschero – este estudou homeopatia com discípulos directos de Kent, nomeadamente Grimmer, com influência de Gathak e da psicanálise –, valorizamos os sintomas biopatográficos – levando à essência da personalidade do paciente e revelando sintomas característicos da patologia pela qual se encontra acossado –, os mentais que se enquadram na angústia existencial, com o consequente temor de deixar de existir, gerador dos múltiplos medos que nos assolam, e os restantes gerais, subalternizando os locais e os patognomónicos.

Ex. de valorização:
I – “Criança com medo da morte, do escuro, desejo de gorduras e aversão por doces.”
Não temos dúvida alguma quanto à bondade de tais sintomas. No entanto, reteremos:
Medo da morte e aversão por doces.

II – Se considerarmos um adulto com os sintomas seguintes:
“Medo da morte, do escuro, desejo de gorduras e desejo de doces,” reteremos »
Medo do escuro e desejo de doces.





HIERARQUIZAÇÃO DE SINTOMAS


No nosso método de repertorização, considerando o presente repertório, procurámos isolar os sintomas relevantes em dois grupos: o primeiro, engloba os mentais, enquanto que o segundo se atém aos constantes do capítulo generalidades.


PRIMEIRO GRUPO

SINTOMAS ETIOLÓGICOS (Transtornos por...):
Alcoolismo (dipsomania), decepção de amor, ansiedade por antecipação, choque mental, ciúme, cólera, contradição, humilhação, mortificação, más notícias, saudade, remorso, susto, luto, traumatismos (ferimentos, acidentes), humidade, calor, etc.


SINTOMAS MENTAIS MODALIZADOS:

SINTOMAS DA IMAGINAÇÃO – Delírios, ilusões, sensações, sonhos, etc;

SINTOMAS EMOCIONAIS – Angústia, ansiedade, avareza, choro, ciúme, cólera, humor, medo, tristeza, etc;

SINTOMAS VOLITIVOS – Desejos e aversões, indolência, trabalho, vontade, etc;

SINTOMAS INTELECTIVOS – Compreensão, concentração, erros quando escreve, lê ou fala, esquecimento, memória, valorações e juízos, etc.


SEGUNDO GRUPO


SINTOMAS GERAIS (SEGUNDO KENT)

MEIO AMBIENTE – Aqui anota-se a forma como o paciente reage de modo global ao meio natural envolvente: mudanças de tempo, temperatura, calor, frio, humidade, correntes de ar, etc;

DESEJOS E AVERSÕES ALIMENTARES – Nesta rubrica, não podemos valorizar uma mera apetência ou desagrado, mas antes, a necessidade premente ou a repugnância de determinados géneros alimentícios;

FUNÇÕES FISIOLÓGICAS – Apetite, evacuações, menstruação, micção, sede, sexualidade, sono, transpiração, etc;

LATERALIDADE – Direita ou esquerda;

SENTIDOS – Alterações da audição, olfacto, paladar, tacto e da visão;

POSIÇÃO – Anotam-se neste item a influência das posições no estado geral do enfermo: deitado, em pé, sentado, no sono, etc;

MELHORIAS E AGRAVAÇÕES ALIMENTARES – Não se trata aqui de aversões ou desejos, mas dos alimentos que agravam ou melhoram o paciente.


De modo mais exaustivo, reputaremos como gerais os seguintes sintomas – os capítulos a que nos referimos são os do repertório de Kent:


São considerados gerais:

Capítulos com rubricas predominantemente gerais:
Mental;
Vertigem;
Sono, sonhos;
Calafrio;
Febre;
Generalidades.

Genitais Femininos:
Sintomas da sexualidade;
Leucorreia;
Menstruação.

Genitais Masculinos:
Sintomas da sexualidade.

Secreções e eliminações:
Fezes;
Urina;
Expectoração;
Transpiração;

Outros:
Desejos e Aversões Alimentares;
Eructações;
Náuseas;
Sede;
Vómitos;
Pele – muitas vezes os sintomas são gerais.


Há ainda que realçar a visão, a audição, a tosse, o olfacto – capítulo referente ao nariz –, paladar e salivação – do capítulo boca –, micção – do capítulo bexiga –, e voz – dos capítulos boca, laringe e traqueia –.


Os sintomas locais, exercem uma função meramente secundária na repertorização, e podem ser valorados como meros auxiliares no diagnóstico diferencial.


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Previamente ao estudo do Repertório propriamente dito, o prático deverá estar familiarizado com os princípios da Homeopatia Unicista – ver em
http://www.homeoesp.org
ARTIGOS » HOMEOPATIA
ou neste blogue
http://www.josemariaalves.blogspot.com
HOMEOPATIA UNICISTA.

O download do REPERTÓRIO PRÁTICO DE SINTOMAS HOMEOPÁTICOS, pode ser obtido no site supramencionado em LIVROS ONLINE.


Tenho a esperança, que o Repertório Prático de Sintomas Homeopáticos, tenha em essência duas funções:

Vos auxilie a minimizar o sofrimento do ser humano e,
Vos instigue à utilização de instrumentos mais perfeitos, como os de Aldo Farias Dias – “Repertório Essencial” -, Ariovaldo – “Novo Repertório de Sintomas Homeopáticos” -,ou Favilla – “Sihore”.




JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org

4 comentários:

CL disse...

Olá José Maria Alves sou sua fã, aqui do Brasil e futura aluna (se Deus assim permitir) do Curso de Homeopatia dos Homeopatas sem Fronteiras.

Estou com um problema e se vc puder me ajudar, vou ficar imensamente grata.

Tenho 39 anos, não bebo, fumei por 23 anos e abandonei totalmente o vício há exatamente 2 anos.
Sou casada e tenho um filho de 4 anos.
Tomo pílula anticoncepcional (DIANE) - tomava, pois parei este mês!

Enfim, fui fazer um exame de rotina, pois faço todos os anos e encontraram um nódulo no meu fígado, no lobo esquerdo, com características de ADENOMA (tumor benigno que pode se transformar em maligno). O nódulo tem 3,5 x 2,7 cm. - Fiz ultrassom e tomografia.

Todos os meus exames de sangue estão normais - TODOS, incluindo os marcadores de CA.

QUAL OU QUAIS MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS POSSO TOMAR PARA ACABAR COM ESSE NÓDULO???

Estou com muito medo de ter de passar por cirurgia, tenho um filho para criar.

Você me recomenda algum chá ou fitoterápco?

Conto com o amigo.

Muito grata !

José Maria Alves disse...

Bom dia CL

Vamos então procurar resolver esse problema.
Por ora, entramos com um protocolo alargado - atacando em todas as direcções.

BORAX 4 DH, 3 gotas 3 vezes por dia;
CHELIDONIUM 6 DH, 5 gotas 3 vezes por dia;
CARDUUS MARIANUS, 4 DH, 5 gotas duas vezes por dia; e
HYDRASTIS 4 DH, 5 gotas duas vezes por dia.

A cada toma, agite energicamente o frasco-medicamento dez vezes.

As gotas são tomadas sublingualmente. Ou no seu estado puro ou então, uma gota por cada colherinha de água.

Conviria espaçar os medicamentos.

Como pode ser incómodo transportar tantos frasquinhos durante o dia, pode tomar nesta primeira fase grânulos (também sublingualmente), já que os tubinhos são menores.

Vá dando notícias no que respeita à evolução do tratamento.

Um abraço e as melhoras.

Vai correr tudo bem.

Zé Maria Alves

Anónimo disse...

Boa noite Dr. José Maria.
Meu irmão já iniciou o tratamento,está bem confiante, vamos lhe mandar notícias daqui 3 meses (período mínimo do tratamento).
Gostaria de sua opinião também para minha sobrinha, que tem 20 anos e está com 2 nódulos de 2mm no seio,qual o tratamento indicado?
Obrigada pela atenção e que Deus lhe abençõe.
Rosangela

José Maria Alves disse...

Boa noite Rosangela

A sobrinha deve ser avaliada por médico, se preferir, com especialidade em Homeopatia.

De qualquer modo, veja o artigo NÓDULOS (se necessário use o pesquisador do blogue ou vá a www.homeoesp.org » LIVROS ONLINE ).

Um abraço e as melhoras.

Zé Maria Alves