A manhã estava triste As paredes pintadas dos casebres mergulhavam numa melancolia mortal Não se via gente O sino tocou e o seu som congelou na copa do carvalho prateada como a cabeça do ancião sentado imóvel no banco de pedra do adro do deserto
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
UMA AVE
Uma ave canta no amanhecer
Nascido das raízes da velha árvore
Ressequida e nua
Há cinco Outonos
Ali fez o pica-pau seu ninho
Resguardado do vento forte
Dos temporais do Norte
Das noites frias da floresta
Chuvosa e uivante
Sem saber
Que o destino do seu abrigo
Era o corte incompassivo
Nascido das raízes da velha árvore
Ressequida e nua
Há cinco Outonos
Ali fez o pica-pau seu ninho
Resguardado do vento forte
Dos temporais do Norte
Das noites frias da floresta
Chuvosa e uivante
Sem saber
Que o destino do seu abrigo
Era o corte incompassivo
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PUTREFACÇÃO
Um odor a lilás
Percorre
As narinas putrefactas
Percorre
As narinas putrefactas
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O MENINO DE SEMPRE
A corola aberta
A árvore florida
As vozes frescas das ceifeiras
No espelho de água lisa
Os sorrisos louros
Nos rostos avermelhados
Do sempre-feminino
Ali junto à fonte
Onde repousa a brisa matinal
Brinca o mesmo menino
De sempre
A árvore florida
As vozes frescas das ceifeiras
No espelho de água lisa
Os sorrisos louros
Nos rostos avermelhados
Do sempre-feminino
Ali junto à fonte
Onde repousa a brisa matinal
Brinca o mesmo menino
De sempre
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AS NOITES LONGAS
Como são longas as noites
Curtos os dias
E a velhice inerte
Curtos os dias
E a velhice inerte
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CORDEIRO IMOLADO
Um cordeiro imolado
Berra como pura criança
Na inocência do mal
Berra como pura criança
Na inocência do mal
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LUGAR DE REPOUSO
Aquele era um lugar de repouso com pinheiros silvestres blocos de granito e algumas lascas de xisto Por vezes o céu era mais azul e o poente mais rosado A brisa vinha de Oeste e percorria as artérias da Alma fazendo-nos ficar simplesmente ficar como crianças pasmadas que brincam com as alaúdes ou com as ondas mansas da praia esquecida
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OS PRIMEIROS ANJOS
Chegaram os primeiros anjos
Cedo
Tão cedo que mais ninguém ocupava o adro naquele dia de calor infernal
A procissão iria começar
Lenta
Com o Senhor
Ajoelhado no andor
A suar
Sangue divino
Cedo
Tão cedo que mais ninguém ocupava o adro naquele dia de calor infernal
A procissão iria começar
Lenta
Com o Senhor
Ajoelhado no andor
A suar
Sangue divino
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POBRE GENTE
Havia morte na cadência dos passos descendentes
Olhares vagos
Luzidios
Tristes
Indiferentes
À visão do cemitério
Penetrado por ciprestes
A terra prateada
Vestida de mármore
De granito polido
Resplandecia
E na morte
O ar respirava a fé
Da ressurreição
Pobre gente
Olhares vagos
Luzidios
Tristes
Indiferentes
À visão do cemitério
Penetrado por ciprestes
A terra prateada
Vestida de mármore
De granito polido
Resplandecia
E na morte
O ar respirava a fé
Da ressurreição
Pobre gente
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ESSÊNCIA DO NADA
Banhado no seu próprio sangue
Confundia
A essência e o sentido de tudo
Com a essência exangue do Nada
Confundia
A essência e o sentido de tudo
Com a essência exangue do Nada
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FLOR DA DOR
A vida é
Hoje
Esperança amor
Um poema
Fantástico
Perfumado de jasmim
Flor da alegria
Amanhã
Quem sabe
Poderá ser
Ou não
A mais bela
Flor da dor
Hoje
Esperança amor
Um poema
Fantástico
Perfumado de jasmim
Flor da alegria
Amanhã
Quem sabe
Poderá ser
Ou não
A mais bela
Flor da dor
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SOMBRA DO SONHO
A sombra do sonho
Era idêntica à sombra da realidade –
Dois corpos em intenso amplexo
Era idêntica à sombra da realidade –
Dois corpos em intenso amplexo
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COM A DEVIDA VÉNIA
A observação pode parar mas o raciocínio também amigo Pessoa que jazes inútil em pó pelos Jerónimos A tua observação clarificou-nos como o riacho que corre sereno e alegre no vale verde e doirado da existência O teu raciocínio limitado como convém a um génio está corroído pela traça do tempo enterrado nos gogos e areão do fundo com que muitas vezes se amassa e adorna o cimento destinado à construção das casas que disformes adormecem a beleza das aldeias
Agradeço-te o sempre-novo e rejeito liminarmente os ossos do passado
Com a devida vénia
Obviamente
Agradeço-te o sempre-novo e rejeito liminarmente os ossos do passado
Com a devida vénia
Obviamente
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POBRES MORTAIS
Chegámos à aldeia
O sino toca a finados
A morte voltou
O marido da defunta
De azul marinho
E preto
Tem os olhos inundados
De resignação
Falámos da existência
Do sofrimento
Da melancolia do futuro
Mergulhados
Em meditação ocasional
De quem só pensa no decesso
Quando acontece
E a nós nos toca
Pobres mortais
O sino toca a finados
A morte voltou
O marido da defunta
De azul marinho
E preto
Tem os olhos inundados
De resignação
Falámos da existência
Do sofrimento
Da melancolia do futuro
Mergulhados
Em meditação ocasional
De quem só pensa no decesso
Quando acontece
E a nós nos toca
Pobres mortais
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ILUSÃO CONTINUADA
Há vida
Há terra
Ar
Fogo
E
Água
Até que a verdadeira vida
Nasça nesta ilusão continuada
Há terra
Ar
Fogo
E
Água
Até que a verdadeira vida
Nasça nesta ilusão continuada
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terça-feira, 9 de agosto de 2011
ETERNO RETORNO
No infinito
Num dos seus pontos
Estás tu
Esplêndida
Fonte de luz
Na noite eterna
Viajante
Sem norte
Movendo-se como esmeralda
Imóvel
Nesse e em qualquer outro lugar
Centro do infinito
Eterno retorno
Num dos seus pontos
Estás tu
Esplêndida
Fonte de luz
Na noite eterna
Viajante
Sem norte
Movendo-se como esmeralda
Imóvel
Nesse e em qualquer outro lugar
Centro do infinito
Eterno retorno
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ANEL DE NOIVADO
O quarto é assaltado pelo perfume das flores silvestres
Orvalhadas pela noite de Lua Nova
Perguntas-me solenemente pelo anel de noivado sem que te saiba responder
Digo palavras soltas
Folhas esvoaçantes de Outono
Mas há o teu cheiro
O teu corpo
Os teus aposentos vermelhos
Teus lábios de framboesa a colher
Tudo para além das meras palavras
Para além dum mísero anel de noivado
Orvalhadas pela noite de Lua Nova
Perguntas-me solenemente pelo anel de noivado sem que te saiba responder
Digo palavras soltas
Folhas esvoaçantes de Outono
Mas há o teu cheiro
O teu corpo
Os teus aposentos vermelhos
Teus lábios de framboesa a colher
Tudo para além das meras palavras
Para além dum mísero anel de noivado
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PEITO SANGRANTE
O meu peito sangra
Na oração
Suave escada
Descansa no meu coração
Faz em minha alma
A Tua morada
Na oração
Suave escada
Descansa no meu coração
Faz em minha alma
A Tua morada
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PEREGRINOS
Peregrinos para Fátima –
Quem persegues
Ou contigo o trazes
Ou nunca o hás-de encontrar
Quem persegues
Ou contigo o trazes
Ou nunca o hás-de encontrar
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BALBOA
Balboa é a terra à beira do último dos precipícios do universo
Há que saltar para o vazio dando continuidade aos passos inacabados e começar os que nunca foram dados
Balboa é um marco de fogo na escuridão da noite terrífica A candeia que ilumina o cego A vara que penetra a fera O medo transmudado em coragem
É a determinação absoluta que afecta a dúvida e a quietude
Balboa é a única acção na senda da vida e da morte
Há que saltar para o vazio dando continuidade aos passos inacabados e começar os que nunca foram dados
Balboa é um marco de fogo na escuridão da noite terrífica A candeia que ilumina o cego A vara que penetra a fera O medo transmudado em coragem
É a determinação absoluta que afecta a dúvida e a quietude
Balboa é a única acção na senda da vida e da morte
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JÁ NÃO SOU SENHOR DE MIM
Rufam tambores
No meu coração em chama
Ardente de carne viva
Já não sou senhor de mim
Beijo-a embriagado
Lado a lado com o jarro
De vinho adamado
No meu coração em chama
Ardente de carne viva
Já não sou senhor de mim
Beijo-a embriagado
Lado a lado com o jarro
De vinho adamado
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SONHO DE CACHORRO
O cachorrinho dorme
Sonha com brincadeiras
Infindáveis
As patas deitadas
Agitam-se
Correm sem cessar
Sonha com brincadeiras
Infindáveis
As patas deitadas
Agitam-se
Correm sem cessar
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CONVERSA FIADA
Tanta conversa fiada
Tanta cousa por dizer
Deixem o burro falar
Que não se consegue conter
Tanta cousa por dizer
Deixem o burro falar
Que não se consegue conter
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CORPO DECRÉPITO
A sombra saudável
Sentou-se junto
Do corpo decrépito
Sentou-se junto
Do corpo decrépito
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AS RAÍZES DO CORAÇÃO
Ao cortar a árvore do jardim
Cortei as raízes do meu coração
Cortei as raízes do meu coração
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NONA NOITE
Nona noite Os corpos já se estendiam no tacto subtil do final do dia
Suores fiéis dançavam rodopiantes entre membros desnudos como ramos de cipreste vergados ao desejo
Ouvia-se a sua voz
O testemunho do acto vibrante
Suores fiéis dançavam rodopiantes entre membros desnudos como ramos de cipreste vergados ao desejo
Ouvia-se a sua voz
O testemunho do acto vibrante
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O RIO BRANCO DO CÉU
No fim do caminho
Coberto de neve
O rio branco do céu
Coberto de neve
O rio branco do céu
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BRINCADEIRA
O menino brinca
Com a papoila
Como se brinca com um malmequer
Com a papoila
Como se brinca com um malmequer
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JARDIM PÚBLICO
Gente no jardim público –
Tanto mal
Tão pouco bem
Tanto mal
Tão pouco bem
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ONDE OS AMANTES MORAM
A noite resvala lentamente no quarto opaco O dia levanta-se apático estremunhado corroído por débil vontade que o espelho deformado do tecto não reflecte
Mais abaixo os salgueiros bebem a água do ribeiro e o vinho aquece ao Sol crescente
Não vamos Ficamos onde moram os amantes entre lençóis de linho aquecidos e sorvemos o gozo que dos corpos se extrai
Mais abaixo os salgueiros bebem a água do ribeiro e o vinho aquece ao Sol crescente
Não vamos Ficamos onde moram os amantes entre lençóis de linho aquecidos e sorvemos o gozo que dos corpos se extrai
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MINIMALISMO
A mesma frase musical
Tocada pela flauta de bambu
Cem ou mais vezes –
Medito e adormeço
Tocada pela flauta de bambu
Cem ou mais vezes –
Medito e adormeço
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O DISCURSO DO POLÍTICO
O político
Discursava
O texto era antigo
Tão antigo
Como a mentira
Discursava
O texto era antigo
Tão antigo
Como a mentira
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CARTAS DE AMOR
Já não escrevo cartas de amor
Limito-me a remeter pensamentos escritos na nocturna solidão do piar daquela ave cujo nome desconheço
Pensamentos enviados nas asas do vento
Limito-me a remeter pensamentos escritos na nocturna solidão do piar daquela ave cujo nome desconheço
Pensamentos enviados nas asas do vento
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PAÍS DE LADRÕES
País de ladrões –
Por fechadura
Uma Magnum
Por fechadura
Uma Magnum
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MORREREI A CAMINHAR
A Tua montanha Senhor é longínqua São tantas as que minhas pernas vergadas e trementes descobrem sem que a Tua veja resplandecer ao doirado Sol da aurora
Morrerei a caminhar
Morrerei a caminhar
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PORTÃO DE QUINTA-FEIRA
O portão da quinta-feira
Há anos não era pintado
Há anos que ali
Ninguém entrava
Há anos não era pintado
Há anos que ali
Ninguém entrava
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DORMIA À LUZ DA LUA
Dormia à luz da Lua
Com árvores animais
E a Alma dolente a seu lado
Com árvores animais
E a Alma dolente a seu lado
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ANDORINHA
A andorinha alimenta os filhotes –
Desconfiada
Espreita-me
Pelo canto do olho
Desconfiada
Espreita-me
Pelo canto do olho
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COMO TE LAMENTO
Quando chegar o tempo em que não houver ninguém para te amar em que nenhuma mensagem percorra continentes para te consolar tocarás a flauta no sopro do suspiro
Como te lamento assim envelhecida com a luz do coração a extinguir-se Como te lamento
Como te lamento assim envelhecida com a luz do coração a extinguir-se Como te lamento
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CHAPIM
Abre-se a porta
Ao olhar curioso
Do chapim
Ao olhar curioso
Do chapim
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OLHOS HUMILDES
Os olhos
Esfarrapados
Do homem
Estranho à aldeia
Apenas pediam
Humildes
Alguma compaixão
Num copo de vinho
Num naco de pão
Esfarrapados
Do homem
Estranho à aldeia
Apenas pediam
Humildes
Alguma compaixão
Num copo de vinho
Num naco de pão
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OS VELHOS TAMANCOS
À porta
Os velhos tamancos
Que mais ninguém irá usar
Os velhos tamancos
Que mais ninguém irá usar
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PARTIDA
Partira sem pegadas as estrelas por companheiras à luz da vela vermelha
Não suportava mais a música entristecida dos encontros secretos ao arrepio solar
Um rio eterno de safiras e esmeraldas haveria de existir em qualquer lugar As flores da amendoeira da berma inóspita eram o seu mais íntimo presságio
Nunca mais iria voltar
Não suportava mais a música entristecida dos encontros secretos ao arrepio solar
Um rio eterno de safiras e esmeraldas haveria de existir em qualquer lugar As flores da amendoeira da berma inóspita eram o seu mais íntimo presságio
Nunca mais iria voltar
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VENTO SURDO
Vento surdo
De fim de Primavera –
O lavrador alivia a enxada
De fim de Primavera –
O lavrador alivia a enxada
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SONS DE PRIMAVERA
Os sons de Primavera
Espraiam-se ligeiros
Na água da fonte
Espraiam-se ligeiros
Na água da fonte
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MAR DE CHAMAS
Mar de chamas
Em toda a colina –
Voltou o inferno
Em toda a colina –
Voltou o inferno
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TRUTAS
Trutas imóveis nas pedras soltas do rio transparente Outras fogem do pescador de almas em corrida ascendente
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TODA AQUELA BELEZA
Toda aquela beleza
Reflectida nos teus olhos
Projectada na minha alma
Reflectida nos teus olhos
Projectada na minha alma
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ROUXINOL
Não há ninguém
Que te não ouça cantar
Rouxinol
Que te não ouça cantar
Rouxinol
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QUE DEUS NOS PERDOE
Tanta beleza
E
Sofrimento
Tanta dor
E
Tormento
Que Deus nos perdoe
E
Sofrimento
Tanta dor
E
Tormento
Que Deus nos perdoe
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