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OS TRATAMENTOS SUGERIDOS NÃO DISPENSAM A INTERVENÇÃO DE TERAPEUTA OU MÉDICO ASSISTENTE.

ARTE

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

RUBAIYAT - OMAR KAYYAM - ODES - 170







Alaúdes
Taças
Jarros
Perfumes
Risos
Olhos amendoados
Profundos

Brinquedos que o tempo
Faz corromper

Austeridade
Trabalho
Meditação
Solidão
Oração
Renúncia

Cinzas que o Tempo espalha
Cinzas
Cinzas


Versão JMA


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FIM – Odes ao Vinho e ao Amor (Rubaiyat)



ODES - 169



Silêncio
Oh minha dor

Deixa que busque mezinha
É preciso viver
É urgente

Porque os mortos
Não rememoram
E eu tanto quero
Tanto desejo
Voltar a ver
A minha Amada


Versão JMA


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ODES - 168



Senhor
Desbarataste a minha alegria
Ergueste uma muralha
De pedra armada
Entre o meu coração
E o da minha bem amada

Os cachos da minha vindima foram degolados

Vou morrer Senhor
Morro com Dor

Mas tu
Cambaleias embriagado


Versão JMA


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ODES - 167



Foi-me dado o golpe esperado
A minha bem amada abandonou-me

Enquanto a possuía
Como era fácil desdenhar o amor
E exaltar o abandono

Enfim
Junto dela
Estava só

Entendes?
Partiu ela
Para que me possa
Refugiar nela


Versão JMA


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ODES - 166



Todos os reinos e riquezas
Por uma taça de vinho generoso
Todos os impérios e suas fortalezas
Por um cálice de vinho novo

Todas as bibliotecas e livros
Toda a sabedoria
Pelo doce aroma do vinho
Por um beijo à sombra de uma tília

Todos os hinos de amor
Pela canção do copo que se esvazia
E por um corpo que se anuncia


Versão JMA


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ODES - 165



Há lamparinas que se apagam
Há esperanças que se iluminam
Aurora

Há lamparinas que se iluminam
Há esperanças que se apagam
Noite


Versão JMA


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ODES - 164



Pobre homem
Pobre infeliz
Nunca saberás nada
E nunca serás capaz
De resolver um que seja
Dos mistérios
Que nos cercam

Já que as religiões
Em uníssono te prometem
Um Paraíso
Faz tu por um nesta terra criar
Porque o delas
Pode ser mentira a esvoaçar


Versão JMA


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ODES - 163



És infeliz
Tu que choras
Que gemes
Que escondes o rosto no leito
E em segredo padeces?

Não penses
Se não pensares na tua dor
Não sofrerás jamais

Se a tua atribulação é forte
Se te faz pensar na morte
Lembra os justos
Que injustamente sofreram
Desde o princípio dos tempos

Escolhe uma mulher
Seios de neve
E faz por a amar
Mas ela
Por seu turno
Que só te ame
Por momentos


Versão JMA


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ODES - 162



Só vês a aparência
Dos seres e das coisas
Não penetras na sua essência

Cônscio da tua ignorância
Recusas renunciar ao amor
Mas Pôncio Pilatos
Recusou-o a Jesus

Deus deu-nos a provar o Amor
E também em certas plantas
Animais e homens
Veneno fatal


Versão JMA


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ODES - 161



Olha para esta fonte
Que brilha e rebrilha no jardim

Imagina
Como eu
Que vês a Fonte das Fontes
E que estás no Paraíso

Procura a tua amiga
Rosto de rosa
Resplandecente e maravilhoso


Versão JMA


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ODES - 160



O Ramadão cessou –
Corpos extenuados
Almas ardidas
Retomai o prazer

Os contadores de histórias
Narram histórias novas

Vendedores ambulantes
De doces e vinho
Mercadores de milagres
Sonhos e ilusões
Arremessam seus pregões
Às multidões

Mas
Eu oiço somente
A Voz da Vida
A da minha bem amada


Versão JMA


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ODES - 159



Deus é Grande –
Este grito o que é
Uma profunda lamentação?

A terra geme prostrada
Cinco vezes por dia
Perante o seu Criador ausente?


Versão JMA


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ODES - 158



Um homem cavalga no horizonte
Afasta-se na bruma da queda do dia

Quem é
Para onde vai?

Irá atravessar bosques encantados
Planícies desertas
Perigosos montados?
Não sei

E eu
Amanhã
Onde estarei?
Sobre a terra
Ou debaixo dela?
Também não sei


Versão JMA


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ODES - 157



Olha à tua volta
Aflições
Desgraças
Desespero
Angústia
Choro
E ranger de dentes

Os nossos melhores amigos morreram

A tristeza é a nossa companheira
Inseparável

Mas
Continua Homem
Abre as mãos
Alcança o que anseias
Faz das tripas coração

Enterra nas profundezas
O cadáver do teu passado


Versão JMA


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ODES - 156



Nunca conseguiremos incendiar o mar
Nunca iremos convencer o homem
Dos perigos e manhas da felicidade

No entanto
Todos sabemos
Que o mais pequeno choque
É letal para o cântaro cheio
E deixa incólume o vazio


Versão JMA


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ODES - 155



Embriagado ou sedente
Apenas me apetece dormir
Dormir profundamente

Não quero saber
O que é o bem
E o que é o mal
Porque o bem
Está para o mal
Como o mal
Está para o bem

Afinal
O que é o bem
O que é o mal?

Para mim
Dor e prazer são semelhantes

Quando me sinto feliz
Concedo à felicidade
Modesto lugar
Já que bem sei
Que a dor não tardará
Para irremediavelmente a afastar


Versão JMA


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ODES - 154



Santo homem
Despe essa roupagem
De que tanto te envaideces
E que não tinhas quando nasceste

Veste antes o Manto da Pobreza

Os caminhantes provavelmente
Deixarão de te reverenciar
Mas sentirás no coração
A canção entoada por anjos e arcanjos


Versão JMA


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ODES - 153



Neste mundo
É nosso Destino
Sofrer
Para depois
Em agonia morrer

Não quereis dar à terra
Quanto antes
O vosso corpo miserável
Ele que é a fonte
De todo o padecimento?

E a Alma
Perguntais
Pela qual Deus aguarda
Para o Juízo Final?

Ficai descansados
Que logo vos responderei
Quando for informado
Por alguém que regresse
Da Terra dos Mortos


Versão JMA


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ODES - 152



Para o sábio
A tristeza e alegria
Assemelham-se

O bem e o mal
São semelhantes
E se diferem
Nem mal nem bem
Nem bem nem mal

Tudo o que teve início
Deve findar naturalmente

Meditai pois
Se deveis alegrar-vos com a felicidade
Ou consternar com a infelicidade


Versão JMA


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ODES - 151



Estudei orientado
Por eminentes Mestres
Passo a passo aperfeiçoei-me
E orgulhei-me
Dos meus progressos

Quando lembro
O sábio que fui
Comparo-o à água
Que toma a forma do copo
E ao fumo que o vento leva


Versão JMA


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ODES - 150



Muito aprendi
Outro tanto esqueci

Outrora
Na minha memória
Cada coisa
Saber
Especulação
Tinha o seu lugar

Se algo estava à direita
Não podia ser desviado para a esquerda
E se à esquerda estava
Não poderia ser desviado para a direita

Só atingi a Paz
Quando com desprezo
Tudo repudiei

E acabei por aprender
Que não nos é possível
Afirmar ou negar nada
E que em tudo há uma praga


Versão JMA


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ODES - 149



Senhor
Com mil armadilhas invisíveis
Preparaste os caminhos
Que incautos percorremos
E disseste-nos –
Calamitoso aquele
Que não souber escapar delas

Tu que
Tudo vês
Tudo sabes
Tudo prevês

Nada acontece sem o Teu assentimento
Sou pois o culpado de meus pecados?
Podes ou não assim
Castigar sem remorsos
A minha insurreição?

Não
Digo-te eu


Versão JMA


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ODES - 148



Escondo a minha melancolia
De toda a gente
Com a vergonha da tristeza

As aves feridas também se escondem para morrer

Serve-te de vinho
Bebe
Ouve as minhas graças
E as desgraças ocultas

Quero vinho
Quero rosas
Canções de alaúde
Quero amar

E tu Amada quero
Indiferente ao meu pesar


Versão JMA


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ODES - 147



Quando te vergares ao peso da dor
Quando os teus olhos secarem
Pensa nas verdes plantas que a chuva asperge

Quando te sentires desesperado
No esplendor do dia
E quando desejares
Que uma noite sempiterna caia sobre o mundo
Pensa como uma criança
Pensa nela ao despertar

Ah como é bom amar gratuitamente


Versão JMA


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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

ODES - 146



Serviçais
Não nos alumiem
Os convidados adormeceram

Vejo que estão pálidos de morte

Hirtos estão e de frio gélidos
Reflexo da imagem do sepulcro

Deixai as velas
Não há luz nem amanhecer
Para os mortos


Versão JMA


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ODES - 145



O mundo é um roseiral

Visitas –
As borboletas
E os rouxinóis

Elas oferecem-nos cor
Dúctil movimento
Eles canções

Se não tiver
Rosas
Violetas
Ramos
Folhas
Éden
E farol que me guie
Terei por flores
As estrelas
E por jardim
Teus cabelos soltos
Ao vento Norte


Versão JMA


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ODES - 144



Um pouco mais de vinho
Amada em flor
Um pouco mais para ti

O teu rosto não tem ainda
O brilho das rosas rubi

Um pouco mais de tristeza
Para mim

A minha amada
Sorrir-me-á
E com seu frondoso sorriso
Fará de mim um homem alegre


Versão JMA


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ODES - 143



Que farei hoje?

Irei à taberna
Irei sentar-me no jardim
Lerei algum livro
Beijarei doce mulher?

Um pássaro voando
Cruza os céus
Donde vem
Quem é
Para onde vai?
Tão pequeno
E grácil
Já o não vejo

Oh embriaguez de ave
No azul subtil
Oh arrependimento do homem
Na sombra fresca de um templo


Versão JMA


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ODES - 142



No vasto prado verde
A sombra desta árvore
Parece-se com uma ilha

Caminhante
Pára Não te afastes
Não prossigas
Fica onde estás

Entre o caminho que segues
E esta sombra que roda
Com lentidão
Talvez haja
Um abismo intransponível


Versão JMA


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ODES - 141



Pouco mais precisas
De entender ou saber
Que tudo é mistério
A criação do Universo
E a tua
O destino do Universo
E o teu

Sorri aos mistérios
Como quem sorri a um perigo
Cuja perigosidade desconheces

Nada irás saber
Quando franqueares
Os Portais da Morte

Paz aos homens
De boa e má vontade
No escuro silêncio
Do obscuro Além


Versão JMA


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ODES - 140



Mais uma aurora

Dia após dia
Invento um novo
Brilho no mundo
E como lamento
Como me angustio
Por não poder
Agradecer ao seu Criador

Mas tantas são as rosas
Que me contentam
E tantos os lábios
Que me consolam
Quando aos meus se unem

Deixa o teu alaúde
Bem amada
Os pássaros já cantam
Vamos amar

Versão JMA


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ODES - 139



Ó estulto
Que sábio te julgas
Desassossegado
Entre o infinito do passado
E o infinito do futuro

Queres criar
Um limite entre estes dois infinitos
Por aí te ficando?

Sendeiro

Escolhe uma árvore
Senta-te à sua sombra
Com um jarro de vinho
Bebe com a tua amada
Até que te esqueças
Da tua fraqueza e impotência


Versão JMA


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ODES - 138



Que espírito gracioso
É o do vinho cor de rubi

Oleiros modelai
Para esta gentil alma
Cântaros dos mais macios

Cinzeladores de taças
Modelai-as com subtileza

Esta alma deleitosa
Quer imergir no azul do seu cristal


Versão JMA


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ODES - 137



Dizes que o vinho
É o melhor dos bálsamos?

Trazei-me todo o que houver
Neste mundo

O meu coração está em ferida
Desgostoso e dilacerado

Tragam-me todo o vinho do mundo
E o coração que se fique com suas feridas


Versão JMA


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ODES - 136



Percorria eu
A fábrica deserta
De um oleiro
Onde havia
Mais de mil cântaros

Falavam baixo

Um disse –
Façam silêncio
Concedei a este visitante
A evocação
Dos oleiros e comerciantes
Que outrora éramos


Versão JMA


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ODES - 135



Se estou perdido de bêbado
Nem sonhas como sou feliz

Se admiro o rosto rosado
Da minha Amada
Sou feliz

Se sonho que não existo
Como sou feliz
Porque a morte é Nada
E no Nada não há sofrimento
Nem o tormento do Inferno


Versão JMA


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ODES - 134



Estou cansado
Exausto de interrogar
Os homens
Os livros

Quis consultar o cântaro

Poisei nos seus lábios os meus
E murmurei –
Para onde irei quando morrer?
Ele
Cheio de vinho forte
Respondeu-me –
Bebe na minha boca
Sacia-te à vontade
Nunca voltarás da Morte


Versão JMA


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ODES - 133



Aurora
Felicidade Pureza
Um enorme rubi
Brilha em cada taça

Toma estes dois ramos
De sândalo

Transforma um em alaúde
E queima o outro
Com os teus lábios
Para que nos perfume
Enquanto nos amamos


Versão JMA


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ODES - 132



Decide-te
Não contemples mais o Céu

Rodeia-te de belas e aprazíveis donzelas
E acaricia-as com suavidade e amor

De que duvidas?
Ainda desejas orar a Deus?

Muito antes de ti
Outros homens lhe dirigiram
Fervorosas orações mantras
Ave-marias credos petições

Já partiram para o Reino da Morte
E ninguém sabe se Deus
De longe ou perto
Na sua contrição os viu ou ouviu


Versão JMA


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ODES - 131



A auréola que rodeia
Esta frágil rosa
É um sinal do seu aroma
Ou a débil defesa
Que na bruma desfeita
Deus lhe deu?

Os cabelos sobre o teu rosto
Bem amada
Serão a noite que teu olhar
Há-de dissipar?

Acorda desse sono bem amada
O Sol abrilhanta as nossas taças
Bebamos
Amemos
Que um corpo luminoso
É mais belo que a escuridão


Versão JMA


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ODES - 130



Ouve-me leitor
Se este mundo
Mais não é do que ilusão
Por que desesperas
Por que motivo te afliges
E desiludes?

Por que pensas noite e dia
Na tua infelicidade e na tua dor?

Abandona a tua alma
À fantasia das horas
O teu Destino já está escrito
Não há para ele apagador
E ninguém para o apagar
Porque Deus sonha
E se não sonha dorme


Versão JMA


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ODES - 129



Como é débil o homem
Fatal e implacável o seu Destino
Como é dissimulado e insincero

Juramentos
Juramentos falsos
Juramentos que não cumprimos
Indiferentes à vergonha e à desonra
Frieza da mentira
Na Terra da Hipocrisia

Até eu
Por vezes
Vivo na insensatez
Destempero e desacerto

Mas tenho por escusa
A de estar ébrio de Amor


Versão JMA


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ODES - 128



Fecha o teu Corão
Bíblia ou Guitá
Pensa com atrevimento
E encara sem temor
O Céu e a Terra

Ao pobre que passa
Doa metade dos teus bens

Perdoa a todos
Os que culpados são

Não amargures ninguém
E esconde-te quando
Quiseres sorrir


Versão JMA


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ODES - 127



O vinho proporciona
Aos sábios
Uma embriaguez semelhante
À dos Eleitos

Oferta-nos a juventude
Que perdemos
Dá-nos o que pedimos
E o que almejamos

Queima-nos
Como uma enxurrada de fogo
Mas também pode converter
A nossa tristeza
Em água pura e fresca


Versão JMA


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ODES - 126



O vinho novo
Tem a cor das rosas
Oh como é belo

Talvez não seja sangue das vinhas
Mas de rosas inebriantes

Talvez esta taça
Não seja cor de cristal
Mas azul de céu e mar

A noite permanece
Na pálpebra do dia


Versão JMA


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ODES - 125



A esplêndida solidão
Das estrelas

A solidão magnífica
Das flores

E das árvores também
Só a irás alcançar

Quando te apartares dos homens
Quando te afastares das mulheres

Não procurando refúgio em ninguém
Sem que te debruces sobre qualquer dor

E de qualquer convívio te desvies
Num Amor indiscriminado


Versão JMA


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ODES - 124



O orvalho de manhã
Poisa
Sobre as túlipas
Jacintos
Violetas
E outras flores

O Sol sorridente
Alivia-as desse fardo brilhante

De manhã ao acordar
Pesa-me no peito o coração
Mas basta-me o teu olhar
Para o libertar


Versão JMA


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ODES - 123



O vinho é alforria
De dúvidas e cuidados
De medos e fados
Indecisão e embaraço

É o mágico mãos de rubi
Que te irá transportar
Momento a momento
À Terra do Esquecimento


Versão JMA


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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ODES - 122



Bebo vinho
Como a raiz
Do salgueiro
Bebe a água
Do idílico ribeiro

Só Deus é Deus
E Ele tudo vê
Só há um Deus
Ele tudo sabe
Tudo prevê
Não é o que está escrito?

Quando me criou não sabia
Que eu beberia vinho
E pelos caminhos da estúrdia
Com outros boémios vaguearia?

Se não bebesse nem amasse
A ciência de Deus seria um fracasso

Poderá Ele castigar o que assim criou?
Poderá castigar-me a mim
Que a Ele devo o que sou?


Versão JMA


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ODES - 121



Das estrelas caem
Pétalas de ouro
E vão caindo
Enfim
Por aqui por ali
Mas não caem
No meu jardim

Se o Céu alastra as suas flores na Terra
Também eu encho de vinho cor de rubi
A minha taça negra como a noite


Versão JMA


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