sexta-feira, 27 de julho de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
O NASCIMENTO DE VÉNUS
BotticelliEmerge das águas turquesa
Ó Deusa
Na concha das minhas mãos ávidas
Surge em esplendor o marfim das tuas formas
Concha por outra concha tocada
Sopram os ventos de Oeste
Alento cálido do amor absoluto
Da carne que no espírito se move
Enquanto a Deusa das Estações
Te intenta ocultar
Em manto a tulipas bordado
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DOCE NEGRITUDE
Fabrice RobinDoces olhos
Doce negritude
A tua pele é uma túnica de pedra escura
O teu corpo pináculo de catedral
Teus seios o portal do desejo vivo e quente
Tua boca gerada da matéria mais pura
É o alimento que verto no sal do meu ventre
Em ti penso
E eternamente me contento
Num presente que não é tempo
Doce negritude
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NINFAS NA NOITE
Luís Ricardo FaleroMeio da noite
Ilumino o quarto de pedra
A gruta que habito
E vejo vossa imagem suspensa
Há um ruído de fundo no aquecimento incerto deste fim de primavera
Não faço escolhas
Quero-vos às duas
Como milhafre que sobrevoa campo de girassóis num ostensivo fim de tarde
Mergulho na minha alma
Ora rude ora sensível
E sem pensar
Tendo por testemunha o granito amarelo bujardado
Tiro-me o véu do pundonor
Arrebato-vos dos céus e dos seus deuses de palha
Deito-vos mansamente no meu estrado de carvalho velho
Onde sonhos sonolentos se arrastam pelas auroras erécteis
E amamo-nos os três
Até que exauridos adormecemos sorrindo como crianças roçadas pela Fortuna
Num crepúsculo à beira-rio
Pombas brancas lado a lado com o sémen derramado
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DEUSA

Em oração de Amor te peço
Não me abandones jamais
Que sem teu cabelo doirado
Sem a beleza do teu rosto
E a nudez dos teu seios
Não vivo e morro nesta dor
De pobre mortal enjeitado
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MULHER ETÉREA
AmanoA mim A mim que já não sei nem posso voar
Tenho as asas mortas e geladas
O meu lugar é em terra ou no mar
Nas asas-barbatanas dos anos percorridos pelo cansaço
Como peixe cego que embate no batel atracado na lama gordurosa da laguna
Ou como coche que carrega gente do Nada para a cidade colonial do Tudo
Onde as pernas se abrem e entesouram num ritual obscurecido pelos anos ferventes
E os seios redondos encastrados se erguem clamando justiça ao despotismo arroxeado da união fácil da estrada chuvosa da vida
Ou como quem por mal ver
Já não distingue nem sabe
Se és matéria ou etérea
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A MULHER DOS MEUS SENTIDOS
Bruno SteinbachNo azul do oculto amor divinizado
Mulher morna à rajada de vento frio
Erguida como néctar em taça
Esguia deusa da noite oculta
Luzidia como ninfa da trapaça
Mulher humedecida pelo afago
De minha mão dolente
No teu sexo denso
Tua palma macia
Envolve o meu ceptro
Erecto
E os teus mamilos tensos
Arvorados ao deslumbre
São os faróis da luz táctil dos meus sentidos
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SEREIAS
Charles EdwardSustentam a brisa que vosso corpo colhe
O céu brame encarcerado
Na abóbada de musical claridade
O mar desfaz-se em escuma
Sémen que a areia feérica recolhe
E eu da falésia sofro e calo
Por não vos poder amar
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LEDA E O CISNE
François BoucherE seria Zeus
O Deus sedutor de todas as Rainhas da Terra
Jorrando eternamente o meu amor
Em vossas soberbas delícias
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IMORTALIDADE
Vee SpeersApenas teu breve sorriso
Teu corpo perfumado e sem uso
Consumação ausente do presente
Perdura num céu de capitéis estático
Corpo majestático
Sexo morto que jaz
Nos membros amputados
Cotos da frialdade
Sangue coagulado do Rio do Inverno para sempre gelo no Vale dos Reis Decapitados
Esboço de sorriso da solidão do desejo naturalmente aniquilado
Nos espelhos côncavos da Paz Imortal
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SÚPLICA
André de DienesBraços ermos abertos ao céu
Tragicamente erguidos aos deuses
Gemendo as noites que a fome açoita no desembarque dos náufragos de praias ebúrneas e desertas
Entre tantas
Que esquivas te foram por pesados braços de bronze impuro sem chama
E imploras
Que te nasça o amor
Dos vivos orgasmos
Que tão cruelmente te são negados
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DE AMO A SERVO
Emmanuel Villanis - Escrava à vendaQuero o vinho
E o pão
Da tua alma
O sopro dócil
Do amor
A ti te compro
Estupro cinza
Da dor
Agora teu amo
A ti te liberto
Do passado e do presente
A ti te quero
Desejo e desespero
Se te apeteço
E peço agora servo
O milagre da transformação
Do amor em arroubo
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quarta-feira, 11 de julho de 2012
SÁTIRO E NINFA
Alexandre CanabanelNo odor do pinho e da oliveira
Que ostentas o membro erecto
E na luxúria do sexo descoberto
Nunca hás-de amar esse espírito natural
Que faz viver os entes mais perfeitos
De lagos rios bosques e mar
Aparta-te meio-homem meio-animal
Entrega-me esse corpo belo
A quem mais não queres do que mal
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DANÇA CELESTIAL
Gunter BlumQue em alma pura moldados
Transcendem o tempo-espaço
Assim queria eu o teu
Universo-orgasmo infinito
Abraço de nuvem absoluto
A vaguear nesse instante
De eterno prazer
Por Deus tocado
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O NASCIMENTO DO DESEJO
Eugene-Emmannuel Amaury DuvalQue nasce
Em cada sementeira
E cresce
Seara lustrosa
Ao sol do meio-dia
Na fantasia da mente
No sonho mais florido
Na tela branca do artista
E vigoroso
Como fruto
Das hastes da videira
Ansioso e desejoso
Como quem procura
O que ninguém encontra
Veemente implora
Que no seu tempo
Pelo amor seja colhido
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A NAOMI CAMPBELL
Richard AvedonAneladas ao mundo
Escondem nesse olhar
Expressiva melancolia
Duramente repetida no dia-a-dia
E aquele tédio assustador
De quem por tudo ter atingido
Bela e apetecida
Se sente vazia
Taedium vitae
Taedium vitae
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PARTIDA
Igor AmelkovichComo a outros voltaste
Afinal não sou diferente
Sou apenas mais um amante
Com aquele jeito especial de amar
Que instante a instante
Constrói orgasmos sucessivos
Disseminados pelas noites de luar
Eretismo alvo e prateado
Que quando findo
Te faz esquecer em breve momento
O corpo e alma que tos deu
E agora geme e pranteia a indiferença
Do corpo que pensava seu
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MULHER HERCÚLEA
André BritoLá fora
Os grilos tacteiam
As pedras frias
Aves nocturnas
Piam ao luar
Adormecido nas nuvens
E tu
Mulher hercúlea
Dormes na minha solidão
Que sonha uma face
Um sorriso subtil
Que não tens
Um ilusório
E triste
Nada que me mata
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A MARILYN MONROE
Bert SternDe que serve a beleza
O rumor do mais belo corpo nos mais almejados ninhos
O brilho dos espelhos iluminados
Os afidalgados amantes
Quando Tanatos
Fere Eros de morte
A NONA PORTA
PicassoExpansão que o tempo à adaga mata
Não tem o corpo porta
Que ao delírio se encerre
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O INFERNO DO PRAZER

Reneguei o Amor
As carícias
O falso sussurro do ouvido prisioneiro
Resta-me o teu cheiro de doce suor
A violência o ardor
A violeta aberta e orvalhada ao sol do esgotamento
A água que em golfadas das virilhas te corre
O grito o gemido o plangor
De um júbilo tão intenso que é quase dor
Porque aquilo de que se diz tão bom
Tem uma intensidade um vigor
Que dói no coração do próprio amor
Esse orgasmo exaustivo em inolvidável fulgor
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A MIGUEL ANGELO
Miguel Angelo - DavidPor mão de homem esculpido
Por complexo
Por opção de sexo
De certo e sabido
Algo de notável lhe há-de faltar
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SOIS TANTAS

E tão belas
Corpos-desejo
Qual escolher?
A razão escolhe
O desejo não
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QUANDO AS TUAS COXAS SE ABREM

Quando as tuas coxas se abrem
Ainda que levemente
Como quem quer deixar passar a brisa da manhã no corpo a espreguiçar o desalinho
Surge uma neblina prateada no abismo da minha alma
Desejo de navegante desmandado
De mar violeta da volúpia enamorado
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MONGE ERRANTE DE LEITO EM LEITO
Ben LongE nas negras pedras do fogo de seda
Das pontas carminadas da vigília extinta
Adormecemos exaustos
E agora
Tu
Nua
A uma almofada agarrada
Olhos negros
Cerrados
A aferrolhar a noite
Nos grilhões do dia azul
Eu
Suado
No velho soalho
De novo um desterrado
Olhar vago e distante
Com teu sexo exposto ao lado
E parto sem partir
O corpo no quarto a alma no horizonte
Monge errante de leito em leito
Peito rasgado e sanguinolento
Pulsátil como o vulcão de um monte
Do teu veneno sempre sedento
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terça-feira, 10 de julho de 2012
ILUSÃO
Hu Jun DiNão sei se existo
Se sou ilusão
Não sei se existes
Se neste mundo vives
Mas quando te penetro
E dessa fonte bebo a água
Na tua concha muda
Acariciada a azul e verde
A humedecer a coluna
Do meu desejo de incenso
Submerso em lençóis de linho rendados
A moldar os mais soberbos dos movimentos
Mesmo que não viva
E se é que não existo
Não te resisto
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NUA MÚLTIPLA
Egon SchieleNão és uma
És múltipla como o Rio Grande que beija furiosamente o cais ferido pelo movimento eternal das aves nocturnas
Mistério infernal de quem quer que uma seja a que tantas é
Na espreguiçadeira do quotidiano renascido nos gemidos abafados por lustres em chamas
Não és uma
És tantas
E eu quero-te
Uma a uma
No frémito dos beijos molhados a maresia
No amplexo dos corpos desdobráveis em prazeres viciosos
Do júbilo da morte das tardes de névoa obscena
Quero-te
Para que possa tocar
Em cada crepúsculo veneziano
Um dorso quente e diferente
Quero-te em cada dia
Na luz sombria
Ano do Dragão Vermelho
Quero-te ainda que teu olhar
De mim esteja ausente
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NINFAS E SÁTIRO
William Adolphe BouguerauQue não seja Sátiro vosso amante
Esse que só em parte homem é
E na parte que mais tem
Tem o que David não tem
Rasgando-vos fadas sem asas
Leves delicadas
O que tanto desejo
E me não pode ser negado
Nem estar por besta sujo
Ou por sátiro sujado
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COM A MÃO
De palma branca
Dizes que não
Com o corpo
A doirar mestiço
Dizes que sim
Com o rosto
Oculto
Nem sim nem não
Assim como assim
Dizes ao sim que não
E ao não sim
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O PRIMEIRO NU ARTÍSTICO

Sombras bailam nas rochas firmes como seios intocados
Dos veios subterrâneos corre o sémen do ser
Prazer de sangue novo e quente recolhido no odor dos freixos
Anseios doirados e incriados
Do nada nascidos
A neve gela na floresta virginal
Correm os lobos famintos
Predadores da lascívia animal
O Homem nu nas peles ocres do inverno
Sonha com gazelas e veados
E na alma lisa de pedra por talhar
Desenha o primeiro nu
Sem tela
Sem sais de prata
Nas pedras salpicadas de cores exaustas
Sabendo que amar
Se inicia com um lânguido olhar
Desejo da carne
Do coração primitivo
Tão longínquo à razão
E anela
Truta em pedra lavada pela torrente das sensações inexplicáveis
O corpo nu
Que desde o alvorecer aguarda
O despertar de quem só ama e caça
Num fogo que jamais se apaga
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sexta-feira, 6 de julho de 2012
INOCÊNCIA

Excelsa criança
Olha-me de olhos rasgados
Por divino arado lavrados
Olha-me nesses olhos amendoados
Cobre os teus seios carne de veludo
Num estudo de perfeição cinzelados
Que Deus tão gentilmente te deu
Olha-me a mim
Que te amo
E não te quero
Não temas
Que pela carne
Não desespero
Olha-me
Não olhes mais ninguém
Porque a olhos assim
Só eu quero
E quero Bem
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À ESPERA DO AMANTE

Do espelho sujo e mudo
Um tudo que se embroma
Na falta do siso de quem espera
O que sem aviso vem
E por momentos se deleita
Nas formas que ela tem
Espelho que se converte
No que espelhado se não confessa
E confia na mentira pela vida tecida
De quem nela ingrata se perde
E à quimera se converte
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PRIMEIRA FOTOGRAFIA DE NUS FEMININOS

Como vos deve ter sido penoso
Inglório e talvez injurioso
Pontas de dedos com dedos
Braço na cintura
Olhar distante
Uma câmara estranha
Num dia de sol escuro
Cabeça encostada ao ombro
Único que se tem
Sexo exposto
À masturbação furiosa
Às vezes
Por detrás do biombo oculto
Dos palacetes de nobres e burgueses
Triste é o corpo
Melancólica a expressão
De quem se entrega
Sem que o saiba
Por um nada
Por um qualquer trocado
Por um tostão
Às vistas do mundo
Numa primeira imagem mostrada
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