sexta-feira, 27 de julho de 2012
ALEXANDRE O'NEILL - SONETO
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quinta-feira, 12 de julho de 2012
O NASCIMENTO DE VÉNUS
BotticelliO teu corpo maduro
Emerge das águas turquesa
Ó Deusa
Na concha das minhas mãos ávidas
Surge em esplendor o marfim das tuas formas
Concha por outra concha tocada
Sopram os ventos de Oeste
Alento cálido do amor absoluto
Da carne que no espírito se move
Enquanto a Deusa das Estações
Te intenta ocultar
Em manto a tulipas bordado
http://www.homeoesp.org/livros_online.html
Emerge das águas turquesa
Ó Deusa
Na concha das minhas mãos ávidas
Surge em esplendor o marfim das tuas formas
Concha por outra concha tocada
Sopram os ventos de Oeste
Alento cálido do amor absoluto
Da carne que no espírito se move
Enquanto a Deusa das Estações
Te intenta ocultar
Em manto a tulipas bordado
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POESIA
DOCE NEGRITUDE
Fabrice RobinDoces olhos
Doce negritude
A tua pele é uma túnica de pedra escura
O teu corpo pináculo de catedral
Teus seios o portal do desejo vivo e quente
Tua boca gerada da matéria mais pura
É o alimento que verto no sal do meu ventre
Em ti penso
E eternamente me contento
Num presente que não é tempo
Doce negritude
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POESIA
NINFAS NA NOITE
Luís Ricardo FaleroAcordo só
Meio da noite
Ilumino o quarto de pedra
A gruta que habito
E vejo vossa imagem suspensa
Há um ruído de fundo no aquecimento incerto deste fim de primavera
Não faço escolhas
Quero-vos às duas
Como milhafre que sobrevoa campo de girassóis num ostensivo fim de tarde
Mergulho na minha alma
Ora rude ora sensível
E sem pensar
Tendo por testemunha o granito amarelo bujardado
Tiro-me o véu do pundonor
Arrebato-vos dos céus e dos seus deuses de palha
Deito-vos mansamente no meu estrado de carvalho velho
Onde sonhos sonolentos se arrastam pelas auroras erécteis
E amamo-nos os três
Até que exauridos adormecemos sorrindo como crianças roçadas pela Fortuna
Num crepúsculo à beira-rio
Pombas brancas lado a lado com o sémen derramado
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Meio da noite
Ilumino o quarto de pedra
A gruta que habito
E vejo vossa imagem suspensa
Há um ruído de fundo no aquecimento incerto deste fim de primavera
Não faço escolhas
Quero-vos às duas
Como milhafre que sobrevoa campo de girassóis num ostensivo fim de tarde
Mergulho na minha alma
Ora rude ora sensível
E sem pensar
Tendo por testemunha o granito amarelo bujardado
Tiro-me o véu do pundonor
Arrebato-vos dos céus e dos seus deuses de palha
Deito-vos mansamente no meu estrado de carvalho velho
Onde sonhos sonolentos se arrastam pelas auroras erécteis
E amamo-nos os três
Até que exauridos adormecemos sorrindo como crianças roçadas pela Fortuna
Num crepúsculo à beira-rio
Pombas brancas lado a lado com o sémen derramado
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DEUSA

Deusa que mulher nasces
Em oração de Amor te peço
Não me abandones jamais
Que sem teu cabelo doirado
Sem a beleza do teu rosto
E a nudez dos teu seios
Não vivo e morro nesta dor
De pobre mortal enjeitado
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Em oração de Amor te peço
Não me abandones jamais
Que sem teu cabelo doirado
Sem a beleza do teu rosto
E a nudez dos teu seios
Não vivo e morro nesta dor
De pobre mortal enjeitado
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MULHER ETÉREA
AmanoFoges-me animal celeste
A mim A mim que já não sei nem posso voar
Tenho as asas mortas e geladas
O meu lugar é em terra ou no mar
Nas asas-barbatanas dos anos percorridos pelo cansaço
Como peixe cego que embate no batel atracado na lama gordurosa da laguna
Ou como coche que carrega gente do Nada para a cidade colonial do Tudo
Onde as pernas se abrem e entesouram num ritual obscurecido pelos anos ferventes
E os seios redondos encastrados se erguem clamando justiça ao despotismo arroxeado da união fácil da estrada chuvosa da vida
Ou como quem por mal ver
Já não distingue nem sabe
Se és matéria ou etérea
http://www.homeoesp.org/livros_online.html
A mim A mim que já não sei nem posso voar
Tenho as asas mortas e geladas
O meu lugar é em terra ou no mar
Nas asas-barbatanas dos anos percorridos pelo cansaço
Como peixe cego que embate no batel atracado na lama gordurosa da laguna
Ou como coche que carrega gente do Nada para a cidade colonial do Tudo
Onde as pernas se abrem e entesouram num ritual obscurecido pelos anos ferventes
E os seios redondos encastrados se erguem clamando justiça ao despotismo arroxeado da união fácil da estrada chuvosa da vida
Ou como quem por mal ver
Já não distingue nem sabe
Se és matéria ou etérea
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A MULHER DOS MEUS SENTIDOS
Bruno SteinbachMulher desenhada pelo sabre do Tempo
No azul do oculto amor divinizado
Mulher morna à rajada de vento frio
Erguida como néctar em taça
Esguia deusa da noite oculta
Luzidia como ninfa da trapaça
Mulher humedecida pelo afago
De minha mão dolente
No teu sexo denso
Tua palma macia
Envolve o meu ceptro
Erecto
E os teus mamilos tensos
Arvorados ao deslumbre
São os faróis da luz táctil dos meus sentidos
http://www.homeoesp.org/livros_online.html
No azul do oculto amor divinizado
Mulher morna à rajada de vento frio
Erguida como néctar em taça
Esguia deusa da noite oculta
Luzidia como ninfa da trapaça
Mulher humedecida pelo afago
De minha mão dolente
No teu sexo denso
Tua palma macia
Envolve o meu ceptro
Erecto
E os teus mamilos tensos
Arvorados ao deslumbre
São os faróis da luz táctil dos meus sentidos
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SEREIAS
Charles EdwardPedras de fogo em explosão narcísica
Sustentam a brisa que vosso corpo colhe
O céu brame encarcerado
Na abóbada de musical claridade
O mar desfaz-se em escuma
Sémen que a areia feérica recolhe
E eu da falésia sofro e calo
Por não vos poder amar
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Sustentam a brisa que vosso corpo colhe
O céu brame encarcerado
Na abóbada de musical claridade
O mar desfaz-se em escuma
Sémen que a areia feérica recolhe
E eu da falésia sofro e calo
Por não vos poder amar
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LEDA E O CISNE
François BoucherPudera eu transformar-me em Cisne Branco
E seria Zeus
O Deus sedutor de todas as Rainhas da Terra
Jorrando eternamente o meu amor
Em vossas soberbas delícias
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E seria Zeus
O Deus sedutor de todas as Rainhas da Terra
Jorrando eternamente o meu amor
Em vossas soberbas delícias
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IMORTALIDADE
Vee SpeersNa mortal floresta da eternidade
Apenas teu breve sorriso
Teu corpo perfumado e sem uso
Consumação ausente do presente
Perdura num céu de capitéis estático
Corpo majestático
Sexo morto que jaz
Nos membros amputados
Cotos da frialdade
Sangue coagulado do Rio do Inverno para sempre gelo no Vale dos Reis Decapitados
Esboço de sorriso da solidão do desejo naturalmente aniquilado
Nos espelhos côncavos da Paz Imortal
http://www.homeoesp.org/livros_online.html
Apenas teu breve sorriso
Teu corpo perfumado e sem uso
Consumação ausente do presente
Perdura num céu de capitéis estático
Corpo majestático
Sexo morto que jaz
Nos membros amputados
Cotos da frialdade
Sangue coagulado do Rio do Inverno para sempre gelo no Vale dos Reis Decapitados
Esboço de sorriso da solidão do desejo naturalmente aniquilado
Nos espelhos côncavos da Paz Imortal
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SÚPLICA
André de DienesEntre todas te alevantas
Braços ermos abertos ao céu
Tragicamente erguidos aos deuses
Gemendo as noites que a fome açoita no desembarque dos náufragos de praias ebúrneas e desertas
Entre tantas
Que esquivas te foram por pesados braços de bronze impuro sem chama
E imploras
Que te nasça o amor
Dos vivos orgasmos
Que tão cruelmente te são negados
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Braços ermos abertos ao céu
Tragicamente erguidos aos deuses
Gemendo as noites que a fome açoita no desembarque dos náufragos de praias ebúrneas e desertas
Entre tantas
Que esquivas te foram por pesados braços de bronze impuro sem chama
E imploras
Que te nasça o amor
Dos vivos orgasmos
Que tão cruelmente te são negados
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DE AMO A SERVO
Emmanuel Villanis - Escrava à vendaDo teu corpo
Quero o vinho
E o pão
Da tua alma
O sopro dócil
Do amor
A ti te compro
Estupro cinza
Da dor
Agora teu amo
A ti te liberto
Do passado e do presente
A ti te quero
Desejo e desespero
Se te apeteço
E peço agora servo
O milagre da transformação
Do amor em arroubo
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Quero o vinho
E o pão
Da tua alma
O sopro dócil
Do amor
A ti te compro
Estupro cinza
Da dor
Agora teu amo
A ti te liberto
Do passado e do presente
A ti te quero
Desejo e desespero
Se te apeteço
E peço agora servo
O milagre da transformação
Do amor em arroubo
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quarta-feira, 11 de julho de 2012
SÁTIRO E NINFA
Alexandre CanabanelSátiro que te escondes
No odor do pinho e da oliveira
Que ostentas o membro erecto
E na luxúria do sexo descoberto
Nunca hás-de amar esse espírito natural
Que faz viver os entes mais perfeitos
De lagos rios bosques e mar
Aparta-te meio-homem meio-animal
Entrega-me esse corpo belo
A quem mais não queres do que mal
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No odor do pinho e da oliveira
Que ostentas o membro erecto
E na luxúria do sexo descoberto
Nunca hás-de amar esse espírito natural
Que faz viver os entes mais perfeitos
De lagos rios bosques e mar
Aparta-te meio-homem meio-animal
Entrega-me esse corpo belo
A quem mais não queres do que mal
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DANÇA CELESTIAL
Gunter BlumCorpos há
Que em alma pura moldados
Transcendem o tempo-espaço
Assim queria eu o teu
Universo-orgasmo infinito
Abraço de nuvem absoluto
A vaguear nesse instante
De eterno prazer
Por Deus tocado
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Que em alma pura moldados
Transcendem o tempo-espaço
Assim queria eu o teu
Universo-orgasmo infinito
Abraço de nuvem absoluto
A vaguear nesse instante
De eterno prazer
Por Deus tocado
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O NASCIMENTO DO DESEJO
Eugene-Emmannuel Amaury DuvalHá um corpo
Que nasce
Em cada sementeira
E cresce
Seara lustrosa
Ao sol do meio-dia
Na fantasia da mente
No sonho mais florido
Na tela branca do artista
E vigoroso
Como fruto
Das hastes da videira
Ansioso e desejoso
Como quem procura
O que ninguém encontra
Veemente implora
Que no seu tempo
Pelo amor seja colhido
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Que nasce
Em cada sementeira
E cresce
Seara lustrosa
Ao sol do meio-dia
Na fantasia da mente
No sonho mais florido
Na tela branca do artista
E vigoroso
Como fruto
Das hastes da videira
Ansioso e desejoso
Como quem procura
O que ninguém encontra
Veemente implora
Que no seu tempo
Pelo amor seja colhido
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A NAOMI CAMPBELL
Richard AvedonA fama das tuas formas
Aneladas ao mundo
Escondem nesse olhar
Expressiva melancolia
Duramente repetida no dia-a-dia
E aquele tédio assustador
De quem por tudo ter atingido
Bela e apetecida
Se sente vazia
Taedium vitae
Taedium vitae
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Aneladas ao mundo
Escondem nesse olhar
Expressiva melancolia
Duramente repetida no dia-a-dia
E aquele tédio assustador
De quem por tudo ter atingido
Bela e apetecida
Se sente vazia
Taedium vitae
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PARTIDA
Igor AmelkovichVoltas-me as costas
Como a outros voltaste
Afinal não sou diferente
Sou apenas mais um amante
Com aquele jeito especial de amar
Que instante a instante
Constrói orgasmos sucessivos
Disseminados pelas noites de luar
Eretismo alvo e prateado
Que quando findo
Te faz esquecer em breve momento
O corpo e alma que tos deu
E agora geme e pranteia a indiferença
Do corpo que pensava seu
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Como a outros voltaste
Afinal não sou diferente
Sou apenas mais um amante
Com aquele jeito especial de amar
Que instante a instante
Constrói orgasmos sucessivos
Disseminados pelas noites de luar
Eretismo alvo e prateado
Que quando findo
Te faz esquecer em breve momento
O corpo e alma que tos deu
E agora geme e pranteia a indiferença
Do corpo que pensava seu
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MULHER HERCÚLEA
André BritoLá fora
Os grilos tacteiam
As pedras frias
Aves nocturnas
Piam ao luar
Adormecido nas nuvens
E tu
Mulher hercúlea
Dormes na minha solidão
Que sonha uma face
Um sorriso subtil
Que não tens
Um ilusório
E triste
Nada que me mata
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