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OS TRATAMENTOS SUGERIDOS NÃO DISPENSAM A INTERVENÇÃO DE TERAPEUTA OU MÉDICO ASSISTENTE.

ARTE

sexta-feira, 27 de julho de 2012

ARY DOS SANTOS - A BRUXA

ANTÓNIO NOBRE - E A VIDA FOI, E É ASSIM, E NÃO MELHORA

ANTÓNIO LOBO ANTUNES - TODOS OS HOMENS SÃO MARICAS QUANDO ESTÃO COM GRIPE

ANTÓNIO GEDEÃO - POEMA DA AUTO-ESTRADA

ANTÓNIO BOTTO - CANÇÃO

ANTERO DE QUENTAL - À VIRGEM SANTÍSSIMA

ANA HATHERLY - RILKEANA - IV

ANA HATHERLY - RILKEANA - III

ANA HATHERLY - RILKEANA - II

ANA HATHERLY - RILKEANA - I

ALVARENGA PEIXOTO - AO MUNDO ESCONDE O SOL SEUS RESPLENDORES

ALEXANDRE O'NEILL - ZIBALDONE

ALEXANDRE O'NEILL - VENEZA AOS GATOS

ALEXANDRE O'NEILL - UM CARNAVAL

ALEXANDRE O'NEILL - SONETO

ALEXANDRE O'NEILL - QUE VERGONHA, RAPAZES

ALEXANDRE O'NEILL - PORTUGAL

ALEXANDRE O'NEILL - OS AMANTES DE NOVEMBRO

ALEXANDRE O'NEILL - O PEQUENO CORCUNDA

ALEXANDRE O'NEILL - O MORTO

ALEXANDRE O'NEILL - NO REINO DO PACHECO

ALEXANDRE O'NEILL - INVENTÁRIO

ALEXANDRE O'NEILL - FALA

ALEXANDRE O'NEILL - CÃO

ALEXANDRE O'NEILL - BOM E EXPRESSIVO

ALEXANDRE O'NEILL - AUTO-RETRATO

ALEXANDRE O'NEILL - APROVEITANDO UMA ABERTA

ALEXANDRE O'NEIILL - ANA BRITES, BALADA TÃO AO GOSTO POPULAR PORTUGUÊS

ALEXANDRE O'NEILL - AMIGOS PENSADOS, ÀRTUR

ALEXANDRE O'NEILL - A QUEIXADA

ALEXANDRE O'NEILL - A MEU FAVOR

ABADE DE JAZENTE - OH MAL HAJA DA FRANÇA A HABILIDADE

ABADE DE JAZENTE - DÉCIMA

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O NASCIMENTO DE VÉNUS

Botticelli





O teu corpo maduro
Emerge das águas turquesa
Ó Deusa

Na concha das minhas mãos ávidas
Surge em esplendor o marfim das tuas formas
Concha por outra concha tocada

Sopram os ventos de Oeste
Alento cálido do amor absoluto
Da carne que no espírito se move

Enquanto a Deusa das Estações
Te intenta ocultar
Em manto a tulipas bordado

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DOCE NEGRITUDE

Fabrice Robin


Doces olhos
Doce negritude
A tua pele é uma túnica de pedra escura
O teu corpo pináculo de catedral
Teus seios o portal do desejo vivo e quente
Tua boca gerada da matéria mais pura
É o alimento que verto no sal do meu ventre
Em ti penso
E eternamente me contento
Num presente que não é tempo
Doce negritude

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NINFAS NA NOITE

Luís Ricardo Falero





Acordo só

Meio da noite

Ilumino o quarto de pedra
A gruta que habito
E vejo vossa imagem suspensa

Há um ruído de fundo no aquecimento incerto deste fim de primavera

Não faço escolhas
Quero-vos às duas
Como milhafre que sobrevoa campo de girassóis num ostensivo fim de tarde

Mergulho na minha alma
Ora rude ora sensível
E sem pensar
Tendo por testemunha o granito amarelo bujardado
Tiro-me o véu do pundonor
Arrebato-vos dos céus e dos seus deuses de palha

Deito-vos mansamente no meu estrado de carvalho velho
Onde sonhos sonolentos se arrastam pelas auroras erécteis
E amamo-nos os três
Até que exauridos adormecemos sorrindo como crianças roçadas pela Fortuna
Num crepúsculo à beira-rio
Pombas brancas lado a lado com o sémen derramado

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DEUSA





Deusa que mulher nasces
Em oração de Amor te peço

Não me abandones jamais
Que sem teu cabelo doirado

Sem a beleza do teu rosto
E a nudez dos teu seios

Não vivo e morro nesta dor
De pobre mortal enjeitado

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MULHER ETÉREA

Amano




Foges-me animal celeste
A mim A mim que já não sei nem posso voar

Tenho as asas mortas e geladas

O meu lugar é em terra ou no mar
Nas asas-barbatanas dos anos percorridos pelo cansaço
Como peixe cego que embate no batel atracado na lama gordurosa da laguna
Ou como coche que carrega gente do Nada para a cidade colonial do Tudo
Onde as pernas se abrem e entesouram num ritual obscurecido pelos anos ferventes
E os seios redondos encastrados se erguem clamando justiça ao despotismo arroxeado da união fácil da estrada chuvosa da vida

Ou como quem por mal ver
Já não distingue nem sabe
Se és matéria ou etérea

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A MULHER DOS MEUS SENTIDOS

Bruno Steinbach




Mulher desenhada pelo sabre do Tempo
No azul do oculto amor divinizado

Mulher morna à rajada de vento frio

Erguida como néctar em taça
Esguia deusa da noite oculta
Luzidia como ninfa da trapaça

Mulher humedecida pelo afago
De minha mão dolente
No teu sexo denso

Tua palma macia
Envolve o meu ceptro
Erecto

E os teus mamilos tensos
Arvorados ao deslumbre
São os faróis da luz táctil dos meus sentidos

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SEREIAS

Charles Edward





Pedras de fogo em explosão narcísica
Sustentam a brisa que vosso corpo colhe

O céu brame encarcerado
Na abóbada de musical claridade

O mar desfaz-se em escuma
Sémen que a areia feérica recolhe

E eu da falésia sofro e calo
Por não vos poder amar

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LEDA E O CISNE

François Boucher




Pudera eu transformar-me em Cisne Branco
E seria Zeus
O Deus sedutor de todas as Rainhas da Terra
Jorrando eternamente o meu amor
Em vossas soberbas delícias

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IMORTALIDADE

Vee Speers




Na mortal floresta da eternidade
Apenas teu breve sorriso
Teu corpo perfumado e sem uso
Consumação ausente do presente
Perdura num céu de capitéis estático

Corpo majestático
Sexo morto que jaz
Nos membros amputados
Cotos da frialdade

Sangue coagulado do Rio do Inverno para sempre gelo no Vale dos Reis Decapitados
Esboço de sorriso da solidão do desejo naturalmente aniquilado
Nos espelhos côncavos da Paz Imortal

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SÚPLICA

André de Dienes




Entre todas te alevantas
Braços ermos abertos ao céu
Tragicamente erguidos aos deuses

Gemendo as noites que a fome açoita no desembarque dos náufragos de praias ebúrneas e desertas
Entre tantas
Que esquivas te foram por pesados braços de bronze impuro sem chama

E imploras
Que te nasça o amor
Dos vivos orgasmos
Que tão cruelmente te são negados


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DE AMO A SERVO

Emmanuel Villanis - Escrava à venda



Do teu corpo
Quero o vinho
E o pão

Da tua alma
O sopro dócil
Do amor

A ti te compro
Estupro cinza
Da dor

Agora teu amo
A ti te liberto
Do passado e do presente

A ti te quero
Desejo e desespero
Se te apeteço

E peço agora servo
O milagre da transformação
Do amor em arroubo

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quarta-feira, 11 de julho de 2012

SÁTIRO E NINFA

Alexandre Canabanel




Sátiro que te escondes
No odor do pinho e da oliveira
Que ostentas o membro erecto
E na luxúria do sexo descoberto
Nunca hás-de amar esse espírito natural
Que faz viver os entes mais perfeitos
De lagos rios bosques e mar

Aparta-te meio-homem meio-animal
Entrega-me esse corpo belo
A quem mais não queres do que mal

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DANÇA CELESTIAL

Gunter Blum




Corpos há
Que em alma pura moldados
Transcendem o tempo-espaço

Assim queria eu o teu
Universo-orgasmo infinito
Abraço de nuvem absoluto

A vaguear nesse instante
De eterno prazer
Por Deus tocado

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O NASCIMENTO DO DESEJO

Eugene-Emmannuel Amaury Duval






Há um corpo
Que nasce
Em cada sementeira

E cresce
Seara lustrosa
Ao sol do meio-dia

Na fantasia da mente
No sonho mais florido
Na tela branca do artista

E vigoroso
Como fruto
Das hastes da videira

Ansioso e desejoso
Como quem procura
O que ninguém encontra

Veemente implora
Que no seu tempo
Pelo amor seja colhido


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A NAOMI CAMPBELL

Richard Avedon




A fama das tuas formas
Aneladas ao mundo
Escondem nesse olhar
Expressiva melancolia
Duramente repetida no dia-a-dia
E aquele tédio assustador
De quem por tudo ter atingido
Bela e apetecida
Se sente vazia

Taedium vitae
Taedium vitae

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PARTIDA

Igor Amelkovich






Voltas-me as costas
Como a outros voltaste

Afinal não sou diferente
Sou apenas mais um amante

Com aquele jeito especial de amar
Que instante a instante

Constrói orgasmos sucessivos
Disseminados pelas noites de luar

Eretismo alvo e prateado
Que quando findo

Te faz esquecer em breve momento
O corpo e alma que tos deu

E agora geme e pranteia a indiferença
Do corpo que pensava seu


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MULHER HERCÚLEA

André Brito




Lá fora
Os grilos tacteiam
As pedras frias

Aves nocturnas
Piam ao luar
Adormecido nas nuvens

E tu
Mulher hercúlea
Dormes na minha solidão

Que sonha uma face
Um sorriso subtil
Que não tens

Um ilusório
E triste
Nada que me mata

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