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OS TRATAMENTOS SUGERIDOS NÃO DISPENSAM A INTERVENÇÃO DE TERAPEUTA OU MÉDICO ASSISTENTE.

ARTE

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

FOME DE AMAR




dizes 
que é o meu cheiro
a fome de amar
a erecção constante
o vício de dar
de morder
um prazer que é teu
mas que antes de o ser
é sempre meu





NADO NO TEU CORPO



nado no teu corpo alagado
na esmeralda do desejo contido

e pouco a pouco
desperto o sentido

que molha a pele
que te fala ao ouvido

e abre com doçura
o teu sexo escondido





O GRITO DOS SENTIDOS



gritam os sentidos à aurora

ponho uma venda azul

junto as cinturas num anel
que se não sente nem é de gente





CORPO PENETRADO SEM TEMPO



o corpo penetrado sem tempo

três cavalos brancos na lezíria

o vento sopra no meu peito
entre as pernas

na febre da vagina
no lençol de papel escrevemos nossos êxtases
o princípio e o fim das noites gementes
onde os corações se incendeiam

pétalas acompanham a lentidão da língua na flor dos lábios

inventámos as posições sem vereda      a sagrada pira
consumámos o grito surdo do orgasmo
silenciámos o universo na sua prepotência
e destruímos o pecado que do corpo nasce e no corpo respira





DEIXA QUE TE MOSTRE O INFINITO



esse teu desejo tão belo tão bonito – 
dá-me tua mão sedenta
deixa que te mostre o infinito





A MAIS FORTE DAS ERECÇÕES



tinhas os cabelos compridos
encaracolados e negros

a face trigueira e o sorriso ligeiro
lá fora fazia frio de inverno

na sala da braseira
o regaço coberto pela mantilha
deslizaste os teus dedos
pelo meu pénis virgem

eras tão nova      e eu também
a tia dormia        ou fingia
fizeste-o como ninguém

e essa erecção foi tão forte
como nenhuma outra tive
nem terei até à morte





O REINO DO ILUMINADO



os corpos
revoltos
as bocas
mordidas
os sexos
as virilhas
odor
a canela
o sabor
da madrugada
as lianas
o grito
das hienas 
e dos chacais
os lábios
famintos
sôfregos
de um sorriso
o fogo
que o coração
ateia
a paixão
do sangue
em ebulição
os lençóis
frios
o prazer
deslumbrado
à palavra
amor
a égua
que corre
no prado azul
a espada
que rasga
o fundo da dor
que a esquece
e com raiva
lambe
beija
e morde
o medo
do pecado
e eleva
pénis
e vagina
ao reino
do iluminado





DEVORA-ME O SEXO




devora-me o sexo
vira-me do avesso
despe-me a alma

mata em mim o humano
acaricia-me o peito
inunda-me com o teu cheiro
rasga-me os sentidos
oferta-me teus orgasmos

que morrem pela mão da madrugada
quando exaustos e de uma só vez
adormecemos num mar de esperma
a suco de saliva arado





ROMÃ



pernas que se abrem
os cotovelos 
roçam os lençóis brancos

mãos dadas
os longos cabelos suados

das axilas um fogo cálido
um sexo molhado

uma romã
orvalho que nu
veste a haste dura





TEU ORGASMO E MEU ESPASMO



toca-me
devagarinho
no peito
no ventre
no sexo
aperta-me
joelhos
coxas
braços
deixa 
que te penetre
fundo
tu de costas
com as pernas
fechadas
eu
suspenso
eréctil
louco
do teu movimento
grita
grito
e agora
de bruços
para cima deitada
ou de lado
com teus dedos
prolongas 
teu orgasmo
e meu espasmo





IMERGIMOS NO MESMO VINHO



fecho-te os olhos
abro-te o vestido –
noite escura

nos ares o
aroma do pinho –
imergimos
no mesmo vinho





ACARICIO-TE AS PERNAS



acaricio-te as pernas neste carinho que devagar inventa o fascínio do sabor do teu peito        há sombras nas vidraças que se abrem sedentes à brisa da tarde
dá-me a tua língua teus dentes perfumados a mão em frenesim
deixa que tropece no teu sexo que te cheire e que te enrede      que te enleie
chama-me louco      sim      enquanto o meu súbito desejo em ti se implanta





HOJE FIZEMOS AMOR



hoje fizemos amor –
para sempre na carne
do acto de amor fazer
os estilhaços cravados





ENSINO-TE O CAMINHO



a meio da noite
insisto
arrasto-te a mão
ensino-te o caminho

inclino-me à taça
de que bebo
esse vinho
doce e aveludado

dou-te a mão
beijo-te os seios
sem saber 
se sonho acordado

ou se o sono
me sustenta
acordado a alma
em corpo alado





O DELÍRIO DOS CORPOS



o delírio dos corpos
na sombra da tarde
lembra com ternura
inocente e pura
a verdade da língua alada
e da saliva de brando gosto
que brota de tua boca
e escorre pela vulva
e pela virilha 
que esfregada se mancha





SEXO DESASSOSSEGADO



tuas ancas coloridas
nas minhas mãos doridas

tuas nádegas e meus dedos
nas coxas despertadas

transparência de nervos ossos
músculos e desejos

no sexo desassossegado
por ti subjugado





RENASCER A CADA ORGASMO



há uma vida e duas canções
canção do amor e a da paz

hoje quero-te como amante
pele contra pele mãos nas mãos

e teu corpo vivo em flor
a renascer a cada orgasmo





DÁDIVA



os teus lábios
tua dádiva
nas mãos lentas da incerteza

ajoelhada
na macia 
nudez dos dedos

confessas-te
molhada
rosa das rosas

e ao meu tacto
pelo caminho
esguio e menos recto

se entorpece aos poucos
tua vagina
de menina





NINFAS E SÁTIROS



parto e
na memória guardo

o suor das catedrais
os uivos        os ais

longínquos
das estradas desertas

das avenidas das capitais
de tantas camas

tantos feitos
pecados veniais 

tantos seios
vaginas peitos

tantas ninfas 
tantos sátiros

tantos sonhos desfeitos





NÃO HÁ PORTA DO CORPO QUE SEJA SUJA



minhas pernas
tuas apertam

o meu sexo
penetra-te
deslizando pelas formas
erectas dessa 
porta

que limpa
de toda a sujidade
ilumina o corpo
e me transforma
na mais alta potestade





A QUEM SEU CORPO BASTA



como estão longínquas 
as palmeiras
que tua seiva absorvem
nesse amar inocente
a quem seu corpo basta

frémito     langor     carícia
escondida em curta veste
que tanta saudade liberta

por terras e mares
por humanos
nunca pisadas
nem navegados





SINTO-ME CRIANÇA



de ti não sinto nojo
em tudo que faço

e o que faço de ti
se só a ti te aproveita
por mim o faço

e por fim
no laço da união

se te deito      te beijo
te abraço

te digo te amo
te entrego do amor 
a lança 

choro de alegria
sinto-me criança





BELOS OS CORPOS



belos os corpos que se colam na unidade de múltiplos orgasmos 
em sucessivos espasmos 
pelos dedos dos afectos tocados





CORPOS EM VIBRAÇÃO



escorre o suor
nos corpos em vibração

por trás
te abraço
te amo
te desfaço





NA EXCITAÇÃO



na excitação
todo me tomas
e sem que saiba porquê
pela flor de teus olhos
sou penetrado





TUDO EM TI É FLOR QUE NASCE



balbucias palavras que desconheço
tocas o teu corpo com lascívia

o meu membro não te basta
tudo em ti é flor que nasce

prazer que sempre renasce
no viçoso fim de tarde





quarta-feira, 8 de outubro de 2014

QUERO MAIS



deitas-te
contorces-te
prendes as tuas
próprias pernas

elevas-te
sentes-me
e em espasmo
incandescente
gritas ais

e quase
em surdina
dizes

quero mais
mais





O SABOR DO PECADO



um beijo tão profundo e prolongado
só tem continuidade e vida
se tiver por essência o sabor do pecado





O CORPO MAIS QUE RAZÃO É SENTIDOS




tens nos olhos e na língua
a certeza de que o corpo
mais que razão é sentidos





CIDADE NÓRDICA



no gelo
daquela cidade nórdica
vossos cabelos loiros
vestem deslumbrados
os sexos despidos
brilhantes     molhados
doces e mansos
a tolherem-me a visão

quero-vos
tanto
que se vos vejo
nessa lânguida posição
mais vos quero
mais vos desejo
às duas
à minha mão





É TÃO BOM QUE ATÉ FAZ DOER



como de lança sangrante
em ferida de mágoa nasce o prazer

desse modo te firo e ouço dizer
é tão bom que até faz doer





COM AS DUAS ME DEITO



com as duas me deito
as duas exploro

homem de uma só mulher
não é homem 
é manso touro

na arena a morrer 
sem conhecer o vero prazer
de múltiplo orgasmo

mito
que o mundo nega

inveracidade de eunucos
que nunca irão conhecer
a mais pura realidade





O AMOR NÃO TEM LIMITES



o amor não tem limites

tua boca no meu sexo
a minha no teu

saciando todos os apetites





ÀS DUAS VOS QUERO



quando
nas mãos te tenho
te beijo
te penetro
e teu olhar vejo
com tanto desejo
por ti
outra aguardo
nas lágrimas de seiva
do meu corpo
faminto
alimento
da alma
que o anima

e se neste dia
o digo
que às duas vos quero
como a mais ninguém
olhando para o passado
já morto
é certa prova
de que vos não minto
de tanto vos querer bem





NOITE DE AMOR E DE SOLIDÃO



nos céus a escuridão do vazio
tua casa silente em chamas

um bote passa no rio
cavalgando limos dourados

noite de todos os pecados
num sexo que aquece ao frio

noite de amor
na solidão em que te amas





PERCO-ME NO DESEJO



quando uma 
não basta
duas 
são poucas

tantas quero
que me perco
nas vulvas do desejo





DESEJAS O QUE DESEJO



na boca e na vagina
desejas o que desejo

um rio de prazer
um mar de beijos





TERNO PECADO



nesse amor interdito
enovelam-se as línguas
em terno pecado





QUANDO A MORTE VIER



quando a morte vier
por esse oceano de espuma

que parta comigo
a visão de teu corpo nu

costas ao 
mundo voltadas

porque quem deveras ama
só tem olhos para o amado

que para sempre partindo
tão pesado lhe é

o fardo que carrega
do coração destroçado





SONHO OU REALIDADE



na cama púrpura rendada
não sei        nem saberei
se o teu corpo de âmbar
é sonho ou realidade
mentira ou verdade





OLHAR QUE AMA E MATA



olhas-me
com esse olhar
que tanto ama
como mata

mostrando-me 
na mão direita
o que usaste
na minha falta





É NA EXTENSA NOITE



é na extensa noite
que as estrelas tremulam
no teu leito

um candelabro incendeia
fios talhados a mirra
depositados no teu peito

e eu sem saber
quem sou
nem onde estou

o líquido da vida
no teu ventre sagrado
em êxtase derramo





ESPASMO APÓS ESPASMO



espasmo
após espasmo

contorce-se o corpo
nas linhas do espelho

nas palmas das mãos
em desejo profundo
mergulhas

no divino prazer
te moldas

belos os gemidos
com que me acordas





O GRITO DOS SENTIDOS



o grito dos sentidos
das palavras impensadas

do corpo em chamas
nascem aromas

sémen de rosmaninho
de razões despido





UM ORGASMO A VIBRAR EM MIM



um corpo
no meu sentado

a fragrância
do sexo orvalhado

os teus joelhos
nas minhas mãos

as tuas
nos meus queixos

e um orgasmo
a vibrar em mim

nesse movimento
deitado





NÃO É POR MIM É POR TI QUE O FAÇO



porque me olhas assim
como se fosses ferido veado
por infame lança penetrado

não é por mim
é por ti que o faço