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sábado, 11 de setembro de 2010

A JUSTIÇA DO MEU PAÍS






As leis são como as teias de aranha que apanham pequenos insectos e são destruídas pelos grandes.
Sólon



Justiça tardia é denegação de justiça, seja para as vítimas seja para os próprios delinquentes.


Tenho evitado tecer quaisquer comentários sobre a justiça, de quem me “divorciei” há cerca de oito anos. E quem se divorcia, não volta a dormir na mesma cama da sua ex-mulher, não vá o Demo tecê-las...

Mas,
quando os ventos da desgraça arrastam todas as naus para os rochedos da barra, embriagando os pilotos com o néctar do prestígio, servido em taças de argila que não foram cozidas,
quando o povo assiste na praia ao inevitável desastre, transmudando em espectáculo circense uma verdadeira catástrofe,
quando os pilotos estão mais preocupados com a sua imponente-imagem-gravatal ao leme, do que com o rumo da embarcação,
quando a competência é preterida pela impressão causada em entrevistas de vão de escada,
quando os erros apenas são desculpáveis por terem a sua origem em náufragos esfarrapados, sem sextante, astrolábio ou quadrante, e incapazes de obter o ponto por desconhecimento da arte da navegação,
quando ninguém encontra protecção na Justiça, que para além de ter uma venda nos olhos, deveria também ter uma outra na boca,
numa insatisfação geral, de vítimas, aprendizes de criminosos e criminosos, e outros navegantes espectrais de navio fantasma a mergulhar nas profundezas da iniquidade,
que Nasrudin vos aproveite e sirva de lição.



Um comerciante em viagem entrou com a sua caravana numa cidadezinha do interior do país. Acometido por intensa cólica intestinal, não se conteve e fez as suas necessidades bem em frente ao templo.
Surpreendido por alguns populares, foi levado à presença do juiz, que era Nasrudin.
Este, perguntou-lhe:
“Era sua intenção ofender-nos com tal acto? Era sua intenção ofender a nossa sagrada religião e todos os que a professam?”
O comerciante respondeu:
“Não eminência, nunca. Respeito e sempre respeitei os costumes e crenças dos lugares por onde viajo. No entanto, padeci de tal dor de ventre, que não me consegui conter.”
O juiz olhou-o longamente e, perante a evidente sinceridade do réu, preparou-se para proferir sentença.
Perguntou:
“O que é que o senhor prefere? Um castigo físico ou uma pena de multa?”
“Uma multa, meritíssimo.”
Nasrudin, disse:
“Nesse caso, condeno-o ao pagamento de um denário.”
O comerciante retirou da sua bolsa uma moeda, outra e ainda outra, dizendo:
“Senhor, tenho apenas uma moeda de dois denários. Partamo-la ao meio ficando o tribunal com metade, assim se fazendo justiça.”
Nasrudin pegou na moeda de ouro, olhou-a calmamente e disse:
“Não! Esta moeda não deve ser partida. O tribunal arroga-se o direito de ficar com ela, concedendo ao réu o direito de no dia de amanhã voltar a fazer as suas necessidades diante da porta do templo.”


Assim se fazendo justiça...

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