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ARTE

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

BORIS PASTERNAK (1890-1960) - SE EU ANTES SOUBERA DESTA SINA


Ah, se eu antes soubera desta sina,
Quando me preparava para a estreia,
Que há morte nestas linhas – assassinas!,
Como um golpe de sangue na traqueia.

Os folguedos desta busca de avessos
Eu deixaria, inúteis, de uma vez.
Já tão remoto o esforço do começo,
Tão remoto o primeiro interesse.

Mas a velhice é Roma. Não lhe peça
Que venha com histórias de ninar.
Ela exige do actor mais que uma peça,
Uma entrega total, um naufragar.

Quando o verso é um ditado do mais íntimo,
Ele imola um escravo em cena aberta.
E aqui termina a arte, o pano fecha,
Ao respirar da terra e do destino.

Tradução de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman


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