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ARTE

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

PAUL VALÉRY (1871-1945) - AS ROMÃS





Duras romãs entreabertas
Pelo excesso dos grãos de ouro,
Eu vejo reis, todo um tesouro
Nascer de suas descobertas!

Se os sóis de onde ressurgis,
Ó romãs de entrevista tez,
Vos fazem, prenhes de altivez,
Romper os claustros de rubis,

E se o ouro seco cede enfim
Ante a demanda ainda mais dura
e explode em gemas de carmim,

Essa luminosa ruptura
Faz sonhar uma alma que há em mim
De sua secreta arquitectura.

Tradução de Augusto de Campos

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