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OS TRATAMENTOS SUGERIDOS NÃO DISPENSAM A INTERVENÇÃO DE TERAPEUTA OU MÉDICO ASSISTENTE.

ARTE

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

MIDAS




como é vil e rude o soberano que transforma em oiro as tristezas novas e velhas

midas a fera do lugar nubloso onde se não pode amar a riqueza

um corpo nu chora o sangue dos prazeres da caça
dons angelicais de criaturas aladas
embriagadas de solidão
remos quebrados nas margens da carne cinzelada em triste brilho
quando o sol ainda longe vinha

frenética vida presa às narinas dilatadas das ruas desertas





IMPORTÂNCIA VITAL PARA A POESIA




uma amante de água feita
raio em lascas que ilumina o ventre das trevas

a argamassa antiga cozida a cordel
a meus pés um papel desfolhado na insónia

hoje varre-se o céu     a lâmina invencível da espada aprisionada na teia do frio aéreo
etéreos são os gritos dos répteis que germinam nos bosques da fuga

tempo de míscaros     a cerimónia – paus afiados nas artérias azuis das manhãs de domingo

o veneno     sangue espargido pelos corpos adolescentes     cantares da madrugada 

as bandeiras agitam-se no precipício     mãos ao peito cruzadas
tossem que nem tísicos os cômoros na liberdade que se evapora das esquinas

as ruas enchem-se de feridas que não saram     apinhadas estão as chagas por cães lambidas

úlcera que se esvazia
o que é de uma importância vital para a poesia






DOMINUS VOBISCUM




o gesto das mãos lentas apressa-se na cerimónia     o padre cai de bruços     murmura uma oração em latim     ergue os braços no corpo tenso do desejo sublimado

o povo não recupera as sílabas e tem a expressão facial de um mostrengo que amanhece e que a estupidez tece

no órgão música sem harmonia
dissonante
um sacrário em oração
um crucificado indiferente
àquela asnática gente
e aquele moço pobre coitado
tão novo e tão doente

dominus vobiscum
et cum spiritu tuo





FOGO-DE-SANTELMO




fogo que se não extingue     santelmo     os mastros surdos

encapelam-se as vagas

navio de aventureiros do outro lado do mar
pátria de negreiros

um coração pulsa no convés     os calcanhares doloridos ferem o madeirame húmido

irrompem selváticas sereias de espuma
lírios oceânicos de frio sorrir 
brilho de um luar que se extingue

na pele molhada pela maresia as histórias contadas pela força obscura das nuvens que rodopiam no topo do mastro real

dia de bruxas no cadáver dos meus sentidos
que se ausenta em deriva à vista do areal





DENTES BRANCOS




naquele país a música tinha dentes brancos
sem culpa ou pecado

sorriso de perfeita harmonia cercado de prodígios
na melodia do sacro recinto pesavam-se corpos sóbrios e untuosos 

contávamos as estrelas em noites de lua nova
terço do sagrado coração
em cada arvoredo uma canção

nenhum homem experimentaria nesta vida tão dócil prazer
nenhum rei de terras alheias adormeceria plácido à sua sombra
adeus noite passada     cidade onde nasci     vielas onde me perdi

uma coroa debruada por larvas no corpo exausto da verdade santificada
e aquela ave como lira alienada a cada nota exalada suspirava

vaga essência de alma onde já nada respirava





SANGUE E ESPERMA




nas caves negras dos palácios verde-orgíacos derrama-se sangue e esperma
o espaço e o tempo desposam amores mortais

uma ave índigo voa em círculos imperfeitos

amontoam-se leitos na escuridão
carnes brancas     pretas     mestiças
bocas escancaradas a rogar o líquido vital 

lá fora a tempestade parece não ter fim     o vento estremece o roseiral daninho     a chuva inunda a terra do caminho ladeado por buchos-anões     os trovões assustam o sono das crianças que dormem alheias ao temporal     os relâmpagos aquecem o ar

na cave escura faz-se de tudo
e chamam-lhe amar





O TEU NASCIMENTO




o passado revolve-se no charco da inconstância onde o espírito das estações já mortas silencia os prados

um frio atroz toca as águas estagnadas com os dedos geados     crepúsculo     cavalo alucinado zumbe junto da janela aberta à intempérie dos corações
nela     ela     de braços cruzados fia calada um sorriso abissal

forte é o vento a sacudir ervas e árvores com marcas de dinamite nos regaços     esquiva a primeira estrela faz findar a luz do dia     saias virgens baloiçam entre sóis no seio da terra pelas mãos escavada     honra perdida espezinhada no giestal

e a estrela vai morrendo
cedendo alienada
o lugar ao teu nascimento





MIGRAÇÃO




desço o rio em árvore seca
a corrente de maré é o berço desta velhice medonha

a proa resplandece de bronze
dos céus jorram lágrimas azuis

o convés molhado
o mastro emproado
cabos inertes ferozmente mordidos pelo piano dos mareantes

mar e estepe
os benefícios da solidão na mesa oval
cabeça entre as mãos crispadas
hora de oração

sorrio
nas nuvens aves migratórias
como eu





O TEMPO NUM FIO DE ORVALHO




um estranho ritmo governava-o desde a juventude
ainda tenra criancinha já os vermes das máculas vermelhas dos mortos o perseguiam

no quintal da casa de granito as laranjeiras em flor
e o banco onde se sentara arfando quando ainda cria nas recompensas do além
repousando na primavera tardia

aprendeu a linguagem subversiva das noites de insónia
nos fogosos cavalos pardos da aurora
no longínquo fluxo e refluxo das águas que junto à costa alcantilada tremiam de frio

tinha a natural dificuldade em esquecer a manhã gloriosa
que passara na ribeira onde as flores tombadas viviam flutuando

tecera a fogo a canção das loucuras naquele terrífico espectáculo das noites escuras que tremulavam na eira à sombra da via láctea 
ancestral laje granítica vibrada a violentos golpes de mangual 

o circo     ah o circo das terras do norte
saltimbancos coloridos em país estranho com a marca do poder de deus nas testas luzidias dos tormentos
estranhas eram as tatuagens nos calcanhares

na azáfama da vida subiam verdes ramos de amores ao coração do velho carvalho
suspiros     gemidos     langores

tempo afinal preso por fino fio de orvalho






CORAÇÃO DIREITO




o que procuras no coração esquerdo
ou está em ti no coração direito
ou é em vão que o buscas –
tempo perdido de absurdo humano
no palácio ilusório da vida





SONHO DE MENINO




um melro negro demora na espádua da estátua do amante em desespero

sopra uma brisa pálida na pedra acometida por um bando de aves em batalha

migalhas de amor
faces sem cor
lágrimas de dor

a eloquência da mudez do desengano
por debaixo do pano
ano após ano

ai dos que padecem no estorvo da carne solitária
que morrem cativos de si mesmos
com os dedos cobertos de oiro
sem que apreciado tenham aquele menino loiro que à lareira junto do fogo brinca absorto com as formas das labaredas
e que com as mãos cheias de pedras as arremessa ao céu julgando que são estradas para as estrelas





terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

MARIONETAS NA PRAÇA




na praça as marionetas grunhiam
o povo repartia as túnicas feitas pedaços de entranhas
das negras andorinhas

do ocaso nascera a sorte de pobre cavaleiro
cavalo morto pela pestilência do tempo

um grupo de homens descalços com a identificação nos rostos salgados encaminhava-se pesarosamente para a aldeia
caminhavam de costas com o arco-íris poisado nos ombros salientes
trevo e violetas cresciam nos cabelos escritos de mágoas     homens presentes perdidos com seixos do rio enrolados nas mãos encarquilhadas

uma velha conduzia um jumento à vara
pássaros mudos     vinho azedo     madressilva a roçar requebrada o salgueiro

o sol caía nas ruínas da miséria





LAMPIÃO




homem errante
porque erras 
como quem foge de seu próprio túmulo
em imperioso grito de negação

do sertão acerca-se a morte
óculos redondos     a tocaia ensanguentada de sono     a morte jogada no relógio colorido do pulso decepado
sorte de espírito boémio

no mato estão os teus leitos
os teus amores
o perfume de teus crimes
a canção de teus feitos
no odor das tuas vísceras





A TERRA DOS MORTOS-VIVOS




a miséria suspira no olhar que na fonte se afunda

vacas magras pastam junto ao caminho
onde um guia nos transporta pelas lajes do tempo ao meio-dia

árvores que enlouquecem     nos cílios os restos mortais sobejantes de amores gémeos

feridas iluminam-se nos casebres da aldeia

cai neve
o vento ronda para nordeste
a ponta dos dedos frios toca silenciosamente o mundo que agoniza

o trem das sevícias
para trás ficam todos os sonhos
os tons de azul dos espasmos dos lábios secos
os mais magníficos dos instantes

para além do horizonte dos carris prateados
a terra dos mortos-vivos






A BELEZA DO TEU CORPO




a correnteza do rio inundado
lembra-me a beleza de teu corpo
com o meu lado a lado deitado





NA HORA DA MORTE




que na hora da morte
o azul do céu seja meu tecto
e a terra eterna companheira





quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O QUE MAIS ME PREOCUPA...







O que mais me preocupa, tal como preocupou Martin Luther King, "não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. 

O que mais me preocupa é o silêncio dos bons."





A FELICIDADE É INVERSAMENTE PROPORCIONAL À INTELIGÊNCIA




A GALERIA DO ABSURDO é mais uma ETIQUETA deste sítio. Constituída por factos, apenas factos, onde evitaremos quaisquer comentários sobre os temas para além da simples inclusão de aditamentos, algumas vezes meramente jocosos.
Caberá a cada um retirar as ilações que bem entender no que toca ao material editado, não obstante seja desaconselhável o seu rápido olvido…
Afinal, um facto é um facto, e nada mais para além disso. Só isso e nada mais. 


Um neurologista engraçado. O tipo tem uma ironia excelente. E a brincar...











O DESTINO DOS APOSENTADOS E DOS IDOSOS NA DESTRUIÇÃO DO ESTADO SOCIAL




A GALERIA DO ABSURDO é mais uma ETIQUETA deste sítio. Constituída por factos, apenas factos, onde evitaremos quaisquer comentários sobre os temas para além da simples inclusão de aditamentos, algumas vezes meramente jocosos.
Caberá a cada um retirar as ilações que bem entender no que toca ao material editado, não obstante seja desaconselhável o seu rápido olvido…
Afinal, um facto é um facto, e nada mais para além disso. Só isso e nada mais. 



Não será já este o destino dos nossos aposentados e idosos, por via da destruição do Estado Social, condenados à morte e ao sofrimento num "crematório governamental" - nomeadamente por ausência de meios de subsistência, de cuidados de saúde, de assistência social?... 









A MISÉRIA DO COMUNISMO E DO CAPITALISMO




"Tudo o que temíamos acerca do comunismo – que perderíamos as nossas casas e as nossas poupanças e nos obrigariam a trabalhar eternamente por escassos salários e sem ter voz no sistema – converteu-se em realidade com o capitalismo."

 Jeff Sparrow








PORTUGAL - O TERCEIRO PAÍS MAIS CORRUPTO DA EUROPA







"Foi um tipo diferente de presidente. Provavelmente tomou tantas ou mais decisões em relação à história dos EUA como as que tomaram os 42 presidentes que o precederam.
Uma medida da sua grandeza talvez permaneça para sempre: trata-se do que fez depois de abandonar a Casa Branca.

A única propriedade que tinha quando faleceu era uma casa, onde morava, que se encontrava na localidade de Independence, Missouri. A sua esposa havia-a herdado de seus pais e, fora os anos em que habitaram na Casa Branca, foi onde viveram durante toda a vida.

Quando se retirou da vida oficial, em 1952, todos os seus rendimentos consistiam numa pensão do Exército de $ 13.507 anuais. Quando o Congresso soube que ele custeava os seus próprios selos de correio, outorgou-lhe um complemento e, mais tarde, uma pensão retroactiva de $ 25.000 anuais.

Depois da posse do presidente Eisenhower, Truman e sua esposa voltaram ao seu lar no Missouri, dirigindo o seu próprio carro e sem nenhuma companhia dos Serviços Secretos.

Quando lhe ofereciam postos corporativos com grandes salários, rejeitava-os dizendo: “Vocês não me querem a mim, o que querem é a figura do Presidente, e essa não me pertence. Pertence ao povo norte-americano e não está a venda...”.

Ainda depois, quando em 6 de Maio de 1971 o Congresso se preparava para lhe outorgar a Medalha de Honra pela passagem do seu 87° aniversário, recusou-se a aceitá-la, escrevendo-lhes:
“Não considero que tenha feito nada para merecer esse reconhecimento, venha ele do Congresso ou de qualquer outra parte”.

Como Presidente pagou do seu próprio bolso todos os seus gastos de viagem e de alimentação.

Este homem singular escreveu: 
“As minhas vocações na vida sempre foram ser pianista numa casa de putas ou ser político. 
E, para falar a verdade, não existe grande diferença entre as duas !”."


Mas que existe uma diferença abismal entre este HOMEM e os políticos actuais, é de todo inquestionável.
Daí serem os PIGS o que são... 

*

"A desobediência civil não é o nosso problema. O nosso problema é a obediência civil. O nosso problema é que pessoas por todo o mundo têm obedecido às ordens de líderes e milhões têm morrido por causa dessa obediência. O nosso problema é que as pessoas são obedientes por todo o mundo face à pobreza, fome, estupidez, guerra e crueldade. O nosso problema é que as pessoas são obedientes enquanto as cadeias se enchem de pequenos ladrões e os grandes ladrões governam o país..."
Howard Zinn


É esse o nosso problema!



E este também! Os "criminosos" ao lado de si mesmos (em lapsus linguae, mas certamente aplicável a muitos políticos, que não o deputado em apreço, cuja "vida política" desconhecemos).




quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

PORTUGAL 1975-2013 - UM ECOSSISTEMA POLÍTICO-EMPRESARIAL




A GALERIA DO ABSURDO é mais uma ETIQUETA deste sítio. Constituída por factos, apenas factos, onde evitaremos quaisquer comentários sobre os temas para além da simples inclusão de aditamentos, algumas vezes meramente jocosos.
Caberá a cada um retirar as ilações que bem entender no que toca ao material editado, não obstante seja desaconselhável o seu rápido olvido…
Afinal, um facto é um facto, e nada mais para além disso. Só isso e nada mais. 

Mas que há cada "filho-família" em Portugal..., isso há. E reproduzem-se como "coelhos" sem castração e exterminação à vista.


Um país do 2.º mundo B, sem princípios, sem transparência, onde grassa a corrupção, o compadrio, o aproveitamento próprio, o jogo de influências dos poderosos. Enfim, um país que nos envergonha - o terceiro país mais corrupto da Europa -, que mais parece uma daquelas "democracias" sanguinárias de África ou da Ásia. 
Território por excelência do "parasitismo".


Um ecossistema político-empresarial
Portugal 1975-2013

Um excelente site a visitar:

http://pmcruz.com/eco/






http://www.homeoesp.org/livros_online.html




quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

AUSTERIDADE E CRISE - VENENO MORTAL





FMI ADMITE ERRO SOBRE EFEITO DA AUSTERIDADE EM PAÍSES COMO A GRÉCIA E PORTUGAL

Sempre o dissemos: austeridade por austeridade não é remédio, é veneno letal.
Só ignorantes, negligentes e incompetentes não se poderiam ter apercebido de tal facto, ainda que numa abordagem sumária.

Veja-se:


Lagarde ao discursar no Comité Económico e Social Europeu - órgão consultivo da União Europeia – expendeu a tese de que a crise económica ainda não terminou e pressionou os países europeus a adoptarem as reformas necessárias, nomeadamente a união bancária.

Demandada sobre os efeitos das políticas de austeridade aconselhadas pelo FMI na conjuntura económica e social dos países com maiores dificuldades, admitiu que a instituição desacertou na hora de calcular esses efeitos no desemprego e no crescimento do Produto Interno Bruto – como se não estivéssemos habituados a tanta imprudência e faltas de acerto.

“Como resultado demo-nos conta que era necessário mais tempo para a aplicação dos programas a países resgatados como é o caso da Grécia e Portugal.
Será que podemos realmente dizer que a crise ficou para trás quando há 12% da população activa sem emprego?”, questionou-se a directora do FMI. Tão assertiva, Senhora Lagarde…

“Há sinais evidentes de que nem tudo está bem na EU”, e isto independentemente de todos os esforços feitos para debelar a crise. Sacrifícios tão dolorosamente impostos a populações empobrecidas que afinal não produziram efeitos positivos. 

Na perspectiva da directora do FMI “não há lugar para cantar vitória. É preciso fazer mais”. E que “mais” será este? Não permitam que adivinhe…

Lagarde insiste que a união bancária “continua uma prioridade”, numa altura em que os ministros das Finanças da UE estão a negociar o mecanismo para corrigir o porvir dos bancos em falência na zona euro:

“A nossa posição no FMI é bastante simples: a união bancária deve ser um conjunto simples com um mecanismo único de supervisão e um mecanismo único de resolução dos bancos com uma rede de segurança comum.
Sei que ainda há muitas coisas complicadas a ter em conta nesta altura, mas defendemos e exortamos a que seja considerado um sistema simples, eficaz, justo e o mais previsível possível.
Não pode haver abrandamento e não é com 1% de crescimento na zona euro que devemos abrandar o ritmo das reformas.” 

Mais reformas, ajustamentos, compromissos, alianças, provavelmente num carrossel de desgraças.
E veremos que reformas a Senhora Lagarde tem em mente.

Sejamos honestos: continuamos num BECO SEM SAÍDA – quando um chefe de família está em sérias dificuldades, desesperado, tem 3 hipóteses. Pede emprestado, mendiga ou vai furtar.

Quando um Estado está tecnicamente falido, também as tem…

Portugal e Grécia pedem emprestado – e sem que possam cumprir pontualmente as suas obrigações irão “mendigando” perdões e alargamento de prazos para pagamento das dívidas –, mendigam – aproveitando tudo e todos, mesmo aqueles países governados por notórios criminosos -, e furtam os seus pobres cidadãos em nome da tão abençoada austeridade.

Senhora Lagarde permita-me uma sugestão similar às vossas receitas:
Meia taça de arroz por dia para cada aposentado, uma por trabalhador e os restos divididos pelos desempregados.
O fim da crise em alguns meses, consolidado numa novíssima escravatura deste século XXI.
Compreendo Senhora Lagarde o seu sentimento: "Meu Deus que se acaba tudo...", UE, o euro para os PIGS, e consequentemente a subserviência económica destes aos países desenvolvidos do norte, que sem valores sempre se souberam aproveitar da miséria mediterrânica...



Mas um dia alguém nos virá dizer que a crise terminou e a resposta será a da Concha Caballero quando se referiu ao dia em que a crise acabou. Será a nossa, quando preconizámos um longo período de agonia como consequência da acção de "governantes ignorantes, incompetentes, estúpidos e vigaristas". 



"Quando terminar a recessão teremos perdido 30 anos de direitos e salários…

Um dia no ano 2014 vamos acordar e vão anunciar-nos que a crise terminou. Correrão rios de tinta escrita com as nossas dores, celebrarão o fim do pesadelo, vão fazer-nos crer que o perigo passou embora nos advirtam que continua a haver sintomas de debilidade e que é necessário ser muito prudente para evitar recaídas. Conseguirão que respiremos aliviados, que celebremos o acontecimento, que dispamos a atitude crítica contra os poderes e prometerão que, pouco a pouco, a tranquilidade voltará às nossas vidas.

Um dia no ano 2014, a crise terminará oficialmente  e ficaremos com cara de tolos agradecidos, darão por boas as políticas de ajuste e voltarão a dar corda ao carrocel da economia. Obviamente a crise ecológica, a crise da distribuição desigual, a crise da impossibilidade de crescimento infinito permanecerá intacta mas essa ameaça nunca foi publicada nem difundida e os que de verdade  dominam o mundo terão posto um ponto final a esta crise fraudulenta (metade realidade, metade ficção), cuja origem é difícil de decifrar mas cujos objectivos foram claros e contundentes:
Fazer-nos retroceder 30 anos em direitos e em salários.


Um dia no ano 2014, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o factor determinante do produto; quando tiverem ajoelhado todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maleáveis para fugir ao inferno do desespero, 
ENTÃO A CRISE TERÁ TERMINADO.

Um dia do ano 2014, quando os alunos chegarem às aulas e se tenha conseguido expulsar do sistema educativo 30% dos estudantes sem deixar rastro visível da façanha; quando a saúde se compre e não se ofereça; quando o estado da nossa saúde se pareça com o da nossa conta bancária; quando nos cobrarem por cada serviço, por cada direito, por cada benefício; quando as pensões forem tardias e raquíticas; quando nos convençam que necessitamos de seguros privados para garantir as nossas vidas, 
ENTÃO TERÁ ACABADO A CRISE.

Um dia do ano 2014, quando tiverem conseguido nivelar por baixo todos e toda a estrutura social (excepto a cúpula posta cuidadosamente a salvo em cada sector), pisemos os charcos da escassez ou sintamos o respirar do medo nas nossas costas; quando nos tivermos cansado de nos confrontarmos uns aos outros e tenham destruído todas as pontes da solidariedade, 
ENTÃO ANUNCIARÃO QUE A CRISE TERMINOU.

Nunca em tão pouco tempo se conseguiu tanto. Somente cinco anos bastaram para reduzir a cinzas direitos que demoraram séculos a ser conquistados e a estenderem-se. Uma devastação tão brutal da paisagem social só se tinha conseguido na Europa através da guerra.
Ainda que, pensando bem, também neste caso foi o inimigo que ditou as regras, a duração dos combates, a estratégia a seguir e as condições do armistício.

Por isso, não só me preocupa quando sairemos da crise, mas como sairemos dela. O seu grande triunfo será não só fazer-nos mais pobres e desiguais, mas também mais cobardes e resignados já que sem estes últimos ingredientes o terreno que tão facilmente ganharam entraria novamente em disputa.
Neste momento puseram o relógio da história a andar para trás e ganharam 30 anos para os seus interesses. Agora faltam os últimos retoques ao novo marco social: um pouco mais de privatizações por aqui, um pouco menos de gasto público por ali e “voila”: A sua obra estará concluída.

Quando o calendário marque um qualquer dia do ano 2014, mas as nossas vidas tiverem retrocedido até finais dos anos setenta, decretarão o fim da crise e escutaremos na rádio as condições da nossa rendição.”







NELSON MANDELA, UM TERRORISTA?





"Mandela, pai do terror africano, mãe da NOM"
(Carlos Reis)


A GALERIA DO ABSURDO é mais uma ETIQUETA deste sítio. Constituída por factos, apenas factos, onde evitaremos quaisquer comentários sobre os temas.
Caberá a cada um retirar as ilações que bem entender no que toca ao material editado, não obstante seja desaconselhável o seu rápido olvido…
Também deverá o leitor verificar por si as teses editadas, bem como as fontes mencionadas pelo autor na descrição que acompanha o vídeo - incluindo-se nesta sede os links disponíveis.
Afinal, um facto é um facto, e nada mais para além disso. Só isso e nada mais. 





Vídeo editado por Carlos Reis:

Publicado em 07/12/2013
Neste video está a verdadeira face terrorista e comunista de Nelson Mandela, incensado pela mídia globalista. Descrevo o ambiente de escravidão pré e pós Nelson Mandela em torno da exploração dos diamantes e do ouro do Sul da África. Relato a origem do país e da escravidão que, embora não criando a crueldade, serviu à ideologia marxista-leninista. A África do Sul continua miserável depois de Mandela. 
http://henrymakow.com/when_do_terrori...
http://www.spainvia.com/sarahmandela.htm
http://sarahmaidofalbion.blogspot.com...
http://youtu.be/rWZ6Prjybng
http://www.telegraph.co.uk/health/hea...


(Texto da descrição do youtube da responsabilidade de Carlos Reis) 







segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

TUDO SE CONFIRMA




mares que gritam na tapeçaria que não desvia o sorriso das velhas histórias de ninar     no poço da minha alma a cerejeira está em flor     insuportável dor do grão maduro em embaciado olhar

se outra vida não há porque é tão ingénua a alma assim vestida e tão cruel o suplício que o corpo arrosta no coração quebrado?

os pés sobre a terra     na água a graça do cisne     no ar as cinzas das trevas     nunca pares avezinha     voa na minha consciência     suspensa nas altas varandas de capitéis doirados     esvoaça sozinha

errando de olhos fechados pelos túmulos secretos cavados no seio da procela fogem-me os sonhos pela porta aferrolhada     da janela crepuscular voam andorinhas negras     pobres que entram no meu inferno e apodrecem como fruta no mármore que se cala

o mundo em chamas

arde o ódio
e a coragem
incendeia-se
a angústia
e o sofrimento
ateia-se
o pranto 
e o lamento

tudo se confirma     em flamas o firmamento





VULTOS DE MULHERES




flor que se abre no monte branco como quem se perde nas vielas da cidade de altas paredes recortadas na abóbada dos dias
pedras pardas do muro da prisão em altivez silenciosa clamam pelo prazer dos mortos
passos antigos dos gemidos e ais dormem o último sono às mãos de um bordel de lata onde jazem os vultos de mulheres para sempre perdidas





CORAÇÃO VADIO




noites desertas     o frio corre atrás da sua sombra
lamento-te coração vadio     folha desconhecida adormentada na colina

guarda esse beijo que obscurece a aurora e clareia o crepúsculo
da ausência faz um laço e da saudade afeição