O Mullá, de cócoras
Esgravatava no chão
Em frente de sua casa.
Buscava algo que não lograva encontrar.
Um vizinho questionou-o:
“Que buscas tu?”
“A minha chave, bom homem”, respondeu.
Os dois ajoelhados vasculham:
Terra, poeira, pedra,
Da porta à soleira
E metade do caminho percorrem,
Mas nada.
Cansado de tanto remexer
Com todos os dedos a doer
E alguns dormentes, disse o ajudante:
“Mas, raio, onde perdeste tu a chave?”
“Na minha casa, não sei onde a pus.”
“Então, porque a procuramos aqui e não lá?”
“Não vês vizinho?
Aqui há mais luz.”
JOSÉ MARIA ALVES
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